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ÁGUA QUE PARCELA DOS CATARINENSES BEBEM ESTÁ CONTAMINADA POR AGROTÓXICOS, ALGUNS DOS QUAIS, BANIDOS PELA LEGISLAÇÃO
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Durante
os meses de dezembro e janeiro, acompanhei quase semanalmente o relatório do
IMA sobre a balneabilidade das praias do litoral de Santa Catarina. O que se
constatou nas análises apresentadas pelo órgão ambiental catarinense, foi o elevado
número de pontos avaliados considerados impróprios para o banho. É possível deduzir
que o surto de virose diarreica ocorrido na capital do estado, Florianópolis,
tenha tido relação direta com a água do mar contaminada ou consumida pela
população.
O
fato é que até o momento não se viu ou se ouviu manifestações mais incisiva da
imprensa e da sociedade em geral, cobrando das autoridades ações que possam
reverter esse quadro vergonhoso de um estado, cujo governo, insiste em vender a
imagem lá fora como um dos mais desenvolvidos do país. Se de um lado temos um vasto litoral, procurado
por turistas e veranistas que se banham em praias contaminadas por esgotos,
paralelo a isso temos 155 municípios, cujas águas consumidas pela população
apresentaram algum/s tipo/s de agrotóxicos, muitos dos quais banidos pela
legislação brasileira.
Essas
informações preocupantes com a água consumida pela população, foram publicadas
pelo MPSC e encaminhadas ao Ministério da Saúde para que medidas urgentes sejam
tomadas contra um mal que está matando “lentamente” a população. O termo,
lentamente, é porque, segundo o MPSC, os percentuais de agrotóxicos encontrados
em muitas análises laboratoriais não extrapolam os níveis toleráveis pela
legislação brasileira. Em texto semelhante publicado no meu blog, afirmei que
na União Europeia, a legislação sobre níveis aceitáveis de agrotóxicos na água
consumida pela população é menos tolerável que a brasileira.[1]
Foram
42 resíduos de agrotóxicos detectados nos 155 municípios catarinenses. Desse
total, cinco estão banidos pela legislação, como o BEMONIL, o CARBOFURANO, HALOXIBOFE
METÁLICO, METALACLORO e MOLINATO. Os municípios com agrotóxicos detectados
proibidos, são eles: Belneário Camboriú, Rancho Queimado, Imbuía, Canelinha,
Ituporanga e São João do Sul. O
benonil, possui um princípio ativo conhecido pelo nome de caberdazim, que foi
proibido pela ANVISA em 2022, devido ao elevado risco em gerar doenças
cancerígenas, reprodutivas e mutagênicas. Esse agrotóxico tem o seu uso proibido
nas culturas de soja, milho, citros, feijão etc.
Outro
agrotóxico de elevado teor de toxidade e uso vedado no Brasil, na União
Europeia e EUA, porém detectado na água consumida pela população de Santa Catarina
é o CARBAFURANO, popularmente conhecido por FURADAN. Sua toxidade causa
problemas no desenvolvimento humano, bem como outras enfermidades sistêmicas.
Esse inseticida era no passado permitido para o combate de pragas do solo e
foliares, em culturas de café, cana-de-açúcar e da banana. Outro agrotóxico
considerado tóxico, proibido no Brasil, porém, detectado nas análises de água
em SC, é o HALOXIBOFE METÁLICO. Esse produto era aplicado no controle de
gramíneas anuais e perenes, nas lavouras de soja, feijão, algodão, sendo
classificado como Classe III, perigoso. O acúmulo desse agrotóxico no organismo
pode causar danos ao fígado, rins, sistema nervoso central, bem como má
formação fetal.
Outro
agrotóxico que apresenta toxidade aguda para seres humanos, e detectado na água
de alguns municípios, é o herbicida METALCLORO, que é aplicado no controle de
gramíneas anuais nas culturas de soja, milho, feijão, arroz. Pesquisas realizadas concluíram que o acúmulo
desse herbicida no organismo pode resultar na formação de carcinomas; tumores
hepáticos; desregulação endócrina; desregulação do sistema reprodutivo,
alterando hormônios como a testosterona. O último agrotóxico desse grupo encontrado
na água, que foi banido no Brasil, porém encontrado em análises de água de
municípios catarinenses é o MOLINATO, também um herbicida utilizado no controle
de ervas daninhas do arroz. Sua presença é verificada em águas superficiais e
subterrâneas. O consumo contínuo da água contaminada por esse agrotóxico
provoca danos no aparelho reprodutivo masculino e feminino.
No
relatório apresentado pelo MPSC ficou assim distribuído o mapa dos agrotóxicos estado:
na região Oeste, dos 118 municípios existentes, 63 deles apresentaram ao menos
1 princípio ativo de agrotóxico. No Norte, dos 26 municípios, 11 deles foram
identificados agrotóxicos, ou seja, 42,3%; na Serra, de 30 municípios, 10
apresentaram contaminação, totalizando 33,3%; grande Florianópolis, das 21
cidades, 12 apresentaram algum tipo de contaminação, índice que chegou a 57,1%;
Vale do Itajaí, das 54 cidades existentes, 24 delas tiveram presença de
contaminantes na água, totalizando 44,4%; por último, a região Sul, dos 46 munícipios
que compõem a região, 35 deles tiveram resíduos de agrotóxicos na água, um
total de 76,1%.
O
que mais deve ter gerado apreensão aos integrantes do MPSC acerca do relatório
apresentado sobre a presença de agrotóxicos na água, foi a verificação de vários
resíduos químicos simultâneos nas águas potáveis de dois municípios, Imbuia,
com 17 tipos, sendo dois proibidos em 2019, e Ituporanga, com 23 tipos ativos
de ingredientes, sendo que havia 9 desses ingredientes contendo níveis acima de
1.000 microgramas por litro.
Quanto
a legislação, vale ressaltar que a Portaria n. 888 de 2021, do Ministério da
Saúde, considera como toleráveis esses níveis de agrotóxicos identificados nas
águas consumidas pela população desses 155 municípios, pois não geram danos
imediatos a população que as consome. O fato é, segundo o MPSC, que a legislação
brasileira apresenta equívocos gritantes sobre a metodologia usa nas análises
das águas dos municípios, porque não considera a simultaneidade das substâncias
presentes para estabelecer riscos. A resposta sobre simultaneidade é, a somatória
de todos os agrotóxicos detectados na agua, a exemplo de Ituporanga, com 23 resíduos
diferentes, quais suas interações e efeitos nos ecossistemas e no corpo humano?
Talvez
a resposta desse combo de veneno nos ecossistemas e no organismo humano já
temos, basta irmos as Unidades de Alta Complexidade em Oncologia – UNACON, e
vermos com os próprios olhos a assustadora quantidade de pessoas em tratamento contra
tipos diferentes de câncer. Sem contar aqui outras doenças já quase epidêmicas
como Parkinson, Alzheimer e síndrome do Autismo. Se tais distúrbios tem alguma relação com a ingestão
de agrotóxicos, as pesquisas que vem sendo realizadas já indicam haver alguma
relação. O que é realidade hoje é que há
uso indiscriminado de agrotóxicos, tanto na agricultura quanto em vias públicas
urbanas. Sobre vias públicas urbanas e
terrenos particulares, as legislações em vigor no Brasil, estado de Santa
Catarina e em Araranguá, veda o uso de agrotóxicos, com sansões severas aos
infratores.
Prof.
Jairo Cesa
https://www.youtube.com/watch?v=7n8uji86ayA
https://globoplay.globo.com/v/14365444/
https://www.tiktok.com/@agriculturaaltova/video/7606400528456633621
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