OPERAÇÕES PSICOLÓGICAS OU (PSY OPS) QUE ATUAM NA
DESESTABILIZAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO
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No século XX, a ex-colônia britânica,
os Estados Unidos, emergiu como uma potência regional. Por meio de negociações
e acordos com a vossa majestade imperial britânica, tomou as rédeas do que se
tornaria o enorme quintal econômico estadunidense. O tempo passou, guerras
sangrentas ocorreram, incluindo a violenta guerra fria, assim como mudanças
significativas nos domínios econômico e tecnológico, levando nações a desafiar
o poder do grande império do norte. Entramos no século XXI, é a era da
internet, das mídias digitais e da inteligência artificial; tudo isso combinado
impõe àquelas populações que não se alinham a uma governança tecnológica, como
é o caso da América Latina, uma condição de subserviência permanente.
Alcançar altos níveis de
desenvolvimento tecnológico demandou anos de pesquisa e significativos
investimentos em educação, algo que a América Latina não fez, claro, devido a
políticas de dependência, especializando-se apenas na exportação de
commodities. Com o fim da guerra fria, os Estados Unidos estabeleceram seu
controle sobre a governança global, mas não previram que décadas depois sua
supremacia estaria sob ameaça da China, o gigantesco país comunista, cuja
economia é tão capitalista quanto as demais superpotências, porém, com
planejamento estatal.
Novos componentes eletrônicos
passaram a impor a ordem econômica global. Chips para computadores, celulares,
carros e motocicletas elétricas são equipamentos que determinarão as regras de
um mundo no qual a inteligência artificial busca conquistar autonomia em
relação aos seres humanos. Assim como o ouro e a prata construíram impérios, os
valiosos chips são produzidos a partir de minerais, tão raros e valiosos quanto
os cobiçados metais pelas metrópoles espanholas e portuguesas. Agora, tente
adivinhar onde esses recursos estão realmente localizados? É claro que a maior
parte está no território chinês, seguida pelo Brasil.
Enquanto superpotências como os
Estados Unidos investiram bilhões de dólares em indústrias bélicas nos últimos
trinta a quarenta anos, a China concentrou seus esforços na construção de um
parque industrial e na educação de seus jovens em todos os níveis. Nos últimos
dez anos, a China tem se tornado uma ameaça ao grande império do norte, que
está respondendo às ameaças reocupando seu histórico quintal, a América Latina.
O que se observa na América Latina é
uma forte mudança política para a direita, em muitos casos, para a extrema
direita, a partir das últimas eleições ocorridas na região. Todas, sem exceção,
tiveram influência direta ou indireta dos Estados Unidos. Na Venezuela, o
processo foi ainda mais violento, com o sequestro do presidente e sua esposa
por forças ligadas ao Trump, sendo ambos levados para os EUA e presos.
Como um tabuleiro de xadrez, governos
de centro ou de esquerda foram gradualmente eliminados pela onda direitista na
América Latina. Agora, estão pendentes as duas principais economias da região,
o México e o Brasil. Contudo, é no Brasil que os Estados Unidos estão
concentrando seus esforços para garantir a vitória de mais um governo vassalo
no continente. O modus operandi dessa possível tentativa de tomada de poder no
Brasil pela extrema direita poderá, talvez, não seguir o mesmo caminho trilhado
em 1964, quando as forças armadas tomaram as ruas, depuseram o governo João
Goulart e encerraram o Estado democrático de direito.
Desta vez, há uma engenharia em jogo
nessa possível tentativa de golpe, que chamamos de Arquitetura de Vigilância.
De fato, são as mídias digitais que realizam esse trabalho sujo a favor do
imperialismo estadunidense. As principais plataformas digitais, as big techs:
WhatsApp, Google, YouTube, Meta, etc., estão localizadas nos EUA. Acredite, uma
parte do aparato militar norte-americano também possui nossas informações
sensíveis, como localização, hábitos de consumo, redes de relacionamento,
preferências políticas, histórico de navegação, biometria e dados institucionais
públicos.
Esse será, portanto, o modus operandi
que a equipe do presidente Trump irá utilizar para eleger seu candidato, o
ultradireitista Flávio Bolsonaro, que representa o que há de mais arcaico e
tosco em termos de política. Eleger um vassalo, o candidato Flávio mostrou
todas as credenciais que o qualificam para tal, pois é o instrumento que Trump
usará para conter a forte influência da China na região. O que o império
americano busca no Brasil é fincar suas garras predatórias, apropriando-se de
nossas riquezas naturais, em especial as terras raras.
Aqui, portanto, está o custo nefando
que pagamos por nossa condição de nação periférica. Enquanto as nações centrais
acumularam os benefícios do progresso técnico, detendo maior poder de decisão,
as economias periféricas continuam vulneráveis à dependência externa. A
fragilidade das nossas instituições de ensino, desde o nível básico até as
universidades, resultou na situação atual, caracterizada pelo colonialismo
digital. Essa assimetria, entre centro e periferia, se move para a dominação
das infraestruturas, dos dados das plataformas e das tecnologias das quais
nossa sociedade depende.
De fato, a arquitetura de vigilância
tem atuado com eficiência extraordinária no Brasil, gerando desinformação de
tal forma a estabelecer um clima de desestabilização social contínua. O medo de
que a China se torne uma protagonista econômica pela difusão da Rota da Seda no
quintal americano fez com que as big techs entrassem em ação, com o objetivo
inicial de gerar desinformações e preparar o terreno político para eleger um
governo subserviente ao imperialismo americano.
Parece que esse modus operandi
tecnológico no campo cognitivo de parte da sociedade brasileira vem logrando
algum sucesso. Um candidato com um histórico repleto de suspeitas de atos
criminosos, que ameaça o próprio estado republicano, é o que lidera as pesquisas
no segundo turno, indicando claramente que operações psicológicas (PSY OPS)
estão atuando com intensidade nas diversas mídias sociais, controladas por
corporações midiáticas estadunidenses. Acredite, iremos superar as big techs elegendo Lula presidente. As centenas de milhares de pessoas nas ruas em defesa da democracia são o termômetro real de que iremos sim vencer a barbárie, prevalecendo a civilização.
Prof. Jairo Cesa
https://diplomatique.org.br/para-alem-das-tarifas-a-disputa-esta-na-cognicao/
https://diplomatique.org.br/o-brasil-como-baluarte-das-terras-raras/
https://www.youtube.com/watch?v=_AK8PtKw3L4
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