segunda-feira, 22 de junho de 2026

 

COLÉGIO ESTADUAL DE ARARANGUA - SIMBOLO DE RESISTÊNCIA AO REGIME MILITAR E AOS GOVERNOS NEOLIBARAIS QUE PRECARIZARAM E PRECARIZAM A EDUCAÇÃO PÚBLICA ESTADUAL

https://sinte-sc.org.br/Noticia/22071/educacao-levada-a-serio-orcamento-para-a-educacao-ja-aprovado-em-2024-ganha-nova-roupagem-nas-maos-do-governo-do-estado-de-santa-catarina


Quem acompanhou a trajetória da Escola Normal, depois Colégio Estadual, nos seus mais de 60 anos de história, local de resistência à ditadura militar e de lutas na construção da ALISC/APROVA e depois SINTE, deve estar se sentindo traído/a quando vê estudantes fazendo continência e professores ovacionando um governo, que integra um partido político, cujo seu principal “líder”, foi protagonista de tentativa de golpe de Estado em 08 de janeiro de 2023.

Sim, transformaram nosso querido e respeitado educandário em palanque eleitoral, reunindo professores/as, estudantes, gestores, deste e de outros educandários do município. Por longos anos a escola estadual vinha sofrendo todo o tipo de problemas na sua infraestrutura, chegando ao extremo de sofrer inúmeras intervenções por parte do corpo de bombeiro alegando risco iminente de desabamento e incêndios.

Em 2012 em reunião na escola, foi apresentado comunicado aos professores e corpo discente, que a escola finalmente passaria por uma grande reforma estrutural. Vários governos passaram ou permaneceram, porém, nada de reforma aconteceu, permanecendo os problemas e as várias investidas dos bombeiros e Ministério Público, alertando dos riscos a integridade física de todos/as. Temíamos que o colégio viesse a repetir o mesmo triste cenário vivido pelo anfiteatro, que embora tivesse sido construído pelo Estado, seu uso era exclusividade da instituição de ensino Colégio Estadual de Araranguá.  

Desde a sua construção de custo milionário, a estrutura vinha apresentando problemas hidráulicos, entre outros. Para o seu funcionamento, mesmo de forma precária, algumas atividades extra educacionais foram desenvolvidas, assegurando recursos para cobrir pequenos serviços de reparos e manutenção. Várias diligências foram realizadas junto ao governo do estado para que fosse realizada restauração do referido anfiteatro. O tempo passou, o anfiteatro foi interditado, até que um incêndio de enorme proporção destruiu por completo sua parte interna. O custo para a construção da obra na época superou os 8 milhões de reais.

Além do anfiteatro outras obras de infraestrutura como ginásios esportivos também tiveram problemas, alguns até vindo a colapsar.  Não há informações de ter havido investigações para verificar se houve ou não negligência por parte dos governos no acompanhamento das respectivas obras realizadas. O tempo passou e a educação pública de Santa Catarina continuou vivendo os dramas de sempre, com impacto maior na vida dos profissionais da educação, com seus salários permanecendo defasados e condições de trabalho cada vez mais precarizados.

De fato, o maior ataque contra os profissionais da educação ocorreu em 2021 com a aprovação da reforma da previdência dos servidores do estado de Santa Catarina, que teve como desfecho trágico o desconto de 14% nos vencimentos dos professores aposentados. Foi exatamente isso o que fez o governo anterior, aliado número um do ex-presidente Bolsonaro, hoje preso, ferrou com a vida de milhares de trabalhadores que contribuíram durante todo o seu tempo na ativa para assegurar uma vida mais tranquila quando parassem de trabalhar. Não duvidemos que com esse dinheiro descontado dos/as aposentados/as, o atual governo vem gastando com modestas reformas nas escolas em com propagandas mentirosas para enganar o povo catarinense como estrada e escola boa em inúmeros outdoors espalhados pelo território catarinense.  

Como é possível estudantes e professores ovacionarem um governo que suprime lei que assegura vagas à estudantes às universidades por meio de cotas raciais, bem como ter sancionado legislação que obriga a instalação de câmeras de vigilância no interior das escolas estaduais. O que se vê é uma lei que restabelece regras contidas em legislação anterior, como a Escola sem Partido, cujo STF deferiu como inconstitucional. O argumento do governo e dos partidos aliados, na ALESC, partem do pressuposto que com a instalação de câmeras evitará depredações e violências no interior das unidades de ensino.   A estratégia do governo e de seus aliados no legislativo é sim controlar o direito constitucional dos professores de ensinar e aprender.

Em eventos como a inauguração da EEB de Araranguá, muitas vezes os professores e estudantes que aparecem aplaudindo ou ovacionando personalidades extremistas no comando do estado, estão ali sob pressão ou sob a ameaça de gestores que seguem a risca a cartilha das políticas neofascistas do governo do estado. São imagens que omitem o verdadeiro cenário vivido diariamente pelos/as professores/as na escola, com espaços e estruturas pedagógicas precarizadas e sobrecarga de tarefas que os impedem de refletirem do quanto são explorados por um sistema político opressor.  

Sobre a vida dos/as professores/as que sofrem pressões de todos os lados no seu árduo trabalho docente, porém, jamais exibidas pelas mídias conservadores a do próprio estado, no início desse mês de junho de 2026, a professora e coordenador do curso de sociologia da UFSC, Júlia Borba, em parceria com SINTE estadual, apresentou relatório de pesquisa sobre a saúde dos docentes da rede pública estadual de Santa Catarina. O tema da pesquisa foi Radiografia da Saúde Docente de SC, que foi iniciada em 2020 e cujos resultados foram divulgados somente agora.  As informações contidas no relatório revelam um cenário assustador em relação a saúde dos/as trabalhadores/as em educação da rede estadual de ensino.

Dos/as entrevistados/as, 60% apresentavam algum tipo de problema relacionada a saúde mental, como ansiedade, 39%; estresse, 32% e depressão que atinge um terço da categoria entrevistada. Outro dado assustador, 28% já pensaram em suicídio. No relatório são reveladas as possíveis causas desses distúrbios mentais, sendo elas: a desvalorização profissional, os baixos salários, o excesso de tarefas, a insegurança contratual e a precarização das relações de trabalho.

Quanto a precarização a pesquisa fez menção ao quadro funcional da categoria, onde 29,2% dos que foram ouvidos eram efetivos, e 70,8% Admitidos em Caráter Temporário – ACT. Existem outras duas enfermidades ouvidas dos entrevistados, a osteomuscular, com 42% e doenças relacionadas a voz, com 15%. O excesso de trabalho e a pressão do dia a dia na escola, contribui também para o cansaço extremo, no qual atinge 83% dos entrevistados. Esse quadro caótico vivido pelos professores nas escolas estaduais pode estar por trás do assustador índice dos que tomam medicamentos controlados, 57%, que possivelmente deve ser o mesmo índice de toda a categoria do magistério.

Embora a carga horária máxima do magistério público estadual seja de 40 horas semanais, ou seja, 32 aulas dadas, no relatório foi revelado que 91% dos entrevistados/as trabalham além das 40 horas semanais. Com o receio de serem advertidos/as ou mesmo serem descontados/as, 85% dos/as professores/as entrevistados/as afirmaram ter ido para o trabalho doente ou passando mal.   Somando as adversidades que envolvem o trabalho docente temos também os crimes de assédio, cujo mais comum é o moral, quando o professor/a é intimidado por outro/a profissional, especialmente na escala de hierarquia da instituição de ensino que atua.

Na pesquisa, o percentual foi de 73% que disseram ter sofrido assédio moral.  Já o assédio sexual, embora em menor proporção, 34%, afeta o bom desempenho da atividade docente. O medo também domina os professores durante suas longas jornadas de trabalho, a exemplo do medo de sofrer alguma agressão física, respondida por 56% dos/as entrevistados/as. Tem o medo do assédio moral, com 68%; e o medo por não poder cumprir com as metas estabelecidas, com 72%.

Portanto os dados acima revelam o verdadeiro cenário trágico da nossa educação pública, que historicamente sempre foi guiada por elites conservadoras, que as utilizaram e utilizam como instrumento de manipulação e controle das massas desprovidas de senso critico da realidade. Para combater toda essa engrenagem podre que domina nosso espaço político, somente o voto e a pressão social poderiam resultar uma mudança gradual de cenário.

Prof. Jairo Cesa    

 

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