REGISTROS PICTÓRICOS IMPORTANTES: A ARTE COMO INSTRUMENTO DE LIBERTAÇÃO
| Foto - Jairo |
A
arte ao longo da história civilizatória sempre teve papel importante na
representação simbólica no modo de vida das diferentes culturas. As pinturas
rupestres, como as encontradas na Serra da Capivara, no Piauí, com desenhos
datados de até 50.000 anos são expressões que buscam interpretar o modo de vida,
as relações interpessoais desses grupos
humanos já extintos. As sociedades que valorizam a arte, nas suas diversas
representações, são mais resistentes a regimes autoritários, bem como comportamentos
dogmáticos, como a crença cega a indivíduos vistos como mitos, salvadores da
pátria. Se prestarmos atenção vemos que o Brasil se enquadra perfeitamente
nesse cenário de dogmatização social coletiva, um tipo de massificação patológica,
que é quase regra atualmente no gênero musical apreciado por parte da sociedade.
| Foto - Jairo |
| Foto - Jairo |
É
claro que a escola tem lá sua responsabilidade na formatação desse preocupante
cenário, porém, não é culpa exclusiva das instituições de ensino, mas dos
governos e grupos econômicos aliados, que quando definem os parâmetros curriculares,
recaem as artes, as ciências humanas, reduzidas cargas horárias de docência.
Menor tempo para o ensino da arte, associada a fragilidade pedagógica e a
desqualificação profissional, modelam os tipos de sujeitos que saem das escolas,
acríticos, insensíveis à estética, à empatia, ao pensamento abstrato. O agravante
nisso é que serão sujeitos mais suscetíveis as patologias psíquicas.
| Foto - Jairo |
Uma
exposição de arte, pinturas em tela e esculturas, por exemplo, tem por finalidade
não somente tornar o espaço esteticamente mais atrativo, mas também
proporcionar ao público visitante momentos de introspecção, sensibilização, um
encontro com sim mesmo, diante dos trabalhos produzidos pelo artista. Admito
que deve ter sido exatamente essa a minha proposta quando solicitei o espaço do
Travessia Shop – Calçadão, Araranguá, para a realização da exposição de
esculturas e pinturas em tela, essa última, retratando o ambiente urbano de
Araranguá na Primeira República do século XX.
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A
exposição teve a duração de quinze dias, de 24 de abril a 10 de maio de 2026.
Durante esse período foram centenas de pessoas que transitando pela galeria,
muitos/as, atraídos/as pela diversidade de peças expostas, reduziram ou
cessaram os paços para apreciar o que estava sendo mostrado ali. Muitos vieram
até a mim, agradecer por ter escolhido o local para expor trabalhos tão
primorosos e de fortes significados sensoriais. Relatou uma gerente de loja que
pessoas em Araranguá não acreditam ou não sabem que no município tem pessoas
que fazem arte: esculturas, pinturas, gravuras etc. Ainda hoje é hábito as
pessoas interpretarem a arte como objeto eminentemente terapêutico, algo
desprovido de objetividade, não veem como uma atividade profissional, que lhe proporciona
ganhos financeiros para a sua subsistência.
| Foto - Jairo |
De fato, poucos/as tem a arte como meio exclusivo de subsistência, incluindo nesse mote o músico, o escritor, exceto, é claro, os que escrevem obras de autoajuda. Como prova que em Araranguá a arte ainda ocupa espaço secundário no cotidiano da sociedade, nos quinze dias de exposição, não houve a presença de qualquer órgão de imprensa local ou regional para dar alguma cobertura para incentivar a mostra. Talvez o desinteresse seja pelo fato de a arte ainda estar vinculada a personificação de nomes de forte veiculação midiática. Se perguntarmos as pessoas se lembram o nome de algum escultor brasileiro importante, certamente o nome que virá à mente será de Aleijadinho, artista barroco mineiro, não é mesmo?
As
pinturas e em especial as esculturas expostas, todas, tem forte representação
simbólica. Cada peça exibida traz informações e vestígios das várias
catástrofes climáticas que se abateram na região da bacia do rio Araranguá. São
milhares de troncos, alguns centenários, que se desprenderam e que continuam se
desprendendo das encostas da serra geral, que empurrados pela força do rio
tende a se acumular na foz do rio Araranguá e em toda a extensão da respectiva
orla. Na exposição, portanto, o espectro
climático planetário também é esboçado, cada árvore erodida das encostas ou até
aquelas suprimidas para expansão agrícola ou pecuária, seus impactos a biótica
planetária já se mostram devastadores.
Prof.
Jairo Cesa