domingo, 22 de fevereiro de 2026

 

A ÁGUA QUE PARCELA DOS CATARINENSES BEBEM ESTÁ CONTAMINADA POR AGROTÓXICOS, ALGUNS DOS QUAIS,  BANIDOS PELA LEGISLAÇÃO

 

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Durante os meses de dezembro e janeiro, acompanhei quase semanalmente o relatório do IMA sobre a balneabilidade das praias do litoral de Santa Catarina. O que se constatou nas análises apresentadas pelo órgão ambiental catarinense, foi o elevado número de pontos avaliados considerados impróprios para o banho. É possível deduzir que o surto de virose diarreica ocorrido na capital do estado, Florianópolis, tenha tido relação direta com a água do mar contaminada ou consumida pela população.

O fato é que até o momento não se viu ou se ouviu manifestações mais incisiva da imprensa e da sociedade em geral, cobrando das autoridades ações que possam reverter esse quadro vergonhoso de um estado, cujo governo, insiste em vender a imagem lá fora como um dos mais desenvolvidos do país.  Se de um lado temos um vasto litoral, procurado por turistas e veranistas que se banham em praias contaminadas por esgotos, paralelo a isso temos 155 municípios, cujas águas consumidas pela população apresentaram algum/s tipo/s de agrotóxicos, muitos dos quais banidos pela legislação brasileira.

Essas informações preocupantes com a água consumida pela população, foram publicadas pelo MPSC e encaminhadas ao Ministério da Saúde para que medidas urgentes sejam tomadas contra um mal que está matando “lentamente” a população. O termo, lentamente, é porque, segundo o MPSC, os percentuais de agrotóxicos encontrados em muitas análises laboratoriais não extrapolam os níveis toleráveis pela legislação brasileira. Em texto semelhante publicado no meu blog, afirmei que na União Europeia, a legislação sobre níveis aceitáveis de agrotóxicos na água consumida pela população é menos tolerável que a brasileira.[1]

Foram 42 resíduos de agrotóxicos detectados nos 155 municípios catarinenses. Desse total, cinco estão banidos pela legislação, como o BEMONIL, o CARBOFURANO, HALOXIBOFE METÁLICO, METALACLORO e MOLINATO. Os municípios com agrotóxicos detectados proibidos, são eles: Belneário Camboriú, Rancho Queimado, Imbuía, Canelinha, Ituporanga e São João do Sul.   O benonil, possui um princípio ativo conhecido pelo nome de caberdazim, que foi proibido pela ANVISA em 2022, devido ao elevado risco em gerar doenças cancerígenas, reprodutivas e mutagênicas. Esse agrotóxico tem o seu uso proibido nas culturas de soja, milho, citros, feijão etc.  

Outro agrotóxico de elevado teor de toxidade e uso vedado no Brasil, na União Europeia e EUA, porém detectado na água consumida pela população de Santa Catarina é o CARBAFURANO, popularmente conhecido por FURADAN. Sua toxidade causa problemas no desenvolvimento humano, bem como outras enfermidades sistêmicas. Esse inseticida era no passado permitido para o combate de pragas do solo e foliares, em culturas de café, cana-de-açúcar e da banana. Outro agrotóxico considerado tóxico, proibido no Brasil, porém, detectado nas análises de água em SC, é o HALOXIBOFE METÁLICO. Esse produto era aplicado no controle de gramíneas anuais e perenes, nas lavouras de soja, feijão, algodão, sendo classificado como Classe III, perigoso. O acúmulo desse agrotóxico no organismo pode causar danos ao fígado, rins, sistema nervoso central, bem como má formação fetal.

Outro agrotóxico que apresenta toxidade aguda para seres humanos, e detectado na água de alguns municípios, é o herbicida METALCLORO, que é aplicado no controle de gramíneas anuais nas culturas de soja, milho, feijão, arroz.  Pesquisas realizadas concluíram que o acúmulo desse herbicida no organismo pode resultar na formação de carcinomas; tumores hepáticos; desregulação endócrina; desregulação do sistema reprodutivo, alterando hormônios como a testosterona. O último agrotóxico desse grupo encontrado na água, que foi banido no Brasil, porém encontrado em análises de água de municípios catarinenses é o MOLINATO, também um herbicida utilizado no controle de ervas daninhas do arroz. Sua presença é verificada em águas superficiais e subterrâneas. O consumo contínuo da água contaminada por esse agrotóxico provoca danos no aparelho reprodutivo masculino e feminino.

No relatório apresentado pelo MPSC ficou assim distribuído o mapa dos agrotóxicos estado: na região Oeste, dos 118 municípios existentes, 63 deles apresentaram ao menos 1 princípio ativo de agrotóxico. No Norte, dos 26 municípios, 11 deles foram identificados agrotóxicos, ou seja, 42,3%; na Serra, de 30 municípios, 10 apresentaram contaminação, totalizando 33,3%; grande Florianópolis, das 21 cidades, 12 apresentaram algum tipo de contaminação, índice que chegou a 57,1%; Vale do Itajaí, das 54 cidades existentes, 24 delas tiveram presença de contaminantes na água, totalizando 44,4%; por último, a região Sul, dos 46 munícipios que compõem a região, 35 deles tiveram resíduos de agrotóxicos na água, um total de 76,1%.

O que mais deve ter gerado apreensão aos integrantes do MPSC acerca do relatório apresentado sobre a presença de agrotóxicos na água, foi a verificação de vários resíduos químicos simultâneos nas águas potáveis de dois municípios, Imbuia, com 17 tipos, sendo dois proibidos em 2019, e Ituporanga, com 23 tipos ativos de ingredientes, sendo que havia 9 desses ingredientes contendo níveis acima de 1.000 microgramas por litro.

Quanto a legislação, vale ressaltar que a Portaria n. 888 de 2021, do Ministério da Saúde, considera como toleráveis esses níveis de agrotóxicos identificados nas águas consumidas pela população desses 155 municípios, pois não geram danos imediatos a população que as consome. O fato é, segundo o MPSC, que a legislação brasileira apresenta equívocos gritantes sobre a metodologia usa nas análises das águas dos municípios, porque não considera a simultaneidade das substâncias presentes para estabelecer riscos. A resposta sobre simultaneidade é, a somatória de todos os agrotóxicos detectados na agua, a exemplo de Ituporanga, com 23 resíduos diferentes, quais suas interações e efeitos nos ecossistemas e no corpo humano?

Talvez a resposta desse combo de veneno nos ecossistemas e no organismo humano já temos, basta irmos as Unidades de Alta Complexidade em Oncologia – UNACON, e vermos com os próprios olhos a assustadora quantidade de pessoas em tratamento contra tipos diferentes de câncer. Sem contar aqui outras doenças já quase epidêmicas como Parkinson, Alzheimer e síndrome do Autismo.  Se tais distúrbios tem alguma relação com a ingestão de agrotóxicos, as pesquisas que vem sendo realizadas já indicam haver alguma relação.  O que é realidade hoje é que há uso indiscriminado de agrotóxicos, tanto na agricultura quanto em vias públicas urbanas.  Sobre vias públicas urbanas e terrenos particulares, as legislações em vigor no Brasil, estado de Santa Catarina e em Araranguá, veda o uso de agrotóxicos, com sansões severas aos infratores.  

Prof. Jairo Cesa       

  

 

 https://www.mpsc.mp.br/w/noticias/mpsc-traca-plano-estrategico-para-reduzir-impactos-causados-pela-poluicao-com-agrotoxicos-na-saude-dos-catarinenses

https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sul/sc/mais-da-metade-de-sc-bebe-agua-contaminada-por-agrotoxicos-segundo-mp/

https://www.youtube.com/watch?v=7n8uji86ayA

https://globoplay.globo.com/v/14365444/

https://www.google.com/search?sca_esv=c223258de9d00832&udm=7&sxsrf=ANbL-n66Pl4n1kV3nsCfZm_5ZNGXfNj72Q:1771724891893&q=o+que+diz+o+governo+de+santa+catarina+sobre+a+presen%C3%A7a+de+agrot%C3%B3xicos+na+agua+dos+catarinenses&sa=X&ved=2ahUKEwj0rsjG_euSAxXvqpUCHZ7UD6QQ8ccDKAJ6BAgZEAQ&biw=1366&bih=641&dpr=1#fpstate=ive&ip=1&vld=cid:0589de4c,vid:UiFBO-8bSNM,st:0

https://www.tiktok.com/@agriculturaaltova/video/7606400528456633621

 

 

  



[1] https://www.blogger.com/blog/post/edit/8334622275182680372/1763164108660957599

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