O
NOVO FASCISMO E AS FRÁGEIS DOMOCRACIAS OCIDENTAIS
https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Politica/noticia/2022/08/ameaca-fascista-como-ideais-de-extrema-direita-ganharam-espaco-no-brasil.html
Em
livro lançado há pouco tempo, com o tema Neoliberalismo e Psicanálise – o Inimigo
Interno, o autor, Vladimir Safatle, procurou explicar, entre outros assuntos,
como o fascismo tem se configurado a partir do pós-guerra, a ponto de estar
presente nos discursos de políticos que integram partidos tradicionais. Um
aspecto relevante realçado na obra de Safatle são as fragilidades das atuais
democracias, das instituições republicanas, com governos democraticamente
eleitos, infringindo escancaradamente preceitos constitucionais em nome de uma “paz”
fictícia.
Porém,
esse discurso apregoando à “paz”, tende a se concretizar com a guerra, no
combate do inimigo externo, que jamais será eliminado, porque os senhores da
guerra sabem que para permanecer no poder e manter intacto os status quo não
poderá o “inimigo” ser completamente eliminado. Os conflitos envolvendo Israel,
contra palestinos, iranianos e libaneses; EUA, contra Irã e países sul-americanos;
Rússia, contra Ucrânia, são exemplos claros de como as guerras são criadas para
que governos déspotas possam subsistir à revelia de importantes organizações
como as nações unidas.
Percebam
que nenhum dos países que protagonizaram banhos de sangue ou práticas genocidas
como o EUA e ISRAEL, sofreram qualquer sanção relevante pelos crimes cometidos
até o momento. São essas potências que também tem domínio quase absoluto sobre
as decisões tomadas pelas organizações multilaterais, diante de reuniões de
cessar fogo ou nos sansões contra países infratores de regras internacionais,
como o massacre de crianças em uma escola iraniana no começo do conflito por
misseis. Até hoje os EUA não foram punidos por ter invadido o Iraque, cuja
alegação era porque havia evidências nunca confirmadas que o governo deposto
daquele país possuía depósito de armas químicas.
O
ataque traiçoeiro dos Estados Unidos ao Irã seguiu o mesmo protocolo ocorrido
no Iraque, alegando que os aiatolás mantinham escondidos laboratórios de
enriquecimento de urânio para fins militares. Também nada foi encontrado, porém
o que é mais absurdo, fato que tornam os ataques ao Irã injustificáveis, é saber
que o programa nuclear do país Persa vem sendo periodicamente inspecionado por
agências internacionais. Não é de hoje que os Estados Unidos insistem quem
querer destruir o Irã, cujo processo vem se arrolando desde a queda do regime
do sanguinário e capacho Mohammad Reza Pahlavi, em 1979, quando o país persa
foi submetido a um forte bloqueio comercial.
O
governo de Donald Trump acreditava em um desfecho rápido da guerra a seu favor,
que, de fato, não se comprovou, pois o Irã impôs forte resistência atacando e
destruindo posições estratégicas, bases militares americanas, instaladas em
países árabes que prestam apoio ao governo americano. Não tendo outra escolha,
mesmo com postura contrária do seu aliando Israel, o governo americano cedeu às
pressões de Teerã concordando com as condicionantes impostas para o cessar fogo
na região.
Não
nos enganemos, tanto Israel quanto os EUA, ambos se enquadram naquelas nações
não confiáveis nos cumprimentos dos acordos que assinam. Mesmo com o cessar
fogo acordado com o grupo Hamas, o governo sionista de Netanyahu manteve os
bombardeios à Gaza, dando prosseguimento ao seu projeto de limpeza étnica.
Independente de o cessar fogo entre EUA e Irã permanecer ou não, o que deve ser
relevado nesse conflito é a forte resistência imposta pelo país persa a já
decadente potência imperialista ocidental.
O
conflito deflagrou um cenário de fragilidade das nações árabes que se
transformaram em protetorados norte americanos no oriente médio em troca de
segurança. Países como o Catar, Emirados Árabes Unidos, foram alvos fáceis dos
misseis e drones iranianos. Quem acreditava que esses territórios árabes eram
locais seguros para investimentos, a exemplo de Dubai, deve agora estar
pensando duas vezes em investir lá os seus bilhões de dólares. A pergunta é, como
se posicionarão os governos árabes com instalações de militares norte
americanas depois de tudo o que ocorreu?
Não
há dúvida de que a intenção de Donald Trump de derrubar o regime do Irã era
atingir a China, principal parceira comercial do país persa e grande compradora
do petróleo. Se o capitalismo se sustenta com as crises e as guerras, é claro
que os senhores das guerras sempre hão de criar conflitos, forjar inimigos,
tudo para justificar suas intervenções, para “libertar” populações de regimes
opressores. O caso da Venezuela é emblemático, podendo se comparar ao Irã, que
por décadas esteve sob forte bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos. A
derrubada de Nicolás Maduro, dando lugar ao um governo alinhado a Trump, é um
sinal perigoso para toda América Latina, em especial o Brasil, que terá
eleições no próximo mês de outubro.
As
derrotas dos candidatos de centro esquerda na Argentina, Paraguai, Chile, Peru
e, por último, na Colômbia, acendeu luz amarela no processo eleitoral
brasileiro, cujo atual cenário apresenta dois candidatos com posturas
ideológicas bem distintas. A extrema direita, com nítidas posturas fascistas,
tenta mais uma vez alcançar posto máximo do executivo nacional, tentando
cacifar o filho do ex-presidente e atualmente condenado por crime, Jair
Bolsonaro. Envolvido até o pescoço em denúncias de beneficiado nas fraudes
do banco master, o pré-candidato do PL a presidente,
Eduardo Bolsonaro, a cada pesquisa que é lançada, vem perdendo apoio popular.
É
possível que o nome do pré-candidato da extrema direita seja defenestrado na
corrida presidencial, após vídeo apresentado por Michele Bolsonaro, denunciando
Flávio por tê-la maltratada. Diz ela ter outras acusações contra Flavio,
explicitando um racha dentro da família Bolsonaro, que poderá colocar em xeque
as pretensões da extrema direita/bolsonaros, de cacifar um representante no
palácio do planalto. Seguindo esse cenário, é claro que o caminho para
inviabilizar a vitória do candidato Lula, do PT, será por meio de uma possível
fraude eleitoral ou algo extraordinário envolvendo o presidente Lula.
No
caso catarinense, mesmo com todas as denúncias envolvendo o governo Jorginho em
irregularidades, a exemplo do programa universidade gratuita. onde existem
comprovações de estudantes milionários terem sido beneficiados com bolsas, seus
impactos em uma possível derrota se mostra um tanto tênue. O que pode talvez
atrapalhar os planos da reeleição são os debates, isso caso se confirme a
candidatura de João Rodrigues, também bolsonarista, que tentará tirar votos do
candidato Jorginho durante a propaganda eleitoral gratuita. Independentemente
de serem eleitos João Rodrigues ou Jorginho Mello, o cenário social e econômico
do estado continuará o mesmo, permanecendo ou aumentando ainda mais os
privilégios aos grandes grupos econômicos por meio de isenções fiscais
bilionárias.
O
que poderá minimizar um pouco os impactos de uma vitória da extrema direita no
governo e no senado catarinense é eleição de mais candidatos da esquerda para o
legislativo estadual. Sabemos que não será uma missão muito fácil, ainda mais
quando nos municípios catarinenses ainda imperam mídias que buscam manipular
informações em benefício das elites locais. Quebrar esse poder midiático conservador
e quase secular é o que conduzirá a uma transformação estrutural lenta do
estado, com possibilidades até da esquerda obter reais condições de galgar o
posto de governador do estado.
Prof.
Jairo Cesa
Nenhum comentário:
Postar um comentário