A
AMÉRICA LATINA É DOS NORTE AMERICANOS, UM QUINTAL
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As
cenas que rodaram o mundo dos ataques militares norte-americanos a Caracas e o
sequestro do presidente Maduro e da sua esposa, faz lembrar da ação americana
no Iraque, que prendeu e sentenciou a morte o ditador Saddam Hussein. Na época,
a justificativa da ação americana ao país do oriente médio foi acreditar que o
líder iraquiano havia estocado armas de destruição em massa, que de fato nada
foi encontrado. A intenção era, sim, se apropriar das imensas reservas de
petróleo do país. Agora, no caso da Venezuela, a alegação do presidente
estadunidense é que Maduro estava envolvido com narcotraficantes, além de ter
fraudado o último pleito eleitoral do país que lhe fez permanecer no poder.
Os
bombardeios Norte Americanos a pequenas embarcações que saiam da Venezuela cuja
alegação é que estavam transportando drogas, resultou na morte de mais de 100
pessoas. Com todo aparato militar a disposição, o que seria mais sensato era a
captura e a prisão desses virtuais “narcotrafricantes” mortos nesses barcos,
não é mesmo? Essa atitude comprova assassinato por parte do governo dos Estados
Unidos, a mesma estratégia adotada pelo seu aliado israelense, Netanyahu, explodindo
corpos palestinos.
Tanto
o Iraque quanto a Venezuela, ambos concentram nos seus subsolos enormes
reservas de petróleo, portanto, está no hidrocarboneto um dos motivos das
frequentes guerras que tiveram e têm os governos norte americanos como
protagonista. Por que a ação dos Estados Unidos na Venezuela acende uma luz
amarela para toda a América Latina? Isso se deve ao fato de que historicamente
o país do norte sempre interferiu nos governos locais, derrubando regimes
democráticos e instaurando ditaduras sanguinárias, a exemplo do Brasil,
Argentina, Chile etc.
Não
há dúvida, na hipótese de não houver reação forte dos países latinos e do Conselho
da ONU à intromissão de Trump à soberania política da região, abrirá
precedentes para novas investidas militares às nações que não se alinharem ao
projeto de governo estadunidense. Colômbia, Cuba, Nicarágua, certamente estão
no radar do presidente Trump, acreditando que poderá impor mais uma vez seu
poder insano sobre todo o território. Lembremos que criar inimigos imaginários
sempre foi a estratégia de regimes imperialistas para subjugar nações menores.
O comunismo na América Latina foi uma dessas estratégias ao apoio de inúmeros
golpes militares duradouros com milhares de mortos e desaparecidos.
É
obvio que nos ataques cirúrgicos promovido pelos EUA à capital Caracas que
levou ao sequestro do presidente Maduro e sua esposa, foram empregadas
tecnologias altamente sofisticadas, como o uso de equipamentos cibernéticos
para silenciar radares. A eficiente ação estadunidense em território
venezuelano pode ser comparada ao que ocorre na Palestina atualmente, fato esse
brilhantemente relatado na obra do jornalista australiano Antony Loewnstein, Laboratório Palestina. Lá os
israelenses usam os corpos dos palestinos como objetos de testes para os seus
equipamentos de última geração: rifles, drones, aparelhos cibernéticos,
sistemas de hackeamentos etc. Hoje
Israel é considerado um dos maiores exportadores desses equipamentos,
principalmente para países governados por autocratas.
No
ataque norte americano ao país sul-americano, foram usadas mais de 150
aeronaves, sistemas de inteligência, de comunicação, interferência cibernética
etc. Portanto, a Venezuela vem se caracterizando como laboratório dos Estados
Unidos para testar seus novos equipamentos, e tendo a certeza fecharão negócios
milionários dos seus equipamentos as nações aliadas as suas políticas. Além de lucrar com a venda de tecnologias de
guerra, terão ao seu dispor a maior reserva de petróleo do planeta, bem como
terras raras, ouro e a Amazônia venezuelana com toda a sua rica biodiversidade.
Parece
que os aliados diretos do governo de Maduro, como a Rússia, a China e o Irã,
não demonstram tanto interesse em uma reação mais contundente aos ataques norte-americanos.
O que fazem é oficializar manifestos de condenação aos atos apenas. O que
poderia ocorrer, talvez, é o governo Trump e o Putin, negociarem um acordo,
onde a Rússia não interveria no caso da Venezuela, caso o governo americano parasse
de prestar apoio a Ucrânia. A China, também, está mais preocupada em ampliar o
seu comércio com o mundo do que ações militares, principalmente, países como a
Venezuela, tão distante do seu território.
Poucos
foram os países que criticaram os Estados Unidos diante da ação militar na
Venezuela. O Conselho de Segurança da ONU, que seria o caminho mais acessível
para a solução desse imbróglio está com a sua moral em baixa. Na realidade o
conselho quase que inexiste desde o início do genocídio palestino praticado por
Israel.
Prof.
Jairo Cesa
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