90 ANOS DEPOIS, O ESPECTRO DO
FASCISMO VOLTA A ASSOMBRAR O IMAGINÁRIO COLETIVO DO ESTADO BRASILEIRO
https://gz.diarioliberdade.org/opiniom/item/38692-barbarie-pouca-e-civilizacao.html
A Ação Integralismo Brasileira havia
sido dissolvida no golpe de 1937 por Getúlio Vargas, que instituiu o Estado Novo,
que o manteve no poder até 1945. Quase cem anos mais tarde, o espectro do seu
fundador, Plínio Salgado, é ressuscitado, trazendo apreensão de possíveis
repetições de erros políticos crassos do passado. Enquanto em 1936, era a
Aliança Liberal ou Partido Liberal, de Getúlio Vargas, que fazia oposição a Ação
Integralista Brasileira, de Plínio Salgado, hoje, 2026, temos o PL, cujo principal
representante, Jair Bolsonaro, que mesmo preso, continua insuflando o
imaginário coletivo de milhões de brasileiros.
Claro que, racionalmente, é inseguro compreender
essa digressão histórica, dos reais motivos que impulsionam pessoas apoiarem
forças políticas, líderes, que reverenciam torturadores, que atacam à ciência, à
cultura, às universidades, às mulheres etc. Na Europa, começo do século XX, dirigentes
sanguinários, provocaram a morte de milhões de pessoas em campos de
concentrações, o agravante é que as brutalidades cometidas eram abonadas pela
população, que os reconheciam como representação divina na terra.
Era de se imaginar que regimes dessa
envergadura, que apregoavam ódio, morte, tivesse sido sepultado para sempre
junto com seus comandantes diabólicos. Nada disso, há poucas semanas, a própria
Alemanha, que protagonizara o nazismo, elegeu parlamentares integrantes de um
partido com programa político contendo políticas de cunho nazista.
Infelizmente esses retrocessos
históricos no campo político, a eclosão de partidos extremistas vem respingando
em muitos países da Europa, da Ásia e do Continente Americano. Os exemplos mais
categóricos de regimes extremistas em evidência nesse momento são o Estado de Israel
e os Estados Unidos da América. Frente a toda essa insanidade de dois líderes
insanos, na América Latina, as eleições em curso revelam forte contaminação dos
ideários extremistas/fascistas em ascensão. Os únicos países que ainda mantém
governos pouco alinhados ao imperialismo estadunidense, são o Brasil e o
Mexico, ambos considerados potências latino-americanas.
A vitória da extrema direita na
Argentina, na Colômbia e a ação violenta americana na Venezuela, sequestrando o
presidente e levando à prisão nos Estados Únicos, acendeu a luz vermelha no
processo político brasileiro, cuja eleição se transcorrerá no próximo dia 04 de
outubro de 2026. Desde 2016, quando o congresso depós a presidente eleita,
Dilma Rousseff, a extrema direita vem adquirindo robustez impressionante. A
ascensão meteórica de um ex capitão do exército brasileiro, que por décadas
ocupou o parlamente como deputado federal, era o que a elite patriarcal
escravista idealizava, como um “redentor divino”.
Durante a campanha às eleições de
2018, o que apavorava parcela da população era os trejeitos apresentados pelo
ex capitão, sempre com um discurso que fez brotar das profundezas do
inconsciente coletivo, o lado obscuro do cérebro, onde está acomodado a
opressão, o ódio. É como um patógeno incubado, sendo Jair Bolsonaro, o impulso
que faltava para desabrochar o vírus mortal. O forte engajamento ao espectro
religioso, serviu como combustível para impulsionar as massas ensandecidas, que
lhe credenciavam como um “messias”, o enviado dos céus.
O que era mais assombroso diante da
ascensão abrupta de um indivíduo até então desconhecido na política, é que
todos os trejeitos apresentados muito se assemelhavam as esboçadas polos
líderes nazistas e fascistas da Europa, que resultou Segunda Guerra Mundial. As
frequentes motociatas, por exemplo, em nada se diferenciavam aquelas arquitetadas
por Benito Mussolini, líder fascista da Itália. Mesmo diante de tamanhas
aberrações, Jair Bolsonaro, venceu as eleições de 2018, cujos quatro anos de
governo, se caracterizou como um dos mais desastrosos da história do Brasil. Um exemplo que mostrou sua incompetência como
gestor, foi a condução dada a COVID 19, vírus que levou à morte de mais de 700
mil brasileiros/as.
Eleições em curso, Lula derrota o
candidato extremista à reeleição em outubro de 2022, porém, em 08 de janeiro de
2023, o candidato derrotado lidera movimento golpista para impedir a posse do
presidente eleito, Lula da Silva. Centenas de golpistas foram presos e
condenados, dentre eles, o próprio ex-presidente e diversos integrantes do
exército brasileiro. Com um congresso majoritariamente conservador e aliado a
figura do bolsonarismo, nos quadros anos de governo lula procuraram “desgastá-lo”
na tentativa de enfraquecer o nome do presidente Lula no pleito de 2026 que
poderá reelegê-lo.
Mesmo com a prisão do principal líder
da extrema direita, o seu espectro permanecia atormentando as mentes de parte
da população. Era o momento de escolher alguém que pudesse ter chances reais de
confrontar e derrotar o líder progressista, Lula da Silva. De repente, aparece
alguém do “clã” bolsonarista, nada mais nada menos que Flavio Bolsonaro, filho
do ex-presidente, porém, como o pai, envolvido em inúmeros crimes, dentre os
quais o esquema milionário com o banqueiro, atualmente preso, Daniel Vorcaro, proprietário
do banco Master. A campanha segue, e as pesquisas de intenções de votos, até o
momento revelam chances do candidato do PL ir para o segundo turno.
Independentemente de o atual presidente
ter ou não cometido erros em sua administração, acontece que estamos às portas
de escolher a civilização ou a barbárie. Não é alarmismo, é realidade. Tanto na
Itália anterior a Mussolini, quanto na Alemanha de Hitler, o cenário hoje aqui
esboçado pela extrema direita é tanto parecido aos praticados lá fora. Precisamos,
sim, optar pela civilização, pois, se perdermos essa chance, o que nos restará
é o lamento. O exemplo mais próximo que temos de barbárie é o da Argentina,
onde atualmente mais de 50% da população passa fome.
Prof. Jairo Cesa