ATOS CONTRA A MORTE VIOLENTA DO CÃO ORELHA DEVERIAM SE REPETIR EM DEFESA
DAS NOSSAS PRAIAS CONTAMINADAS
| https://balneabilidade.ima.sc.gov.br/ |
Nas
últimas duas semanas o assunto que bombou nas redes sociais, emissoras de rádios
e TV no estado e no Brasil foi o ato violento praticado por quatro adolescentes
contra um cachorro comunitário, conhecido pelo nome de Orelha. Penso que é
nobre tal dedicação da imprensa e das redes sociais contra ato brutal a um
animal indefeso. Isso, é claro, evidencia ainda mais o quanto é importante
cuidarmos desses animais, que infelizmente tomam conta de nossas ruas por falta
de políticas públicas de proteção, bem como de redução da proliferação. Insisto em afirmar que
louvo toda essa iniciativa contra o ato brutal ao Orelha, isso porque tenho em
minha residência três cães de rua, dos quais dedico todo o carinho e atenção
necessários.
Afinal,
por que trago o cão Orelha como tema para reflexão hoje? A resposta se deve pelo
fato do episódio da morte do animal ter gerado comoção coletiva sem precedentes,
que há muito tempo não se via no estado. Manifestações, passeatas públicas
contra os adolescentes infratores e em defesa dos cães se espalharam por
muitos lugares. Penso que se tal atitude drástica fosse investida com a mesma tenacidade contra os gestores públicos municipais que não cumprem suas
obrigações no saneamento público, tenho certeza que num curto espaço de tempo o grande número
de placas impróprias para o banho reduziriam significativamente.
O
que espanta é a pouca divulgação nos meios de comunicação das praias contaminadas
e dos riscos aos banhistas em contrair doenças principalmente
parasitárias. Imagine agora um balneário importante como de Palmas, em Governador Celso Ramos/SC, que de 2015 a 2019 foi premiada com o selo internacional
Bandeira Azul, e hoje esse mesmo balneário é um dos mais poluídos do litoral
catarinense. A última análise divulgada pelo IMA, 30/01, mostrou contaminação em todos
os sete pontos avaliados em Palmas. Palmas não é um caso isolado, situação semelhante acontece em outros municípios
costeiros, como Bombinhas e o Rincão, esse último no sul do estado.
O
fato é que tudo permanece normal, as pessoas continuam se banhando nessas
praias como se tivessem limpas. Parece que banhar-se em
águas tomadas por fezes humanas não causa nenhum tipo de indignação, é como se
fosse algo naturalizado. É bom que se diga que praias a exemplo de Bombinhas e o Rincão não são pessoas pouco abastadas as maiores frequentadoras, são bem aquinhoadas, esclarecidas, porém, pouco se incomodam em ter que mergulhar num mar contaminado por fezes humanas.
Se
há contaminação é claro que um dos motivos é a inexistência de sistemas
de tratamentos de esgotos, problema que se repete em quase todo o território
catarinense, que possui um dos piores índices nesse segmento entre os 27
estados. Embora não havendo o tratamento
dos resíduos sólidos na maioria dos municípios, na construção de residências ou outras edificações,
o proprietário deve instalar fossa séptica que reduz significativamente a
liberalização de fluidos contaminantes no solo. Mas por que então tanta praia
contaminada?
Durante
a construção de edificações são comuns ligações clandestinas da tubulação
de esgoto nas redes fluviais que desaguam no oceano. Em casos mais específicos, devido ao grande acúmulo de edificações nos
municípios costeiros e a inexistência de tratamento de esgoto, em período de maior incidência de chuvas, o esgoto extravasa na superfície agravando ainda mais a
balneabilidade. Repito, se a imprensa e a população reagissem aos problemas da
contaminação das nossas praias com o mesmo afinco a do cão
Orelha, rapidinho balneários como Arroio do Silva, Rincão, Palmas, Bombinhas,
entre outros tantos, não apareceriam mais no mapa do IMA com tantas
bandeiras vermelhas, simbolizando água imprópria para o banho.
Prof. Jairo Cesa
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