SUPER
EL NINO E AS FRÁGEIS ´POLÍTICAS MUNICIPAIS DE ADAPTAÇÃO CLIMÁTICA
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Os
meteorologistas vêm alertando acerca do gradual aquecimento das águas do oceano
pacífico na linha do equador, dando a entender que teremos outra vez o retorno
do fenômeno el nino influenciando o clima no mundo inteiro a partir do segundo
semestre, mais especificamente na parte sul da América do Sul. O que chama
atenção é que dessa vez o fenômeno climático poderá ser mais intenso que os
últimos, em especial o de 2023, cujo epicentro foi o estado do Rio Grande do Sul,
com quase dois terços do território destruído pelas enxurradas.
Na
época, a tragédia se tornou maior pelo fato de os governos terem minimizado as
previsões, não propondo ações preventivas como sirenes e comunicados às
populações das áreas de riscos para que procurassem locais mais seguros. O
exemplo foi o município de Muçum, totalmente devastado. É muito provável que
passados dois anos da tragédia no estado gauche e parte expressiva do estado
catarinense, pouca coisa foi feita para pelos governos para minimizar impactos
durante o retorno do fenômeno El nino.
Meteorologistas
renomados com grande assertividade nas previsões do tempo vem alertando
insistentemente que no segundo semestre de 2026 teremos o retorno do El nino.
Essa insistência se deve ao fato de o fenômeno estar se configurando como um dos
mais poderosos das últimas décadas. Acontece que nos últimos anos segmentos da
sociedade e da política procuraram construir discursos criminalizando a
ciência, as instituições de pesquisa, a ponto de querer negar verdades
inquestionáveis como a própria esfericidade da terra.
Em
uma sociedade como a brasileira majoritariamente carente de educação formal
tende a construir suas opiniões a partir desses discursos negacionistas, onde a
fé se sobrepõe a ciência. O que afirmo é bem real, basta ler os comentários de
alguns posts publicados recentemente no estado catarinense alertando a
população e as autoridades para se precaverem acerca do super el nino que está
se formando no oceano pacífico, próximo ao Equador, e que trará impactos
catastróficos ao sul do Brasil. São
poucos os comentários que não intercedem a ajuda divina para evitar ou mitigar
as tragédias. O que é mais grave é que muitos tentam minimizar o problema,
subestimando informações postadas por meteorologistas com extraordinária
respeitabilidade entre os seus pares.
O
que é real mesmo é que o Brasil está diretamente inserido nesse imbróglio climático
global, tanto como um dos maiores emissores de gases do efeito estufa, como
também principal alvo dos seus efeitos. Mesmo com dados que comprovam redução
dos desmatamentos na Amazônia, o planeta continua recebendo toneladas e mais
toneladas de CO2 diariamente, decorrente da queima de combustíveis fósseis. O aumento
médio da temperatura do planeta de 1.5 graus célsius previstos para o final do
século já é uma realidade. Há fortes indícios que antes de 2050 a temperatura
média do planeta estará beirando os 2.0 graus, e o resultado disso será o
colapso definitivo da vida no planeta.
O
que preocupa é saber que raros são os municípios brasileiros que tem a demanda
climática como prioridade das prioridades nos seus planos diretores. As cidades
ainda são hoje pensadas, planejadas, desconsiderando políticas como adaptações
climáticas, ou seja, como torná-la resilientes às enxurradas, a episódios
extremos como furações, tornados. Araranguá e demais municípios atingidos pelo Furacão
Catarina em 2004, nesses 21 anos pós ocorrência do fenômeno não há informação
de ter havido algum treinamento com a população de como deve agir na hipótese
de vir a ocorrer outro furação.
É
possível também que não temos hoje dados meteorológicos confiáveis da região
sul do estado, tanto pela escassez de estações meteorológicas instaladas, como
pela fragilidade funcional de muitas delas. Devemos considerar que existe atualmente
um processo de fragmentação institucional no qual impede respostas integradas
de políticas ambientais no campo da gestão hídrica, planejamento urbano e
proteção territorial. Esses sistemas operam como ilhas desconectadas do
conjunto institucional dos municípios brasileiros.
Prof.
Jairo Cesa
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