terça-feira, 30 de junho de 2026

 

AGROECOLÓGICA: DA RESISTÊNCIA AOS MODELOS PRODUTIVOS QUE DEGRADAM E MATAM, À SALAVAÇÃO CLIMÁTICA

Foto - Milena

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Frente as mudanças climáticas em curso, sendo que o que demonstrava ser riscos a longo prazo, hoje é certeza, a temperatura média do planeta alcançou o limite médio crítico de 1.5 graus célsius, índice esse previsto para o final do século XXI. Afinal o que esse número representa para o planeta terra e as espécies vivas existentes? Representa o risco iminente de extinção, incluindo, é claro, a própria espécie humana, vista como protagonista desse desarranjo climático sistêmico.

Porém, ainda há uma centelha de esperança para evitarmos o pior, ela está nas mudanças no modo como produzimos e beneficiamos alimentos e outros tantos equipamentos aplicados na agricultura. É consenso por parte expressiva da humanidade que o modelo produtivo que moldou a vida da população do planeta a partir dos últimos trezentos anos atingiu o seu limite de saturação, agora só nos resta suprimi-lo ou ele próprio se encarregará de nos eliminar.

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Uma das saídas que ainda nos resta para salvar o planeta é a substituição emergencial dos sistemas produtivos convencionais por práticas sustentáveis ou agroecológicas. São práticas produtivas cujo solo é compreendido como um complexo sistema vivo, que faz as plantas germinarem e crescerem saudáveis sem insumos químicos. O que aprendemos na agroecologia é que cada ambiente tem as suas particularidades, que muitas vezes plantas se adaptam melhor num determinado ecossistema que outro. Entretanto, essa visão de totalidade sistêmica dos ambientes foi paulatinamente se perdendo ao longo do tempo, substituída por práticas padronizadas, onde o solo nada mais é que um receptor artificial de compostos químicos, sementes modificadas geneticamente, insumos e agrotóxicos.

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A resistência as práticas convencionais de cultivo que privilegiam segmentos do agronegócio em detrimento da agricultura familiar e da agroecologia se mostra hoje atuante no MST e na rede ECOVIDA, entidade essa que congrega cerca de 3 mil famílias de agricultores e consumidores nos três estados do sul do Brasil. A rede é composta por 436 grupos de produtores, 34 núcleos, e está presente em 352 municípios. Mais do que produzir alimentos saudáveis, a rede ECOVIDA, constituída por núcleos e grupos de famílias, se apresenta como uma poderosa trincheira de resistência ao atual modelo produtivo que degrada, contamina e  está matando o planeta.

Se a ideia da rede é atuar como campo de resistência a tudo que impacta os ecossistemas, é claro que a reação dos que se sentem ameaçados tende a ser imediata e na mesma proporção. Ela se dá por meio de dispositivos legais, nos espaços do legislativo e no judiciário. A criação de regras rígidas para quem atua na agroecologia, como a de barreiras físicas que protege o terreno de contaminantes, é uma delas. A inserção de barreiras, no entanto, é para com quem produz sem insumo químico, porém, nenhuma restrição semelhante àqueles que cultivam transgênicos, aplicam agrotóxicos, que contaminam a água, o solo, enfim, toda a biótica territorial.

Como fazer as pessoas saberem que a agroecologia é a alternativa à sobrevivência da espécie humana, bem como o combate a emergência climática. Um dos caminhos é ocupar espaços onde flui o conhecimento, como as escolas, as universidades, e as instâncias de poder. Construir e sensibilizar cidadãos críticos que compreendam o atual modelo produtivo em curso como já superado é o que demonstra ser o mais coerente. É claro que as grandes e poderosas redes de supermercados mantém domínio absoluto no comércio de alimentos como hortaliças e frutas, sendo raras as que os que dão preferência as variedades orgânicas e agroecológicas.

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Contrapondo ao domínio desse segmento, as feiras de orgânicos se mostram altamente eficientes, onde o consumidor consegue ter acesso a produtos frescos vindos do campo, sem qualquer tipo de contaminantes e pagando valores justos. Mas, pouca gente sabe como é o dia a dia das famílias que se dedicam a agroecologia, o que produzem, como produzem e como fazem para sobreviver. Partindo dessas reflexões, o núcleo agroecológico SERRAMAR, promoveu sua primeira feira de agroecologia, evento ocorrido nas dependências da UNESC em 25 de junho de 2025.

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Embora tivesse tido sucesso na execução, sua repercussão em âmbito regional ainda mostrou um tanto modesta, pois uma ou outra rádio e TV se dispuseram em fazer alguma cobertura do evento. A feira não se dispôs apenas de apresentar os seus produtos, hortaliças, frutas, cereais, doces, pães, artesanatos e outras tantas demandas das famílias do campo. O público que se predispôs em prestigiar o evento deve ter compreendido o quanto uma atividade agroecológica impacta na dinâmica dos ecossistemas, na preservação de práticas de cultivo tradicionais, sementes crioulas, do uso de plantas que curam, de insumos caseiros, de entender as florestas, os insetos, ou seja, toda biótica, como indicadores da boa ou má qualidade dos ambientes.

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A participação de autoridades de âmbito local, estadual e federal são protocolos obrigatórias em eventos como a feira do núcleo Serramar na UNESC, pelo fato de as várias políticas em curso ou outras que virão favorecerem a agroecologia serem costuradas nos parlamentos, com o empenho firme de políticos vinculados a partidos que tem no seu escopo estatutário a defesa da causa. Quando destaquei no inicio que agroecologia tem respostas às emergências climáticas, um dos caminhos são os  bioinsumos, como compostagens e M.E,  facilmente realizáveis e aplicáveis no solo, com zero impacto ambiental.

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As duas palestras oferecidas ao público presente durante a feira, uma proferida pelo professor Dimas de Oliveira Estevam do PPGDS/UNESC e a segunda pelo professor Antônio Andrioli, UFFS – Chapecó, cuja tema abordado foi Agroecologia: Emergências Climáticas e Mercados, ambos, durante suas falas, proporcionaram momentos de certa preocupação acerca do clima do planeta, atualmente assolado por ondas de calor escaldante no verão do hemisfério norte. As Falas dos palestrantes foram moderadas pela coordenadora do curso de Nutrição da UNESC, professora Fabiane Maciel Fabris.  

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Uma das questões levantadas foi, for que a agroecologia se mostra eficiente na mitigação da atual emergência climática? Uma das respostas dadas pelos palestrantes foi a transição imediata para práticas de manejo agroecológicas, que reduz significativamente a queima de combustíveis fósseis. A adoção de ciclos comerciais curtos ou venda direta, reduz significativamente o valor final do produto adquirido pelo consumidor.  

Prof. Jairo Cesa    

 

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