terça-feira, 3 de novembro de 2026

 

UMA NAÇÃO FORJADA PELA ESCRAVIDÃO, PORÉM, OFUSCADA NOS VERSOS ROMÂNTICOS DE BRASIL, PÁTRIA AMADA, IDOLATRADA

https://www.dw.com/pt-br/a-escravid%C3%A3o-explica-o-nascimento-do-sistema-financeiro-brasileiro/a-66999703


 Após a eleição que resultou na vitória do presidente Lula para seu quarto mandato, o que não se esperava era o profundo ódio de alguns apoiadores do candidato derrotado e fugitivo, Flavio Bolsonaro, que disseminaram uma lista contendo nomes e negócios de eleitores petistas para que fossem boicotados. A atitude de criar essa lista é um exemplo de violência extrema, um comportamento odioso, semelhante ao regime nazista da Alemanha, que marcava lojas de comerciantes judeus com uma estrela, um símbolo religioso judaico, para promover boicotes.

Aqueles que conhecem fragmentos da história sabem que regimes dessa magnitude sempre surgem gradualmente. Entretanto, quando a população finalmente se dá conta da situação criada, já é tarde; o nazismo, o fascismo e outras denominações hediondas já estão estabelecidos, espalhando terror entre os cidadãos. Como mencionei anteriormente, o espectro do fascismo no Brasil começou a ser fomentado no início do século XX, com a criação da Ação Integralista Brasileira - AIB, um partido político inspirado pelo fascismo italiano de Benito Mussolini. Contudo, mesmo após a AIB ser cassada em 1937 por um decreto assinado por Getúlio Vargas, seus princípios e valores extremistas e moralistas sobreviveram, aguardando um momento propício para eclodir novamente.

As crises cíclicas do capitalismo globalizado resultaram em convulsões sociais, entretanto, em contrapartida, partidos e governos ultraconservadores tendem a emergir prometendo reformas estruturais que seguem a lógica de beneficiar o grande capital. O ultraconservadorismo pode se manifestar por meio de ditaduras ou regimes de exceção, quando as regras constitucionais perdem sua eficácia jurídica. A continuidade dos conflitos, como as tensões entre Ucrânia e Rússia, legitima ações governamentais que agem à revelia de suas constituições.

O Brasil, como toda a América Latina, embora suas influências se mostrem um tanto discretas em relação às tensões na Europa e no Oriente Médio, é visto pelo mundo como um grande reservatório de riquezas naturais de imensa relevância econômica. A China, que se destaca como uma das protagonistas da nova geopolítica em formação, gera apreensão nas tradicionais potências imperialistas em decadência. A atual revolução tecnológica, ou quarta revolução industrial – 4.0, manifesta-se na fabricação de sofisticados chips e condutores elétricos, utilizados na indústria automobilística e de computadores, entre outros segmentos industriais importantes, elevando as tensões entre a China e seu vizinho Taiwan, além de outras potências europeias e os Estados Unidos, nas disputas pelo controle desse promissor mercado bilionário do futuro. A crescente perda de importantes mercados na Europa e na Ásia, influenciada pelos conflitos e pela forte ascensão da China através da Rota da Seda, levou os Estados Unidos a redirecionar sua bússola geoeconômica, agora focando a atenção na América Latina, nas vastas reservas de minerais.

A atuação direta e indireta no processo de gestão política das nações latino-americanas tem se mostrado decisiva para a consolidação do domínio estadunidense na região. Entre os países que passaram por processos eleitorais nos últimos meses, apenas três não se alinharam ao regime de Donald Trump: Uruguai, México e Brasil. Naturalmente, o Brasil, devido à sua extensão continental, sempre despertou mais interesse nas pretensões geopolíticas do império do norte. Entretanto, as eleições de 25 de outubro, que resultaram na derrota do candidato entreguista pró-Estados Unidos, Flavio Bolsonaro, não representaram apenas uma derrota para os interesses norte-americanos, mas também uma derrota da extrema direita internacional, dado o significado da vitória de Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores.

O estrago causado à referida “nação ordeira” tupiniquim pela ascensão de forças políticas extremistas fez emergir feridas ainda não curadas de uma nação construída sobre três séculos de escravidão. Como mencionei anteriormente, a derrota, seguida da fuga do candidato do PL Flavio Bolsonaro, expôs um cenário social delinquente, que até então estava encoberto por algumas obras literárias e pelo próprio hino nacional, o qual sugere a imagem de uma nação romantizada, uma pátria amada idolatrada com um povo heroicizado.

Entretanto, nada disso; as rusgas históricas resultantes de contradições sociais rapidamente emergiram das sombras, invadindo as mentes medíocres de cidadãos brasileiros, levando ao surgimento de figuras públicas que se identificam como um alter ego, ou seja, representações arquetípicas de um mal transgeracional. A literatura e a historiografia têm registrado dezenas de líderes políticos psicóticos e fanáticos, que manipulavam multidões com discursos de reprovação e ódio àqueles que expressavam ideias divergentes das suas. “Deus, Pátria e Família”, “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos” são exemplos de distopias que evidenciam uma clara disfunção cognitiva, até mesmo psicanalítica, de quem as defende.

No estado de Santa Catarina, encontramos exemplos de pessoas, como políticos, que demonstram um certo desvio de comportamento diante de atitudes estranhas em suas práticas. Caminhar pelas ruas estalando um chicote no chão, ato realizado por uma candidata a deputada federal pelo PL, é um evidente sintoma de desvio comportamental patológico. Não bastando esse horror originado de uma deputada, inconscientemente configurado no desejo de subjugação, servidão e resignação do outro, temos outro exemplo de aberração, agora de um deputado estadual eleito no pleito eleitoral de 25 de outubro, que propõe um plebiscito visando separar o Sul do Brasil do restante do território nacional.

Essa proposta separatista insana não é nova, tendo sempre reaparecido em pleitos eleitorais, como o que garantiu a vitória de Lula ao cargo de presidente do Brasil. Na verdade, esse deputado, que pertence ao PL, o mesmo partido do candidato derrotado e fugitivo Flavio Bolsonaro, foi eleito com mais de 40 mil votos, cujo lema de campanha era exatamente esse: o plebiscito. De acordo com a opinião do deputado na rede X, “o sul merece ser livre”. É evidente que a atitude insensata apresentada pelo deputado não seria bem-vista por um estado que tem sido alvo de críticas no exterior por ser um reduto de nazistas que cultuam regimes sanguinários responsáveis pelo assassinato de milhões de judeus, comunistas, negros, ciganos, deficientes físicos, entre outros.

O que é surpreendente na proposta do deputado é a realização do plebiscito apenas nos três estados do Sul, infringindo violentamente os princípios constitucionais de indivisibilidade federativa. Essa atitude expõe de maneira explícita a xenofobia desse deputado e de seus milhares de eleitores. Em um país sério, um deputado xenófobo nunca teria a permissão para assumir um cargo parlamentar e deveria ser cassado antes de tomar posse. Como acreditar em seu juramento sobre a constituição brasileira no dia de sua posse? Precisamos prestar atenção no comportamento, nas atitudes daqueles que expressam piadas contra negros, índios, pobres, pois é assim que regimes extremistas, xenófobos, são formados.

Prof. Jairo Cesa

 

        

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

 

FINALMENTE A CIVILIZAÇÃO SE SOBREPÔS A BARBÁRIE NA ELEIÇÃO DE SEGUNDO TURNO PARA PRESIDENTE NO BRASIL

 

https://www.instagram.com/p/DfCb1eKlAAn/

As pessoas que faziam discursos clamando por "mudanças", com gritos de "fora ladrão" direcionados ao presidente Lula, acreditavam que a votação do segundo turno garantiria uma vitória acachapante para o candidato Flávio Bolsonaro, superando os votos registrados no primeiro turno. Em Araranguá, era discreto ver alguém indo votar sem estar vestido com as cores verde e amarelo - o símbolo do "patriotismo", e muitos até cobriam o corpo com a bandeira do Brasil.

É evidente que esse comportamento distorcido de alguns eleitores bolsonaristas, imersos no ódio e na ilusão de que o "tesouraço" poderia melhorar suas vidas, não me surpreendeu, pois, no passado, Araranguá já havia testemunhado uma situação semelhante com quase a vitória de um candidato da Ação Integralista Brasileira (AIB) em 1936, cuja proposta de governo tinha semelhanças com o regime nazifascista da Itália e da Alemanha. Vale ressaltar que, em novembro de 1937, Getúlio Vargas, ligado à Aliança Libertadora Nacional (ALN), instituiu o Estado Novo e, um mês depois, em dezembro, decretou a dissolução de todos os partidos políticos, incluindo a AIB.

Em relação à eleição municipal de 1936, que foi uma exceção no contexto do regime ditatorial de Vargas, a ascensão da AIB gerou uma certa apreensão entre os apoiadores do governo Vargas. Os resultados da votação de 1936 provavelmente causaram descontentamento por parte desse grupo político, visto que em Santa Catarina vários municípios elegeram candidatos integralistas para o cargo de prefeito e mais de uma dezena de vereadores. Em Araranguá, embora o candidatado da AIB tenha sido derrotado pelo rival da ALN por uma margem de 500 votos, a sigla conseguiu eleger dois vereadores.

O que se destaca é o mapa eleitoral da época, mostrando os votos recebidos pelos dois candidatos a prefeito nas 17 seções distribuídas pelos distritos e localidades do município de Araranguá. Noventa anos depois, em 2026, dois partidos políticos competiram no segundo turno para a presidência do Brasil. O partido PL defendia um projeto de governo com características semelhantes à Ação Integralista Brasileira, cujo lema era "Deus, Pátria e Família", de inspiração fascista italiana.

Ao analisarmos os votos obtidos pelos dois candidatos, do PL e do PT, nas três seções: Jacinto Machado, Praia Grande e Turvo, que 90 anos atrás viu a vitória do candidato da AIB, percebemos que os resultados atuais são bastante similares aos de antigamente.

1- Volta Grande/Jacinto Machado – 1936 (AIB: 70, ALN: 46) – 2026 (PL: 78,65% ou 6.030 votos; PT: 21,45% ou 1.647 votos);

2- Praia Grande – 1936 (AIB: 70, ALN: 46) – 2026 (PL: 65,98% ou 3.645 votos; PT: 34,02% ou 1.879 votos);

3- Turvo – 1936 (AIB: 185, ALN: 74) – 2026 (PL: 81,90% ou 7.307 votos; PT: 18,10% ou 1.615 votos).

Analisando os dados acima, percebemos que o município de Turvo, em 1936, era o principal reduto de seguidores do integralismo no extremo sul de Santa Catarina, e que noventa anos depois, essa tendência conservadora se mantém. É essencial notar que a população é predominantemente de origem italiana, cuja economia se baseia na agricultura, com o destaque na produção de arroz.

Quanto à eleição de segundo turno para presidente em Araranguá, havia uma confiança desmedida na vitória do candidato de extrema direita. Isso levou as lideranças da campanha do Partido Liberal a cercar uma das vias da Av. 7 de Setembro, em frente à igreja matriz católica, e montar um grande palco para celebrar a vitória que não aconteceu.

A derrota de um miliciano, suspeito de envolvimento em vários crimes que estão sendo julgados, incluindo o caso emblemático do Banco Master, trouxe à população brasileira, especialmente àquelas dotadas de um mínimo de sensatez, uma reconfortante sensação de paz, esperança e a tranquilidade de poder descansar após o resultado eleitoral, acreditando que o Brasil continuaria soberano, expulsando os entreguistas do poder.

Após a histórica vitória de Lula para seu quarto mandato, uma votação que o candidato derrotado não aceitou, em Araranguá, a canalhice de alguns cidadãos, possivelmente simpatizantes do Partido Liberal, causou indignação e revolta em muitos munícipes. Uma lista, contendo mais de uma dezena de nomes de pessoas físicas e jurídicas, foi divulgada nas redes sociais, apontando-as como filiadas ao PT ou como eleitores do partido, e a população foi incentivada a boicotar essas pessoas.

É impressionante como erros do passado que deveriam permanecer enterrados tendem a ressurgir; uma pequena desatenção pode levar a tragédias civilizatórias repetidas. O caso da lista de nomes circulando em Araranguá/SC se assemelha àquela de abril de 1933 na Alemanha, elaborada pelo regime nazista. Diante da crise econômica que assolava a Europa, motivada pela Grande Depressão de 1929, o regime alemão culpou os judeus, pequenos comerciantes, pela instabilidade do país. Os negócios judaicos eram marcados com a estrela de Davi, a ponto de os cidadãos israelitas terem que andar pelas ruas com placas portando mensagens anti-judaicas.

Ao dizer que esses comportamentos são reflexos de traumas transgeracionais não curados, que ressurgem em momentos de forte convulsão social, parece que a região de Araranguá e o estado de Santa Catarina estão condenados a repetir os erros do passado, à maldição de seus antepassados, que praticaram mazelas contra os povos originários. Apoiar a eleição de um miliciano, membro de uma família que procurou propagar o ódio, negou a ciência, a vacina contra a COVID-19 e usou a religião para encobrir suas ações, deveria imputar aos eleitores a cumplicidade no sofrimento a que milhões de brasileiros estariam sujeitos caso ele fosse eleito.

Por que tamanha certeza de que o Brasil estaria à beira da barbárie se o miliciano vencesse? Cito alguns exemplos para respaldar meu ponto. O primeiro deles é um vídeo postado que mostra nas redes sociais de um homem branco sendo guiado por um cidadão negro, acorrentado; o segundo é um vídeo de uma deputada federal, eleita por Santa Catarina, celebrando suas milhares de vitória nas urnas com um relho que batia no chão.

Tanto o primeiro quanto o segundo vídeo são representações arquetípicas do que há de mais pérfido e violento na história do Brasil. Uma sociedade forjada na Casa Grande, onde o senhor do engenho explorava o escravo até a morte. Era esse modelo de sociedade, a da casa grande moderna, que estava sendo gestado e que seria implementado caso o candidato a presidente, fujão do PL, fosse eleito.

Observe que os neofascistas de plantão tentaram incessantemente sabotar o processo eleitoral em várias cidades brasileiras, buscando impedir que os eleitores votassem no candidato Lula. Uma prática suja e desprezível, semelhante àquela empregada por simpatizantes derrotados nas eleições de 2022, quando invadiram a Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, com o claro objetivo de consumar um golpe de estado, mas sem sucesso. Mesmo com a prisão de centenas de golpistas, a ameaça do espectro bolsonarista continuou a assombrar as mentes de milhares de brasileiros.

A prisão do principal idealizador do golpe de 8 de janeiro, Jair Bolsonaro, a fuga de seu filho derrotado, Eduardo Bolsonaro, para os Estados Unidos e a detenção de vários prefeitos bolsonaristas em Santa Catarina, acusados de diversos crimes de responsabilidade, não foram suficientes para sensibilizar aqueles ainda animados por ódio a não cavar ainda mais a cova da democracia, votando na extrema direita. A vitória da civilização sobre a barbárie se deu graças à lucidez de mais de 60 milhões de eleitores que entenderam que entregar o país à extrema direita seria o fim da democracia.

Prof. Jairo Cesa

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

 

O RETROCESSO À EDUCAÇÃO BÁSICA NO BRASIL SE A EXTREMA DIREITA VENCESSE O PLEITO ELITORAL DE 25 DE OUTUBRO DE 2026 

https://www.cut.org.br/noticias/plano-de-flavio-bolsonaro-ameaca-verbas-de-universidades-creches-e-pe-de-meia-3f22


Este é o último texto que escrevo antes do segundo turno do pleito eleitoral, no qual um candidato, Lula da Silva, do PT, tentará a reeleição, enquanto o outro, Flávio Bolsonaro, do PL, buscará ocupar o cargo de presidente da República pela primeira vez. Buscarei, neste texto, tratar de um assunto sensível à sociedade brasileira: a educação básica, com destaque para as propostas de alfabetização dos dois candidatos para os próximos quatro anos de mandato (2027–2030). O que sabemos é que os problemas educacionais no Brasil, da educação infantil ao ensino médio, ainda enfrentam gargalos históricos, que vão desde a precarização das escolas até os baixos salários pagos aos profissionais da educação.

Como resposta a esse problema, existe a assimetria na gestão da educação básica entre os três níveis de poder: o municipal, o estadual e o federal, pois cada instância tem autonomia para definir suas políticas, priorizando mais ou menos o campo educacional. Embora exista a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os municípios e os estados dividem entre si as responsabilidades pelo processo educativo, cabendo aos estados a gestão do ensino médio e, em menor proporção, a do ensino fundamental, cuja responsabilidade é dos municípios. Entretanto, a priori, cabe aos municípios priorizar a educação infantil, bem como o ensino fundamental, do 1º ao 9º ano. É exatamente sobre esse nível de ensino, especialmente os anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, que quero fazer algumas reflexões, levando em consideração, naturalmente, as propostas dos dois candidatos à Presidência da República: Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

Como ressaltei no começo do texto, o Brasil ainda enfrenta muitos gargalos na educação, pois não bastam apenas boa vontade e promessas: são necessários investimentos e a adoção de políticas educacionais, especialmente no campo pedagógico, que garantam a cada estudante a alfabetização articulada ao letramento. Essa prática pedagógica vem sendo aplicada nas escolas brasileiras, pois, além de fazer parte do Plano Nacional de Educação (PNE), está presente no programa de governo do candidato Lula para os próximos quatro anos, diferentemente do plano de governo do PL, que não faz qualquer menção a esse modelo de ensino.

O processo de letramento mostra-se mais complexo do que o de alfabetização, pois permite que o indivíduo se aproprie da leitura e da escrita e as integre à sua própria existência. Isso envolve um amplo campo de informações, conectado aos diferentes gêneros textuais, papéis, comportamentos, identidades e expectativas presentes nos ambientes de convívio dos estudantes. Nesse sentido, o emprego das teorias socioconstrutivistas e sociointeracionistas sempre teve impactos positivos no processo de letramento, tanto nas escolas públicas quanto nas particulares.

Ao ler o capítulo sobre educação, que abrange desde a educação infantil até o ensino superior, no programa de governo do candidato Flávio Bolsonaro, do PL, o que mais chama a atenção é a adoção de métodos de aprendizagem para as séries iniciais que remetem ao final do século XIX, quando se priorizava o método fônico, que ensina a criança a ler e a escrever associando cada som à sua letra: b + a = ba; c + a = ca. Repito mais uma vez: em momento algum aparece, no reduzido programa de governo para o setor, qualquer referência ao sistema de letramento, que envolve a capacidade de ir além do simples ato de juntar letras para formar sílabas e palavras.

O candidato do PL defende que, na escola, os estudantes com melhor desempenho sejam remunerados para oferecer reforço aos colegas que necessitam de ajuda. Essa atividade poderá ocorrer de forma remota ou presencial. Não há, no programa, qualquer explicação sobre as fontes de recursos que serão utilizadas para financiar essa iniciativa. Outro aspecto preocupante no programa de governo do PL é o item que trata do financiamento das escolas, que se daria com base nos resultados.

Como assim, resultados? É claro que seriam beneficiadas as escolas mais bem estruturadas, que representam uma pequena parcela da rede e dispõem de equipamentos pedagógicos modernos e professores bem remunerados. Na realidade brasileira, em que a educação básica é compartilhada entre municípios, estados e governo federal, o financiamento baseado em resultados poderá levar ao fechamento de centenas de estabelecimentos de ensino, pois, em muitos estados e municípios, os gestores não têm a educação como prioridade, mantendo as escolas em condições precárias.

Quanto à formação continuada, a proposta do candidato do PL aborda o tema. Entretanto, ressalta que ela será fundamentada em evidências científicas, e não em modismos pedagógicos, nem será utilizada para fins de militância em sala de aula. É incrível que um candidato cujo pai foi presidente da República defenda esse discurso, considerando que seu pai questionava insistentemente aquilo que a ciência postulava, a ponto de seus intelectuais e gurus difundirem opiniões que colocavam em dúvida a própria esfericidade da Terra, chegando a admitir que o planeta seria plano.

Na escola pública, todo o arcabouço teórico e metodológico elaborado e aplicado fundamenta-se em evidências científicas. Agora, dizer que a sala de aula não é espaço para militância e que deve estar livre de doutrinação partidária leva à seguinte pergunta: a quem serve esse discurso tosco? Como explicar a ascensão das escolas cívico-militares, se não como um modelo de educação voltado à inculcação de um projeto de sociedade conservadora e autoritária, fundamentado nos preceitos da ordem e da disciplina? Isso não seria um modelo escancarado de doutrinação?

O plano afirma que aprender a pensar não é o mesmo que aprender o que pensar e que cabe aos pais decidir quais valores serão transmitidos aos filhos. Se as escolas fossem realmente espaços de doutrinação, como afirmam os negacionistas, Santa Catarina não elegeria um candidato do PL ao governo do estado com mais de 70% dos votos. Que influência tiveram os professores em sala de aula, em termos de ideologia e doutrinação, se não conseguem politizar os estudantes para transformá-los em sujeitos críticos e combativos diante das perversidades cometidas por esses gestores e parlamentares contra os trabalhadores ao longo das últimas décadas no território catarinense?

O plano apresenta a proposta de levar robótica, computadores, tablets e internet às escolas brasileiras. É revoltante ter de ler propostas desse tipo, carregadas de demagogia, por parte de quem desconhece a estrutura da educação pública brasileira. Até 2025, mais de mil escolas municipais e estaduais não tinham água potável, muito menos banheiros, sendo os índices de precariedade ainda maiores nesse segmento. O acesso à internet ainda é um sonho distante em muitas escolas brasileiras. Naquelas em que há conexão, como ocorre em várias unidades de ensino do “próspero” estado catarinense, isso se deve, muitas vezes, aos recursos próprios arrecadados pelas próprias escolas, por meio de rifas e outras promoções, para melhorar a conexão e torná-la acessível ao corpo docente, permitindo o cumprimento das inúmeras exigências burocráticas da própria Secretaria de Estado da Educação.

Prof. Jairo Cesa            

sábado, 24 de outubro de 2026

 

 OPERAÇÕES PSICOLÓGICAS OU (PSY OPS) QUE ATUAM NA DESESTABILIZAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO

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Há mais de quinhentos anos, os territórios habitados por civilizações antigas como os Astecas, Incas, Maias, Tupinambás e Guaranis, entre outros, foram invadidos pela fúria destrutiva da colonização espanhola e portuguesa. Impuseram aqui suas culturas, suas práticas prejudiciais, saqueando nossas riquezas, nosso ouro, nossa prata, nossa madeira e escravizando a população local. Este processo de colonização nas Américas nunca cessou; enquanto Espanha e Portugal entraram em declínio econômico, a Inglaterra, o grande império dos cinco mares, assumiu o controle, mantendo o domínio sobre o território, mesmo que fossem nações "independentes", mas ainda vassalas da sua majestade.

No século XX, a ex-colônia britânica, os Estados Unidos, emergiu como uma potência regional. Por meio de negociações e acordos com a vossa majestade imperial britânica, tomou as rédeas do que se tornaria o enorme quintal econômico estadunidense. O tempo passou, guerras sangrentas ocorreram, incluindo a violenta guerra fria, assim como mudanças significativas nos domínios econômico e tecnológico, levando nações a desafiar o poder do grande império do norte. Entramos no século XXI, é a era da internet, das mídias digitais e da inteligência artificial; tudo isso combinado impõe àquelas populações que não se alinham a uma governança tecnológica, como é o caso da América Latina, uma condição de subserviência permanente.

Alcançar altos níveis de desenvolvimento tecnológico demandou anos de pesquisa e significativos investimentos em educação, algo que a América Latina não fez, claro, devido a políticas de dependência, especializando-se apenas na exportação de commodities. Com o fim da guerra fria, os Estados Unidos estabeleceram seu controle sobre a governança global, mas não previram que décadas depois sua supremacia estaria sob ameaça da China, o gigantesco país comunista, cuja economia é tão capitalista quanto as demais superpotências, porém, com planejamento estatal.

Novos componentes eletrônicos passaram a impor a ordem econômica global. Chips para computadores, celulares, carros e motocicletas elétricas são equipamentos que determinarão as regras de um mundo no qual a inteligência artificial busca conquistar autonomia em relação aos seres humanos. Assim como o ouro e a prata construíram impérios, os valiosos chips são produzidos a partir de minerais, tão raros e valiosos quanto os cobiçados metais pelas metrópoles espanholas e portuguesas. Agora, tente adivinhar onde esses recursos estão realmente localizados? É claro que a maior parte está no território chinês, seguida pelo Brasil.

Enquanto superpotências como os Estados Unidos investiram bilhões de dólares em indústrias bélicas nos últimos trinta a quarenta anos, a China concentrou seus esforços na construção de um parque industrial e na educação de seus jovens em todos os níveis. Nos últimos dez anos, a China tem se tornado uma ameaça ao grande império do norte, que está respondendo às ameaças reocupando seu histórico quintal, a América Latina.

O que se observa na América Latina é uma forte mudança política para a direita, em muitos casos, para a extrema direita, a partir das últimas eleições ocorridas na região. Todas, sem exceção, tiveram influência direta ou indireta dos Estados Unidos. Na Venezuela, o processo foi ainda mais violento, com o sequestro do presidente e sua esposa por forças ligadas ao Trump, sendo ambos levados para os EUA e presos.

Como um tabuleiro de xadrez, governos de centro ou de esquerda foram gradualmente eliminados pela onda direitista na América Latina. Agora, estão pendentes as duas principais economias da região, o México e o Brasil. Contudo, é no Brasil que os Estados Unidos estão concentrando seus esforços para garantir a vitória de mais um governo vassalo no continente. O modus operandi dessa possível tentativa de tomada de poder no Brasil pela extrema direita poderá, talvez, não seguir o mesmo caminho trilhado em 1964, quando as forças armadas tomaram as ruas, depuseram o governo João Goulart e encerraram o Estado democrático de direito.

Desta vez, há uma engenharia em jogo nessa possível tentativa de golpe, que chamamos de Arquitetura de Vigilância. De fato, são as mídias digitais que realizam esse trabalho sujo a favor do imperialismo estadunidense. As principais plataformas digitais, as big techs: WhatsApp, Google, YouTube, Meta, etc., estão localizadas nos EUA. Acredite, uma parte do aparato militar norte-americano também possui nossas informações sensíveis, como localização, hábitos de consumo, redes de relacionamento, preferências políticas, histórico de navegação, biometria e dados institucionais públicos.

Esse será, portanto, o modus operandi que a equipe do presidente Trump irá utilizar para eleger seu candidato, o ultradireitista Flávio Bolsonaro, que representa o que há de mais arcaico e tosco em termos de política. Eleger um vassalo, o candidato Flávio mostrou todas as credenciais que o qualificam para tal, pois é o instrumento que Trump usará para conter a forte influência da China na região. O que o império americano busca no Brasil é fincar suas garras predatórias, apropriando-se de nossas riquezas naturais, em especial as terras raras.

Aqui, portanto, está o custo nefando que pagamos por nossa condição de nação periférica. Enquanto as nações centrais acumularam os benefícios do progresso técnico, detendo maior poder de decisão, as economias periféricas continuam vulneráveis à dependência externa. A fragilidade das nossas instituições de ensino, desde o nível básico até as universidades, resultou na situação atual, caracterizada pelo colonialismo digital. Essa assimetria, entre centro e periferia, se move para a dominação das infraestruturas, dos dados das plataformas e das tecnologias das quais nossa sociedade depende.

De fato, a arquitetura de vigilância tem atuado com eficiência extraordinária no Brasil, gerando desinformação de tal forma a estabelecer um clima de desestabilização social contínua. O medo de que a China se torne uma protagonista econômica pela difusão da Rota da Seda no quintal americano fez com que as big techs entrassem em ação, com o objetivo inicial de gerar desinformações e preparar o terreno político para eleger um governo subserviente ao imperialismo americano.

Parece que esse modus operandi tecnológico no campo cognitivo de parte da sociedade brasileira vem logrando algum sucesso. Um candidato com um histórico repleto de suspeitas de atos criminosos, que ameaça o próprio estado republicano, é o que lidera as pesquisas no segundo turno, indicando claramente que operações psicológicas (PSY OPS) estão atuando com intensidade nas diversas mídias sociais, controladas por corporações midiáticas estadunidenses. Acredite, iremos superar as big techs elegendo Lula presidente. As centenas de milhares de pessoas nas ruas em defesa da democracia são o termômetro real de que iremos sim vencer a barbárie, prevalecendo a civilização.   

Prof. Jairo Cesa                

https://diplomatique.org.br/entre-terras-raras-e-dados-a-disputa-pela-soberania-tecnologica-do-brasil/

https://diplomatique.org.br/para-alem-das-tarifas-a-disputa-esta-na-cognicao/

https://diplomatique.org.br/o-brasil-como-baluarte-das-terras-raras/

https://www.youtube.com/watch?v=_AK8PtKw3L4

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AINDA HÁ TEMPO PARA IMPEDIRMOS QUE A BARBÁRIE SE INSTALE NO BRASIL 


https://www.instagram.com/p/DeCVPImgUKg/

Durante minhas tarefas diárias de professor por aproximadamente quarenta anos, sempre me deparei com turmas, ensino fundamental, por exemplo, de um ou mais estudantes que insistiam desvirtuar o grupo com atos de rebeldia. Claro que os comportamentos inapropriados à cultura discente, geralmente tinham relações de  caráter emocional/afetivo, advindas do grupo familiar onde a criança/adolescente estava inserida. Mas afinal, por que cargas d’água trago o exemplo de crianças rebeldes para a construção narrativa desse texto? A resposta está no debate eleitoral promovido pela Rede Band de Televisão, no último domingo, 18/10/ com os candidatos presidenciáveis Flávio Bolsonaro e Luís Inácio Lula da Silva.

Desde a redemocratização do Brasil, nos pleitos eleitorais ocorridos sempre foi hábito as emissoras de TV abertas realizarem os seus debates eleitorais, como forma de levar ao público as propostas dos candidatos nos diferentes segmentos. Acontece, que o debate ocorrido no último domingo seguiu um padrão que se distinguiu dos convencionais, ainda mais quando estiveram frente a frente duas pessoas defendendo programas ideológicos distintas, um insistindo na permanência da democracia, ou outro, a instalação da barbárie, por meio da entrega literal do Brasil ao imperialismo estadunidense.

Era de se imaginar que o candidato que integra a ala ultraconservadora, se utilizasse de todo o tipo de manobra espúria  a disposição para tentar tumultuar o debate ou confronto, termo utilizado pela mediadora do respectivo canal de TV. Por quase quinze minutos, quando os candidatos tiveram esse tempo para confrontar suas propostas, o que se viu foi um ataque sem limites do candidato extremista ao seu oponente, com ilações falsas e posturas  que fogem completamente ao nível de um estadista que pretende ocupar o posto de presidente da república.

Agora, o que causou indignação a milhões de expectadores, claro que exceto  da bolha bolsonarista, foi a insistente presença do candidato Flavio sempre se postando atrás do candidato Lula, quando estava com a palavra. Como uma assombração, ele movimentava a cabeça/corpo, como querendo negar o que o oponente dizia, com nítidas intenções de deslocar a atenção do expectador, atitude semelhante ao moleque do fundo da sala, como ressaltei acima. Esse ardiloso método foi utilizado durante a campanha eleitoral nos EUA, pelo candidato Trump contra a democrata e Hilary Clinton. Imagens do debate, exibem Pablo Marçal fazendo gestos direcionados ao candidato Flavio, para que se postasse atrás de Lula e movimentasse a cabeça, negando o que o candidato afirmava.     

    Teve o momento em que a mediadora do debate precisou interrompê-lo e chamar a atenção do candidato Flavio, solicitando que se comportasse para que o debate/confronto tivesse prosseguimento. Essa atitude, acredito que milhões de professores que estavam acompanhando o desenlace dos dois candidatos, certamente lembraram do estudante, do moleque do fundo da sala, que insistentemente perturbava o desenvolvimento da aula. Foi exatamente o comportamento do candidato Flavio, o moleque, malandro, pouco inteligente, porém, preparadíssimo para tumultuar, deslocando toda a atenção para si.

Penso que muitos devem ter ficado perplexos quando o candidato Flavio mencionou a presença na plateia dos seus “queridos apoiadores”, o ex-ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro e governador eleito do Paraná, Sérgio Moro; e o ex-Procurador da República e agora Senador eleito pelo Paraná, Deltan Dallagnol. O que deve ter passado na mente de muita gente é, como assim, companheiro, alguém que na época o ministro Moro o odiava, pelo fato de o presidente Bolsonaro ter demitiu o Diretor-Geral da Polícia Federal sem o consentimento do Ministro da Justiça. Essa atitude autoritária do presidente, motivou o pedido de demissão do ministro Moro da pasta da justiça. A troca do diretor-geral foi arquitetada pela família Bolsonaro com o intuito de proteger-se de investigações por crimes cometidos.  

Propostas como transformar o Serviço Único de Saúde - SUS em padrão hospital Albert Einstein; criação do Ministério da Prosperidade, entre outras maluquices, ecoaram da mente estúpida de um cidadão que não apresenta o mínimo de qualificação ao relevante cargo que é o de Presidente da República. Penso que, aqueles que possuem o mínimo de discernimento acerca do que é certo ou errado, deve ter assimilado o erro que será ir à urna do domingo, 25/10/ e votar no 22.

Como historiador que sou, por 40 anos aproximadamente trabalhei na Rede Estadual de Ensino de Santa Catarina, e alimento todas as convicções que, na desastrosa hipótese de sagrar-se presidente, seu mandato será mais autoritário que os tristes 20 anos do regime militar. Os generais, com algumas exceções, se apresentavam como nacionalistas, ou seja, defendiam arduamente a soberania nacional, em momento algum esboçaram discursos propondo entregar nossas riquezas a qualquer outro pais.

O candidato ultradireitista defende abertamente abrir as fronteiras do Brasil a vossa majestade Donald Trump, que irá se apropriar do que temos de mais precioso para assegurar a nossa soberania no futuro, as extraordinárias reservas de terras raras, principalmente o nióbio, pois concentramos a maior reserva desse importante mineral. E agora, depois de tanto esclarecimento, de tantos alertas, será possível que as pessoas, a classe trabalhadora, por exemplo, manterá sua posição de eleger alguém que promete destruir tudo o que conquistamos em décadas de luta e sofrimento?

Não podemos retroceder décadas, séculos de história. Recuperar um país destruído demora muito tempo. Não podemos colocar em risco de sofrimento duas ou mais gerações, como foi o regime militar. Ainda hoje vivemos os reflexos negativos desse perverso momento da nossa história, que reprimiu, prendeu e matou muita gente, pelo fato de defender as liberdades constitucionais, o direito de existir, de pensar de acordo com suas convicções e valores. O projeto da extrema direita, chancelado pelo candidato Flávio Bolsonaro, é calar quem pensa diferente, comportamento visto de grupos apoiadores e simpatizantes atacando aqueles que defendem opiniões contrárias à bolha extremista.

Imaginamos um presidente que tenha ao seu lado um congresso tomado por parlamentares do mesmo partido que o seu, resguardado por um vasto guarda-chuva de partidos associados; um número acachapante de governadores e prefeitos que seguem essa mesma lógica; um STF majoritariamente aparelhado ao governo federal, será que tantos exemplos não abram os olhos de que e estaremos sob a égide da ditadura? Não precisamos esperar para ver o que dá, temos que cortar essa mal pela raiz, e tem que ser agora, domingo, votando não à quadrilha que quer se apropriar da nossa Pátria Amada Brasil.

Não duvide, o governo Bolsonaro será letal às classes trabalhadoras, porque terá como escudo, a força militar e persuasiva dos Estados Unidos. Ainda há tempo, porém, temos poucos dias para trocar nosso voto e eleger o candidato da democracia, da civilização, que é contrário a barbárie, Lula da Silva – 13. Outra alerta relevante, acredite, o cenário político atual brasileiro é similar à Alemanha de 1933, quando ocorreram eleições democráticas e o eleito foi nada mais nada menos que Adolfo Hitler, sendo que o resultado não preciso expor aqui.

Prof. Jairo Cesa

 

 


A METÁFORA DESTRUIDODA DOS VASSALOS LATINO-AMERICANOS

https://www.facebook.com/nosmulheresdaperiferia/posts/%EF%B8%8F-da-motosserra-de-milei-ao-tesoura%C3%A7o-de-fl%C3%A1vio-quem-vai-pagar-essa-contasegundo/2055184822362860/



Faltando um dia para o segundo turno de uma das eleições mais acirradas na recente redemocratização do Brasil, Lula e Flavio aparecem empatados nas pesquisas de intenção de voto. A expectativa era de que o candidato Flavio perdesse apoio após o debate na TV Band e de várias postagens nas redes sociais que expuseram indícios de seu envolvimento em um mar de crimes questionáveis, cujas ações escandalosas poderiam até causar inveja a Al Capone, dada a astúcia do “gangster” brasileiro.

Ainda existem oportunidades para evitar que o Brasil fique sob o controle dessa quadrilha de malfeitores, que, caso assumam a presidência, começarão com um chamado tesouraço. Especialistas críticos em economia alertam que o Brasil poderá enfrentar o fenômeno conhecido como Efeito Orloff, podendo se tornar semelhante à Argentina, onde hoje mais de 50% da população vive em precariedade econômica. É notável a ausência do presidente Milei nas propagandas do candidato do PL, que não o apresenta como modelo próspero de administração a ser seguido, caso a extrema direita vença no Brasil.

Fato é que a Argentina está caminhando para um colapso econômico, a ponto de necessitar da intervenção do FMI, dado o caos gerado pelo atual presidente. Ao longo de dois anos sob o governo de Milei, mais de 30 mil pequenos negócios fecharam suas portas. Contudo, as políticas neoliberais da administração argentina beneficiam setores como mineração, agronegócio e grandes conglomerados. Com cortes nos gastos públicos, saúde e educação foram as áreas mais prejudicadas. A estratégia do presidente argentino, metaforicamente referida como MOTOSSERRA, buscava reduzir a inflação, mas a eficácia do plano resultou no aumento das taxas de juros, que estagnou o poder de compra da população.

 

Com menos dinheiro circulando, os pequenos negócios sofreram com a diminuição progressiva do poder aquisitivo dos argentinos. O salário de milhões de argentinos não é suficiente para cobrir as despesas de uma família por trinta dias, no máximo por vinte dias. Para garantir a sobrevivência, muitos se veem obrigados a contrair empréstimos bancários para custear despesas básicas.

Nas últimas semanas, diversas postagens nas redes sociais têm alertado os eleitores brasileiros para não cometerem o mesmo erro da Argentina ao escolher o candidato do PL, que considera o governo Milei um modelo a ser seguido. O uso da tesoura, em vários eventos que participou, simboliza o que ele pretende implementar na economia do Brasil. Seus argumentos afirmando que o Brasil atravessa uma crise, que o poder de compra da população é fraco, entre outras afirmações, não refletem os indicadores econômicos até agora apresentados.

Assim como na Argentina, o candidato da extrema direita conta com o apoio dos setores do grande capital, sendo o agronegócio o principal suporte para a candidatura de Flavio Bolsonaro. Tanto na Argentina, quanto no Chile, Colômbia e Venezuela, entre outras nações da América Latina sob governos de direita, o setor de mineração e do agronegócio, que lida com commodities, nunca obteve lucros tão altos como agora com o dólar valorizado. Não há dúvida alguma, e até mesmo as crianças percebem, que se a extrema direita vencer as eleições, a população brasileira enfrentará tempos muito difíceis.

Já mencionei em outros textos neste blog que os Estados Unidos são os mais interessados nas vitórias dos governos de direita na América Latina, pois isso permitirá que reestabeleçam seu poder geopolítico sobre a região. Sabem que a América Latina possui o que eles mais precisam, como petróleo e importantes minerais raros, que são matérias-primas essenciais para a economia do futuro e que substituirá os combustíveis fósseis. Também entendem que, ao se firmar em seu quintal, a América Latina criará um escudo contra as iniciativas da rota da seda lideradas pela China. A vitória de Lula nos proporcionará um alívio temporário, mas, após o dia 25 de outubro, é fundamental retornar às ruas para garantir que a posse do presidente eleito ocorra, pois os extremistas tentarão repetir os eventos de 8 de janeiro de 2023.

Prof. Jairo Cesa      

domingo, 11 de outubro de 2026

 

PLEITO DE 04 DE OUTUBRO DE 2026 ELEGEU UM CONGRESSO QUE REMETE AO REGIME MILITAR, DA ARENA E O MDB

https://pt.slideshare.net/slideshow/partido-arena-e-mb/41980905



O recente pleito eleitoral de 04 de outubro destacou uma preocupação que remete ao período da ditadura militar, quando apenas dois partidos políticos, a ARENA e o MDB, tiveram autorização para atuar. A eleição evidenciou a significativa quantidade de cadeiras conquistadas pelo Partido Liberal – PL, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. Esse sucesso eleitoral do Partido Liberal também abrangeu o executivo e as assembleias legislativas estaduais, que registraram um aumento no número de cadeiras em comparação ao pleito anterior.

Durante o regime militar, o general Castelo Branco, em 1965, implementou o AI 2, o qual eliminou os partidos políticos e criou as duas legendas: a Aliança Renovadora Nacional e o Movimento Democrático Brasileiro. Dois anos depois, em 1968, durante o governo do general Costa e Silva, foi promulgado o Ato Institucional n° 5, que concedeu plenos poderes ao governo, incluindo o fechamento do congresso e a proibição de eleições. Em 1972, sob o governo do general Médici, as eleições diretas para senador e prefeito foram restabelecidas.

Com a intensificação dos movimentos de oposição ao regime militar, manifestados pelo MDB através do aumento de prefeitos e vereadores eleitos, os generais instituíram a Lei Falcão para neutralizar essa oposição, a qual limitava a propaganda eleitoral a simples fotos dos candidatos e à narração de suas biografias por um locutor. Esta era a maneira que os generais encontraram para bloquear o avanço do MDB, que incluía diversas tendências ideológicas, como o PCB e o PTB, além de nomes de esquerda do PSD que se opuseram à filiação à ARENA.

Apesar da ARENA defender a ideologia do regime militar e suas demandas reacionárias, as disputas eram intensas nas indicações de candidatos à majoritária nos municípios. Para mitigar as disputas entre as facções na ARENA e no MDB, os generais criaram sublegendas. Em vez de ter apenas um candidato ao executivo municipal, a legenda poderia incluir mais dois nomes, atendendo assim às diferentes demandas dos grupos econômicos, resultando nas denominações ARENA-1, ARENA-2 e ARENA-3, o que também era válido para o MDB. No entanto, o candidato mais votado, que poderia ser da ARENA ou do MDB, frequentemente não era o eleito para o cargo, pois o que importava era a soma das sublegendas.

Um exemplo claro do uso desse instrumento para reduzir as tensões eleitorais e evitar uma possível vitória da oposição ocorreu em Araranguá/SC, nas eleições municipais de 1976, onde a ARENA lançou duas sublegendas e o MDB, três. Com apenas 152 votos de diferença, a ARENA elegeu o candidato da Sublegenda-1, Salmi Paladini, que obteve 3.673 votos. Caso o MDB tivesse vencido, o prefeito teria sido João da Silva, da sublegenda-2, com um total de 2.553 votos, ou seja, 1.120 votos a menos que o candidato da ARENA eleito.

Embora o contexto atual seja diferente, há um cenário alarmante que sugere a repetição de erros do passado recente, quando a população ficou submissa às agruras do autoritarismo militar por duas décadas. O resultado do pleito de 4 de outubro indicou que viveremos sob um legislativo ultraconservador, que ameaçará as conquistas históricas dos trabalhadores. Agora, não é mais a ARENA que impõe suas diretrizes, mas o PL e seus partidos aliados, que juntos ocuparão 388 cadeiras na Câmara dos Deputados. Na oposição, não é o MDB, mas o PT e mais cinco ou seis siglas aliadas, que ocuparão 124 assentos na casa legislativa.

Se, hipoteticamente, o PT vencer no segundo turno em 25 de novembro, certamente enfrentará um mandato repleto de chantagens por parte do parlamento e de grupos econômicos aliados. Considero que, com um parlamento tão desprovido de apoio ao governo Lula, o quarto mandato exigirá a mobilização popular nas ruas, algo que se mostrou discreto nos últimos quatro anos. Nas eleições de 2022, com a vitória de Lula e, posteriormente, a tentativa de golpe em 08 de janeiro, não havia, como agora, um clima de intolerância tão feroz da direita contra o PT/LULA.

A interferência dos EUA, se houve no passado, foi sutil, muito diferente da atualidade, que vê o país apostando todas as suas fichas na vitória do candidato de extrema direita. Até que ponto é possível confiar nas instituições para que Lula seja empossado caso vença as eleições? Existe o risco de repetição dos eventos de 8 de janeiro de 2023, agora com a participação direta das forças repressivas dos EUA, semelhante ao que aconteceu na Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro. Precisamos estar preparados para evitar o pior.

 

Prof. Jairo Cesa