terça-feira, 6 de janeiro de 2026

 

A AMÉRICA LATINA É DOS NORTE AMERICANOS, UM QUINTAL

 

https://piaui.folha.uol.com.br/de-volta-ao-quintal/

As cenas que rodaram o mundo dos ataques militares norte-americanos a Caracas e o sequestro do presidente Maduro e da sua esposa, faz lembrar da ação americana no Iraque, que prendeu e sentenciou a morte o ditador Saddam Hussein. Na época, a justificativa da ação americana ao país do oriente médio foi acreditar que o líder iraquiano havia estocado armas de destruição em massa, que de fato nada foi encontrado. A intenção era, sim, se apropriar das imensas reservas de petróleo do país. Agora, no caso da Venezuela, a alegação do presidente estadunidense é que Maduro estava envolvido com narcotraficantes, além de ter fraudado o último pleito eleitoral do país que lhe fez permanecer no poder.

Os bombardeios Norte Americanos a pequenas embarcações que saiam da Venezuela cuja alegação é que estavam transportando drogas, resultou na morte de mais de 100 pessoas. Com todo aparato militar a disposição, o que seria mais sensato era a captura e a prisão desses virtuais “narcotrafricantes” mortos nesses barcos, não é mesmo? Essa atitude comprova assassinato por parte do governo dos Estados Unidos, a mesma estratégia adotada pelo seu aliado israelense, Netanyahu, explodindo corpos palestinos.   

Tanto o Iraque quanto a Venezuela, ambos concentram nos seus subsolos enormes reservas de petróleo, portanto, está no hidrocarboneto um dos motivos das frequentes guerras que tiveram e têm os governos norte americanos como protagonista. Por que a ação dos Estados Unidos na Venezuela acende uma luz amarela para toda a América Latina? Isso se deve ao fato de que historicamente o país do norte sempre interferiu nos governos locais, derrubando regimes democráticos e instaurando ditaduras sanguinárias, a exemplo do Brasil, Argentina, Chile etc.

Não há dúvida, na hipótese de não houver reação forte dos países latinos e do Conselho da ONU à intromissão de Trump à soberania política da região, abrirá precedentes para novas investidas militares às nações que não se alinharem ao projeto de governo estadunidense. Colômbia, Cuba, Nicarágua, certamente estão no radar do presidente Trump, acreditando que poderá impor mais uma vez seu poder insano sobre todo o território. Lembremos que criar inimigos imaginários sempre foi a estratégia de regimes imperialistas para subjugar nações menores. O comunismo na América Latina foi uma dessas estratégias ao apoio de inúmeros golpes militares duradouros com milhares de mortos e desaparecidos.

É obvio que nos ataques cirúrgicos promovido pelos EUA à capital Caracas que levou ao sequestro do presidente Maduro e sua esposa, foram empregadas tecnologias altamente sofisticadas, como o uso de equipamentos cibernéticos para silenciar radares. A eficiente ação estadunidense em território venezuelano pode ser comparada ao que ocorre na Palestina atualmente, fato esse brilhantemente relatado na obra do jornalista australiano Antony Loewnstein, Laboratório Palestina. Lá os israelenses usam os corpos dos palestinos como objetos de testes para os seus equipamentos de última geração: rifles, drones, aparelhos cibernéticos, sistemas de hackeamentos  etc. Hoje Israel é considerado um dos maiores exportadores desses equipamentos, principalmente para países governados por autocratas.

No ataque norte americano ao país sul-americano, foram usadas mais de 150 aeronaves, sistemas de inteligência, de comunicação, interferência cibernética etc. Portanto, a Venezuela vem se caracterizando como laboratório dos Estados Unidos para testar seus novos equipamentos, e tendo a certeza fecharão negócios milionários dos seus equipamentos as nações aliadas as suas políticas.  Além de lucrar com a venda de tecnologias de guerra, terão ao seu dispor a maior reserva de petróleo do planeta, bem como terras raras, ouro e a Amazônia venezuelana com toda a sua rica biodiversidade.

Parece que os aliados diretos do governo de Maduro, como a Rússia, a China e o Irã, não demonstram tanto interesse em uma reação mais contundente aos ataques norte-americanos. O que fazem é oficializar manifestos de condenação aos atos apenas. O que poderia ocorrer, talvez, é o governo Trump e o Putin, negociarem um acordo, onde a Rússia não interveria no caso da Venezuela, caso o governo americano parasse de prestar apoio a Ucrânia. A China, também, está mais preocupada em ampliar o seu comércio com o mundo do que ações militares, principalmente, países como a Venezuela, tão distante do seu território.

Poucos foram os países que criticaram os Estados Unidos diante da ação militar na Venezuela. O Conselho de Segurança da ONU, que seria o caminho mais acessível para a solução desse imbróglio está com a sua moral em baixa. Na realidade o conselho quase que inexiste desde o início do genocídio palestino praticado por Israel.

Prof. Jairo Cesa     

    

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