AGROECOLÓGICA:
DA RESISTÊNCIA AOS MODELOS PRODUTIVOS QUE DEGRADAM E MATAM, À SALAVAÇÃO
CLIMÁTICA
Frente
as mudanças climáticas em curso, sendo que o que demonstrava ser riscos a longo
prazo, hoje é certeza, a temperatura média do planeta alcançou o limite médio crítico
de 1.5 graus célsius, índice esse previsto para o final do século XXI. Afinal o
que esse número representa para o planeta terra e as espécies vivas existentes?
Representa o risco iminente de extinção, incluindo, é claro, a própria espécie
humana, vista como protagonista desse desarranjo climático sistêmico.
Porém,
ainda há uma centelha de esperança para evitarmos o pior, ela está nas mudanças
no modo como produzimos e beneficiamos alimentos e outros tantos equipamentos aplicados
na agricultura. É consenso por parte expressiva da humanidade que o modelo
produtivo que moldou a vida da população do planeta a partir dos últimos
trezentos anos atingiu o seu limite de saturação, agora só nos resta suprimi-lo
ou ele próprio se encarregará de nos eliminar.
Uma
das saídas que ainda nos resta para salvar o planeta é a substituição
emergencial dos sistemas produtivos convencionais por práticas sustentáveis ou
agroecológicas. São práticas produtivas cujo solo é compreendido como um
complexo sistema vivo, que faz as plantas germinarem e crescerem saudáveis sem
insumos químicos. O que aprendemos na agroecologia é que cada ambiente tem as
suas particularidades, que muitas vezes plantas se adaptam melhor num
determinado ecossistema que outro. Entretanto, essa visão de totalidade
sistêmica dos ambientes foi paulatinamente se perdendo ao longo do tempo,
substituída por práticas padronizadas, onde o solo nada mais é que um receptor
artificial de compostos químicos, sementes modificadas geneticamente, insumos e
agrotóxicos.
A
resistência as práticas convencionais de cultivo que privilegiam segmentos do
agronegócio em detrimento da agricultura familiar e da agroecologia se mostra
hoje atuante no MST e na rede ECOVIDA, entidade essa que congrega cerca de 3 mil
famílias de agricultores e consumidores nos três estados do sul do Brasil. A rede é composta por 436 grupos de produtores, 34 núcleos, e está presente em 352 municípios. Mais
do que produzir alimentos saudáveis, a rede ECOVIDA, constituída por núcleos e
grupos de famílias, se apresenta como uma poderosa trincheira de resistência ao atual modelo
produtivo que degrada, contamina e está matando o planeta.
Se
a ideia da rede é atuar como campo de resistência a tudo que impacta os
ecossistemas, é claro que a reação dos que se sentem ameaçados tende a ser
imediata e na mesma proporção. Ela se dá por meio de dispositivos legais, nos
espaços do legislativo e no judiciário. A criação de regras rígidas para quem
atua na agroecologia, como a de barreiras físicas que protege o terreno de
contaminantes, é uma delas. A inserção de barreiras, no entanto, é para com
quem produz sem insumo químico, porém, nenhuma restrição semelhante àqueles que
cultivam transgênicos, aplicam agrotóxicos, que contaminam a água, o solo, enfim,
toda a biótica territorial.
Como
fazer as pessoas saberem que a agroecologia é a alternativa à sobrevivência da
espécie humana, bem como o combate a emergência climática. Um dos caminhos é
ocupar espaços onde flui o conhecimento, como as escolas, as universidades, e
as instâncias de poder. Construir e sensibilizar cidadãos críticos que
compreendam o atual modelo produtivo em curso como já superado é o que
demonstra ser o mais coerente. É claro que as grandes e poderosas redes de
supermercados mantém domínio absoluto no comércio de alimentos como hortaliças
e frutas, sendo raras as que os que dão preferência as variedades orgânicas e
agroecológicas.
Contrapondo
ao domínio desse segmento, as feiras de orgânicos se mostram altamente
eficientes, onde o consumidor consegue ter acesso a produtos frescos vindos do
campo, sem qualquer tipo de contaminantes e pagando valores justos. Mas, pouca
gente sabe como é o dia a dia das famílias que se dedicam a agroecologia, o que
produzem, como produzem e como fazem para sobreviver. Partindo dessas
reflexões, o núcleo agroecológico SERRAMAR, promoveu sua primeira feira de
agroecologia, evento ocorrido nas dependências da UNESC em 25 de junho de 2025.
Embora
tivesse tido sucesso na execução, sua repercussão em âmbito regional ainda
mostrou um tanto modesta, pois uma ou outra rádio e TV se dispuseram em fazer
alguma cobertura do evento. A feira não se dispôs apenas de apresentar os seus
produtos, hortaliças, frutas, cereais, doces, pães, artesanatos e outras tantas
demandas das famílias do campo. O público que se predispôs em prestigiar o
evento deve ter compreendido o quanto uma atividade agroecológica impacta na
dinâmica dos ecossistemas, na preservação de práticas de cultivo tradicionais,
sementes crioulas, do uso de plantas que curam, de insumos caseiros, de
entender as florestas, os insetos, ou seja, toda biótica, como indicadores da
boa ou má qualidade dos ambientes.
A
participação de autoridades de âmbito local, estadual e federal são protocolos obrigatórias
em eventos como a feira do núcleo Serramar na UNESC, pelo fato de as várias
políticas em curso ou outras que virão favorecerem a agroecologia serem
costuradas nos parlamentos, com o empenho firme de políticos vinculados a
partidos que tem no seu escopo estatutário a defesa da causa. Quando destaquei
no inicio que agroecologia tem respostas às emergências climáticas, um dos
caminhos são os bioinsumos, como
compostagens e M.E, facilmente realizáveis
e aplicáveis no solo, com zero impacto ambiental.
As duas palestras oferecidas ao público presente durante a feira, uma proferida pelo professor Dimas de Oliveira Estevam do PPGDS/UNESC e a segunda pelo professor Antônio Andrioli, UFFS – Chapecó, cuja tema abordado foi Agroecologia: Emergências Climáticas e Mercados, ambos, durante suas falas, proporcionaram momentos de certa preocupação acerca do clima do planeta, atualmente assolado por ondas de calor escaldante no verão do hemisfério norte. As Falas dos palestrantes foram moderadas pela coordenadora do curso de Nutrição da UNESC, professora Fabiane Maciel Fabris.
Uma das questões
levantadas foi, for que a agroecologia se mostra eficiente na mitigação da
atual emergência climática? Uma das respostas dadas pelos palestrantes foi a
transição imediata para práticas de manejo agroecológicas, que reduz
significativamente a queima de combustíveis fósseis. A adoção de ciclos
comerciais curtos ou venda direta, reduz significativamente o valor final do produto
adquirido pelo consumidor.
Prof.
Jairo Cesa