sexta-feira, 3 de julho de 2026

 

O NOVO FASCISMO E AS FRÁGEIS DOMOCRACIAS OCIDENTAIS

https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Politica/noticia/2022/08/ameaca-fascista-como-ideais-de-extrema-direita-ganharam-espaco-no-brasil.html


Em livro lançado há pouco tempo, com o tema Neoliberalismo e Psicanálise – o Inimigo Interno, o autor, Vladimir Safatle, procurou explicar, entre outros assuntos, como o fascismo tem se configurado a partir do pós-guerra, a ponto de estar presente nos discursos de políticos que integram partidos tradicionais. Um aspecto relevante realçado na obra de Safatle são as fragilidades das atuais democracias, das instituições republicanas, com governos democraticamente eleitos, infringindo escancaradamente preceitos constitucionais em nome de uma “paz” fictícia.

Porém, esse discurso apregoando à “paz”, tende a se concretizar com a guerra, no combate do inimigo externo, que jamais será eliminado, porque os senhores da guerra sabem que para permanecer no poder e manter intacto os status quo não poderá o “inimigo” ser completamente eliminado. Os conflitos envolvendo Israel, contra palestinos, iranianos e libaneses; EUA, contra Irã e países sul-americanos; Rússia, contra Ucrânia, são exemplos claros de como as guerras são criadas para que governos déspotas possam subsistir à revelia de importantes organizações como as nações unidas.

Percebam que nenhum dos países que protagonizaram banhos de sangue ou práticas genocidas como o EUA e ISRAEL, sofreram qualquer sanção relevante pelos crimes cometidos até o momento. São essas potências que também tem domínio quase absoluto sobre as decisões tomadas pelas organizações multilaterais, diante de reuniões de cessar fogo ou nos sansões contra países infratores de regras internacionais, como o massacre de crianças em uma escola iraniana no começo do conflito por misseis. Até hoje os EUA não foram punidos por ter invadido o Iraque, cuja alegação era porque havia evidências nunca confirmadas que o governo deposto daquele país possuía depósito de armas químicas.

O ataque traiçoeiro dos Estados Unidos ao Irã seguiu o mesmo protocolo ocorrido no Iraque, alegando que os aiatolás mantinham escondidos laboratórios de enriquecimento de urânio para fins militares. Também nada foi encontrado, porém o que é mais absurdo, fato que tornam os ataques ao Irã injustificáveis, é saber que o programa nuclear do país Persa vem sendo periodicamente inspecionado por agências internacionais. Não é de hoje que os Estados Unidos insistem quem querer destruir o Irã, cujo processo vem se arrolando desde a queda do regime do sanguinário e capacho Mohammad Reza Pahlavi, em 1979, quando o país persa foi submetido a um forte bloqueio comercial.

O governo de Donald Trump acreditava em um desfecho rápido da guerra a seu favor, que, de fato, não se comprovou, pois o Irã impôs forte resistência atacando e destruindo posições estratégicas, bases militares americanas, instaladas em países árabes que prestam apoio ao governo americano. Não tendo outra escolha, mesmo com postura contrária do seu aliando Israel, o governo americano cedeu às pressões de Teerã concordando com as condicionantes impostas para o cessar fogo na região.  

Não nos enganemos, tanto Israel quanto os EUA, ambos se enquadram naquelas nações não confiáveis nos cumprimentos dos acordos que assinam. Mesmo com o cessar fogo acordado com o grupo Hamas, o governo sionista de Netanyahu manteve os bombardeios à Gaza, dando prosseguimento ao seu projeto de limpeza étnica. Independente de o cessar fogo entre EUA e Irã permanecer ou não, o que deve ser relevado nesse conflito é a forte resistência imposta pelo país persa a já decadente potência imperialista ocidental.

O conflito deflagrou um cenário de fragilidade das nações árabes que se transformaram em protetorados norte americanos no oriente médio em troca de segurança. Países como o Catar, Emirados Árabes Unidos, foram alvos fáceis dos misseis e drones iranianos. Quem acreditava que esses territórios árabes eram locais seguros para investimentos, a exemplo de Dubai, deve agora estar pensando duas vezes em investir lá os seus bilhões de dólares. A pergunta é, como se posicionarão os governos árabes com instalações de militares norte americanas depois de tudo o que ocorreu?

Não há dúvida de que a intenção de Donald Trump de derrubar o regime do Irã era atingir a China, principal parceira comercial do país persa e grande compradora do petróleo. Se o capitalismo se sustenta com as crises e as guerras, é claro que os senhores das guerras sempre hão de criar conflitos, forjar inimigos, tudo para justificar suas intervenções, para “libertar” populações de regimes opressores. O caso da Venezuela é emblemático, podendo se comparar ao Irã, que por décadas esteve sob forte bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos. A derrubada de Nicolás Maduro, dando lugar ao um governo alinhado a Trump, é um sinal perigoso para toda América Latina, em especial o Brasil, que terá eleições no próximo mês de outubro.

As derrotas dos candidatos de centro esquerda na Argentina, Paraguai, Chile, Peru e, por último, na Colômbia, acendeu luz amarela no processo eleitoral brasileiro, cujo atual cenário apresenta dois candidatos com posturas ideológicas bem distintas. A extrema direita, com nítidas posturas fascistas, tenta mais uma vez alcançar posto máximo do executivo nacional, tentando cacifar o filho do ex-presidente e atualmente condenado por crime, Jair Bolsonaro. Envolvido até o pescoço em denúncias de beneficiado nas fraudes do   banco master, o pré-candidato do PL a presidente, Eduardo Bolsonaro, a cada pesquisa que é lançada, vem perdendo apoio popular.

É possível que o nome do pré-candidato da extrema direita seja defenestrado na corrida presidencial, após vídeo apresentado por Michele Bolsonaro, denunciando Flávio por tê-la maltratada. Diz ela ter outras acusações contra Flavio, explicitando um racha dentro da família Bolsonaro, que poderá colocar em xeque as pretensões da extrema direita/bolsonaros, de cacifar um representante no palácio do planalto. Seguindo esse cenário, é claro que o caminho para inviabilizar a vitória do candidato Lula, do PT, será por meio de uma possível fraude eleitoral ou algo extraordinário envolvendo o presidente Lula.

No caso catarinense, mesmo com todas as denúncias envolvendo o governo Jorginho em irregularidades, a exemplo do programa universidade gratuita. onde existem comprovações de estudantes milionários terem sido beneficiados com bolsas, seus impactos em uma possível derrota se mostra um tanto tênue. O que pode talvez atrapalhar os planos da reeleição são os debates, isso caso se confirme a candidatura de João Rodrigues, também bolsonarista, que tentará tirar votos do candidato Jorginho durante a propaganda eleitoral gratuita. Independentemente de serem eleitos João Rodrigues ou Jorginho Mello, o cenário social e econômico do estado continuará o mesmo, permanecendo ou aumentando ainda mais os privilégios aos grandes grupos econômicos por meio de isenções fiscais bilionárias.

O que poderá minimizar um pouco os impactos de uma vitória da extrema direita no governo e no senado catarinense é eleição de mais candidatos da esquerda para o legislativo estadual. Sabemos que não será uma missão muito fácil, ainda mais quando nos municípios catarinenses ainda imperam mídias que buscam manipular informações em benefício das elites locais. Quebrar esse poder midiático conservador e quase secular é o que conduzirá a uma transformação estrutural lenta do estado, com possibilidades até da esquerda obter reais condições de galgar o posto de governador do estado. 

Prof. Jairo Cesa