EFEITOS DO SUPER EL NINO JÁ SÃO
SENTIDOS NO SUL DE SANTA CATARINA
Começou o mês de maio e já são
visíveis os reflexos do super El nino ainda em formação no oceano pacífico
equatorial. Ventos fortes, tornados, e agora um ciclone extratropical de
intensidade elevada provocaram problemas com prejuízos econômicos elevados. Se
havia alguma dúvida quanto aos alertas dos meteorologistas, não há mais, pois
teve até falas minimalistas, alegando que os alertas deles/as traziam pânicos
exacerbados e desnecessários à população.
Desde os episódios climáticos
extremos e destrutivos no Sul em 2023, as comunidades cientificas do Brasil e
do exterior vem lançando frequentes comunicados para que os governos tomem
providencias, executando políticas para mitigar os efeitos das emergências
climáticas em curso. Se prestarmos atenção nos locais que ultimamente estão
sendo mais afetados por enxurradas no Brasil, veremos que é a parte litorânea, a
exemplo do nordeste.
Recife, entre outras cidades
costeiras, tiveram perdas significativas de vidas humanas por deslizamentos de
encostas e afogamentos. Tudo isso tem relação direta e indireta com os
desmatamentos e o aquecimento das águas do oceano atlântico na qual empurra umidade
do oceano para a costa continental. A faixa costeira litorânea catarinense e
gaúcha são também áreas sensíveis as mudanças climáticas em curso. A cada ciclo
do el nino seus efeitos são mais devastadores à infraestrutura de toda a
região.
Acontece que mesmo diante das
fragilidades da geografia costeira de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, o
que se vê é o avanço desordenado do setor imobiliário, avalizados por planos
diretores cada vez mais permissivos. As próprias legislações ambientais
favorecem essas ocupações, tendo agora como agravante a flexibilização dos
licenciamentos ambientais.
A faixa costeira do município de
Araranguá é considerada uma das mais frágeis ambientalmente do litoral sul de
Santa Catarina. Devido a essas peculiaridades, em 2016 três decretos municipais
criaram: uma APA, um MONA-UC e uma
RESEX. Os três tinham o propósito de assegurar maior proteção aos frágeis
ecossistemas, bem como garantir participação ativa da sociedade em todas as
discussões relativas às ocupações desses espaços. O próprio projeto orla, concluído
em 2016, também teve o mesmo propósito, porém, seguiu mesmo caminho dos
decretos, sofrendo todo tipo de ataque das administrações que se sucederam.
Tentativas de descumprimento de
demandas do Plano de Gestão Integrada - PGI e de legislações ambientais, fez o Ministério
Público Federal imputar ação de embargo de obras públicas vistas como passíveis
de impactos ambientais severos. A abertura de uma estrada ligando a praia do
Paiquerê à orla do Morro dos Conventos, foi uma dessas demandas ajuizadas pelo
MPF. Construída sobre dunas frontais, o erro praticado foi ter instalado tubos
com diâmetros pequenos para desaguar as águas do manancial Lago Dourado.
Primeira ressaca de grau médio, os tubos foram totalmente assoreados.
Reconhecendo o erro, a administração
teve que retirar os tubos e substituí-los por outros com diâmetros maiores.
Agora, no começo do mês de maio, nova ressaca de grau médio se sucedeu na costa
oceânica, cujo canal que desagua o lago dourado, que recebera novas tubulações,
fora outra vez obstruído por sedimentos.
Se a comunidade fosse ouvida e acatada suas opiniões, especialmente
dos/as mais experientes, que conhecem a dinâmica da geografia costeira do local,
é claro que as falhas cometidas na execução das obras seriam menores ou até
mesmo inexistentes.
Mas a prepotência, o individualismo, o ego
exacerbado, prevalecem em administrações onde o consenso burro é quase hegemônico.
É aqui que está o perigo. Um governo que tem ao seu lado a mídia, o
legislativo, o segmento religioso, entre outros, se submete ao risco de estar
se tornando aquilo que o escritor português José Saramago escreveu e que virou
filme em seu Ensaio sobre a Cegueira.
Prof. Jairo Cesa
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