A "INTERVENÇÃO DIVINA NO STF", O GOLPE DA TOGA
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A
poucos dias do primeiro turno do pleito eleitoral que deverá, a priori, levar
para o segundo turno os candidatos Lula, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, o
STF protagonizou um episódio inédito na história da República, interpretado
como um golpe da alta corte. O caso se deu com a decisão do ministro, “terrivelmente
evangélico”, André Mendonça, que tomou a decisão pelo afastamento preventivo do
diretor geral da PF, cuja alegação foi ter produzido relatórios sigilosos, da
atuação do magistrado e a do advogado-geral da União (AGU). O episódio que
levou a dispensa do chefe da PF, que foi reintegrado ao cargo mais tarde, se
caracterizou como um golpe, porque tal atitude deve partir de decisão da
plenária do judiciário e não ato individualizado de um juiz.
De
certo modo, a postura do ministro em criar o emblemático fato, que também
envolveu o seu colega de toga, Alexandre de Moraes, tem a finalidade clara de produzir
clima de confusão social e revolta a poucos dias da eleição. É preciso deixar
bem claro que esse ministro foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que
além de jurista é pastor evangélico. É nítido que, tomada a decisão que tomou o
ministro Mendonça, o ato insólito reverberaria positivamente junto a militância
e aos milhares de evangélicos que denotam apoio ao candidato da extrema
direita.
É
claro que ninguém impede que integrantes de órgão de tamanha relevância como o
STF pratique uma religião, até mesmo ocupando o cargo de pastor ou quem sabe outra
função litúrgica, porém, isso jamais deveria se mesclar com decisões tomadas
frente ao cargo de ministro da Alta Corte. Uma sociedade como a brasileira,
onde a religião perpassa os limites da própria constituição, que define a laicidade
como regra pátria, ter um ministro terrivelmente evangélico, que nos cultos que
ministra, admite ser o Messias, o enviado de Deus, é, sim, uma estratégia de
induzir a população evangélica a votar no candidato da extrema direita.
Atitude
como essa de um ministro, de se classificar como um escolhido dos céus, foi
explorado no passado pelo ex-candidato e depois presidente, Jair Bolsonaro, que
sempre usava como slogan de campanha a expressão: “Brasil acima de tudo, deus acima de todos”.
Não há dúvida que há um projeto “evangelistão” sendo incubado, basta prestar
atenção na quantidade de igrejas neopentecostais instaladas nas cidades
brasileiras. É assustador o número de fiéis que essas igrejas conseguem atrair
durante os seus cultos, grande maioria impregnando aos seus fiéis, valores
morais conservadores, fundamentados no slogan fascista, Deus, Pátria e Família.
O
que é verdadeiro no caso do STF, é que o circo está montado, com objetivo explícito
de distrair a população. Fazer acreditar que o órgão está contaminado, que
todos/as estão envolvidos/as, que é preciso suprimir o órgão, prender,
impeachment, ou até mesmo uma intervenção golpista, a exemplo de 08 de janeiro
de 2023. E isso jamais podermos admitir, não queremos retroceder décadas na
nossa história, porque eleger Flavio Bolsonaro, é perder direitos sociais e
humanos, é voltar a censura, a fome, a violência, o negacionismo, as fobias de
gênero, o empobrecimento. Acredite, será o retorno da barbárie.
Fatos
recentes e muitos que estão em evidência, mostram que o “ovo” do fascismo está
prestes a descascar, isso se não enfrentarmos o monstro fascista, com todo o
afinco no pleito do dia 04 de outubro. O 07 de setembro comemorado em Içara/SC,
quando grupos de pessoas ligadas a uma igreja evangélica, desfilaram, transportando
faixas com mensagens de cunho moralista, como, por exemplo, “casamento é
monogâmico e Heterossexual”, infringe princípios constitucionais de liberdade
de gênero. Outro caso que merece atenção redobrada foi a agressão contra a
candidata a suplente de senadora, pelo PT, por parte da polícia militar do
estado em Jaraguá do Sul/SC. Tanto o insólito ato do desfile no dia 07/09,
quanto a agressão recebida pela candidata a suplente de senado, em Jaraguá do
Sul, ambos refletem o comportamento da sociedade brasileira, forjada pela
barbárie de um patriarcalismo escravista ainda latente no imaginário coletivo.
Se
a credibilidade da população brasileira em relação a política já era pífia, agora
com esses escândalos envolvendo integrantes da Alta Corte, o cenário ficou pior
ainda. Quem ganha com isso são os políticos oportunistas, ditos “não
tradicionais”, que apostam as fichas na aquisição desses votos e na vitória. É
sabido que a extrema direita também aposta as fichas na eleição do máximo
possível de congressistas, dos quais proporcionarão a uma revisão ou construção
de uma nova constitucional, com a supressão de direitos aos trabalhadores.
O
momento que seria para debater demandas importantes para a sociedade, como
saúde, segurança, educação, meio ambiente, os/as candidatos/as e a própria
sociedade, estão envoltos ao que está orbitando no STF, atolado por denúncias
de corrupção e desvio de conduta de alguns dos seus membros. Enquanto a
população concentra o foco das atenções sobre o supremo tribunal federal, que
se transformou num ringue político, a crise ambiental deixa de ser discutida,
bem como a educação. É tão sério esse desinteresse em discutir temas tão
relevantes, como educação pública, que pouca gente sabe que permaneceremos nas
últimas posições no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA).
Dos
91 países avaliados e que integram a OCDA, o Brasil ficou na 67ª posição geral.
Porém, os resultados foram mais decepcionantes em matemática, alcançando a 71ª
posição. Já em literatura, obteve a 52ª posição; e ciências, a 67ª, atrás de
países como o Uruguai, Chile, México, Costa Rica, Peru, Colômbia. Esses números
explicam por que elegemos candidatos que, na câmara, na assembleia e no
congresso, procuram esfolar os trabalhadores.
Portanto, temos que ter lucidez, mesmo aqueles que não gostam do
candidato Lula, devem ter clareza que o que está em jogo é a civilização, e que
votar na extrema direita é optar pela barbárie.
Prof.
Jairo Cesa