APOLOGIA AO NAZISMO EM
ARARANGUÁ
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Todo
o cidadão/ã com o mínimo de esclarecimento sabe que durante a Segunda Guerra Mundial
(1939-1945) mais de seis milhões de judeus, negros, comunistas, ciganos, foram
assassinados pela política nazista alemã. A intensão do regime nazista da
Alemanha cuja liderança esteve a cargo do seu líder máximo, o chanceler Adolfo
Hitler, era criar uma “sociedade pura”, constituída de brancos arianos, bem
como criar o grande império alemão. Porém, o que se notou após o Holocausto
judeu, foi que os princípios do nazismo/fascismo jamais foram exterminados por
completo, permanecendo latente no imaginário coletivo como um vírus incubado,
prestes a ser reanimado num mínimo vacilo institucional.
Regimes
que apregoam o ódio, a violência, a aversão ao diferente, geralmente se
aproveitam de elementos constituídos nas muitas sociedades capitalistas como as
crises sociais e econômicas. O Brasil, a presença de células nazistas e
fascistas datam do começo do século XX, principalmente em municípios do sul do
Brasil dos quais foram colonizados por imigrantes italianos, alemães,
poloneses. Durante a segunda grande guerra, o próprio regime de Vargas
(1930-1945) apresentou certa afinidade aos preceitos do totalitarismo nazista e
fascista, fato esse que resultou na outorgação de uma constituição em 1937 inspirada na carta constitucional polonesa.
O
que revela a forte influência nazista alemã em solo sul brasileiro é da
existência de um túmulo em município do extremo norte gaúcho, local em que está
sepultado indivíduo cujo primeiro nome é Adolpho. O nome Adolpho, segundo relatos,
foi dado por membro da família para homenagear o Fuhrer Alemão, que embora não
tenha vindo ao batismo do afilhado, solicitou que fosse enviado presentes e
dinheiro para a família.
Note
que a apologia nazista ainda presente no nosso cotidiano não é algo aleatório,
isolado. Ela é um processo construído e que vem sendo alimentado no mundo
inteiro por forças políticas extremistas que aproveitam qualquer vacilo
institucional para ocupar espaços de poder. Quando falamos em presença
institucional nos referimos ao final da década de 1930 quando do surgimento do Partido
Integralista Brasileiro, força política moldada sob forte influência do
fascismo italiano. Esse partido teve como slogan de propaganda Deus, Pátria e
Família. Nas eleições municipais de 1936, por cerca de 500 votos o
integralismo araranguaense não venceu o pleito. Entretanto vários municípios
catarinenses, os resultados dos pleitos levaram aos paços municipais e as
câmaras legislativas prefeitos e vereadores simpatizantes dos regimes
totalitários alemão e italiano.
Como
um vírus alojado no organismo vivo, diante da presença de algum elemento
motivador externo, serve como um gatilho para despertá-lo, resultando
em uma epidemia ou até mesmo uma pandemia. Isso acontece
também no campo social e político, a exemplo do Brasil, quando em 2018 nas
eleições para presidente foi eleito um candidato ultraconservador que apregoou discursos fascistas na campanha eleitoral, bem como durante os quatro
anos de mandato.
Era
tudo o que necessitavam os milhares de cidadãos(ã) brasileiros contaminados
pelo vírus do ódio transgeracional contra populações negras, indígenas e aos
pobres. Lembram do slogan Deus, Pátria e Família que dominou a campanha e os
quatro anos de desgoverno do ex-presidente e atualmente preso e condenado por
tentativa de golpe militar e outros crimes cometidos? Esse mesmo Slogan foi
utilizado nas passeatas por simpatizantes ao regime militar e que resultou no
golpe de 1964.
Quem
achava que propaganda ou apologia ao nazismo era algo comum somente em
municípios com forte presença de descendentes alemães e italianos deve ter se
surpreendido com a notícia da prisão de um cidadão conduzindo pelas ruas de
Araranguá automóvel contendo no vidro traseiro adesivo com a suástica nazista e a frase Guerra Civil Já. Talvez na mente desse cidadão havia a
compreensão de que o ato convergiria grande legião de simpatizantes, até
mesmo acreditando que tal atitude incitaria revolta social contra o atual governo.
O
caso da apologia nazista em Araranguá não é um fato isolado. Em outubro de 2025
foi descoberta uma célula nazista no município de Cocal do Sul, sul de SC. A
ação do Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado – GAECO, contra essas
células nazistas também foi desencadeada em outros municípios brasileiros. Eram
organizações bem estruturadas e consideras extremamente violentas. As reuniões
serviam para o planejamento de ações e, em alguns casos, para a organização de confrontos
com grupos ideologicamente opostos.
É
preciso, portanto, ficarmos sempre vigilantes contra taus vírus demoníacos, genocidas, que jamais sejam despertados das profundezas
sombrias do inconsciente coletivo. O que nos preocupa é saber que atos
fascistas vêm sendo aplicados com naturalidade e extrema brutalidade atualmente, a exemplo a população palestina nos territórios ocupados pelo exército israelense. Os EUA são outro
exemplo de difusão fascista contra imigrantes, praticadas por forças
repressoras do estado, a exemplo do Serviço de Imigração e Alfândega dos
Estados Unidos - ICE.
Prof.
Jairo Cesa
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