DETRITOS PLÁSTICOS ASSASSINOS NA FOZ E ORLA OCEÂNICA DE ARARANGUÁ
| Foto - Jairo |
Com
a possibilidade de termos um super El Nino a partir do início da primavera, com
impactos devastadores a infraestrutura e a economia dos três estados do sul,
muitos municípios catarinenses já vem se preparando com limpezas de córregos, bueiros,
boca de lobos, etc. São demandas das quais sabemos que independem da ocorrência ou
não de fenômenos como o El ninho, sendo-as obrigatórias. Agora, o que realmente
os municípios deveriam fazer é adotar medidas enérgicas e urgentes, especialmente os que integram a bacia hidrográfica do rio Araranguá, recolhendo os
resíduos plásticos, garrafas pet, por exemplo, acumulados em quantidade impressionante as margens dos rio, estuário/foz e toda a orla oceânica do município.
Acredito
que o cenário de Araranguá deva ser o mais alarmante entre as bacias catarinenses que
desaguam no oceano atlântico. É um fenômeno que mesmo com políticas de limpeza
periódica, cada vez que ocorre pequenas enxurradas, o acúmulo de lixo, principalmente
plástico na foz, é assustador. Já relatei em textos postados anteriormente acerca do tema que são 16 município que integram a bacia do rio Araranguá,
desses, nenhum deles, aplica integralmente as políticas de saneamento básico
como tratamento de esgoto e coleta seletiva de resíduos sólidos.
Outro
fator agravante é que permanece uma cultura de descarte de entulhos, sacas de
lixo, nas margens de estradas, rios e córregos. Tudo isso misturado tem como
destino certo o oceano atlântico, criando, como já citei inúmeras vezes,
verdadeiras ilhas de detritos no meio dos oceanos. A bacia do rio Araranguá é com certeza uma importante dinamizadora desse terrível espectro ambiental. Dos
16 municípios que compõem a bacia, é claro que o mais impactado é Araranguá, porque
recebe toda a demanda residual a montante, não somente de sólidos, incluindo também,
esgotamentos sanitários, industriais, detritos de carvão mineral, agrotóxicos
etc.
As cenas relativas ao lixo na costa araranguaense são assustadoras, principalmente em momentos de ressaca, quando os detritos “brotam” da areia, misturados com troncos e galhadas de madeira. Claro que tem também o lixo trazido pelas redes de pesca, destacando fragmentos de plásticos, considerados armadilhas assassinas a biótica marinha. Deixar evidenciado que todo esse resíduo acumulado não advém somente do rio, tem participação dos transeuntes, que se deslocam até a barra, entre outros.
| Foto - Jairo |
A
presença de fragmentos de rede de pesca, cordas, são os mais frequentes encontrados
na orla. Talvez esteja nesses objetos descartados um dos fatores da presença de
tartarugas e baleias mortas na costa sul catarinense. Em 2025, a câmara de
vereadores de Araranguá aprovou anteprojeto de lei determinando o poder público
da instalação de ecobarreiras no rio Araranguá. A função da ecobarreira seria impedir
que o lixo trazido pelo rio se deslocasse até o oceano. O anteprojeto também
estabelecia o programa de educação ambiental à população e aos estudantes,
sensibilizando-os sobre o descarte correto dos resíduos sólidos. É possível que
o respectivo anteprojeto não teve aprovação, porque até o momento nenhum tipo
de ecobarreira, muito menos ainda educação ambiental sobre resíduos sólidos foram
executados.
Nos
vários textos que escrevi sobre o tema, destaquei que a maior incidência de
plásticos na foz e na orla do município de Araranguá se deve ao descumprimento por
parte de vários municípios da bacia do rio Araranguá, das políticas de gestão integrada
de resíduos sólidos. Recentemente, em 11 de maio de 2026, o MPSC, ajuizou o município
de Araranguá por descumprimento de legislações federais e municipais sobre o
tema resíduos sólidos. Segundo o órgão estadual, há nove anos o município de
Araranguá vem sendo instado para que cumprisse tais legislações. Pela omissão,
a justiça determinou que o município terá dois anos, até abril de 2028, para a
execução da política municipal de gestão integrada de resíduos sólidos.
Finalmente uma luz no fim do túnel.
Prof.
Jairo Cesa
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