DIA
MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE: PRECISAMOS REFLETIR MAIS SOBRE NOSSO “LIXO”, PRODUZIDO DIARIAMENTE
| Foto - Jairo |
Em
tempos de crises climáticas, a semana mundial do meio ambiente se caracteriza
como momento importante para repensar o modo como a espécie humana vem se
comportando com a sua casa maior, o planeta terra. O incrível é que ao mesmo
tempo em que ciência avançou de tal modo que há preparativos de missões para colonizar
a luz, bilhões de pessoas no mundo ainda passam fome e não reciclam parte
expressiva do lixo que produzem. Nesse escopo de crises climáticas extremas, é
necessário manter-se atento as digressões produzidas pelos agentes do sistema
produtivo em vigor, que insistem em construir discursos ou narrativas equivocadas
para naturalizar fenômenos climáticos extremos.
Diante
dessa hipocrisia discursiva conservadora, é claro que tenderia a levantes
coletivos opostos, respondendo as crises climáticas como crises de um modelo
econômico que está sucumbindo dia pós dia. A resposta, portanto, à essa crise
sistêmica em curso, se mostra visível no comportamento do clima global, nos
ciclos das estações, completamente incompatíveis ao que naturalmente as quais
foram definidos Primavera e verão, dominadas por ondas de calor escaldantes e persistentes,
contrapondo com outono e inverno glaciais, são demonstrativos de que o planeta
já está exibindo sinais do seu saturamento, porém, sem retorno.
Durante
a semana mundial do meio ambiente, é costumeiro governos municipais, órgãos
ambientais, instituições de ensino etc., promoverem atividades alusivas a data,
porém, em grande parte, apenas para o cumprimento de protocolos, ou seja,
construir consensos acríticos dos vários cenários apresentados. Esses consensos
naturalizados acerca do clima se mostram mais presentes quando predominam
agentes políticos associados as forças políticas conservadoras, entrelaçados
com segmentos econômicos, beneficiados com políticas, por exemplo, de
desregulação ou flexibilização de normas ambientais.
A
última segunda feira, 01 de junho, foi extremamente relevante para o município
de Araranguá e região. A Comissão do Meio ambiente da ALESC, por intermédio do
seu presidente, o deputado Marquito, do PSol, esteve com seu staff em
Araranguá, para a realização do Seminário Estadual de Gestão Integrada de
Resíduos Sólidos - Boas Práticas para Municípios de Santa Catarina. Por ser um
evento relevante para a saúde pública e a economia dos municípios catarinenses,
era de se imaginar que no auditório do IFSC, em Araranguá, estivesse presente,
no mínimo, parcela significativa dos/as legisladores/as do município e quiçá o
próprio chefe do executivo e seus secretários.
Porém,
um único legislador do município se fez presente, mostrando que temáticas como
clima e saneamento básico não atendem ainda aos interesses do segmento político
local. É necessário louvar também a presença de outras duas vereadoras no
seminário, uma do município do Ermo e a outra de Criciúma. Duas importantes palestras foram
apresentadas, a primeira pela professora, doutoranda no Laboratório de
Pesquisas de Resíduos Sólidos (LARESO – UFSC) Marilia de Medeiros Machado. O
segundo palestrante foi Ricardo Abussafy, que é Gerente de Logística Reversa do
Programa Dê a Mão para o Futuro.
Tanto
a palestrante Marilia de Medeiros quanto Ricardo Abussafy, ambos procuraram
discorrer nas suas falas a questão dos resíduos sólidos no mundo, no Brasil e
no Estado, as políticas em curso direcionadas a atender a essa demanda, a
exemplo da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei n. 12.305/2010). O que impressionou na fala de ambos é que o
estado de Santa Catarina se mantém muito atrasado no cumprimento das políticas
relativas a esse tema, pois grande parte do lixo coletado tem como destino os
aterros sanitários.
Dentre
as medidas sustentáveis aos produtos descartados está a logística reversa, que
é a coleta e o retorno de produtos e embalagens ao clico produtivo para
reaparelhamento, reciclagem ou descarte adequado. Nem essa e outras tantas modalidades afins
estão sendo aplicadas no município de Araranguá. O fato é que 100% do lixo
produzido no município tem como destino, o aterro. É muito dinheiro descartado,
lixo é ouro, como relatou a catadora de descartáveis presente no seminário,
Dona Adriana.
De
fato, o que deve ter chamado mais atenção dos presentes no auditório do IFSC foi
o momento em que o palestrante Ricardo trouxe o exemplo do município de
Araranguá para explicar um tipo de operação matemática mostrando o quanto de
dinheiro é jogado no aterro todos os dias. Ricardo, para chegar ao impressionante
valor, que daria para abrir até 164 postos de trabalho nesse setor no município,
usou como parâmetro a população do município, de 68 mil habitantes. Afirmou que
a média nacional de descarte de lixo é de 1kg/habitante dia.
Informou
que 1kg, multiplicado por 68 mil habitantes X 30 dias é = 2,066 milhões de kg
coletados por mês. 2,066 X 31,9%, que é a fração seca de resíduos produzidos no
Brasil, equivale a 659 toneladas de recicláveis desperdiçados todos mês em
Araranguá. Dessas 659 toneladas, 25% são
rejeitos, portanto, sobram 494 toneladas de materiais recicláveis que são
jogados no aterro todos os meses. Segundo o palestrante, o valor médio pago
atualmente por tonelada de recicláveis é de 700
reais. Multiplicando as 494 toneladas X 700 reais, todos os meses estão indo
para o aterro 346 mil reais. Num próximo texto farei mais algumas considerações
sobre o assunto. Desejo que nessa semana alusiva ao Dia Mundial do Meio Ambiente esse texto ajude
a refletir questões complexas acerca do “lixo” em Araranguá e no restante do país.
Prof.
Jairo Cesa
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