sábado, 31 de janeiro de 2026

 

ATOS CONTRA A MORTE VIOLENTA DO CÃO ORELHA DEVERIAM SE REPETIR EM DEFESA DAS NOSSAS PRAIAS CONTAMINADAS

https://balneabilidade.ima.sc.gov.br/


Nas últimas duas semanas o assunto que bombou nas redes sociais, emissoras de rádios e TV no estado e no Brasil foi o ato violento praticado por quatro adolescentes contra um cachorro comunitário, conhecido pelo nome de Orelha. Penso que é nobre tal dedicação da imprensa e das redes sociais contra ato brutal a um animal indefeso. Isso, é claro, evidencia ainda mais o quanto é importante cuidarmos desses animais, que infelizmente tomam conta de nossas ruas por falta de políticas públicas de proteção, bem como de redução da proliferação. Insisto em afirmar que louvo toda essa iniciativa contra o ato brutal ao Orelha, isso porque tenho em minha residência três cães de rua, dos quais dedico todo o carinho e atenção necessários.  

Afinal, por que trago o cão Orelha como tema para reflexão hoje? A resposta se deve pelo fato do episódio da morte do animal ter gerado comoção coletiva sem precedentes, que há muito tempo não se via no estado. Manifestações, passeatas públicas contra os adolescentes infratores e em defesa dos cães se espalharam por muitos lugares. Penso que se tal atitude drástica fosse investida com a mesma tenacidade contra os gestores públicos municipais que não cumprem  suas obrigações no saneamento público, tenho certeza que num curto espaço de tempo o grande número de placas impróprias para o banho reduziriam significativamente.

O que espanta é a pouca divulgação nos meios de comunicação  das praias contaminadas e dos riscos aos banhistas em contrair doenças principalmente parasitárias. Imagine agora um balneário importante como de Palmas, em Governador Celso Ramos/SC, que de 2015 a 2019 foi premiada com o selo internacional Bandeira Azul, e hoje esse mesmo balneário é um dos mais poluídos do litoral catarinense. A última análise divulgada pelo IMA, 30/01,  mostrou contaminação em todos os sete pontos avaliados em Palmas. Palmas não é um caso isolado, situação  semelhante acontece em outros municípios costeiros, como Bombinhas e o Rincão, esse último no sul do estado.

O fato é que tudo permanece normal, as pessoas continuam se banhando nessas praias como se tivessem limpas. Parece que banhar-se em águas tomadas por fezes humanas não causa nenhum tipo de indignação, é como se fosse algo naturalizado. É bom que se diga que praias a exemplo de Bombinhas e o Rincão não são pessoas pouco abastadas as maiores frequentadoras, são bem aquinhoadas, esclarecidas, porém, pouco se incomodam em ter que mergulhar num mar contaminado por fezes humanas.

Se há contaminação é claro que um dos motivos é a inexistência de sistemas de tratamentos de esgotos, problema que se repete em quase todo o território catarinense, que possui um dos piores índices nesse segmento entre os 27 estados.  Embora não havendo o tratamento dos resíduos sólidos na maioria dos municípios, na construção de residências ou outras edificações, o proprietário deve instalar fossa séptica que reduz significativamente a liberalização de fluidos contaminantes no solo. Mas por que então tanta praia contaminada?

Durante a construção de edificações são comuns ligações clandestinas da tubulação de esgoto nas redes fluviais que desaguam no oceano. Em casos mais específicos, devido ao grande acúmulo de edificações nos municípios costeiros e a inexistência de tratamento de esgoto, em período de maior incidência de chuvas, o esgoto extravasa na superfície agravando ainda mais a balneabilidade. Repito, se a imprensa e a população reagissem aos problemas da contaminação das nossas praias com o mesmo afinco a do cão Orelha, rapidinho balneários como Arroio do Silva, Rincão, Palmas, Bombinhas, entre outros tantos, não apareceriam mais no mapa do IMA com tantas bandeiras vermelhas, simbolizando água imprópria para o banho.

Prof. Jairo Cesa    

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

 

APOLOGIA AO NAZISMO EM ARARANGUÁ

https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/01/25/homem-adesivo-suastica-carro-domiciliar-tornozeleira-eletronica-em-sc.ghtml


Todo o cidadão/ã com o mínimo de esclarecimento sabe que durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) mais de seis milhões de judeus, negros, comunistas, ciganos, foram assassinados pela política nazista alemã. A intensão do regime nazista da Alemanha cuja liderança esteve a cargo do seu líder máximo, o chanceler Adolfo Hitler, era criar uma “sociedade pura”, constituída de brancos arianos, bem como criar o grande império alemão. Porém, o que se notou após o Holocausto judeu, foi que os princípios do nazismo/fascismo jamais foram exterminados por completo, permanecendo latente no imaginário coletivo como um vírus incubado, prestes a ser reanimado num mínimo vacilo institucional.

Regimes que apregoam o ódio, a violência, a aversão ao diferente, geralmente se aproveitam de elementos constituídos nas muitas sociedades capitalistas como as crises sociais e econômicas. O Brasil, a presença de células nazistas e fascistas datam do começo do século XX, principalmente em municípios do sul do Brasil dos quais foram colonizados por imigrantes italianos, alemães, poloneses. Durante a segunda grande guerra, o próprio regime de Vargas (1930-1945) apresentou certa afinidade aos preceitos do totalitarismo nazista e fascista, fato esse que resultou na outorgação  de uma constituição em 1937 inspirada na carta constitucional polonesa.

O que revela a forte influência nazista alemã em solo sul brasileiro é da existência de um túmulo em município do extremo norte gaúcho, local em que está sepultado indivíduo cujo primeiro nome é Adolpho. O nome Adolpho, segundo relatos, foi dado por membro da família para homenagear o Fuhrer Alemão, que embora não tenha vindo ao batismo do afilhado, solicitou que fosse enviado presentes e dinheiro para a família.

Note que a apologia nazista ainda presente no nosso cotidiano não é algo aleatório, isolado. Ela é um processo construído e que vem sendo alimentado no mundo inteiro por forças políticas extremistas que aproveitam qualquer vacilo institucional para ocupar espaços de poder. Quando falamos em presença institucional nos referimos ao final da década de 1930 quando do surgimento do Partido Integralista Brasileiro, força política moldada sob forte influência do fascismo italiano. Esse partido teve como slogan de propaganda Deus, Pátria e Família. Nas eleições municipais de 1936, por cerca de 500 votos o integralismo araranguaense não venceu o pleito. Entretanto vários municípios catarinenses, os resultados dos pleitos levaram aos paços municipais e as câmaras legislativas prefeitos e vereadores simpatizantes dos regimes totalitários alemão e italiano.

Como um vírus alojado no organismo vivo, diante da presença de algum elemento motivador externo, serve como um gatilho para despertá-lo, resultando em uma epidemia ou até mesmo uma pandemia. Isso acontece também no campo social e político, a exemplo do Brasil, quando em 2018 nas eleições para presidente foi eleito um candidato ultraconservador que  apregoou discursos fascistas na campanha eleitoral, bem como durante os quatro anos de mandato.

Era tudo o que necessitavam os milhares de cidadãos(ã) brasileiros contaminados pelo vírus do ódio transgeracional contra populações negras, indígenas e aos pobres. Lembram do slogan Deus, Pátria e Família que dominou a campanha e os quatro anos de desgoverno do ex-presidente e atualmente preso e condenado por tentativa de golpe militar e outros crimes cometidos? Esse mesmo Slogan foi utilizado nas passeatas por simpatizantes ao regime militar e que resultou no golpe de 1964.

Quem achava que propaganda ou apologia ao nazismo era algo comum somente em municípios com forte presença de descendentes alemães e italianos deve ter se surpreendido com a notícia da prisão de um cidadão conduzindo pelas ruas de Araranguá automóvel contendo no vidro traseiro adesivo com a suástica nazista e a frase Guerra Civil Já. Talvez na mente desse cidadão havia a compreensão de que o ato convergiria grande legião de simpatizantes, até mesmo acreditando que tal atitude incitaria revolta social contra o atual governo.

O caso da apologia nazista em Araranguá não é um fato isolado. Em outubro de 2025 foi descoberta uma célula nazista no município de Cocal do Sul, sul de SC. A ação do Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado – GAECO, contra essas células nazistas também foi desencadeada em outros municípios brasileiros. Eram organizações bem estruturadas e consideras extremamente violentas. As reuniões serviam para o planejamento de ações e, em alguns casos, para a organização de confrontos com grupos ideologicamente opostos.

É preciso, portanto, ficarmos sempre vigilantes contra taus vírus demoníacos, genocidas, que jamais sejam despertados das profundezas sombrias do inconsciente coletivo. O que nos preocupa é saber que atos fascistas vêm sendo aplicados com naturalidade e extrema brutalidade atualmente, a exemplo a população palestina nos territórios ocupados pelo exército israelense. Os EUA são outro exemplo de difusão fascista contra imigrantes, praticadas por forças repressoras do estado, a exemplo do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos - ICE.

Prof. Jairo Cesa       

    

            

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

 

DOUTRINA “DONROE” E A NEOCOLONIZAÇÃO NORTE-AMERICANA SOBRE A AMÉRICA LATINA

https://diplomatique.org.br/o-jogo-de-trump-rubio/


O ataque militar norte americano a capital venezuelana, Caracas, no qual resultou no sequestro e a remoção para Nova York o presidente Maduro e sua esposa, pode ser compreendida coma a concretização de uma nova doutrina na América Latina, que pode ser batizada como de “Doutrina Donroe”. Até o final do século XIX, a Inglaterra era a principal potência econômica global. A américa latina era um dos principais mercados da indústria britânica, porém, os EUA, vindo a se despontar como potência em ascensão, tinha como concorrente direto a Inglaterra. Na época, o presidente dos Estados Unidos James Monroe, para frear o furor comercial da ilha britânica sobre o continente americano, criou a Doutrina Monroe, plano no qual fechava as portas do continente ao comércio inglês.

Por décadas os EUA influenciaram direta e indiretamente o processo político eleitoral de quase todas as nações latino-americanas, sempre com a intenção de eleger lideranças alinhadas as suas políticas de dominação. Na   hipótese de haver alguma sublevação social nos países latinos compreendidos como sendo seus quintais de interesse, a força da espionagem e do terror generalizado sempre entraram em ação, destituindo regimes democráticos e impondo ditadoras sanguinárias alinhadas as suas políticas.

Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, Bolívia, e agora Venezuela, são alguns exemplos de como os EUA se comportam no cenário regional e global. A destituição do regime de madura teve como pano de fundo sua relação como narcotráfico. O que realmente motivou a ação do exército estadunidense sobre a Venezuela são as grandes reservas de petróleo no subsolo, a segunda maior do mundo. O que se esperava a partir da investida norte americana sobre Caracas era uma forte reação da população bem como dos países latinos, vendo que a partir de agora todos aqueles não alinhados ao trumpismo são alvos diretos do Tio Sun.

E, para se ter ideia do poderio bélico norte americano, o país possui aproximadamente 800 bases militares espalhadas em todo o mundo, que lhe credencia como o principal xerife planetário. Todos os conflitos globais atualmente sempre têm o dedo dos estados unidos, como na Ucrânia, Faixa de Gaza e no Irã. A tática dos EUA sempre foi fragilizar lentamente as bases econômicas dos regimes que lhe fizeram e fazem oposição, é o caso da Venezuela, Irã, Cuba, entre outras. Todos viveram e vivem um embargo econômico homicida por décadas. É claro que com embargo a população fica restrita a produtos essenciais a sua subsistência. O resultado, portanto, é a sublevação social, a exemplo do Irã, que culpa o regime dos Aiatolás como responsáveis por todos os males sofridos.

Também o que se desenha no horizonte geopolítico global é uma nova guerra fria cada vez mais evidenciada nas guerras tarifárias entre os Estados Unidos e a China. Depois de décadas de grandes investimentos em educação e tecnologia, a China se desponta como potência econômica a ponto de desafiar a supremacia norte americana em âmbito planetário. A china é hoje um dos principais produtores de chips utilizados na fabricação de veículos elétricos, mercado altamente aquecido a ponto de ameaçar as tradicionais indústrias automobilísticas do ocidente.

De fato, o que a China mais precisa nesse momento é de energia, o petróleo, como fonte energética essencial para manter aquecida sua indústria. Terras raras, gálio, germânio, nióbio, entre outros minerais, como lítio, cobre, prata, níquel, cobalto, grafite, estão no escopo dessas potências, tendo a América Latina, Venezuela, Colômbia, Chile, Brasil, as grandes reservas mundiais.

 A perda gradativa da soberania norte americana em âmbito global vem se dando devido a substituição do lastro dólar por outras moedas, como o Yuan chinês, nas transações comerciais. Esse plano de substituição se intensificou mais quando os Estados Unidos elevaram as tarifas de importação de países como a China. Essa postura norte americana fez com que os BRICs ensaiassem a criação de uma moeda própria, na qual abalaria ainda mais o poderio do dólar.  Em relação aos BRICS tem um aspecto importante que poderia ter dado outro direcionamento nos desdobramentos na deposição de Maduro do cargo de presidente cujo Brasil protagonizaria. Me refiro a não aceitação por parte do governo brasileiro da inserção da Venezuela do BRICS. Portanto, o governo brasileiro tem um pouco de culpa no episódio do país que faz fronteira com o nosso território ao norte.

A inserção do dólar como moeda de lastro internacional está hoje relacionada com o comércio de petróleo, o chamado petrodólar. O comércio desse produto entre o Irã, Venezuela, China etc., passou o dólar a perder força como moeda global, que consequentemente influenciou negativamente na economia dos EUA. Como agora resolver esse imbróglio envolvendo o dólar? O caminho seria atacar os países considerados grandes produtores de petróleo, exceto a Arábia Saudita, cuja moeda transacional deixou de ser o dólar, sendo agora, por exemplo, yuan, moeda chinesa. O domínio sobre a Venezuela pelos EUA, não significa que agora o país deixará de vender petróleo para a China, o comércio poderá ter continuidade, com o seguinte critério, o pagamento deverá ser obrigatoriamente em dólar. E o Irã, o que está ocorrendo naquele país muito se assemelha a realidade venezuelana atualmente.

Como havia dito, os articulares do embargo econômico a Venezuela, Cuba e o Irã, coordenado pelos EUA, tinham como estratégia asfixiar suas economias, fazendo com que a população não resistisse a crise e promova os levantes. Na Venezuela foi dado o primeiro passo com o sequestro do presidente, e o Irã, segue na mesma direção, com milhares de pessoas nas ruas pedindo o fim do regime dos Aiatolás. Existindo a queda do regime, é possível que se instale um governo alinhado ao ocidente, beneficiando diretamente os EUA, que terá em suas mãos reservas exorbitantes de petróleo.

É aqui que está a encrenca, e a mídia conservadora entreguista ocidental faz o seu trabalho de propaganda pró ocidente, que o problema no irá é fruto do governo dos Aiatolás, que a sua dissolução é o caminho necessário para o reestabelecimento da “normalidade”. Mais uma vez insisto em ressaltar o episódio ocorrido no Iraque quando a mídia conservadora procurou construir narrativa falsa de que o líder daquele país, Saddam Hussein, possuía armas químicas de destruição em massa escondidas. O país, portanto, foi ocupado por soldados norte-americanos, Saddam foi preso e executado sumariamente sem ter sido descoberto qualquer tipo de esconderijo de armas químicas. O que de fato queriam os americanos era ocupar o país e se apropriar do petróleo.

Nas inúmeras reportagens exibidas pelos principais canais de TV e mídias digitais ocidentais, todas, com raras exceções, trazem imagens de confrontos violentos envolvendo apoiadores do regime dos Aiatolás e opositores, muitos dos quais defendendo o retorno da monarquia. Antes da Revolução de 1979 no Irã, o país foi controlado pelo líder e capacho norte-americano Reza Pahlavi. Claro que o regime dos aiatolás não está isento de críticas, principalmente quando se trata das políticas relacionadas as mulheres, principalmente no campo dos costumes, a exemplo do véu que cobre a cabeça.

Durante os ataques israelenses ao Irã, em julho de 2025, o regime iraniano aboliu provisoriamente as mulheres de usarem o respectivo véu. Até quando não se sabe. Fora as questões relacionadas aos costumes, no Irã mais de 60% das matrículas nas universidades são ocupadas por mulheres. E isso acontece também no parlamento, tendo mais mulheres ocupando os assentos no legislativa que no Brasil.

É importante aqui deixar bem claro, quem está mais interessado com o fim do regime dos aiatolás são os Estados Unidos, cuja intenção é implantar um governo pró interesses ocidentais. O filho do ex-ditador Reza Pahlavi vem articulando fora do Irã movimentos para desestabilizar o atual regime e reestabelecer a monarquia, no qual tem pretensões de ocupá-la como líder máximo. Fica aqui registrado que o Irã é a última fronteira de resistência no oriente à ofensiva ocidental. A destituição do líder supremo Ali Komeney trará fortes impactos na economia da China e da Rússia, principais aliados do Irã.  Outro importante impacto será com a luta dos palestinos, que sempre tiveram o Irã como um guardião às suas políticas de criação de um estado autônomo.

A questão é, por que os Estados Unidos já não decidiram de imediato o destino do Irã, usando a mesma estratégia adotada na Venezuela, o sequestro do presidente? É resposta é simples, o líder supremo do Irã, sua representação no islamismo é similar ao papa para os cristãos católicos, visto como uma liderança sagrada. Sequestrá-lo ou até mesmo assassiná-lo poderia gerar uma convulsão gigantesca contra os Estados Unidos, minando qualquer possibilidade de projeção sobre o oriente. Portanto, o governo americano está atuando por meio de narrativas distorcidas, até mesmo forjando imagens das manifestações de ruas, procurando convencer a opinião pública global de que o regime dos aiatolás é extremamente autoritário, violento, sanguinário.

Cada vez fica mais evidenciado que não há como ser defensor dos direitos humanos sem a derrocada definitiva do imperialismo norte-americano. O que se sabe é que mais cedo ou mais tarde, ele irá se sucumbir, do mesmo modo como outros impérios no passado. Pense bem, no momento que temos um governo que se posiciona como o “xerife” do mundo, qualquer possibilidade de um projeto autônomo de sociedade, independente se é comunismo, socialismo ou outros ismos, é imediatamente sucumbido por meio de retaliações com o propósito de asfixiar o povo.

Vale reiterar que depondo o regime dos aiatolás e instalar no lugar uma monarquia, é correr o risco de retornar os anos de chumbo anterior a 1979, quando mais de 60 mil iranianos foram mortos e mais de 200 mil presos. Antes desse período tenso na política iraniana, o governo de Pahlavi II, iniciado em 1953, executou algumas reformas liberais, trazendo contra si os clérigos islâmicos. Em 1963 o Xá promove a chamada Revolução Branca, que foi a ocidentalização do Irã, ou seja, o país se assemelhou ao ocidente, no comportamento, no consumo etc. Em 1964 o líder supremo do Irã, Khomeini abandonou o país devido as pressões no país.

Como forma de fragilizar ainda mais o poder dos clérigos iranianos, o Xá promove a reformas de base, como a reforma agrária. Essa postura foi vista pelos clérigos como um ato violento ao seu poder, pois era a classe que detinha grandes áreas de terras, considerados verdadeiros senhores feudais. O petróleo, no entanto, era o produto que salvaguardava a estabilidade dos regimes no Irã, acontecendo também com o governo do Xá.  A crise do petróleo de 1973 afetaria o regime de Pahlavi II no Irã, devido ao aumento dos preços e o crescimento da inflação, resultando em mobilizações sociais gigantes como greves dos trabalhadores ligados a extração de petróleo.

A situação no país nesse momento ficou insustentável pelo fato do Xá tentar conter as manifestações usando a violência, medida que revoltava ainda mais a população. Não tendo mais como resistir ao furor social, Pahlevi II renuncia ao posto de presidente e foge do país, pondo fim a 26 anos de monarquia. Khomeini retorna ao Irã em 1979 e assume o governo iniciando o processo que ficou conhecido como Revolução Islâmica. Um fato curioso no regime islâmico foi que durante o regime do Xá as mesquitas serviram como resistência religiosa islâmica, comparada a o que foi a teologia da libertação, movimento religioso/político instaurado na América Latina como instrumento de resistência social às inserções dos governos ditatoriais.

Prof. Jairo Cesa  

 

            

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

 

O COLAPSO AMBIENTAL DAS PRAIAS PARADISÍACAS CATARINENSES


https://balneabilidade.ima.sc.gov.br/

Passando pelos municípios ao norte da capital, Florianópolis, é impactante aos olhos de todos/as a quantidade de novos prédios, alguns arranha céus, desfocando toda a beleza natural dos morros cobertos pela mata atlântica e do reluzente mar azul turquesa. Os municípios que se enquadram nesse cenário de construções megalomaníacas são Itapema e Balneário Camboriú. Pesquisa apresentada recentemente destacou Balneário Camboriú tendo o metro quadrado mais caro do Brasil.

Acredito que a supervalorização desses espaços do litoral catarinense se deve a sua privilegiada disposição geográfica, bem como de toda publicidade investida forjando a falsa imagem de ser o Balneário Camboriú a Dubai Brasileira. É claro que sendo o metro quadrado desses municípios um dos mais valorizados do país, quem investe na aquisição desses imóveis são seletos magnatas endinheirados. Pagar milhões de reais por um imóvel ali, certamente quem ganha com isso são os municípios por meio da arrecadação de impostos, principalmente o IPTU, estou certo? 

 Na mesma proporção da arrecadação seria mais do que óbvio, o município assegurar uma boa qualidade de vida tanto aos magnatas endinheirados dos arranha céus, como também aos demais mortais que vivem nos subúrbios e que prestam seus serviços no funcionamento dos serviços desses municípios. Água e saneamento básico, por exemplo, são os serviços que mais influenciam a vida, positiva ou negativamente, dos/as cidadãos/ãs de qualquer cidade. Incrível que, Santa Catarina, os gestores que transitaram e transitam de quatro em quatro anos no comando administrativo do estado, sempre procuraram forjar a imagem de um estado exemplar, com  “excelente” indicadores em qualidade de vida.

Entretanto é preciso ressaltar que o estado barriga verde tem um dos piores índices em saneamento básico do Brasil, ou seja, menos de 30% dos municípios catarinenses possuem sistemas de tratamentos de esgotos. Quem olha a suntuosidade das edificações a perder de vista para cima nos pedacinhos de terra do litoral norte do estado, não imagina que poucos metros à leste está a orla oceânica cuja água vem apresentando índices absurdos de clorofórmios fecais. Semanalmente, o Instituto Estadual do Meio Ambiente de Santa Catarina – IMA, apresenta relatório da balneabilidade de todas as praias do estado. No último relatório do dia 09 de janeiro, o que chamou a atenção foi o resultado da balneabilidade da orla de Itapema. Dos 11 pontos avaliados, 8 apresentaram condições impróprias para o banho devido a quantidade de clorofórmios fecais detectados na água.

O problema da balneabilidade impropria para banho não é exclusividade de Itapema. Na imagem destacada acima aparece também o município de Bombinhas, com cinco pontos impróprios de oito avaliados. Em Florianópolis o Ministério Público - MPSC, foi acionado para avaliar as causas do surto de viroses diarreicas que se abateu sobre a população do município. É quase que certo de que o motivo tenha sido o contato com a água da praia contaminada. Sem um sistema adequado de tratamento de esgoto e tendo uma população que dobra de número durante a alta temporada de verão, o solo cujo lençol freático da faixa costeira é quase superficial, não consegue absorver todo o esgoto despejado, saturando na superfície.

Admite-se que muitos imóveis nessas cidades com percentuais elevados de bandeiras vermelhas que indicam contaminação da água do mar e lagoas, tem os seus esgotamentos sanitários irregulares, ou seja, conectados à rede pluvial. Se ampliarmos a escala da balneabilidade para o sul do estado, embora em menor proporção, os problemas de contaminação também são uma realidade. Insisto em repetir, se as administrações municipais relutarem em cumprir o que determina a legislação federal no quesito saneamento básico, em pouco tempo nenhuma praia do litoral de Santa Catarina estará própria para banho, podendo gerar um grande colapso no segmento turístico do estado.

Prof. Jairo Cesa 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

 

A AMÉRICA LATINA CONTINUA SENDO UM "QUINTAL"  DOS NORTE AMERICANOS

 

https://piaui.folha.uol.com.br/de-volta-ao-quintal/

As cenas que rodaram o mundo dos ataques militares norte-americanos a Caracas e o sequestro do presidente Maduro e da sua esposa, faz lembrar da ação americana no Iraque, que prendeu e sentenciou a morte o ditador Saddam Hussein. Na época, a justificativa da ação americana ao país do oriente médio foi acreditar que o líder iraquiano havia estocado armas de destruição em massa, que de fato nada foi encontrado. A intenção era, sim, se apropriar das imensas reservas de petróleo do país. Agora, no caso da Venezuela, a alegação do presidente estadunidense é que Maduro estava envolvido com narcotraficantes, além de ter fraudado o último pleito eleitoral do país que lhe fez permanecer no poder.

Os bombardeios Norte Americanos a pequenas embarcações que saiam da Venezuela cuja alegação é que estavam transportando drogas, resultou na morte de mais de 100 pessoas. Com todo aparato militar a disposição, o que seria mais sensato era a captura e a prisão desses virtuais “narcotrafricantes” mortos nesses barcos, não é mesmo? Essa atitude comprova assassinato por parte do governo dos Estados Unidos, a mesma estratégia adotada pelo seu aliado israelense, Netanyahu, explodindo corpos palestinos.   

Tanto o Iraque quanto a Venezuela, ambos concentram nos seus subsolos enormes reservas de petróleo, portanto, está no hidrocarboneto um dos motivos das frequentes guerras que tiveram e têm os governos norte americanos como protagonista. Por que a ação dos Estados Unidos na Venezuela acende uma luz amarela para toda a América Latina? Isso se deve ao fato de que historicamente o país do norte sempre interferiu nos governos locais, derrubando regimes democráticos e instaurando ditaduras sanguinárias, a exemplo do Brasil, Argentina, Chile etc.

Não há dúvida, na hipótese de não houver reação forte dos países latinos e do Conselho da ONU à intromissão de Trump à soberania política da região, abrirá precedentes para novas investidas militares às nações que não se alinharem ao projeto de governo estadunidense. Colômbia, Cuba, Nicarágua, certamente estão no radar do presidente Trump, acreditando que poderá impor mais uma vez seu poder insano sobre todo o território. Lembremos que criar inimigos imaginários sempre foi a estratégia de regimes imperialistas para subjugar nações menores. O comunismo na América Latina foi uma dessas estratégias ao apoio de inúmeros golpes militares duradouros com milhares de mortos e desaparecidos.

É obvio que nos ataques cirúrgicos promovido pelos EUA à capital Caracas que levou ao sequestro do presidente Maduro e sua esposa, foram empregadas tecnologias altamente sofisticadas, como o uso de equipamentos cibernéticos para silenciar radares. A eficiente ação estadunidense em território venezuelano pode ser comparada ao que ocorre na Palestina atualmente, fato esse brilhantemente relatado na obra do jornalista australiano Antony Loewnstein, Laboratório Palestina. Lá os israelenses usam os corpos dos palestinos como objetos de testes para os seus equipamentos de última geração: rifles, drones, aparelhos cibernéticos, sistemas de hackeamentos  etc. Hoje Israel é considerado um dos maiores exportadores desses equipamentos, principalmente para países governados por autocratas.

No ataque norte americano ao país sul-americano, foram usadas mais de 150 aeronaves, sistemas de inteligência, de comunicação, interferência cibernética etc. Portanto, a Venezuela vem se caracterizando como laboratório dos Estados Unidos para testar seus novos equipamentos, e tendo a certeza fecharão negócios milionários dos seus equipamentos as nações aliadas as suas políticas.  Além de lucrar com a venda de tecnologias de guerra, terão ao seu dispor a maior reserva de petróleo do planeta, bem como terras raras, ouro e a Amazônia venezuelana com toda a sua rica biodiversidade.

Parece que os aliados diretos do governo de Maduro, como a Rússia, a China e o Irã, não demonstram tanto interesse em uma reação mais contundente aos ataques norte-americanos. O que fazem é oficializar manifestos de condenação aos atos apenas. O que poderia ocorrer, talvez, é o governo Trump e o Putin, negociarem um acordo, onde a Rússia não interveria no caso da Venezuela, caso o governo americano parasse de prestar apoio a Ucrânia. A China, também, está mais preocupada em ampliar o seu comércio com o mundo do que ações militares, principalmente, países como a Venezuela, tão distante do seu território.

Poucos foram os países que criticaram os Estados Unidos diante da ação militar na Venezuela. O Conselho de Segurança da ONU, que seria o caminho mais acessível para a solução desse imbróglio está com a sua moral em baixa. Na realidade o conselho quase que inexiste desde o início do genocídio palestino praticado por Israel.

Prof. Jairo Cesa     

    

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

 

 

OS TERRITÓRIOS PELESTINOS COMO UM "LABORATÓRIO" DAS TECNOLOGIAS DE GUERRA EXPORTADAS POR ISRAEL

Foto - Jairo


O conflito desencadeado em 7 de outubro de 2023, quando integrantes do Hamas romperam as fortificações que separam Gaza de Israel gaza e mataram centenas de jovens, sequestrando outras dezenas em uma festa, admite-se que o ato macabro tenha sido o resultado de décadas de violação do estado judeu contra palestinos. Desde o episódio de outubro, o governo de Israel promoveu uma escalada de ataques ao enclave palestino que já resultou em mais de 40 mil mortos, na sua grande maioria civis, especialmente crianças. inúmeras foram as acusações de práticas de genocida coordenadas pelo premie israelense benjamim Netanyahu contra os palestinos, porém, até o momento nenhuma medida que o levasse ao banco dos réus foi efetivada, permanecendo incólume às barbaridades praticadas.

Não é de hoje que o estado sionista de Israel vem lucrando bilhões de dólares com o enclave em Gaza e as permanentes ocupações na Cisjordânia, transformando esses espaços em laboratórios às inovações tecnológicas, armamentos de última geração, como drones, fuzis e equipamentos de vigilância. Isso mesmo, Israel é hoje um dos maiores fabricantes desses equipamentos e cujos testes da sua eficiência ocorrem nos territórios ocupados, nas residências, hospitais e nos corpos de civis indefesos.

As investidas do governo sionista israelense em Gaza e na Cisjordânia, com o apoio financeiro e logístico do seu principal aliado o presidente norte americano Donald Trump, ficaram mais esclarecidas na obra “Laboratório Palestina”, escrita pelo jornalista investigativo Australiano Antony Loewenstein. O livro é magnifico, com uma escrita de fácil compreensão, onde o autor procura esmiuçar, já a partir das primeiras páginas, como Israel exporta tecnologia de ocupação para o mundo, bem como o modo como essas ferramentas de última geração são testadas antes do fechamento dos contratos com os compradores, na grande maioria regimes autoritários.

O fato é que Israel vem se protagonizando como um dos principais beneficiados dos conflitos globais, isso, é claro, desde a ocupação ilegal dos territórios palestinos em 1948. O domínio sobre territórios palestinos, Gaza e Cisjordânia, vem ocorrendo de forma sistemática com os assentamentos de colonos judeus, muito dos quais oriundos da Europa, Ucrânia, em especial. É uma estratégia há muito tempo pensada e executada pelos premies israelenses com vistas a dificultar ainda mais a criação do Estado palestino. Manter os palestinos atrelados a um regime opressor, desprovidos de direitos, foi inspirado no modelo Sul Africano, o Apartheid, instituído entre 1948 a 1995.

Durante os quase 80 anos de ocupação israelense na palestina, o regime sionista israelense sempre esteve envolvido direta e indiretamente em inúmeros conflitos, apoiando geralmente regimes ditatoriais. O apoio acontecia no fornecimento de armamentos a governos repressores, como a Pinochet no Chile; a Papa Doc e Baby Doc no Haiti; Nicolau Chauchescu na Romênia; a Alfredo Stroessner no Paraguai; a Somoza na Nicaragua etc.

Um país que tem como uma de suas principais fontes econômicas, a fabricação de armamentos e equipamentos sofisticados de segurança, é claro que os lucros nessa atividade se tornam polpudos com a ocorrência de conflitos. Portanto, o 11 de setembro de 2001, nos EUA, foi uma “benção” para os negócios israelenses, fechando inúmeros contratos de vendas de equipamentos de segurança para muitos países da união europeia e da América do Sul, a exemplo do Brasil. Na época, os EUA, adotou um plano de caça aos terroristas, que o denominou de Doutrina Bush, desencadeando incursões armadas no Oriente Médio para prender os inimigos árabes, dentre eles, Ozama Bin Laden, o arquiteto do 11 de setembro.  

A mesma estratégia de caça aos inimigos, vem sendo adotada pelos israelenses atualmente, como os ataques a Gaza, cuja alegação é destruir alvos terroristas, como do grupo Hamas. As imagens exibidas dos bombardeios sem trégua deixam explícitas a intenção do governo sionista israelense, que é a limpeza étnica, ou seja, varrer do território os palestinos. Manter sob vigilância permanente cada cidadão palestino é a tônica do governo israelense. Equipamentos como drones, usados para vigiar as fronteiras de Gaza e Cisjordânia, estão sendo hoje adquiridos pelos governos europeus para vigiar as fronteiras, impedindo a entrada de imigrantes ilegais, principalmente africanos do norte do continente que tentam atravessar o mar mediterrâneo em precárias embarcações.

Há cerca de dez anos mais ou menos, quase diariamente, a imprensa mundial divulgava imagens de embarcações repletas de imigrantes africanos capturados pela marinha italiana, grega, entre outras nações, tentando chegar à costa europeia. Muitas embarcações naufragaram repleta de refugiados, onde não tiveram a sorte de serem resgatados antes do barco afundar. Com tanta tecnologia de vigilância a disposição, o que causa estranheza é como essas embarcações não foram detectadas em tempo hábil pelas guardas costeiras. Não há dúvida que a decisão das autoridades acerca das embarcações no mediterrâneo foi fazer vistas grossas à presença dos refugiados africanos, paquistaneses, afegãos etc.

Financiar grupos rebeldes com a venda de armamentos usados para práticas genocidas, a exemplo de Ruanda, faz parte do currículo de atrocidades cometidas por Israel. Muitos devem lembrar do conflito tribal sangrento envolvendo grupos étnicos Hutus e Tutsi, em Ruanda. Foi Israel que vendeu metralhadoras, granadas de mãos, entre outros armamentos, para os Hutus. Em cem dias aproximadamente de conflitos, mais de 800 mil Tutsis foram mortos pelos Hutus, se configurando como sendo um dos episódios mais violentos de extermínio sistemático de civis de todos os tempos.

A Índia também é um caso emblemático em termos de conflitos decorrentes de litígios territoriais, estando mais uma vez Israel envolvido nesse imbróglio. O litígio tem como epicentro a região de Caxemira, ocupada predominantemente de árabes paquistaneses, porém, sob o domínio político e administrativo da Índia. Por décadas o Paquistão e a Índia vêm disputando o território. Atualmente o presidente da Índia vem mantendo vínculos comerciais com Israel. Equipamentos para vigilância são adquiridos pelo governo indiano para vigiar e controlar os cidadãos paquistanês na Caxemira.

As mídias sociais são severamente vigiadas, e os infratores, torturados por publicar informações contrárias ao regime indiano. Outro fato que merece destaque, a partir de 2019, o governo da Índia autorizou que não caxemirenses comprassem propriedades na região, uma tentativa clara de mudar sua composição geográfica, seguindo o mesmo modelo da Palestina. A China, no entanto, também se enquadra nesse grupo de compra de equipamentos militares israelenses para monitorar a população a sua população. A intenção é coletar informações dos seus cidadãos e tentar prever o seu comportamento.   

Como principal aliando de Israel, os Estados Unidos, também é grande comprador, fabricante de equipamentos de vigilância, usados no monitoramento de suas fronteiras, principalmente as que fazem divisa com o México. Se os territórios palestinos são os laboratórios para os equipamentos israelenses, por exemplo, armamentos, o estado do Arizona, nos EUA, é um campo de testes dos Estados Unidos. Equipamentos, como drones, são usados para vigiar e impedir a entrada de migrantes latinos.   

O papel das Big Tech tem desempenhado papel importante no controle dos palestinos dentro de seus territórios. O autor do livro, Antony, traz um capítulo específico denunciando plataformas como o Facebook, Tik Tok, entre outras, pela descarada censura as falas dos palestinos, silenciando-as nas suas redes. Relata também que os assentamentos na Cisjordânia não são rotulados nos mapas dos aplicativos como territórios disputados, mas como simples dados da realidade. Ou seja, são vistos como territórios pacificados, dando legitimidade aos israelenses e negando a existência do outro, o povo palestino.  

O caso dos assentamentos de colonos judeus na Cisjordânia pode ser comparado ao conflito entre Ucrânia e Rússia, onde as redes sociais e a própria imprensa ocidental tentam “lacrar” o líder russo como um invasor maligno, atribuindo ao ucraniano o seu legítimo direito de resistir. Portanto, a resistência ucraniana é legítima e moral para a imprensa entreguista oficial ocidental pró establishment. Já a ação israelense sobre os territórios palestinos, de cerceador de direitos, de massacrar crianças, não recebe julgamento semelhante ao “inimigo” do ocidente, Putin.

Prof. Jairo Cesa             

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

 

APROVAÇÃO ESCANDALOSA DO PL 2159/2021, DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL, E SEUS EFEITOS PERVERSOS PARA OS FRÁGEIS ECOSSISTEMAS

http://aduff.org.br/site/index.php/notocias/noticias-2025/item/6772-camara-dos-deputados-aprova-pl-da-devastacao-na-calada-da-noite




Em julho postei texto no meu blog tratando sobre a aprovação no congresso do projeto de lei n. 2.159/2021 que flexibiliza os programas de licenciamento ambientais. Destaquei que a aprovação do PL era um dos maiores retrocessos da nossa história, que para o mundo o ato representava um escândalo, pelo fato de quatro meses depois da aprovação, em novembro, o Brasil sediaria a COP-30, para discutir o clima no planeta. Graças a forte pressão de setores ligados ao meio ambiente e da população em geral, o presidente Lula vetou 63 pontos do projeto, e cuja expectativa agora era saber se o congresso nacional manteria ou derrubaria os vetos do presidente.

Passado uma semana da COP-30, veio a decepção, o congresso derrubou quase todos os vetos, mantendo, por enquanto, somente os dispositivos referentes a Licença Ambiental Especial – LAE, cuja redação precisa ser melhorada para entrar em votação. De certo modo não alimentava qualquer expectativa de que os vetos do presidente pudessem serem mantido, isso pelo fato da configuração do atual congresso nacional, dominando por negacionistas que representam setores interessados e expandir seus negócios sobre áreas protegidas, terras indígenas, quilombolas, etc.

O projeto aprovado retira poderes de órgãos ambientais como o IBAMA que é responsável pela autorização ou proibição de obras de elevado risco ambiental. Além da perda de autoridade do órgão ambiental federal, o PL, retira todo o poder Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, órgão representado pelas entidades ambientais, científicas e governamentais nas discussões sobre demandas ambientais. Com a nova legislação, os licenciamentos de projetos de baixo e médio impacto, o empreendedor pode agora fazer o auto licenciamento, ou seja, ele próprio, constrói o documento se responsabilizando no cumprimento dos dispositivos presentes no texto. É como se um paciente o prescrevesse o tratamento de uma doença, dispensando o médico.

O momento em que estamos passando de mudanças climáticas extremas onde o que mais se discute é o fim do desmatamento ilegal e a redução dos gases do efeito estufa, a aprovação da PL do licenciamento escancara a porteira da devastação e o agravamento dos episódios climáticos extremos. O Rio Grande do Sul, com as enxurradas de em 2024 e o Paraná, com tornado que devastou o município de Rio Bonito do Iguaçu, são dois acontecimentos que deveriam estar na mente dos deputados que votaram contra o presidente, quando derrubaram os vetos.

Entregar para particulares ou até mesmo autorizar órgãos ambientais e estaduais que se responsabilizem por conceder licenciamentos de obras de médio impacto ambiental, é o mesmo que deixar raposas cuidando do galinheiro. No caso de SC, as fundações ambientais, seus superintendentes são indicações políticas, também não é diferente no Instituto do Meio Ambiente do estado, cujo chefe da pasta é indicado pelo governador. Será que irá prevalecer a imparcialidade, a isonomia dos técnicos, no momento que estiver sendo estudos de viabilidade das obras?

Um exemplo que me veio na memória é a tão badalada obra de fixação da barra do rio, que volta e meia, o assunto vem a público. É de conhecimento da sociedade que a proposta de fixação foi embargada pelo órgão federal há cerca de 10 anos por constatar que o projeto apresentava uma série de incongruências técnicas. Além do mais a ideia de fixação não resolveria o principal problema, as cheias, apenas minimizaria os seus efeitos. Na época, o projeto colocou em posições opostas duas comunidades, Ilhas e Morro Agudo, ambas próximas por laços de sangue, que passaram a se rivalizar disputando o local onde seria fixado a barra.

Claro que estavam por trás desse imbróglio setores empresariais, interessados que a obra fosse bem ao sul, nas proximidades do Morro Agudo. Por que do interesse? Se deve ao fato de tais empresários serem proprietários de quase toda a área e que com a fixação haveria uma forte valorização desses espaços. Além do mais, projeto como marinas, entre outros empreendimentos, seriam edificados priorizando um segmento altamente elitizado.

Quem transita pelo trecho entre as duas comunidades vai perceber a quantidade de obras de infraestrutura em execução. O que chama atenção é que o trecho é constituído por uma densa vegetação ciliar e que está sendo suprimida para dar lugar a aterros gigantes. Por que tanta obra em execução, mesmo sem ter a certeza da fixação da barra? Primeiro motivo é porque está em fase de conclusão os trâmites do licenciamento para a construção da ponte ligando as comunidades de Morro dos Conventos e Hercílio Luz; segundo, tramita no imaginário social, principalmente do setor empresarial, que com a abertura do canal para o escoamento da água do rio, que se manteve “permanente” em frente ao Morro Agudo, há fortes expectativas que obra de fixação da barra possa se concretizar.

É aqui que entra o PL 2.159/2021. Como relatei anteriormente, o projeto de fixação discutido em 2012 passou por todas as etapas, estudos, audiências públicas, sempre monitorado pelo órgão ambiental federal, que tomou a decisão pelo embargo da obra. Com a aprovação do PL do licenciamento, obras dessa magnitude como de tantas outras na faixa costeira catarinense e do município de Araranguá, os estudos de viabilidade poderão ser de responsabilidade do órgão ambiental municipal (FAMA) ou estadual (IMA). Em casos mais específicos, quando for de menor impacto, nem o municipal e nem o estadual, o próprio empreendedor pode ele mesmo fazer uma autodeclaração e ter a autorização para a execução de obras de seu interesse.

Mesmo com regras ambientais mais rígidas ainda valendo, observando o cenário da comunidade do Morro Agudo, o que se nota é a já flexibilização das regras ambientais, no que tange aos licenciamentos para terraplanagem. Acredito que qualquer atuação em áreas de APP/mata ciliar, os licenciamentos só seriam aprovados quando fossem para empreendimentos de interesse público, que penso que não é o caso dos inúmeros projetos licenciados naquela comunidade.

O que se observa é que em alguns pontos onde não há mata ciliar e que recebeu aterro para a construção de decks ou marinas, as últimas enxurradas já provocaram forte erosão no barranco do rio. É possível que a abertura do canal para agilizar a vazão do rio esteja contribuindo para o processo erosiva, e que isso deveria ser considerado técnicos como fator negativo, impedindo o licenciamento.  Outro aspecto importante que o órgão ambiental municipal de Araranguá e o poder público teriam que também considerar nos licenciamentos, é o Decreto Municipal de 2016 que criou a RESEX, cuja finalidade é desenvolver a pesca artesanal sustentável no trecho do rio a partir da balsa, até a foz, nas proximidades da barra velha.

Outro detalhe importante que já relatei em outros textos postados nesse blog acerca do decreto 7830/2016, relativo a RESEX. O art. 6 está assim redigido no decreto: empreendimentos ou atividades sujeitos ao licenciamento ambiental, com impactos diretos à RESEX do Rio Araranguá, deverão indenizar os impactos gerados por meio de compensação ambiental à mesma, com custos entre cinco a dez por cento dos totais previstos para a implantação do empreendimento, sendo o percentual fixado pelo órgão gestor de acordo com o grau de impacto ambiental causado pelo empreendimento. Os recursos arrecadados serão investidos em recursos humanos, bem e materiais necessários para a implementação, manutenção e gestão da unidade.

Esse artigo, portanto, deve ter sido um dos fatores relevantes de o poder público de Araranguá não ter dado prosseguimento as etapas de execução da unidade de conservação. De fato, se tivesse já funcionando a RESEX, todas as obras de infraestrutura em execução da balsa a comunidade de ilhas, o grupo gestor da unidade teria direito em receber os percentuais obrigatórios das respectivas obras como medidas compensatórias.  A obra da ponte que está em processo de licenciamento, orçada em mais de 30 milhões de reais, cinco ou dez por cento desse montante, teria que obrigatoriamente ser repassada para a RESEX.

Um elemento positivo acerca do decreto dá RESEX é que ele continua valendo, não foi suprimida, a exemplo do decreto da APA, e nem reduzida a área de abrangência, como do Unidade de Conservação, Monumento Natural Morro dos Conventos UC-MONA, que passou de 280 ha para 81ha. Para salvar as comunidades do Morro Agudo e de Ilhas dos episódios climáticos extremos e da ganância do mercado imobiliário, o único caminho que temos é fazer valer reserva extrativista – RESEX.    

Prof. Jairo Cesa