Algumas das causas da crise da falta de água na
região sudeste do Brasil
Às
vésperas de mais uma semana mundial da água, a região sudeste brasileira está
enfrentando uma das maiores crises hídricas de sua história. Além do fator
cíclico advindo do próprio clima, o elemento cultural/social tem, por sua vez,
uma forte contribuição no agravamento do problema. A partir do século XVI
quando aqui chegaram colonizadores portugueses, foi adotado um modelo de
ocupação pautada na exploração irracional dos recursos naturais sem que o
Estado adotasse políticas de planejamento e manejo de médio e longo prazo como
a água. Quanto a ocupação territorial brasileira a mesma se processou de forma
heterogênea, sendo maior o fluxo demográfico na região sudeste, cuja disposição
de rios com volumes expressivos de água eram menores. Se o Brasil hoje responde
com 12% do volume absoluto de água doce no planeta, desse montante, 80% está
concentrada na bacia do rio amazonas, com baixa distribuição demográfica.
Estados
como São Paulo, Rio de Janeiro e Mina Gerais, juntos concentram quase a metade
da população total brasileira. No entanto, a disponibilidade de água para
consumo nessa região é cada vez menor para atender uma demanda populacional que
cresce a cada dia. Somente o estado do Rio de janeiro tem como principal e
único manancial de abastecimento o Rio Paraíba, sem contar a cidade de São
Paulo, com uma população que supera os 10 milhões de pessoas, cortada por dois rios
totalmente poluídos, o Tietê e o Pinheiros, e cinco represas afetadas pela má
gestão pública. Se a oferta de água disponível à população que vem aumentando
de forma descompassada é pequena, deveriam os gestores públicos há décadas
terem adotados ações educativas e de fiscalização impedindo os desmatamentos e
ocupações nas margens desses mananciais.
A
importância da preservação das florestas no entorno das represas, lagos e rios têm
por finalidade assegurar a filtração da água no solo que abastecerá os aqüíferos,
que por sua vez realimentará os reservatórios. Sem a presença da floresta a
água da chuva escorrerá rapidamente para os rios, erodindo o solo e assoreando o
leito dos mananciais. Com o prolongamento da estiagem nos últimos três anos, a
oferta de água dos mananciais não está sendo suficiente para atender a demanda.
Além da devastação da floresta amazônica que também tem seu peso na redução do
fluxo de chuvas no território brasileiro, deve ser considerado, no caso das
estiagens na região sudeste, o desmatamento da mata atlântica, que é um elemento
preponderante para o ciclo das chuvas, especialmente no verão. São as chamadas
chuvas Orográficas ou de Relevo que ocorrem motivadas graças a entrada de
umidade do oceano atlântico, cuja precipitação e o equilíbrio somente ocorre com
a presença da floresta atlântica situadas nas encostas da serra.
O
curioso é que o fenômeno da estiagem vem se processando numa região cuja mata
atlântica está quase que extinta. Não há dúvida que fenômenos como secas
prolongada ou chuvas torrenciais está relacionado a fatores relativos ao
próprio clima, que são fenômenos cíclicos, que se repetem entre 20, 30, 50 ou
mais anos. No entanto, no caso de são Paulo, se a camada original de vegetação
estivesse conservada, haveria maior retenção de água no solo, mantendo cheios os
reservatórios ou represas. Além do escasso volume de água disponível nos
mananciais, a situação é mais preocupante quando se constata que parte dessa
escassa água disponível é desperdiçada durante a distribuição.
Em
níveis de comparação, o percentual de desperdício de água por vazamentos em
âmbito nacional chega a 37% do total tratado. Sem contar o efeito da poluição,
cujos rios que cortam a cidade de São Paulo que são verdadeiros depósitos de esgotos
e outros tantos tipos de rejeitos conhecidos. Somente o estado de Santa
Catarina o índice chega a 33,7%. Há casos de municípios em Santa Catarina como Lajeado
Grande, (municipal 90,02%); Bom Jesus (Casan 70,35%) e Siderópolis (Casan 67,78%)
que o desperdício de água chega ao nível da aberração.
Prof.
Jairo Cezar
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