terça-feira, 13 de janeiro de 2026

 

O COLAPSO AMBIENTAL DAS PRAIAS PARADISÍACAS CATARINENSES


https://balneabilidade.ima.sc.gov.br/

Passando pelos municípios ao norte da capital, Florianópolis, é impactante aos olhos de todos/as a quantidade de novos prédios, alguns arranha céus, desfocando toda a beleza natural dos morros cobertos pela mata atlântica e do reluzente mar azul turquesa. Os municípios que se enquadram nesse cenário de construções megalomaníacas são Itapema e Balneário Camboriú. Pesquisa apresentada recentemente destacou Balneário Camboriú tendo o metro quadrado mais caro do Brasil.

Acredito que a supervalorização desses espaços do litoral catarinense se deve a sua privilegiada disposição geográfica, bem como de toda publicidade investida forjando a falsa imagem de ser o Balneário Camboriú a Dubai Brasileira. É claro que sendo o metro quadrado desses municípios um dos mais valorizados do país, quem investe na aquisição desses imóveis são seletos magnatas endinheirados. Pagar milhões de reais por um imóvel ali, certamente quem ganha com isso são os municípios por meio da arrecadação de impostos, principalmente o IPTU, estou certo? 

 Na mesma proporção da arrecadação seria mais do que óbvio, o município assegurar uma boa qualidade de vida tanto aos magnatas endinheirados dos arranha céus, como também aos demais mortais que vivem nos subúrbios e que prestam seus serviços no funcionamento dos serviços desses municípios. Água e saneamento básico, por exemplo, são os serviços que mais influenciam a vida, positiva ou negativamente, dos/as cidadãos/ãs de qualquer cidade. Incrível que, Santa Catarina, os gestores que transitaram e transitam de quatro em quatro anos no comando administrativo do estado, sempre procuraram forjar a imagem de um estado exemplar, com  “excelente” indicadores em qualidade de vida.

Entretanto é preciso ressaltar que o estado barriga verde tem um dos piores índices em saneamento básico do Brasil, ou seja, menos de 30% dos municípios catarinenses possuem sistemas de tratamentos de esgotos. Quem olha a suntuosidade das edificações a perder de vista para cima nos pedacinhos de terra do litoral norte do estado, não imagina que poucos metros à leste está a orla oceânica cuja água vem apresentando índices absurdos de clorofórmios fecais. Semanalmente, o Instituto Estadual do Meio Ambiente de Santa Catarina – IMA, apresenta relatório da balneabilidade de todas as praias do estado. No último relatório do dia 09 de janeiro, o que chamou a atenção foi o resultado da balneabilidade da orla de Itapema. Dos 11 pontos avaliados, 8 apresentaram condições impróprias para o banho devido a quantidade de clorofórmios fecais detectados na água.

O problema da balneabilidade impropria para banho não é exclusividade de Itapema. Na imagem destacada acima aparece também o município de Bombinhas, com cinco pontos impróprios de oito avaliados. Em Florianópolis o Ministério Público - MPSC, foi acionado para avaliar as causas do surto de viroses diarreicas que se abateu sobre a população do município. É quase que certo de que o motivo tenha sido o contato com a água da praia contaminada. Sem um sistema adequado de tratamento de esgoto e tendo uma população que dobra de número durante a alta temporada de verão, o solo cujo lençol freático da faixa costeira é quase superficial, não consegue absorver todo o esgoto despejado, saturando na superfície.

Admite-se que muitos imóveis nessas cidades com percentuais elevados de bandeiras vermelhas que indicam contaminação da água do mar e lagoas, tem os seus esgotamentos sanitários irregulares, ou seja, conectados à rede pluvial. Se ampliarmos a escala da balneabilidade para o sul do estado, embora em menor proporção, os problemas de contaminação também são uma realidade. Insisto em repetir, se as administrações municipais relutarem em cumprir o que determina a legislação federal no quesito saneamento básico, em pouco tempo nenhuma praia do litoral de Santa Catarina estará própria para banho, podendo gerar um grande colapso no segmento turístico do estado.

Prof. Jairo Cesa 

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