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Faltando um dia para o segundo turno
de uma das eleições mais acirradas na recente redemocratização do Brasil, Lula
e Flavio aparecem empatados nas pesquisas de intenção de voto. A expectativa
era de que o candidato Flavio perdesse apoio após o debate na TV Band e de
várias postagens nas redes sociais que expuseram indícios de seu envolvimento
em um mar de crimes questionáveis, cujas ações escandalosas poderiam até causar
inveja a Al Capone, dada a astúcia do “gangster” brasileiro.
Ainda existem oportunidades para
evitar que o Brasil fique sob o controle dessa quadrilha de malfeitores, que,
caso assumam a presidência, começarão com um chamado tesouraço. Especialistas
críticos em economia alertam que o Brasil poderá enfrentar o fenômeno conhecido
como Efeito Orloff, podendo se tornar semelhante à Argentina, onde hoje mais de
50% da população vive em precariedade econômica. É notável a ausência do
presidente Milei nas propagandas do candidato do PL, que não o apresenta como
modelo próspero de administração a ser seguido, caso a extrema direita vença no
Brasil.
Fato é que a Argentina está
caminhando para um colapso econômico, a ponto de necessitar da intervenção do
FMI, dado o caos gerado pelo atual presidente. Ao longo de dois anos sob o
governo de Milei, mais de 30 mil pequenos negócios fecharam suas portas. Contudo,
as políticas neoliberais da administração argentina beneficiam setores como
mineração, agronegócio e grandes conglomerados. Com cortes nos gastos públicos,
saúde e educação foram as áreas mais prejudicadas. A estratégia do presidente
argentino, metaforicamente referida como MOTOSSERRA, buscava reduzir a
inflação, mas a eficácia do plano resultou no aumento das taxas de juros, que
estagnou o poder de compra da população.
Com menos dinheiro circulando, os
pequenos negócios sofreram com a diminuição progressiva do poder aquisitivo dos
argentinos. O salário de milhões de argentinos não é suficiente para cobrir as
despesas de uma família por trinta dias, no máximo por vinte dias. Para
garantir a sobrevivência, muitos se veem obrigados a contrair empréstimos
bancários para custear despesas básicas.
Nas últimas semanas, diversas
postagens nas redes sociais têm alertado os eleitores brasileiros para não
cometerem o mesmo erro da Argentina ao escolher o candidato do PL, que
considera o governo Milei um modelo a ser seguido. O uso da tesoura, em vários
eventos que participou, simboliza o que ele pretende implementar na economia do
Brasil. Seus argumentos afirmando que o Brasil atravessa uma crise, que o poder
de compra da população é fraco, entre outras afirmações, não refletem os
indicadores econômicos até agora apresentados.
Assim como na Argentina, o candidato
da extrema direita conta com o apoio dos setores do grande capital, sendo o
agronegócio o principal suporte para a candidatura de Flavio Bolsonaro. Tanto
na Argentina, quanto no Chile, Colômbia e Venezuela, entre outras nações da
América Latina sob governos de direita, o setor de mineração e do agronegócio,
que lida com commodities, nunca obteve lucros tão altos como agora com o dólar
valorizado. Não há dúvida alguma, e até mesmo as crianças percebem, que se a
extrema direita vencer as eleições, a população brasileira enfrentará tempos
muito difíceis.
Já mencionei em outros textos neste
blog que os Estados Unidos são os mais interessados nas vitórias dos governos
de direita na América Latina, pois isso permitirá que reestabeleçam seu poder
geopolítico sobre a região. Sabem que a América Latina possui o que eles mais
precisam, como petróleo e importantes minerais raros, que são matérias-primas
essenciais para a economia do futuro e que substituirá os combustíveis fósseis.
Também entendem que, ao se firmar em seu quintal, a América Latina criará um
escudo contra as iniciativas da rota da seda lideradas pela China. A vitória de
Lula nos proporcionará um alívio temporário, mas, após o dia 25 de outubro, é
fundamental retornar às ruas para garantir que a posse do presidente eleito
ocorra, pois os extremistas tentarão repetir os eventos de 8 de janeiro de
2023.
Prof. Jairo Cesa

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