O
COLAPSO DAS PRAIAS PARADISIACAS CATARINENSES
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Passando
pelos municípios ao norte da capital, Florianópolis, é impactante aos olhos de
todos/as a quantidade de novos prédios, alguns arranha céus, desfocando toda a
beleza natural dos morros cobertos pela mata atlântica e do reluzente mar azul
turquesa. Os municípios que se enquadram nesse cenário de construções
megalomaníacas são Itapema e Balneário Camboriú. Pesquisa apresentada recentemente destacou Balneário Camboriú tendo o metro quadrado mais caro do Brasil.
Acredito
que a supervalorização desses espaços do litoral catarinense se deve a sua
privilegiada disposição geográfica, bem como de toda publicidade investida
forjando a falsa imagem de ser o Balneário Camboriú a Dubai Brasileira. É claro
que sendo o metro quadrado desses municípios um dos mais valorizados do país,
quem investe na aquisição desses imóveis são seletos magnatas endinheirados.
Pagar milhões de reais por um imóvel ali certamente quem ganha com isso são os municípios
por meio da arrecadação de impostos, principalmente o IPTU, estou certo?
Na mesma proporção da arrecadação seria mais
do que óbvio o município assegurar uma boa qualidade de vida tanto aos magnatas
endinheirados dos arranha céus, como também aos demais mortais que vivem nos
subúrbios e que prestam seus serviços no funcionamento dos serviços do
município. Água e saneamento básico, por exemplo, são os serviços que mais
influenciam a vida, positiva ou negativamente, dos/as cidadãos/ãs de qualquer
cidade. Incrível que, Santa Catarina, os gestores que transitaram e transitam de
quatro em quatro anos pelo executivo estadual, sempre procuraram forjar a
imagem de um estado exemplar, com indicadores de “excelente” qualidade de vida.
Entretanto,
temos um dos piores índices em saneamento básico do Brasil, ou seja, menos de
30% dos municípios do estado catarinense possui sistema de tratamento de esgoto. Quem olha
a suntuosidade das edificações erguidas a perder de vista para cima nos
pedacinhos de terra do litoral norte do estado, nem imagina que poucos metros à leste está a orla oceânica cuja água que banha os tais endinheirados contém índices
absurdos de clorofórmios fecais. Semanalmente, o Instituto Estadual do Meio
Ambiente de Santa Catarina – IMA, apresenta relatório da balneabilidade de
todas as praias do estado. No último relatório do dia 09 de janeiro, o que me
chamou a atenção foi o resultado da balneabilidade da orla de Itapema. Dos 11
pontos avaliados, 8 apresentaram condições impróprias para o banho devido a
quantidade de clorofórmios fecais detectados na água.
O
problema da balneabilidade impropria para banho não é exclusividade de Itapema.
Na imagem acima aparece também o município de Bombinhas, com cinco pontos
impróprios de oito avaliados. Em Florianópolis o MP foi acionado para avaliar
as causas do surto de viroses diarreicas que se abateu sobre a população do
município. É quase que certo de que o motivo tenha sido o contato com a água da
praia contaminada. Sem um sistema adequado de tratamento de esgoto e tendo uma
população que dobra durante a alta temporada de verão, o solo cujo lençol
freático da faixa costeira é quase superficial, não consegue absorver todo o
esgoto despejado saturando na superfície.
Admite-se
que muitos imóveis nessas cidades com percentuais elevados de bandeiras
vermelhas que indicam contaminação da água do mar e lagoas tem os seus
esgotamentos sanitários irregulares, ou seja, conectados na rede pluvial. Se
ampliarmos a escala da balneabilidade para o sul do estado, embora em menor
proporção, os problemas de contaminação da água do mar também são uma
realidade. Insisto em repetir, se as administrações municipais não se dedicarem
em cumprir o que determina a legislação federal no quesito saneamento básico,
em pouco tempo nenhuma praia do litoral de Santa Catarina estará própria para
banho, podendo gerar um colapso no segmento turístico do estado.
Prof.
Jairo Cesa
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