segunda-feira, 18 de maio de 2026

 

REGISTROS PICTÓRICOS IMPORTANTES: A ARTE COMO INSTRUMENTO DE LIBERTAÇÃO 


Foto - Jairo




A arte ao longo da história civilizatória sempre teve papel importante na representação simbólica no modo de vida das diferentes culturas. As pinturas rupestres, como as encontradas na Serra da Capivara, no Piauí, com desenhos datados de até 50.000 anos são expressões que buscam interpretar o modo de vida, as relações   interpessoais desses grupos humanos já extintos. As sociedades que valorizam a arte, nas suas diversas representações, são mais resistentes a regimes autoritários, bem como comportamentos dogmáticos, como a crença cega a indivíduos vistos como mitos, salvadores da pátria. Se prestarmos atenção vemos que o Brasil se enquadra perfeitamente nesse cenário de dogmatização social coletiva, um tipo de massificação patológica, que é quase regra atualmente no gênero musical apreciado por parte da sociedade.

Foto - Jairo

Foto - Jairo


É claro que a escola tem lá sua responsabilidade na formatação desse preocupante cenário, porém, não é culpa exclusiva das instituições de ensino, mas dos governos e grupos econômicos aliados, que quando definem os parâmetros curriculares, recaem as artes, as ciências humanas, reduzidas cargas horárias de docência. Menor tempo para o ensino da arte, associada a fragilidade pedagógica e a desqualificação profissional, modelam os tipos de sujeitos que saem das escolas, acríticos, insensíveis à estética, à empatia, ao pensamento abstrato. O agravante nisso é que serão sujeitos mais suscetíveis as patologias psíquicas.

Foto - Jairo

Foto - Jairo




Uma exposição de arte, pinturas em tela e esculturas, por exemplo, tem por finalidade não somente tornar o espaço esteticamente mais atrativo, mas também proporcionar ao público visitante momentos de introspecção, sensibilização, um encontro com sim mesmo, diante dos trabalhos produzidos pelo artista. Admito que deve ter sido exatamente essa a minha proposta quando solicitei o espaço do Travessia Shop – Calçadão, Araranguá, para a realização da exposição de esculturas e pinturas em tela, essa última, retratando o ambiente urbano de Araranguá na Primeira República do século XX.

Foto - Jairo


A exposição teve a duração de quinze dias, de 24 de abril a 10 de maio de 2026. Durante esse período foram centenas de pessoas que transitando pela galeria, muitos/as, atraídos/as pela diversidade de peças expostas, reduziram ou cessaram os paços para apreciar o que estava sendo mostrado ali. Muitos vieram até a mim, agradecer por ter escolhido o local para expor trabalhos tão primorosos e de fortes significados sensoriais. Relatou uma gerente de loja que pessoas em Araranguá não acreditam ou não sabem que no município tem pessoas que fazem arte: esculturas, pinturas, gravuras etc. Ainda hoje é hábito as pessoas interpretarem a arte como objeto eminentemente terapêutico, algo desprovido de objetividade, não veem como uma atividade profissional, que lhe proporciona ganhos financeiros para a sua subsistência.

Foto - Jairo





De fato, poucos/as tem a arte como meio exclusivo de subsistência, incluindo nesse mote o músico, o escritor, exceto, é claro, os que escrevem obras de autoajuda. Como prova que em Araranguá a arte ainda ocupa espaço secundário no cotidiano da sociedade, nos quinze dias de exposição, não houve a presença de qualquer órgão de imprensa local ou regional para dar alguma cobertura para incentivar a mostra.   Talvez o desinteresse seja pelo fato de a arte ainda estar vinculada a personificação de nomes de forte veiculação midiática.  Se perguntarmos as pessoas se lembram o nome de algum escultor brasileiro importante, certamente o nome que virá à mente será de Aleijadinho, artista barroco mineiro, não é mesmo?

Foto - Jairo


As pinturas e em especial as esculturas expostas, todas, tem forte representação simbólica. Cada peça exibida traz informações e vestígios das várias catástrofes climáticas que se abateram na região da bacia do rio Araranguá. São milhares de troncos, alguns centenários, que se desprenderam e que continuam se desprendendo das encostas da serra geral, que empurrados pela força do rio tende a se acumular na foz do rio Araranguá e em toda a extensão da respectiva orla.  Na exposição, portanto, o espectro climático planetário também é esboçado, cada árvore erodida das encostas ou até aquelas suprimidas para expansão agrícola ou pecuária, seus impactos a biótica planetária já se mostram devastadores.

Prof. Jairo Cesa                 

Nenhum comentário:

Postar um comentário