AINDA HÁ TEMPO PARA IMPEDIRMOS QUE A
BARBÁRIE SE INSTALE NO BRASIL
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Durante minhas tarefas diárias de
professor por aproximadamente quarenta anos, sempre me deparei com turmas, ensino
fundamental, por exemplo, de um ou mais estudantes que insistiam desvirtuar o
grupo com atos de rebeldia. Claro que os comportamentos inapropriados à cultura
discente, geralmente tinham relações de caráter
emocional/afetivo, advindas do grupo familiar onde a criança/adolescente estava
inserida. Mas afinal, por que cargas d’água trago o exemplo de crianças rebeldes
para a construção narrativa desse texto? A resposta está no debate eleitoral
promovido pela Rede Band de Televisão, no último domingo, 18/10/ com os
candidatos presidenciáveis Flávio Bolsonaro e Luís Inácio Lula da Silva.
Desde a redemocratização do Brasil, nos
pleitos eleitorais ocorridos sempre foi hábito as emissoras de TV abertas
realizarem os seus debates eleitorais, como forma de levar ao público as
propostas dos candidatos nos diferentes segmentos. Acontece, que o debate
ocorrido no último domingo seguiu um padrão que se distinguiu dos
convencionais, ainda mais quando estiveram frente a frente duas pessoas
defendendo programas ideológicos distintas, um insistindo na permanência da
democracia, ou outro, a instalação da barbárie, por meio da entrega literal do
Brasil ao imperialismo estadunidense.
Era de se imaginar que o candidato
que integra a ala ultraconservadora, se utilizasse de todo o tipo de manobra
espúria a disposição para tentar
tumultuar o debate ou confronto, termo utilizado pela mediadora do respectivo
canal de TV. Por quase quinze minutos, quando os candidatos tiveram esse tempo para
confrontar suas propostas, o que se viu foi um ataque sem limites do candidato
extremista ao seu oponente, com ilações falsas e posturas que fogem completamente ao nível de um
estadista que pretende ocupar o posto de presidente da república.
Agora, o que causou indignação a
milhões de expectadores, claro que exceto da bolha bolsonarista, foi a insistente
presença do candidato Flavio sempre se postando atrás do candidato Lula, quando
estava com a palavra. Como uma assombração, ele movimentava a cabeça/corpo,
como querendo negar o que o oponente dizia, com nítidas intenções de deslocar a
atenção do expectador, atitude semelhante ao moleque do fundo da sala, como
ressaltei acima. Esse ardiloso método foi utilizado durante a campanha
eleitoral nos EUA, pelo candidato Trump contra a democrata e Hilary Clinton. Imagens
do debate, exibem Pablo Marçal fazendo gestos direcionados ao candidato Flavio,
para que se postasse atrás de Lula e movimentasse a cabeça, negando o que o
candidato afirmava.
Teve o momento em que a mediadora do debate
precisou interrompê-lo e chamar a atenção do candidato Flavio, solicitando que
se comportasse para que o debate/confronto tivesse prosseguimento. Essa
atitude, acredito que milhões de professores que estavam acompanhando o
desenlace dos dois candidatos, certamente lembraram do estudante, do moleque do
fundo da sala, que insistentemente perturbava o desenvolvimento da aula. Foi
exatamente o comportamento do candidato Flavio, o moleque, malandro, pouco
inteligente, porém, preparadíssimo para tumultuar, deslocando toda a atenção
para si.
Penso que muitos devem ter ficado
perplexos quando o candidato Flavio mencionou a presença na plateia dos seus
“queridos apoiadores”, o ex-ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro e
governador eleito do Paraná, Sérgio Moro; e o ex-Procurador da República e
agora Senador eleito pelo Paraná, Deltan Dallagnol. O que deve ter passado na mente de
muita gente é, como assim, companheiro, alguém que na época o ministro Moro o
odiava, pelo fato de o presidente Bolsonaro ter demitiu o Diretor-Geral da Polícia
Federal sem o consentimento do Ministro da Justiça. Essa atitude autoritária do
presidente, motivou o pedido de demissão do ministro Moro da pasta da justiça. A
troca do diretor-geral foi arquitetada pela família Bolsonaro com o intuito de proteger-se
de investigações por crimes cometidos.
Propostas como transformar o Serviço Único
de Saúde - SUS em padrão hospital Albert Einstein; criação do Ministério da
Prosperidade, entre outras maluquices, ecoaram da mente estúpida de um cidadão
que não apresenta o mínimo de qualificação ao relevante cargo que é o de Presidente
da República. Penso que, aqueles que possuem o mínimo de discernimento acerca
do que é certo ou errado, deve ter assimilado o erro que será ir à urna do
domingo, 25/10/ e votar no 22.
Como historiador que sou, por 40 anos
aproximadamente trabalhei na Rede Estadual de Ensino de Santa Catarina, e alimento
todas as convicções que, na desastrosa hipótese de sagrar-se presidente, seu mandato
será mais autoritário que os tristes 20 anos do regime militar. Os generais,
com algumas exceções, se apresentavam como nacionalistas, ou seja, defendiam arduamente
a soberania nacional, em momento algum esboçaram discursos propondo entregar
nossas riquezas a qualquer outro pais.
O candidato ultradireitista defende
abertamente abrir as fronteiras do Brasil a vossa majestade Donald Trump, que
irá se apropriar do que temos de mais precioso para assegurar a nossa soberania
no futuro, as extraordinárias reservas de terras raras, principalmente o nióbio,
pois concentramos a maior reserva desse importante mineral. E agora, depois de
tanto esclarecimento, de tantos alertas, será possível que as pessoas, a classe
trabalhadora, por exemplo, manterá sua posição de eleger alguém que promete
destruir tudo o que conquistamos em décadas de luta e sofrimento?
Não podemos retroceder décadas, séculos
de história. Recuperar um país destruído demora muito tempo. Não podemos
colocar em risco de sofrimento duas ou mais gerações, como foi o regime
militar. Ainda hoje vivemos os reflexos negativos desse perverso momento da
nossa história, que reprimiu, prendeu e matou muita gente, pelo fato de
defender as liberdades constitucionais, o direito de existir, de pensar de
acordo com suas convicções e valores. O projeto da extrema direita, chancelado
pelo candidato Flávio Bolsonaro, é calar quem pensa diferente, comportamento visto
de grupos apoiadores e simpatizantes atacando aqueles que defendem opiniões
contrárias à bolha extremista.
Imaginamos um presidente que tenha ao
seu lado um congresso tomado por parlamentares do mesmo partido que o seu, resguardado
por um vasto guarda-chuva de partidos associados; um número acachapante de
governadores e prefeitos que seguem essa mesma lógica; um STF majoritariamente
aparelhado ao governo federal, será que tantos exemplos não abram os olhos de
que e estaremos sob a égide da ditadura? Não precisamos esperar para ver o que
dá, temos que cortar essa mal pela raiz, e tem que ser agora, domingo, votando
não à quadrilha que quer se apropriar da nossa Pátria Amada Brasil.
Não duvide, o governo Bolsonaro será
letal às classes trabalhadoras, porque terá como escudo, a força militar e
persuasiva dos Estados Unidos. Ainda há tempo, porém, temos poucos dias para
trocar nosso voto e eleger o candidato da democracia, da civilização, que é contrário
a barbárie, Lula da Silva – 13. Outra alerta relevante, acredite, o cenário
político atual brasileiro é similar à Alemanha de 1933, quando ocorreram
eleições democráticas e o eleito foi nada mais nada menos que Adolfo Hitler,
sendo que o resultado não preciso expor aqui.
Prof. Jairo Cesa



