segunda-feira, 26 de outubro de 2026

 

O RETROCESSO À EDUCAÇÃO BÁSICA NO BRASIL SE A EXTREMA DIREITA VENCESSE O PLEITO ELITORAL DE 25 DE OUTUBRO DE 2026 

https://www.cut.org.br/noticias/plano-de-flavio-bolsonaro-ameaca-verbas-de-universidades-creches-e-pe-de-meia-3f22


Este é o último texto que escrevo antes do segundo turno do pleito eleitoral, no qual um candidato, Lula da Silva, do PT, tentará a reeleição, enquanto o outro, Flávio Bolsonaro, do PL, buscará ocupar o cargo de presidente da República pela primeira vez. Buscarei, neste texto, tratar de um assunto sensível à sociedade brasileira: a educação básica, com destaque para as propostas de alfabetização dos dois candidatos para os próximos quatro anos de mandato (2027–2030). O que sabemos é que os problemas educacionais no Brasil, da educação infantil ao ensino médio, ainda enfrentam gargalos históricos, que vão desde a precarização das escolas até os baixos salários pagos aos profissionais da educação.

Como resposta a esse problema, existe a assimetria na gestão da educação básica entre os três níveis de poder: o municipal, o estadual e o federal, pois cada instância tem autonomia para definir suas políticas, priorizando mais ou menos o campo educacional. Embora exista a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os municípios e os estados dividem entre si as responsabilidades pelo processo educativo, cabendo aos estados a gestão do ensino médio e, em menor proporção, a do ensino fundamental, cuja responsabilidade é dos municípios. Entretanto, a priori, cabe aos municípios priorizar a educação infantil, bem como o ensino fundamental, do 1º ao 9º ano. É exatamente sobre esse nível de ensino, especialmente os anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, que quero fazer algumas reflexões, levando em consideração, naturalmente, as propostas dos dois candidatos à Presidência da República: Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

Como ressaltei no começo do texto, o Brasil ainda enfrenta muitos gargalos na educação, pois não bastam apenas boa vontade e promessas: são necessários investimentos e a adoção de políticas educacionais, especialmente no campo pedagógico, que garantam a cada estudante a alfabetização articulada ao letramento. Essa prática pedagógica vem sendo aplicada nas escolas brasileiras, pois, além de fazer parte do Plano Nacional de Educação (PNE), está presente no programa de governo do candidato Lula para os próximos quatro anos, diferentemente do plano de governo do PL, que não faz qualquer menção a esse modelo de ensino.

O processo de letramento mostra-se mais complexo do que o de alfabetização, pois permite que o indivíduo se aproprie da leitura e da escrita e as integre à sua própria existência. Isso envolve um amplo campo de informações, conectado aos diferentes gêneros textuais, papéis, comportamentos, identidades e expectativas presentes nos ambientes de convívio dos estudantes. Nesse sentido, o emprego das teorias socioconstrutivistas e sociointeracionistas sempre teve impactos positivos no processo de letramento, tanto nas escolas públicas quanto nas particulares.

Ao ler o capítulo sobre educação, que abrange desde a educação infantil até o ensino superior, no programa de governo do candidato Flávio Bolsonaro, do PL, o que mais chama a atenção é a adoção de métodos de aprendizagem para as séries iniciais que remetem ao final do século XIX, quando se priorizava o método fônico, que ensina a criança a ler e a escrever associando cada som à sua letra: b + a = ba; c + a = ca. Repito mais uma vez: em momento algum aparece, no reduzido programa de governo para o setor, qualquer referência ao sistema de letramento, que envolve a capacidade de ir além do simples ato de juntar letras para formar sílabas e palavras.

O candidato do PL defende que, na escola, os estudantes com melhor desempenho sejam remunerados para oferecer reforço aos colegas que necessitam de ajuda. Essa atividade poderá ocorrer de forma remota ou presencial. Não há, no programa, qualquer explicação sobre as fontes de recursos que serão utilizadas para financiar essa iniciativa. Outro aspecto preocupante no programa de governo do PL é o item que trata do financiamento das escolas, que se daria com base nos resultados.

Como assim, resultados? É claro que seriam beneficiadas as escolas mais bem estruturadas, que representam uma pequena parcela da rede e dispõem de equipamentos pedagógicos modernos e professores bem remunerados. Na realidade brasileira, em que a educação básica é compartilhada entre municípios, estados e governo federal, o financiamento baseado em resultados poderá levar ao fechamento de centenas de estabelecimentos de ensino, pois, em muitos estados e municípios, os gestores não têm a educação como prioridade, mantendo as escolas em condições precárias.

Quanto à formação continuada, a proposta do candidato do PL aborda o tema. Entretanto, ressalta que ela será fundamentada em evidências científicas, e não em modismos pedagógicos, nem será utilizada para fins de militância em sala de aula. É incrível que um candidato cujo pai foi presidente da República defenda esse discurso, considerando que seu pai questionava insistentemente aquilo que a ciência postulava, a ponto de seus intelectuais e gurus difundirem opiniões que colocavam em dúvida a própria esfericidade da Terra, chegando a admitir que o planeta seria plano.

Na escola pública, todo o arcabouço teórico e metodológico elaborado e aplicado fundamenta-se em evidências científicas. Agora, dizer que a sala de aula não é espaço para militância e que deve estar livre de doutrinação partidária leva à seguinte pergunta: a quem serve esse discurso tosco? Como explicar a ascensão das escolas cívico-militares, se não como um modelo de educação voltado à inculcação de um projeto de sociedade conservadora e autoritária, fundamentado nos preceitos da ordem e da disciplina? Isso não seria um modelo escancarado de doutrinação?

O plano afirma que aprender a pensar não é o mesmo que aprender o que pensar e que cabe aos pais decidir quais valores serão transmitidos aos filhos. Se as escolas fossem realmente espaços de doutrinação, como afirmam os negacionistas, Santa Catarina não elegeria um candidato do PL ao governo do estado com mais de 70% dos votos. Que influência tiveram os professores em sala de aula, em termos de ideologia e doutrinação, se não conseguem politizar os estudantes para transformá-los em sujeitos críticos e combativos diante das perversidades cometidas por esses gestores e parlamentares contra os trabalhadores ao longo das últimas décadas no território catarinense?

O plano apresenta a proposta de levar robótica, computadores, tablets e internet às escolas brasileiras. É revoltante ter de ler propostas desse tipo, carregadas de demagogia, por parte de quem desconhece a estrutura da educação pública brasileira. Até 2025, mais de mil escolas municipais e estaduais não tinham água potável, muito menos banheiros, sendo os índices de precariedade ainda maiores nesse segmento. O acesso à internet ainda é um sonho distante em muitas escolas brasileiras. Naquelas em que há conexão, como ocorre em várias unidades de ensino do “próspero” estado catarinense, isso se deve, muitas vezes, aos recursos próprios arrecadados pelas próprias escolas, por meio de rifas e outras promoções, para melhorar a conexão e torná-la acessível ao corpo docente, permitindo o cumprimento das inúmeras exigências burocráticas da própria Secretaria de Estado da Educação.

Prof. Jairo Cesa            

sábado, 24 de outubro de 2026

 

 OPERAÇÕES PSICOLÓGICAS OU (PSY OPS) QUE ATUAM NA DESESTABILIZAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO

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Há mais de quinhentos anos, os territórios habitados por civilizações antigas como os Astecas, Incas, Maias, Tupinambás e Guaranis, entre outros, foram invadidos pela fúria destrutiva da colonização espanhola e portuguesa. Impuseram aqui suas culturas, suas práticas prejudiciais, saqueando nossas riquezas, nosso ouro, nossa prata, nossa madeira e escravizando a população local. Este processo de colonização nas Américas nunca cessou; enquanto Espanha e Portugal entraram em declínio econômico, a Inglaterra, o grande império dos cinco mares, assumiu o controle, mantendo o domínio sobre o território, mesmo que fossem nações "independentes", mas ainda vassalas da sua majestade.

No século XX, a ex-colônia britânica, os Estados Unidos, emergiu como uma potência regional. Por meio de negociações e acordos com a vossa majestade imperial britânica, tomou as rédeas do que se tornaria o enorme quintal econômico estadunidense. O tempo passou, guerras sangrentas ocorreram, incluindo a violenta guerra fria, assim como mudanças significativas nos domínios econômico e tecnológico, levando nações a desafiar o poder do grande império do norte. Entramos no século XXI, é a era da internet, das mídias digitais e da inteligência artificial; tudo isso combinado impõe àquelas populações que não se alinham a uma governança tecnológica, como é o caso da América Latina, uma condição de subserviência permanente.

Alcançar altos níveis de desenvolvimento tecnológico demandou anos de pesquisa e significativos investimentos em educação, algo que a América Latina não fez, claro, devido a políticas de dependência, especializando-se apenas na exportação de commodities. Com o fim da guerra fria, os Estados Unidos estabeleceram seu controle sobre a governança global, mas não previram que décadas depois sua supremacia estaria sob ameaça da China, o gigantesco país comunista, cuja economia é tão capitalista quanto as demais superpotências, porém, com planejamento estatal.

Novos componentes eletrônicos passaram a impor a ordem econômica global. Chips para computadores, celulares, carros e motocicletas elétricas são equipamentos que determinarão as regras de um mundo no qual a inteligência artificial busca conquistar autonomia em relação aos seres humanos. Assim como o ouro e a prata construíram impérios, os valiosos chips são produzidos a partir de minerais, tão raros e valiosos quanto os cobiçados metais pelas metrópoles espanholas e portuguesas. Agora, tente adivinhar onde esses recursos estão realmente localizados? É claro que a maior parte está no território chinês, seguida pelo Brasil.

Enquanto superpotências como os Estados Unidos investiram bilhões de dólares em indústrias bélicas nos últimos trinta a quarenta anos, a China concentrou seus esforços na construção de um parque industrial e na educação de seus jovens em todos os níveis. Nos últimos dez anos, a China tem se tornado uma ameaça ao grande império do norte, que está respondendo às ameaças reocupando seu histórico quintal, a América Latina.

O que se observa na América Latina é uma forte mudança política para a direita, em muitos casos, para a extrema direita, a partir das últimas eleições ocorridas na região. Todas, sem exceção, tiveram influência direta ou indireta dos Estados Unidos. Na Venezuela, o processo foi ainda mais violento, com o sequestro do presidente e sua esposa por forças ligadas ao Trump, sendo ambos levados para os EUA e presos.

Como um tabuleiro de xadrez, governos de centro ou de esquerda foram gradualmente eliminados pela onda direitista na América Latina. Agora, estão pendentes as duas principais economias da região, o México e o Brasil. Contudo, é no Brasil que os Estados Unidos estão concentrando seus esforços para garantir a vitória de mais um governo vassalo no continente. O modus operandi dessa possível tentativa de tomada de poder no Brasil pela extrema direita poderá, talvez, não seguir o mesmo caminho trilhado em 1964, quando as forças armadas tomaram as ruas, depuseram o governo João Goulart e encerraram o Estado democrático de direito.

Desta vez, há uma engenharia em jogo nessa possível tentativa de golpe, que chamamos de Arquitetura de Vigilância. De fato, são as mídias digitais que realizam esse trabalho sujo a favor do imperialismo estadunidense. As principais plataformas digitais, as big techs: WhatsApp, Google, YouTube, Meta, etc., estão localizadas nos EUA. Acredite, uma parte do aparato militar norte-americano também possui nossas informações sensíveis, como localização, hábitos de consumo, redes de relacionamento, preferências políticas, histórico de navegação, biometria e dados institucionais públicos.

Esse será, portanto, o modus operandi que a equipe do presidente Trump irá utilizar para eleger seu candidato, o ultradireitista Flávio Bolsonaro, que representa o que há de mais arcaico e tosco em termos de política. Eleger um vassalo, o candidato Flávio mostrou todas as credenciais que o qualificam para tal, pois é o instrumento que Trump usará para conter a forte influência da China na região. O que o império americano busca no Brasil é fincar suas garras predatórias, apropriando-se de nossas riquezas naturais, em especial as terras raras.

Aqui, portanto, está o custo nefando que pagamos por nossa condição de nação periférica. Enquanto as nações centrais acumularam os benefícios do progresso técnico, detendo maior poder de decisão, as economias periféricas continuam vulneráveis à dependência externa. A fragilidade das nossas instituições de ensino, desde o nível básico até as universidades, resultou na situação atual, caracterizada pelo colonialismo digital. Essa assimetria, entre centro e periferia, se move para a dominação das infraestruturas, dos dados das plataformas e das tecnologias das quais nossa sociedade depende.

De fato, a arquitetura de vigilância tem atuado com eficiência extraordinária no Brasil, gerando desinformação de tal forma a estabelecer um clima de desestabilização social contínua. O medo de que a China se torne uma protagonista econômica pela difusão da Rota da Seda no quintal americano fez com que as big techs entrassem em ação, com o objetivo inicial de gerar desinformações e preparar o terreno político para eleger um governo subserviente ao imperialismo americano.

Parece que esse modus operandi tecnológico no campo cognitivo de parte da sociedade brasileira vem logrando algum sucesso. Um candidato com um histórico repleto de suspeitas de atos criminosos, que ameaça o próprio estado republicano, é o que lidera as pesquisas no segundo turno, indicando claramente que operações psicológicas (PSY OPS) estão atuando com intensidade nas diversas mídias sociais, controladas por corporações midiáticas estadunidenses. Acredite, iremos superar as big techs elegendo Lula presidente. As centenas de milhares de pessoas nas ruas em defesa da democracia são o termômetro real de que iremos sim vencer a barbárie, prevalecendo a civilização.   

Prof. Jairo Cesa                

https://diplomatique.org.br/entre-terras-raras-e-dados-a-disputa-pela-soberania-tecnologica-do-brasil/

https://diplomatique.org.br/para-alem-das-tarifas-a-disputa-esta-na-cognicao/

https://diplomatique.org.br/o-brasil-como-baluarte-das-terras-raras/

https://www.youtube.com/watch?v=_AK8PtKw3L4

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AINDA HÁ TEMPO PARA IMPEDIRMOS QUE A BARBÁRIE SE INSTALE NO BRASIL 


https://www.instagram.com/p/DeCVPImgUKg/

Durante minhas tarefas diárias de professor por aproximadamente quarenta anos, sempre me deparei com turmas, ensino fundamental, por exemplo, de um ou mais estudantes que insistiam desvirtuar o grupo com atos de rebeldia. Claro que os comportamentos inapropriados à cultura discente, geralmente tinham relações de  caráter emocional/afetivo, advindas do grupo familiar onde a criança/adolescente estava inserida. Mas afinal, por que cargas d’água trago o exemplo de crianças rebeldes para a construção narrativa desse texto? A resposta está no debate eleitoral promovido pela Rede Band de Televisão, no último domingo, 18/10/ com os candidatos presidenciáveis Flávio Bolsonaro e Luís Inácio Lula da Silva.

Desde a redemocratização do Brasil, nos pleitos eleitorais ocorridos sempre foi hábito as emissoras de TV abertas realizarem os seus debates eleitorais, como forma de levar ao público as propostas dos candidatos nos diferentes segmentos. Acontece, que o debate ocorrido no último domingo seguiu um padrão que se distinguiu dos convencionais, ainda mais quando estiveram frente a frente duas pessoas defendendo programas ideológicos distintas, um insistindo na permanência da democracia, ou outro, a instalação da barbárie, por meio da entrega literal do Brasil ao imperialismo estadunidense.

Era de se imaginar que o candidato que integra a ala ultraconservadora, se utilizasse de todo o tipo de manobra espúria  a disposição para tentar tumultuar o debate ou confronto, termo utilizado pela mediadora do respectivo canal de TV. Por quase quinze minutos, quando os candidatos tiveram esse tempo para confrontar suas propostas, o que se viu foi um ataque sem limites do candidato extremista ao seu oponente, com ilações falsas e posturas  que fogem completamente ao nível de um estadista que pretende ocupar o posto de presidente da república.

Agora, o que causou indignação a milhões de expectadores, claro que exceto  da bolha bolsonarista, foi a insistente presença do candidato Flavio sempre se postando atrás do candidato Lula, quando estava com a palavra. Como uma assombração, ele movimentava a cabeça/corpo, como querendo negar o que o oponente dizia, com nítidas intenções de deslocar a atenção do expectador, atitude semelhante ao moleque do fundo da sala, como ressaltei acima. Esse ardiloso método foi utilizado durante a campanha eleitoral nos EUA, pelo candidato Trump contra a democrata e Hilary Clinton. Imagens do debate, exibem Pablo Marçal fazendo gestos direcionados ao candidato Flavio, para que se postasse atrás de Lula e movimentasse a cabeça, negando o que o candidato afirmava.     

    Teve o momento em que a mediadora do debate precisou interrompê-lo e chamar a atenção do candidato Flavio, solicitando que se comportasse para que o debate/confronto tivesse prosseguimento. Essa atitude, acredito que milhões de professores que estavam acompanhando o desenlace dos dois candidatos, certamente lembraram do estudante, do moleque do fundo da sala, que insistentemente perturbava o desenvolvimento da aula. Foi exatamente o comportamento do candidato Flavio, o moleque, malandro, pouco inteligente, porém, preparadíssimo para tumultuar, deslocando toda a atenção para si.

Penso que muitos devem ter ficado perplexos quando o candidato Flavio mencionou a presença na plateia dos seus “queridos apoiadores”, o ex-ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro e governador eleito do Paraná, Sérgio Moro; e o ex-Procurador da República e agora Senador eleito pelo Paraná, Deltan Dallagnol. O que deve ter passado na mente de muita gente é, como assim, companheiro, alguém que na época o ministro Moro o odiava, pelo fato de o presidente Bolsonaro ter demitiu o Diretor-Geral da Polícia Federal sem o consentimento do Ministro da Justiça. Essa atitude autoritária do presidente, motivou o pedido de demissão do ministro Moro da pasta da justiça. A troca do diretor-geral foi arquitetada pela família Bolsonaro com o intuito de proteger-se de investigações por crimes cometidos.  

Propostas como transformar o Serviço Único de Saúde - SUS em padrão hospital Albert Einstein; criação do Ministério da Prosperidade, entre outras maluquices, ecoaram da mente estúpida de um cidadão que não apresenta o mínimo de qualificação ao relevante cargo que é o de Presidente da República. Penso que, aqueles que possuem o mínimo de discernimento acerca do que é certo ou errado, deve ter assimilado o erro que será ir à urna do domingo, 25/10/ e votar no 22.

Como historiador que sou, por 40 anos aproximadamente trabalhei na Rede Estadual de Ensino de Santa Catarina, e alimento todas as convicções que, na desastrosa hipótese de sagrar-se presidente, seu mandato será mais autoritário que os tristes 20 anos do regime militar. Os generais, com algumas exceções, se apresentavam como nacionalistas, ou seja, defendiam arduamente a soberania nacional, em momento algum esboçaram discursos propondo entregar nossas riquezas a qualquer outro pais.

O candidato ultradireitista defende abertamente abrir as fronteiras do Brasil a vossa majestade Donald Trump, que irá se apropriar do que temos de mais precioso para assegurar a nossa soberania no futuro, as extraordinárias reservas de terras raras, principalmente o nióbio, pois concentramos a maior reserva desse importante mineral. E agora, depois de tanto esclarecimento, de tantos alertas, será possível que as pessoas, a classe trabalhadora, por exemplo, manterá sua posição de eleger alguém que promete destruir tudo o que conquistamos em décadas de luta e sofrimento?

Não podemos retroceder décadas, séculos de história. Recuperar um país destruído demora muito tempo. Não podemos colocar em risco de sofrimento duas ou mais gerações, como foi o regime militar. Ainda hoje vivemos os reflexos negativos desse perverso momento da nossa história, que reprimiu, prendeu e matou muita gente, pelo fato de defender as liberdades constitucionais, o direito de existir, de pensar de acordo com suas convicções e valores. O projeto da extrema direita, chancelado pelo candidato Flávio Bolsonaro, é calar quem pensa diferente, comportamento visto de grupos apoiadores e simpatizantes atacando aqueles que defendem opiniões contrárias à bolha extremista.

Imaginamos um presidente que tenha ao seu lado um congresso tomado por parlamentares do mesmo partido que o seu, resguardado por um vasto guarda-chuva de partidos associados; um número acachapante de governadores e prefeitos que seguem essa mesma lógica; um STF majoritariamente aparelhado ao governo federal, será que tantos exemplos não abram os olhos de que e estaremos sob a égide da ditadura? Não precisamos esperar para ver o que dá, temos que cortar essa mal pela raiz, e tem que ser agora, domingo, votando não à quadrilha que quer se apropriar da nossa Pátria Amada Brasil.

Não duvide, o governo Bolsonaro será letal às classes trabalhadoras, porque terá como escudo, a força militar e persuasiva dos Estados Unidos. Ainda há tempo, porém, temos poucos dias para trocar nosso voto e eleger o candidato da democracia, da civilização, que é contrário a barbárie, Lula da Silva – 13. Outra alerta relevante, acredite, o cenário político atual brasileiro é similar à Alemanha de 1933, quando ocorreram eleições democráticas e o eleito foi nada mais nada menos que Adolfo Hitler, sendo que o resultado não preciso expor aqui.

Prof. Jairo Cesa

 

 


A METÁFORA DESTRUIDODA DOS VASSALOS LATINO-AMERICANOS

https://www.facebook.com/nosmulheresdaperiferia/posts/%EF%B8%8F-da-motosserra-de-milei-ao-tesoura%C3%A7o-de-fl%C3%A1vio-quem-vai-pagar-essa-contasegundo/2055184822362860/



Faltando um dia para o segundo turno de uma das eleições mais acirradas na recente redemocratização do Brasil, Lula e Flavio aparecem empatados nas pesquisas de intenção de voto. A expectativa era de que o candidato Flavio perdesse apoio após o debate na TV Band e de várias postagens nas redes sociais que expuseram indícios de seu envolvimento em um mar de crimes questionáveis, cujas ações escandalosas poderiam até causar inveja a Al Capone, dada a astúcia do “gangster” brasileiro.

Ainda existem oportunidades para evitar que o Brasil fique sob o controle dessa quadrilha de malfeitores, que, caso assumam a presidência, começarão com um chamado tesouraço. Especialistas críticos em economia alertam que o Brasil poderá enfrentar o fenômeno conhecido como Efeito Orloff, podendo se tornar semelhante à Argentina, onde hoje mais de 50% da população vive em precariedade econômica. É notável a ausência do presidente Milei nas propagandas do candidato do PL, que não o apresenta como modelo próspero de administração a ser seguido, caso a extrema direita vença no Brasil.

Fato é que a Argentina está caminhando para um colapso econômico, a ponto de necessitar da intervenção do FMI, dado o caos gerado pelo atual presidente. Ao longo de dois anos sob o governo de Milei, mais de 30 mil pequenos negócios fecharam suas portas. Contudo, as políticas neoliberais da administração argentina beneficiam setores como mineração, agronegócio e grandes conglomerados. Com cortes nos gastos públicos, saúde e educação foram as áreas mais prejudicadas. A estratégia do presidente argentino, metaforicamente referida como MOTOSSERRA, buscava reduzir a inflação, mas a eficácia do plano resultou no aumento das taxas de juros, que estagnou o poder de compra da população.

 

Com menos dinheiro circulando, os pequenos negócios sofreram com a diminuição progressiva do poder aquisitivo dos argentinos. O salário de milhões de argentinos não é suficiente para cobrir as despesas de uma família por trinta dias, no máximo por vinte dias. Para garantir a sobrevivência, muitos se veem obrigados a contrair empréstimos bancários para custear despesas básicas.

Nas últimas semanas, diversas postagens nas redes sociais têm alertado os eleitores brasileiros para não cometerem o mesmo erro da Argentina ao escolher o candidato do PL, que considera o governo Milei um modelo a ser seguido. O uso da tesoura, em vários eventos que participou, simboliza o que ele pretende implementar na economia do Brasil. Seus argumentos afirmando que o Brasil atravessa uma crise, que o poder de compra da população é fraco, entre outras afirmações, não refletem os indicadores econômicos até agora apresentados.

Assim como na Argentina, o candidato da extrema direita conta com o apoio dos setores do grande capital, sendo o agronegócio o principal suporte para a candidatura de Flavio Bolsonaro. Tanto na Argentina, quanto no Chile, Colômbia e Venezuela, entre outras nações da América Latina sob governos de direita, o setor de mineração e do agronegócio, que lida com commodities, nunca obteve lucros tão altos como agora com o dólar valorizado. Não há dúvida alguma, e até mesmo as crianças percebem, que se a extrema direita vencer as eleições, a população brasileira enfrentará tempos muito difíceis.

Já mencionei em outros textos neste blog que os Estados Unidos são os mais interessados nas vitórias dos governos de direita na América Latina, pois isso permitirá que reestabeleçam seu poder geopolítico sobre a região. Sabem que a América Latina possui o que eles mais precisam, como petróleo e importantes minerais raros, que são matérias-primas essenciais para a economia do futuro e que substituirá os combustíveis fósseis. Também entendem que, ao se firmar em seu quintal, a América Latina criará um escudo contra as iniciativas da rota da seda lideradas pela China. A vitória de Lula nos proporcionará um alívio temporário, mas, após o dia 25 de outubro, é fundamental retornar às ruas para garantir que a posse do presidente eleito ocorra, pois os extremistas tentarão repetir os eventos de 8 de janeiro de 2023.

Prof. Jairo Cesa      

domingo, 11 de outubro de 2026

 

PLEITO DE 04 DE OUTUBRO DE 2026 ELEGEU UM CONGRESSO QUE REMETE AO REGIME MILITAR, DA ARENA E O MDB

https://pt.slideshare.net/slideshow/partido-arena-e-mb/41980905



O recente pleito eleitoral de 04 de outubro destacou uma preocupação que remete ao período da ditadura militar, quando apenas dois partidos políticos, a ARENA e o MDB, tiveram autorização para atuar. A eleição evidenciou a significativa quantidade de cadeiras conquistadas pelo Partido Liberal – PL, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. Esse sucesso eleitoral do Partido Liberal também abrangeu o executivo e as assembleias legislativas estaduais, que registraram um aumento no número de cadeiras em comparação ao pleito anterior.

Durante o regime militar, o general Castelo Branco, em 1965, implementou o AI 2, o qual eliminou os partidos políticos e criou as duas legendas: a Aliança Renovadora Nacional e o Movimento Democrático Brasileiro. Dois anos depois, em 1968, durante o governo do general Costa e Silva, foi promulgado o Ato Institucional n° 5, que concedeu plenos poderes ao governo, incluindo o fechamento do congresso e a proibição de eleições. Em 1972, sob o governo do general Médici, as eleições diretas para senador e prefeito foram restabelecidas.

Com a intensificação dos movimentos de oposição ao regime militar, manifestados pelo MDB através do aumento de prefeitos e vereadores eleitos, os generais instituíram a Lei Falcão para neutralizar essa oposição, a qual limitava a propaganda eleitoral a simples fotos dos candidatos e à narração de suas biografias por um locutor. Esta era a maneira que os generais encontraram para bloquear o avanço do MDB, que incluía diversas tendências ideológicas, como o PCB e o PTB, além de nomes de esquerda do PSD que se opuseram à filiação à ARENA.

Apesar da ARENA defender a ideologia do regime militar e suas demandas reacionárias, as disputas eram intensas nas indicações de candidatos à majoritária nos municípios. Para mitigar as disputas entre as facções na ARENA e no MDB, os generais criaram sublegendas. Em vez de ter apenas um candidato ao executivo municipal, a legenda poderia incluir mais dois nomes, atendendo assim às diferentes demandas dos grupos econômicos, resultando nas denominações ARENA-1, ARENA-2 e ARENA-3, o que também era válido para o MDB. No entanto, o candidato mais votado, que poderia ser da ARENA ou do MDB, frequentemente não era o eleito para o cargo, pois o que importava era a soma das sublegendas.

Um exemplo claro do uso desse instrumento para reduzir as tensões eleitorais e evitar uma possível vitória da oposição ocorreu em Araranguá/SC, nas eleições municipais de 1976, onde a ARENA lançou duas sublegendas e o MDB, três. Com apenas 152 votos de diferença, a ARENA elegeu o candidato da Sublegenda-1, Salmi Paladini, que obteve 3.673 votos. Caso o MDB tivesse vencido, o prefeito teria sido João da Silva, da sublegenda-2, com um total de 2.553 votos, ou seja, 1.120 votos a menos que o candidato da ARENA eleito.

Embora o contexto atual seja diferente, há um cenário alarmante que sugere a repetição de erros do passado recente, quando a população ficou submissa às agruras do autoritarismo militar por duas décadas. O resultado do pleito de 4 de outubro indicou que viveremos sob um legislativo ultraconservador, que ameaçará as conquistas históricas dos trabalhadores. Agora, não é mais a ARENA que impõe suas diretrizes, mas o PL e seus partidos aliados, que juntos ocuparão 388 cadeiras na Câmara dos Deputados. Na oposição, não é o MDB, mas o PT e mais cinco ou seis siglas aliadas, que ocuparão 124 assentos na casa legislativa.

Se, hipoteticamente, o PT vencer no segundo turno em 25 de novembro, certamente enfrentará um mandato repleto de chantagens por parte do parlamento e de grupos econômicos aliados. Considero que, com um parlamento tão desprovido de apoio ao governo Lula, o quarto mandato exigirá a mobilização popular nas ruas, algo que se mostrou discreto nos últimos quatro anos. Nas eleições de 2022, com a vitória de Lula e, posteriormente, a tentativa de golpe em 08 de janeiro, não havia, como agora, um clima de intolerância tão feroz da direita contra o PT/LULA.

A interferência dos EUA, se houve no passado, foi sutil, muito diferente da atualidade, que vê o país apostando todas as suas fichas na vitória do candidato de extrema direita. Até que ponto é possível confiar nas instituições para que Lula seja empossado caso vença as eleições? Existe o risco de repetição dos eventos de 8 de janeiro de 2023, agora com a participação direta das forças repressivas dos EUA, semelhante ao que aconteceu na Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro. Precisamos estar preparados para evitar o pior.

 

Prof. Jairo Cesa

             


sexta-feira, 9 de outubro de 2026

 

O LAÇO/CHICOTE COMO REPRESENTAÇÃO ARQUETÍPICA/SIMBÓLICA DE SÉCULOS DE OPRESSÃO

https://lemad.fflch.usp.br/node/5408


Nunca imaginei que, após quase quarenta anos na profissão de professor de história, na qual sempre me opôs às brutalidades cometidas por regimes sanguinários como o nazismo, o fascismo e a escravidão, acabaria testemunhando cenas tão grotescas e repletas de simbolismos nefastos, como as ações de uma deputada de Santa Catarina, reeleita deputada federal nas eleições de 04 de outubro. A figura a qual me refiro é Júlia Zanatta, que faz parte do espectro extremista do estado, tendo recebido mais de 560 mil votos. 

Um vídeo que circulou nas redes sociais mostrava a deputada segurando um relho/chicote e caminhando por uma rua em estado de agitação, acompanhada por seus apoiadores, enquanto proferia palavras como “dando de relho”, referindo-se à impressionante quantidade de votos que estava recebendo. É possível que uma parte significativa dos votos que ela obteve tenha vindo de homens e mulheres de baixa renda, que talvez não soubessem que essa mesma deputada havia votado dias antes contra eles, especificamente contra a redução da jornada de trabalho de 6x1 para 5x2. 

O uso do relho ou chicote durante sua caminhada, batendo no chão, traz uma representação simbólica profunda, remetendo a uma cultura supremacista, branca, que durante mais de três séculos se apropriou do corpo de africanos, escravizando-os para gerar riqueza e poder. Essa mesma deputada, que portava o relho, talvez inconscientemente carregue o peso da dor transgeracional de seus antepassados europeus, que também foram oprimidos por regimes sanguinários dos quais foram vítimas. 

É ainda mais alarmante perceber que a história, como ciência dos acontecimentos, que deveria ser um instrumento para enterrar tragédias passadas a fim de que nunca mais se repetissem, não tem alcançado esse objetivo, pois basta observar o cenário atual para ver que comportamentos e fatos se assemelham ao final do século XIX, quando regimes sanguinários estavam sendo formados na Europa. 

Por que, de repente, comportamentos de ódio e xenofobia são tão fortemente evidenciados? O que os poetas diziam sobre o Brasil como um país ordeiro, pacífico e cordial revela-se como uma antítese, uma sociedade moldada pelo ódio geracional. Mesmo após o fim da escravidão, o Senhor da Casa Grande, hoje o “moderno sinhozinho”, continuou com seu “chicote” ao alcance, arrancando do trabalhador/as seu sangue, suor e dignidade. 

É oportuno mencionar o filósofo educador Paulo Freire, que afirma que o opressor é, na verdade, um sujeito oprimido, e que para libertá-lo dessa condição, precisamos libertar a própria humanidade. Em tempos difíceis como os atuais, considero que a história, enquanto disciplina escolar e acadêmica, não dispõe de todos os instrumentos teóricos e filosóficos necessários para explicar o que ocorre no Brasil e no restante do mundo ocidental. É claro que as ciências sociais, particularmente a sociologia, representam um campo de conhecimento relevante, mas ainda não são suficientes para trazer explicações adequadas. Uma resposta viável para todo esse turbilhão de tensões demanda a colaboração de diversas ciências: história, sociologia, antropologia e, especialmente, psicanálise. 

Sim, a psicanálise, a partir de Freud, Carl Jung e seus discípulos, ao abordar os instintos de morte e arquétipos, que são representações simbólicas do bem e do mal, sugere que os indivíduos carregam inconscientemente o peso opressor de gerações. O laço/chicote utilizado pela deputada catarinense se configura como um arquétipo que simboliza o mal, respaldado por mais de 560 mil catarinenses que votaram nela, indicando que, portanto, também são opressores e oprimidos. Cada um dos/as eleitores/as tende a amenizar sua dor através de seu álter ego, que, nesse caso, é a deputada. 

No que tange aos instintos de morte, essa representação arquetípica se manifesta por meio da exibição de armas ou gestos manuais, como o ex-presidente Jair Bolsonaro costumava fazer ao defender a liberação do porte de armas. Um vídeo que mostrava uma criança segurando uma arma de fogo e dançando sobre um carro durante as comemorações dos resultados eleitorais, possivelmente ligado ao partido do candidato a presidente, do PL, também constitui uma representação arquetípica de poder, da virilidade masculina e de um rito de passagem. O uso dessas representações, de forma inconsciente, revela o lado obscuro da masculinidade, os recalques emocionais e a indefinição da própria sexualidade. 

Outro exemplo que traz essa representação arquetípica negativa é de uma candidata eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo, também do PL, que obteve cerca de 2 milhões de votos. O que marcou sua campanha foram demandas polêmicas que não condizem com as pautas convencionais de uma mulher brasileira, ainda mais sendo uma parlamentar, que deveria primar pela ampliação dos direitos de igualdade e empoderamento social do campo feminino. Uma mulher que é eleita defendendo pautas antifeministas em um país onde a cada seis minutos ocorre um feminicídio é uma clara demonstração de que mulheres também são vítimas passivas da opressão. Portanto, oposição às demandas libertárias contribui para alimentar vícios de domínio, arquétipos do mal, que vão se amalgamando no inconsciente coletivo feminino. 

Até então desconhecida, a candidata que recebeu o maior número de votos em São Paulo rapidamente conseguiu angariar uma infinidade de inimigos, especialmente mulheres, por suas posições controversas em relação ao campo feminino. Um dos absurdos defendidos por ela é a negação da própria existência do feminicídio como uma categoria específica de crime. Observem o que essa pessoa acredita! Até pode, uma vez que se diz seguidora do filósofo e escritor Olavo de Carvalho. Sim, ele mesmo, o guru do conservadorismo e o guia intelectual de Jair Bolsonaro. 

E não parou por aí a série de ações da jovem deputada paulista que refletem suas opiniões e defesas, enaltecendo o lema integralista/fascista de Deus, Pátria, Família e Liberdade. Para mostrar que a sua mentalidade também está repleta de ódio, similar ao da deputada catarinense, da tiara de flores e do chicote, fez, em maio de 2026, um comentário em seu podcast Red/Cast, exaltando Deus por ter catequizado os indígenas brasileiros. Além disso, associou os indígenas a práticas de sacrifícios e canibalismo. 

Não há como não incluir essa figura na longa lista de danos causados por uma família e seus acéfalos, que se espalharam como um vírus letal entre milhões de mentes vazias, fazendo-as acreditar que a terra era plana. São essas pessoas que desejam governar o Brasil!!    Quatro anos de governo Bolsonaro foram suficientes para evidenciar a incapacidade desse grupo de administrar nossa querida e amada pátria brasileira. Precisamos lutar até o fim para que esse mal não se repita.

Prof. Jairo Cesa 

 

            

terça-feira, 6 de outubro de 2026

 

FRASCO DE AGROTÓXICO - (FANTIN TAFIREL),  BANIDO PELA ANVISA, É IDENTIFICADO NA FOZ DO RIO ARARANGUÁ.

 

Foto - Jairo

As últimas enxurradas ocorridas na montante (rio acima) da bacia do rio Araranguá trouxeram um cenário que vem se notabilizando na foz da própria bacia: milhares de pés de árvores depositados, misturados com todo o tipo imaginável de lixo. Embora a administração de Araranguá (FAMA) faça a campanha do recolhimento anual dos detritos por meio do projeto Arco-íris, essa ação voluntária assume um papel paliativo, tamanho o volume de resíduos trazidos pelo rio.

É importante ressaltar que o lixo, depositado na foz e na orla do município de Araranguá, são apenas fragmentos, se comparado ao enorme volume que é absorvido pelo oceano atlântico. Mas, de fato, o que chama a atenção mesmo é o imenso número de embalagens de agrotóxicos que vem se acumulando nas imediações da foz do rio.   Até aí, nada disso é surpresa para ninguém, porque a região da bacia hidrográfica do rio Araranguá é uma das maiores produtoras de arroz irrigado do estado, sendo usual a aplicação de insumos químicos e agrotóxicos na lavoura.

Existem legislações em vigor que definem os agrotóxicos autorizados pela ANVISA, bem como protocolos que os produtores devem seguir, tanto na aplicação do produto quanto no destino das embalagens vazias, que devem ser recolhidas e entregues nos locais onde foram adquiridas.  Também não é segredo que muitos dos agrotóxicos autorizados no Brasil estão banidos em vários países, a exemplo da União Europeia. Embora tendo o grau de toxicidade elevado, como o 2,4-D, Atrazina, Acefato, entre outros, existem aqueles cujo uso a legislação brasileira desautoriza, por conterem princípios ativos altamente tóxicos.

Um desses agrotóxicos, banidos pela legislação brasileira, Resolução n. 1.975/2019, é o Fentin Tafirel, classificado como classe II, muito perigoso ao meio ambiente. É considerado um poluente marinho severo, que destrói a fauna aquática (peixes e plantas). No ser humano, esse agrotóxico tem potencial carcinogênico, além de afetar o sistema reprodutivo e endócrino. Nos ecossistemas, esse fungicida permanece ativo por muito tempo, não sendo dissolvido com facilidade.   

O que é espantoso é o fato de esse produto, banido pela legislação brasileira, estar sendo utilizado nas culturas da Bacia do Rio Araranguá, cuja aquisição, acredita-se, tenha sido realizada por meio de contrabando. A certeza acerca do uso desse veneno é confirmada a partir da identificação de uma embalagem, misturada com fragmentos de madeira e lixo plástico, na foz do rio Araranguá. É preciso informar que são toneladas de agrotóxicos aplicados todos os anos na região sul do estado, possivelmente estão incluídos nesse pacote, aqueles banidos pela ANVISA, que acessam ao território pelas fronteiras, por meio de contrabando.  

Foto - Jairo


Agora, imaginemos o grau de perigo a que estão sujeitas as populações que consomem alimentos e água, possivelmente contaminados por esse e outros agrotóxicos, também contrabandeados. Se um frasco de Fentin Tarifel foi identificado na margem do rio Araranguá, é provável que mais frascos desse e de outros aditivos tóxicos, classe II, tenham se deslocado para o oceano. Até que ponto podemos afirmar que peixes e crustáceos capturados na orla do município de Araranguá não estejam contaminados por agrotóxicos?

Prof. Jairo Cesa