terça-feira, 20 de outubro de 2026

 

AINDA HÁ TEMPO PARA IMPEDIRMOS QUE A BARBÁRIE SE INSTALE NO BRASIL 


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Durante minhas tarefas diárias de professor por aproximadamente quarenta anos, sempre me deparei com turmas, ensino fundamental, por exemplo, de um ou mais estudantes que insistiam desvirtuar o grupo com atos de rebeldia. Claro que os comportamentos inapropriados à cultura discente, geralmente tinham relações de  caráter emocional/afetivo, advindas do grupo familiar onde a criança/adolescente estava inserida. Mas afinal, por que cargas d’água trago o exemplo de crianças rebeldes para a construção narrativa desse texto? A resposta está no debate eleitoral promovido pela Rede Band de Televisão, no último domingo, 18/10/ com os candidatos presidenciáveis Flávio Bolsonaro e Luís Inácio Lula da Silva.

Desde a redemocratização do Brasil, nos pleitos eleitorais ocorridos sempre foi hábito as emissoras de TV abertas realizarem os seus debates eleitorais, como forma de levar ao público as propostas dos candidatos nos diferentes segmentos. Acontece, que o debate ocorrido no último domingo seguiu um padrão que se distinguiu dos convencionais, ainda mais quando estiveram frente a frente duas pessoas defendendo programas ideológicos distintas, um insistindo na permanência da democracia, ou outro, a instalação da barbárie, por meio da entrega literal do Brasil ao imperialismo estadunidense.

Era de se imaginar que o candidato que integra a ala ultraconservadora, se utilizasse de todo o tipo de manobra espúria  a disposição para tentar tumultuar o debate ou confronto, termo utilizado pela mediadora do respectivo canal de TV. Por quase quinze minutos, quando os candidatos tiveram esse tempo para confrontar suas propostas, o que se viu foi um ataque sem limites do candidato extremista ao seu oponente, com ilações falsas e posturas  que fogem completamente ao nível de um estadista que pretende ocupar o posto de presidente da república.

Agora, o que causou indignação a milhões de expectadores, claro que exceto  da bolha bolsonarista, foi a insistente presença do candidato Flavio sempre se postando atrás do candidato Lula, quando estava com a palavra. Como uma assombração, ele movimentava a cabeça/corpo, como querendo negar o que o oponente dizia, com nítidas intenções de deslocar a atenção do expectador, atitude semelhante ao moleque do fundo da sala, como ressaltei acima. Esse ardiloso método foi utilizado durante a campanha eleitoral nos EUA, pelo candidato Trump contra a democrata e Hilary Clinton. Imagens do debate, exibem Pablo Marçal fazendo gestos direcionados ao candidato Flavio, para que se postasse atrás de Lula e movimentasse a cabeça, negando o que o candidato afirmava.     

    Teve o momento em que a mediadora do debate precisou interrompê-lo e chamar a atenção do candidato Flavio, solicitando que se comportasse para que o debate/confronto tivesse prosseguimento. Essa atitude, acredito que milhões de professores que estavam acompanhando o desenlace dos dois candidatos, certamente lembraram do estudante, do moleque do fundo da sala, que insistentemente perturbava o desenvolvimento da aula. Foi exatamente o comportamento do candidato Flavio, o moleque, malandro, pouco inteligente, porém, preparadíssimo para tumultuar, deslocando toda a atenção para si.

Penso que muitos devem ter ficado perplexos quando o candidato Flavio mencionou a presença na plateia dos seus “queridos apoiadores”, o ex-ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro e governador eleito do Paraná, Sérgio Moro; e o ex-Procurador da República e agora Senador eleito pelo Paraná, Deltan Dallagnol. O que deve ter passado na mente de muita gente é, como assim, companheiro, alguém que na época o ministro Moro o odiava, pelo fato de o presidente Bolsonaro ter demitiu o Diretor-Geral da Polícia Federal sem o consentimento do Ministro da Justiça. Essa atitude autoritária do presidente, motivou o pedido de demissão do ministro Moro da pasta da justiça. A troca do diretor-geral foi arquitetada pela família Bolsonaro com o intuito de proteger-se de investigações por crimes cometidos.  

Propostas como transformar o Serviço Único de Saúde - SUS em padrão hospital Albert Einstein; criação do Ministério da Prosperidade, entre outras maluquices, ecoaram da mente estúpida de um cidadão que não apresenta o mínimo de qualificação ao relevante cargo que é o de Presidente da República. Penso que, aqueles que possuem o mínimo de discernimento acerca do que é certo ou errado, deve ter assimilado o erro que será ir à urna do domingo, 25/10/ e votar no 22.

Como historiador que sou, por 40 anos aproximadamente trabalhei na Rede Estadual de Ensino de Santa Catarina, e alimento todas as convicções que, na desastrosa hipótese de sagrar-se presidente, seu mandato será mais autoritário que os tristes 20 anos do regime militar. Os generais, com algumas exceções, se apresentavam como nacionalistas, ou seja, defendiam arduamente a soberania nacional, em momento algum esboçaram discursos propondo entregar nossas riquezas a qualquer outro pais.

O candidato ultradireitista defende abertamente abrir as fronteiras do Brasil a vossa majestade Donald Trump, que irá se apropriar do que temos de mais precioso para assegurar a nossa soberania no futuro, as extraordinárias reservas de terras raras, principalmente o nióbio, pois concentramos a maior reserva desse importante mineral. E agora, depois de tanto esclarecimento, de tantos alertas, será possível que as pessoas, a classe trabalhadora, por exemplo, manterá sua posição de eleger alguém que promete destruir tudo o que conquistamos em décadas de luta e sofrimento?

Não podemos retroceder décadas, séculos de história. Recuperar um país destruído demora muito tempo. Não podemos colocar em risco de sofrimento duas ou mais gerações, como foi o regime militar. Ainda hoje vivemos os reflexos negativos desse perverso momento da nossa história, que reprimiu, prendeu e matou muita gente, pelo fato de defender as liberdades constitucionais, o direito de existir, de pensar de acordo com suas convicções e valores. O projeto da extrema direita, chancelado pelo candidato Flávio Bolsonaro, é calar quem pensa diferente, comportamento visto de grupos apoiadores e simpatizantes atacando aqueles que defendem opiniões contrárias à bolha extremista.

Imaginamos um presidente que tenha ao seu lado um congresso tomado por parlamentares do mesmo partido que o seu, resguardado por um vasto guarda-chuva de partidos associados; um número acachapante de governadores e prefeitos que seguem essa mesma lógica; um STF majoritariamente aparelhado ao governo federal, será que tantos exemplos não abram os olhos de que e estaremos sob a égide da ditadura? Não precisamos esperar para ver o que dá, temos que cortar essa mal pela raiz, e tem que ser agora, domingo, votando não à quadrilha que quer se apropriar da nossa Pátria Amada Brasil.

Não duvide, o governo Bolsonaro será letal às classes trabalhadoras, porque terá como escudo, a força militar e persuasiva dos Estados Unidos. Ainda há tempo, porém, temos poucos dias para trocar nosso voto e eleger o candidato da democracia, da civilização, que é contrário a barbárie, Lula da Silva – 13. Outra alerta relevante, acredite, o cenário político atual brasileiro é similar à Alemanha de 1933, quando ocorreram eleições democráticas e o eleito foi nada mais nada menos que Adolfo Hitler, sendo que o resultado não preciso expor aqui.

Prof. Jairo Cesa

 

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