DESPREZAR
A HISTÓRIA, A ARTE, A MEMÓRIA ARQUITETÔNICA, FAZ COM QUE SEJAMOS GOVERNADOS POR
POLÍTICOS INCOMPETENTES
Agora
é possível compreender melhor por que as autoridades tanto desprezam nossa
história, nosso rico patrimônio cultural material e imaterial. O fato é que o
comportamento dos políticos é reflexo direto da própria
sociedade, que foi forjada sob o prisma do descartável, de valorizar a estética
do "novo", do "moderno". Muitos buscam até ridicularizar afirmando
categoricamente que quem quer ver coisa velha que vá ao museu. Claro que
discursos como esse foi e é resultado da inserção contínua no nosso
subconsciente de um projeto político que privilegia castas sociais, que
trabalham incessantemente para desvalorizar a ciência, a história, as
universidades públicas, os professores, os artistas etc.
Em
uma reunião que participei para eleição do novo Conselho Municipal de Cultura
aqui em Araranguá, uma cena ratificou o que expressei acima, reafirmando que somos também culpados pela fragilização da nossa memória histórica. Cada um que entrou no recinto
onde haveria a eleição do conselho recebeu uma ficha para escolher um dos departamentos da
cultura que tivesse interesse em atuar. Como sendo eu um apaixonado pela
literatura e a cultura patrimonial, sem titubear assinalei com um X nesse tema. Quando foi
solicitado a todos/as que estavam no recinto, a partir dos temas assinalados, que
se reunissem nas mesas para indicar um titular e um suplente para integrar o
conselho, imaginei que teria ao meu lado várias pessoas, isso pelo fato de ser
o tema muito relevante, porém, tão desprestigiado pelas autoridades.
Fiquei
perplexo quando percebi que todas as mesas, exceto a minha, possuíam boa
representação. Comigo estava um jovem ligado ao direito e as artes
manuais. Aquela cena no Centro Multiuso, me fez lembrar da Conferência Municipal
de Cultura ocorrida quatro ou cinco anos atrás, quando eu e outras três ou
quatro pessoas estavam também reunidas em uma sala no atual prédio da UFSC, também para discutir políticas relacionadas ao patrimônio cultural e arqueológico em
âmbito local, estadual e federal.
Vi
que os demais temas vinculados ao escopo da conferência municipal, havia uma relevante
participação de delegados/as. As elites sabem e não é de hoje que quanto menos acesso o povo
tiver as diferentes artes, à história, à literatura, à memória patrimonial, mais suscetível
estará para ser manipulado, explorado, a ponto de eleger seus próprios algozes, aqueles/as que vão governar ou legislar para beneficiar a si próprio e os seus pares.
Depois
de passar um terço do meu tempo pesquisando e escrevendo, finalmente em 2025 lancei
o livro que discorre sobre a história política de Araranguá: Tramas, Intrigas e Tensas Disputas Eleitorais - História Política de Araranguá de 1880 a 2000. Portanto, são 120 anos de trajetória histórica, que foi costurada garimpando em
arquivos, bibliotecas, museus e livros, informações que me ajudassem a elucidar
fatos políticos de um conturbado cenário social, onde uma elite econômica já se
mostrava madura o suficiente para assumir as rédeas do poder do ainda distrito
Araranguá. Portanto, o processo de emancipação político administrativa do
distrito se deu em 03 de abril de 1880, data em que Araranguá foi oficialmente desvinculada do histórico município
de Laguna.
Alimentava
até a ilusão que após o lançamento da obra, em poucos dias ou semanas estariam esgotados
os duzentos livros que foram editados. Mas, para um município que despreza a
literatura, a arte, a história, o patrimônio arquitetônico em geral, foi ingênuo da minha ter alimentado tal expectativa. O que se percebe de fato é o silenciamento proposital
por parte de certas mídias diante do desprezo dos gestores públicos e órgãos ambientais
ao nosso rico patrimônio arqueológico, suscetível ao vandalismo. Esse silenciamento
também se nota aos inúmeros casarios urbanos quase seculares, bem como igrejas, a exemplo da Matriz Nossa Senhora Mãe dos Homens, explicitamente ameaçada de apagamento da memória coletiva decorrente de comportamentos truculentos de setores do alto, baixo clero e de uma elite tosca no campo da cultura.
Prof. Jairo Cesa
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QUARTA CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE CULTURA, EM ARARANGUÁ/SC, REVELA O FORTE DESINTERESSE SOCIAL E DAS AUTORIDADES NESSE SETOR
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