segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

 

APOLOGIA AO NAZISMO EM ARARANGUÁ

https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/01/25/homem-adesivo-suastica-carro-domiciliar-tornozeleira-eletronica-em-sc.ghtml


Todo o cidadão/ã com o mínimo de esclarecimento sabe que durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) mais de seis milhões de judeus, negros, comunistas, ciganos, foram assassinados pela política nazista alemã. A intensão do regime nazista da Alemanha cuja liderança esteve a cargo do seu líder máximo, o chanceler Adolfo Hitler, era criar uma “sociedade pura”, constituída de brancos arianos, bem como criar o grande império alemão. Porém, o que se notou após o Holocausto judeu, foi que os princípios do nazismo/fascismo jamais foram exterminados por completo, permanecendo latente no imaginário coletivo como um vírus incubado, prestes a ser reanimado num mínimo vacilo institucional.

Regimes que apregoam o ódio, a violência, a aversão ao diferente, geralmente se aproveitam de elementos constituídos nas muitas sociedades capitalistas como as crises sociais e econômicas. O Brasil, a presença de células nazistas e fascistas datam do começo do século XX, principalmente em municípios do sul do Brasil dos quais foram colonizados por imigrantes italianos, alemães, poloneses. Durante a segunda grande guerra, o próprio regime de Vargas (1930-1945) apresentou certa afinidade aos preceitos do totalitarismo nazista e fascista, fato esse que resultou na outorgação  de uma constituição em 1937 inspirada na carta constitucional polonesa.

O que revela a forte influência nazista alemã em solo sul brasileiro é da existência de um túmulo em município do extremo norte gaúcho, local em que está sepultado indivíduo cujo primeiro nome é Adolpho. O nome Adolpho, segundo relatos, foi dado por membro da família para homenagear o Fuhrer Alemão, que embora não tenha vindo ao batismo do afilhado, solicitou que fosse enviado presentes e dinheiro para a família.

Note que a apologia nazista ainda presente no nosso cotidiano não é algo aleatório, isolado. Ela é um processo construído e que vem sendo alimentado no mundo inteiro por forças políticas extremistas que aproveitam qualquer vacilo institucional para ocupar espaços de poder. Quando falamos em presença institucional nos referimos ao final da década de 1930 quando do surgimento do Partido Integralista Brasileiro, força política moldada sob forte influência do fascismo italiano. Esse partido teve como slogan de propaganda Deus, Pátria e Família. Nas eleições municipais de 1936, por cerca de 500 votos o integralismo araranguaense não venceu o pleito. Entretanto vários municípios catarinenses, os resultados dos pleitos levaram aos paços municipais e as câmaras legislativas prefeitos e vereadores simpatizantes dos regimes totalitários alemão e italiano.

Como um vírus alojado no organismo vivo, diante da presença de algum elemento motivador externo, serve como um gatilho para despertá-lo, resultando em uma epidemia ou até mesmo uma pandemia. Isso acontece também no campo social e político, a exemplo do Brasil, quando em 2018 nas eleições para presidente foi eleito um candidato ultraconservador que  apregoou discursos fascistas na campanha eleitoral, bem como durante os quatro anos de mandato.

Era tudo o que necessitavam os milhares de cidadãos(ã) brasileiros contaminados pelo vírus do ódio transgeracional contra populações negras, indígenas e aos pobres. Lembram do slogan Deus, Pátria e Família que dominou a campanha e os quatro anos de desgoverno do ex-presidente e atualmente preso e condenado por tentativa de golpe militar e outros crimes cometidos? Esse mesmo Slogan foi utilizado nas passeatas por simpatizantes ao regime militar e que resultou no golpe de 1964.

Quem achava que propaganda ou apologia ao nazismo era algo comum somente em municípios com forte presença de descendentes alemães e italianos deve ter se surpreendido com a notícia da prisão de um cidadão conduzindo pelas ruas de Araranguá automóvel contendo no vidro traseiro adesivo com a suástica nazista e a frase Guerra Civil Já. Talvez na mente desse cidadão havia a compreensão de que o ato convergiria grande legião de simpatizantes, até mesmo acreditando que tal atitude incitaria revolta social contra o atual governo.

O caso da apologia nazista em Araranguá não é um fato isolado. Em outubro de 2025 foi descoberta uma célula nazista no município de Cocal do Sul, sul de SC. A ação do Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado – GAECO, contra essas células nazistas também foi desencadeada em outros municípios brasileiros. Eram organizações bem estruturadas e consideras extremamente violentas. As reuniões serviam para o planejamento de ações e, em alguns casos, para a organização de confrontos com grupos ideologicamente opostos.

É preciso, portanto, ficarmos sempre vigilantes contra taus vírus demoníacos, genocidas, que jamais sejam despertados das profundezas sombrias do inconsciente coletivo. O que nos preocupa é saber que atos fascistas vêm sendo aplicados com naturalidade e extrema brutalidade atualmente, a exemplo a população palestina nos territórios ocupados pelo exército israelense. Os EUA são outro exemplo de difusão fascista contra imigrantes, praticadas por forças repressoras do estado, a exemplo do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos - ICE.

Prof. Jairo Cesa       

    

            

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