sexta-feira, 22 de maio de 2026

 

DETRITOS PLÁSTICOS ASSASSINOS NA FOZ E ORLA OCEÂNICA DE ARARANGUÁ

 

Foto - Jairo

Com a possibilidade de termos um super El Nino a partir do início da primavera, com impactos devastadores a infraestrutura e a economia dos três estados do sul, muitos municípios catarinenses já vem se preparando com limpezas de córregos, bueiros, boca de lobos, etc. São demandas das quais sabemos que independem da ocorrência ou não de fenômenos como o El ninho, sendo-as obrigatórias. Agora, o que realmente os municípios deveriam fazer é adotar medidas enérgicas e urgentes, especialmente os que integram a bacia hidrográfica do rio Araranguá, recolhendo os resíduos plásticos, garrafas pet, por exemplo, acumulados em quantidade impressionante  as margens dos rio, estuário/foz e toda a orla oceânica do município.

Acredito que o cenário de Araranguá deva ser o mais alarmante entre as bacias catarinenses que desaguam no oceano atlântico. É um fenômeno que mesmo com políticas de limpeza periódica, cada vez que ocorre pequenas enxurradas, o acúmulo de lixo, principalmente plástico na foz, é assustador. Já relatei em textos postados anteriormente acerca do tema que são 16 município que integram a bacia do rio Araranguá, desses, nenhum deles, aplica integralmente as políticas de saneamento básico como tratamento de esgoto e coleta seletiva de resíduos sólidos.

Outro fator agravante é que permanece uma cultura de descarte de entulhos, sacas de lixo, nas margens de estradas, rios e córregos. Tudo isso misturado tem como destino certo o oceano atlântico, criando, como já citei inúmeras vezes, verdadeiras ilhas de detritos no meio dos oceanos. A bacia do rio Araranguá é com certeza uma importante dinamizadora desse terrível espectro ambiental. Dos 16 municípios que compõem a bacia, é claro que o mais impactado é Araranguá, porque recebe toda a demanda residual a montante, não somente de sólidos, incluindo também, esgotamentos sanitários, industriais, detritos de carvão mineral, agrotóxicos etc.

As cenas relativas ao lixo na costa araranguaense são assustadoras, principalmente em momentos de ressaca, quando os detritos “brotam” da areia, misturados com troncos e galhadas de madeira. Claro que tem também o lixo trazido pelas redes de pesca, destacando fragmentos de plásticos, considerados armadilhas assassinas a biótica marinha. Deixar evidenciado que todo esse resíduo acumulado não advém somente do rio, tem participação dos transeuntes, que se deslocam até a barra, entre outros. 

   

Foto - Jairo

A presença de fragmentos de rede de pesca, cordas, são os mais frequentes encontrados na orla. Talvez esteja nesses objetos descartados um dos fatores da presença de tartarugas e baleias mortas na costa sul catarinense. Em 2025, a câmara de vereadores de Araranguá aprovou anteprojeto de lei determinando o poder público da instalação de ecobarreiras no rio Araranguá. A função da ecobarreira seria impedir que o lixo trazido pelo rio se deslocasse até o oceano. O anteprojeto também estabelecia o programa de educação ambiental à população e aos estudantes, sensibilizando-os sobre o descarte correto dos resíduos sólidos. É possível que o respectivo anteprojeto não teve aprovação, porque até o momento nenhum tipo de ecobarreira, muito menos ainda educação ambiental sobre resíduos sólidos foram executados.

Nos vários textos que escrevi sobre o tema, destaquei que a maior incidência de plásticos na foz e na orla do município de Araranguá se deve ao descumprimento por parte de vários municípios da bacia do rio Araranguá, das políticas de gestão integrada de resíduos sólidos. Recentemente, em 11 de maio de 2026, o MPSC, ajuizou o município de Araranguá por descumprimento de legislações federais e municipais sobre o tema resíduos sólidos. Segundo o órgão estadual, há nove anos o município de Araranguá vem sendo instado para que cumprisse tais legislações. Pela omissão, a justiça determinou que o município terá dois anos, até abril de 2028, para a execução da política municipal de gestão integrada de resíduos sólidos. Finalmente uma luz no fim do túnel.

Prof. Jairo Cesa            

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