quarta-feira, 13 de maio de 2026

 

EFEITOS DO SUPER EL NINO JÁ SÃO SENTIDOS NO SUL DE SANTA CATARINA

 

Foto - Jairo


Começou o mês de maio e já são visíveis os reflexos do super El nino ainda em formação no oceano pacífico equatorial. Ventos fortes, tornados, e agora um ciclone extratropical de intensidade elevada provocaram problemas com prejuízos econômicos elevados. Se havia alguma dúvida quanto aos alertas dos meteorologistas, não há mais, pois teve até falas minimalistas, alegando que os alertas deles/as traziam pânicos exacerbados e desnecessários à população.

Desde os episódios climáticos extremos e destrutivos no Sul em 2023, as comunidades cientificas do Brasil e do exterior vem lançando frequentes comunicados para que os governos tomem providencias, executando políticas para mitigar os efeitos das emergências climáticas em curso. Se prestarmos atenção nos locais que ultimamente estão sendo mais afetados por enxurradas no Brasil, veremos que é a parte litorânea, a exemplo do nordeste.

Recife, entre outras cidades costeiras, tiveram perdas significativas de vidas humanas por deslizamentos de encostas e afogamentos. Tudo isso tem relação direta e indireta com os desmatamentos e o aquecimento das águas do oceano atlântico na qual empurra umidade do oceano para a costa continental. A faixa costeira litorânea catarinense e gaúcha são também áreas sensíveis as mudanças climáticas em curso. A cada ciclo do el nino seus efeitos são mais devastadores à infraestrutura de toda a região.

Acontece que mesmo diante das fragilidades da geografia costeira de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, o que se vê é o avanço desordenado do setor imobiliário, avalizados por planos diretores cada vez mais permissivos. As próprias legislações ambientais favorecem essas ocupações, tendo agora como agravante a flexibilização dos licenciamentos ambientais.  

A faixa costeira do município de Araranguá é considerada uma das mais frágeis ambientalmente do litoral sul de Santa Catarina. Devido a essas peculiaridades, em 2016 três decretos municipais criaram:  uma APA, um MONA-UC e uma RESEX. Os três tinham o propósito de assegurar maior proteção aos frágeis ecossistemas, bem como garantir participação ativa da sociedade em todas as discussões relativas às ocupações desses espaços. O próprio projeto orla, concluído em 2016, também teve o mesmo propósito, porém, seguiu mesmo caminho dos decretos, sofrendo todo tipo de ataque das administrações que se sucederam.

Tentativas de descumprimento de demandas do Plano de Gestão Integrada - PGI e de legislações ambientais, fez o Ministério Público Federal imputar ação de embargo de obras públicas vistas como passíveis de impactos ambientais severos. A abertura de uma estrada ligando a praia do Paiquerê à orla do Morro dos Conventos, foi uma dessas demandas ajuizadas pelo MPF. Construída sobre dunas frontais, o erro praticado foi ter instalado tubos com diâmetros pequenos para desaguar as águas do manancial Lago Dourado. Primeira ressaca de grau médio, os tubos foram totalmente assoreados.


Foro - Jairo



Reconhecendo o erro, a administração teve que retirar os tubos e substituí-los por outros com diâmetros maiores. Agora, no começo do mês de maio, nova ressaca de grau médio se sucedeu na costa oceânica, cujo canal que desagua o lago dourado, que recebera novas tubulações, fora outra vez obstruído por sedimentos.   Se a comunidade fosse ouvida e acatada suas opiniões, especialmente dos/as mais experientes, que conhecem a dinâmica da geografia costeira do local, é claro que as falhas cometidas na execução das obras seriam menores ou até mesmo inexistentes.       

Foto - Jairo


        Mas a prepotência, o individualismo, o ego exacerbado, prevalecem em administrações onde o consenso burro é quase hegemônico. É aqui que está o perigo. Um governo que tem ao seu lado a mídia, o legislativo, o segmento religioso, entre outros, se submete ao risco de estar se tornando aquilo que o escritor português José Saramago escreveu e que virou filme em seu Ensaio sobre a Cegueira.  

Prof. Jairo Cesa

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