sábado, 31 de janeiro de 2026

 

ATOS CONTRA A MORTE VIOLENTA DO CÃO ORELHA DEVERIAM SE REPETIR EM DEFESA DAS NOSSAS PRAIAS CONTAMINADAS

https://balneabilidade.ima.sc.gov.br/


Nas últimas duas semanas o assunto que bombou nas redes sociais, emissoras de rádios e TV no estado e no Brasil foi o ato violento praticado por quatro adolescentes contra um cachorro comunitário, conhecido pelo nome de Orelha. Penso que é nobre tal dedicação da imprensa e das redes sociais contra ato brutal a um animal indefeso. Isso, é claro, evidencia ainda mais o quanto é importante cuidarmos desses animais, que infelizmente tomam conta de nossas ruas por falta de políticas públicas de proteção, bem como de redução da proliferação. Insisto em afirmar que louvo toda essa iniciativa contra o ato brutal ao Orelha, isso porque tenho em minha residência três cães de rua, dos quais dedico todo o carinho e atenção necessários.  

Afinal, por que trago o cão Orelha como tema para reflexão hoje? A resposta se deve pelo fato do episódio da morte do animal ter gerado comoção coletiva sem precedentes, que há muito tempo não se via no estado. Manifestações, passeatas públicas contra os adolescentes infratores e em defesa dos cães se espalharam por muitos lugares. Penso que se tal atitude drástica fosse investida com a mesma tenacidade contra os gestores públicos municipais que não cumprem  suas obrigações no saneamento público, tenho certeza que num curto espaço de tempo o grande número de placas impróprias para o banho reduziriam significativamente.

O que espanta é a pouca divulgação nos meios de comunicação  das praias contaminadas e dos riscos aos banhistas em contrair doenças principalmente parasitárias. Imagine agora um balneário importante como de Palmas, em Governador Celso Ramos/SC, que de 2015 a 2019 foi premiada com o selo internacional Bandeira Azul, e hoje esse mesmo balneário é um dos mais poluídos do litoral catarinense. A última análise divulgada pelo IMA, 30/01,  mostrou contaminação em todos os sete pontos avaliados em Palmas. Palmas não é um caso isolado, situação  semelhante acontece em outros municípios costeiros, como Bombinhas e o Rincão, esse último no sul do estado.

O fato é que tudo permanece normal, as pessoas continuam se banhando nessas praias como se tivessem limpas. Parece que banhar-se em águas tomadas por fezes humanas não causa nenhum tipo de indignação, é como se fosse algo naturalizado. É bom que se diga que praias a exemplo de Bombinhas e o Rincão não são pessoas pouco abastadas as maiores frequentadoras, são bem aquinhoadas, esclarecidas, porém, pouco se incomodam em ter que mergulhar num mar contaminado por fezes humanas.

Se há contaminação é claro que um dos motivos é a inexistência de sistemas de tratamentos de esgotos, problema que se repete em quase todo o território catarinense, que possui um dos piores índices nesse segmento entre os 27 estados.  Embora não havendo o tratamento dos resíduos sólidos na maioria dos municípios, na construção de residências ou outras edificações, o proprietário deve instalar fossa séptica que reduz significativamente a liberalização de fluidos contaminantes no solo. Mas por que então tanta praia contaminada?

Durante a construção de edificações são comuns ligações clandestinas da tubulação de esgoto nas redes fluviais que desaguam no oceano. Em casos mais específicos, devido ao grande acúmulo de edificações nos municípios costeiros e a inexistência de tratamento de esgoto, em período de maior incidência de chuvas, o esgoto extravasa na superfície agravando ainda mais a balneabilidade. Repito, se a imprensa e a população reagissem aos problemas da contaminação das nossas praias com o mesmo afinco a do cão Orelha, rapidinho balneários como Arroio do Silva, Rincão, Palmas, Bombinhas, entre outros tantos, não apareceriam mais no mapa do IMA com tantas bandeiras vermelhas, simbolizando água imprópria para o banho.

Prof. Jairo Cesa    

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