A
REPÚBLICA BRASILEIRA SOB A AMEAÇA DOS TIRANOS FASCISTAS DE PLANTÃO
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Mais
do que nunca, a história que deveria ser uma das ciências mais respeitadas, com
profissionais altamente habilitados e críticos nas escolas brasileiras ainda é
renegada a disciplina de segundo plano. Se fosse considerada como área de
conhecimento estratégica, com se busca com a matemática e língua portuguesa,
talvez não repetiríamos erros absurdos como a ascensão de regimes tiranos e
pessoas sem qualquer histórico público, verdadeiros paraquedistas,
oportunistas, erroneamente apelidados como salvadores da pátria. Olha que foram
muitos que passaram por nós desde a redemocratização, começando com Collor de
Mello, eleito e suprimido do cargo de presidente em 1992, a Augusto Cury, que
tenta galgar o cargo máximo da República, apostando na fragilidade das
instituições e na ignorância funcional de milhões de brasileiros.
Deixar
claro que a ignorância funcional é uma ferida social ainda não cicatrizada da
nossa triste história, forjada por um projeto de sociedade pensada a partir da
exploração dos recursos naturais por meio da força de trabalho cativa. Até hoje
é discurso quase consensual, como um país tão grande e tão rico em recursos
naturais, consegue ser tão atrasado culturalmente, a ponto de eleger tantos algozes,
verdadeiros tiranos, mal caráter, sanguessugas do dinheiro público. Mais
uma vez, repito, a história tenta explicar essas contradições sociais, porém,
infelizmente, essa ferida social insiste em não cicatrizar, como de muitos erros
recorrentes na condução da nossa política.
Às
vésperas de mais um pleito, que parece será decidido entre dois candidatos de
correntes ideológicas distintas, fatos polêmicos vem a público mostrando
membros do STF beneficiados em esquema de corrupção do Banco Master. Claro que
gera preocupação, até mesmo dúvidas acerca do modo como essa instituição atuou
e vem atuando no arbitramento de casos polêmicos, onde quem julga ou julgou,
não está ou esteve isento de imparcialidade. Entretanto, não me sinto surpreso
ouvindo notícias do envolvimento de membros da alta corte do judiciário em
tramas mirabolantes, ferindo frontalmente a constituição. No consciente
coletivo o que sobressai é a ideia de que tudo é permitido em terras onde o
dinheiro e o poder são mediadores dos limites de quem manda e quem obedece.
O
que temos desenhado no nosso imaginário coletivo é o conceito de uma sociedade primada
pelos princípios do republicanismo positivista, Liberdade, fraternidade e
igualdade. São esses os arquétipos que norteiam as regras do jogo do processo
político de todas as repúblicas ocidentais burguesas, porém, muitas delas, a
exemplo do Brasil, mesmo com esses lemas tendo emolduradas as constituições, elas
se revelam como letras mortas, validadas somente para ritos solenes. A separação
dos poderes em executivo, legislativo e judiciário, é o que de mais avançado alcançaram
as repúblicas pós-revolução francesa, uma forma de ordenamento institucional, cujo
Estado, presidencialista ou parlamentarista, são os agentes condutores legal
reconhecidos.
Porém,
mesmo com todo o ordenamento jurídico esboçado em suas cartas constitucionais,
no dia a dia das sociedades que transitaram tardiamente da monarquia escravista
para a república, a exemplo do Brasil, o que prevaleceu mesmo foi o tradicional
mandonismo das elites, forjado por trocas de favores, com proteção das togas dos
judiciários e a bênção de imaculada igreja católica. Não precisamos buscar em
bibliografias de historiadores renomados, fatos que reúnem combinações
destacadas acima, de um republicanismo às avessas, tangenciado por disputas
eleitorais fraticidas, onde o que menos interessava era o respeito tácito dos
ritos regimentais, constitucionais. Para a época em destaque, o que valia mesmo
era o conhecido dito popular: manda quem pode, obedece quem tem juízo.
Todo
esse jogo de cena, de um republicanismo contagiado pelo manto da toga, pela batina
do clérigo, pelo curral, pela eleição bico de pena, acontecia aqui mesmo, em
Araranguá, e que até hoje, em maior ou menor proporção, se repetem durante os
pleitos eleitorais. Tanto Araranguá, como o Brasil num todo, a população
começava respirar ares de liberdade, igualdade e fraternidade, princípios esses
esboçados na bandeira nacional, com o lema Ordem e Progresso. Jamais o
republicanismo assegurou a todos o que estava esboçado nos inúmeros artigos,
parágrafos e incisos, da primeira constituição de 1891, e das demais, redigidas
por representantes do povo, eleitos “democraticamente”.
Não
garantiu e jamais garantirá o que apregoa, pelo fato de a constituição, embora alguns
de seus artigos afirmam de modo explícito que somos iguais perante a lei,
porém, quando nos confrontamos com a realidade, nos convencemos que alguns são
mais iguais que outros. São esses paradoxos que permitem manter-se intactos os
sistemas de classes, estando de um lado, a elite, que manda, que controla as
leis e as demais estruturas do estado; e do outro lado, o grosso da sociedade,
que é manipulada, que pensa com a cabeça daqueles que a exploram, a elite
burguesa.
O
que a república propunha à sociedade quando da sua proclamação em 1889 jamais
se confirmou até o momento. Nem mesmo houve o amadurecimento tácito da sua
estrutura organizacional, ou seja, a separação dos poderes como forma de
assegurar o mínimo de imparcialidade e legitimidade institucional. O sistema
político, portanto, se mantém tão frágil que o próprio conceito de Estado laico
ainda confunde legisladores, acreditando ser natural existir crucifixos fixados
nas paredes das casas legislativas.
Nas
sociedades latino-americanas, de colonização europeia, cuja economia foi
forjada com mão de obra escrava, foram poucas que com a independência, e posteriormente,
com a república, impediram ações golpistas, ou seja, ataques contra a república
e que fez ascender regimes autoritários. O Brasil viveu essa experiência golpista por
vinte anos, de 1964 a 1984. Entretanto, com a nova república, viveu um golpe
branco em 2016, com o impeachment de Presidente Dilma Rousseff; e a tentativa
de golpe em 08 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram a sede dos
três poderes em Brasília, para impedir a posse do presidente eleito, Lula.
As
vésperas de mais uma eleição, em outubro de 2026, o cenário político se mostra
um tanto conturbado, porque diante da possibilidade de vitória do presidente
Lula, a quarta, no seu currículo, a extrema direita e seus milhares de
apoiadores, buscam articular um ambiente de instabilidade institucional
envolvendo o STF. O imbróglio agora coloca no centro das atenções integrantes
do STF, suspeitos de ligação com o proprietário do banco Master. Isso tudo a
menos de 30 dias do primeiro turno da eleição, criando possibilidades de termos
um pleito eleitoral conturbado, elevando o risco de, hipoteticamente Lula
vencer as eleições, atos golpistas virem a se repetir como em 2023.
As
denúncias de suspeitas de envolvimento do ministro Moraes com o esquema do
banco Master, com pedidos até de impeachment por parlamentares de extrema
direita, se mostra como sendo uma armadilha para golpear a possível eleição de
Lula. Sendo Alexandre de Moraes uma personalidade chave na preservação dos
preceitos republicanos nas eleições de 2022, sendo agora um dos pivôs do imbróglio
no judiciário, pode confundir os eleitores, a ponto de acreditarem de estar
Lula no centro dessa maracutaia.
Se
o judiciário expôs suas fissuras históricas, que não é exceção desse poder, alcançando
o legislativo e o executivo, o modo como foi escancarado, envolvendo dois
magistrados de vertentes políticas distintas, fatos como esse devem ser
interpretados com certa precaução, pois há nítidos interesses eleitorais
implícitos no caso. Se a postura do ministro Alexandre de Moraes, foi decisiva
na prisão dos inúmeros envolvidos na tentativa de golpe de 08 de janeiro de
2023, inseri-lo agora nesse abacaxi do banco Master, é fomentar no imaginário
coletivo o sentimento de um judiciário completamente falido, sem qualquer legitimidade,
portanto, passa a visão de uma república sem legitimidade, prestes a ser
golpeada pelos tiranos fascistas de plantão.
Prof.
Jairo Cesa