O
QUE DE FATO NÃO FOI DITO ACERCA DO ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BASICA
– IDEB, EM SANTA CATARINA
https://portalamm.org.br/noticias/ideb-avanca-em-todas-as-etapas-da-educacao-basica
Há
muito tempo que o resultado de um IDEB não gerava tanto frenesi como foi o
último, lançado há poucos dias. É de se imaginar que tamanha importância dada
se deve ao fato de os exames trazerem resultados “melhores” em comparação aos
realizados até o momento. Se observarmos os números, ou seja, as médias obtidas
nas notas, elas se mostram ainda ridículas, principalmente no ensino médio entres
as redes públicas estaduais. Dos 27 estados da federação, o Paraná, foi o que
obteve a melhor média, 5.1, em um patamar mínimo, de 6, determinado pelo programa
de metas a ser alcançado até 2021.
Isso
significa que esse parâmetro de 6.0, que os estados teriam de alcançar até
2021, não tem mais validade, prevalecendo outro parâmetro, possivelmente 7.0
daí para a frente. Outro detalhe pouco comentado durante a exposição dos
números tanto pelos governos quanto pela imprensa, as médias informadas
relativas ao IDEB se fundamentam em dois ou três indicadores, nota Prova Brasil
em português e matemática e aprovação. Não interferiu no resultado, resultado,
infraestruturas das escolas, salário, formação dos professores, contexto social
e econômico dos estudantes.
Na
hipótese desses demais critérios estivessem incluídos no computo avaliativo do
IDEB, as médias teriam despencados a tal ponto que causaria um vexame
internacional aos estados e municípios. Outro detalha pouco ou nada divulgado,
muitos estados da federação, para inflar os resultados do IDEB tomaram medidas
como a avaliação automática nas escolas, ou seja, mesmos os estudantes passivos
de reprovação, foram aprovados.
Claro
que em muitos aspectos a educação pública brasileira vem patinando devido ao
modo como o currículo ainda é pensado, como também a frágil formação dos
profissionais e, principalmente, as políticas salariais, que colocam o país
como um dos piores na OCDE em valorização profissional, com remuneração 47%
abaixo da média dos 38 países membros, que que possuem uma remuneração de US$
43 a US$ 45 mil dólares/ano. Uma das
conquistas que ajudou minimizar a vergonha nacional da remuneração dos
professores foi o piso salarial nacional do magistério, conquistado depois de
muita luta, porém, está no radar do congresso nacional para a sua supressão.
Voltando
ao tema, nota do IDEB, quando saiu o resultado que colocou SC na terceira
posição entre os estados como os mais sucedidos no ensino fundamental, foi uma
avalanche de entrevistas concedidas pela secretária às rádios e demais mídias
digitais acerca do fato ocorrido. No município de Araranguá, a secretária
afirmou em uma das mídias locais que o estado promoveu um dos maiores avanços
do país no ensino médio, saindo da 17ª para a 7ª posição entre os 27 estados.
Diante da fala da secretária acerca dos resultados do IDEB no ensino
fundamental e médio, cabe fazer aqui algumas importantes reflexões, para saber
o que realmente é fato e fake em seu discurso.
Sendo
assim, o melhor canal para desconstruir inverdades dos governos que passaram e
dos atuais acerca da educação pública, é o SINTE, entidade que representa toda
a categoria do magistério estadual. Consultando o sindicato, enfim, veio a
verdade, a terceira posição do IDEB, conquistada pelo estado no ensino
fundamental e celebrada pela secretária do estado como uma final de copa do
mundo, se deu pelo fato de o atual governador ter considerado no computo geral,
as avaliações das redes privadas, escolas públicas federais e municipais. Isso
quer dizer que se fosse somada somente as notas das escolas de ensino
fundamental da rede estadual, a média seria certamente outra e absurdamente baixa.
Quando
a posição do ensino média no IDEB, penso que a secretaria tenha se equivocado
quando afirmou que o estado de SC, baixou de 17ª para a 7ª posição. Na
realidade o estado ficou na 11ª posição, obtendo a nota 4,3. Poucos sabem que o
estado de SC até o ano de 2011 sempre alcançava as primeiras posições no ensino
fundamental e médio no ranque nacional. A partir de 2015, no entanto, é o início
ao declínio da educação pública estadual em decorrência de muitos fatores,
sendo um dos mais relevantes, as políticas de precarização, principalmente da
carreira do magistério.
Como
estratégia para elevar a nota do estado no IDEB, que por consequência colocaria
SC entre os primeiros em âmbito federal, o governo adotou uma manobra ousada, a
aprovação dos estudantes por média global. Como assim? No lugar de nota por
disciplina, os professores somariam todas as notas das disciplinas,
dividindo-as pelo total de matérias/disciplinas. Em uma partida de pôquer,
geralmente o vencedor é aquele que faz uma jogada de mestre, não é mesmo. Foi
exatamente isso o que o governo do estado fez com o IDEB, inflou as notas.
Portanto,
acredite, não somos um estado sério na educação, para conferir essa triste
realidade, basta conhecer o processo de remuneração da categoria do magistério,
com o segundo pior piso salarial de final de carreira para profissionais com
licenciatura plena, mais de 80% da categoria do magistério estadual. A
remuneração do professor que está em início de carreira, licenciatura plena,
comparado com o professor doutor, a diferença de salário é de 8,3% ao longo da
carreira.
SC
está entre os três estados com carreira mais compactada, desestimulando qualquer
profissional em querer progredir, porque pouco influenciará em ganhos consideráveis.
Uma educação de qualidade se constrói com professores concursados, qualificados
e bem remunerados, não é mesmo. Acredite, SC é o terceiro estado com menor
participação de docentes efetivos entre os 27 da federação. Como assim. Grande parte
do contingente de professores que atuam no exercício da docência são de
professores contratados temporariamente, conhecidos como ACT, com vínculos
provisórios com o estado e as escolas das quais atuam.
Prof.
Jairo Cesa