terça-feira, 6 de outubro de 2026

 

FRASCO DE AGROTÓXICO - (FANTIN TAFIREL),  BANIDO PELA ANVISA, É IDENTIFICADO NA FOZ DO RIO ARARANGUÁ.

 

Foto - Jairo

As últimas enxurradas ocorridas na montante (rio acima) da bacia do rio Araranguá trouxeram um cenário que está se tornando comum na foz da própria bacia: milhares de pés de árvores depositados, misturados com todo o tipo imaginável de lixo. Embora a administração de Araranguá (FAMA) faça a campanha do recolhimento anual por meio do projeto Arco-íris, essa ação voluntária assume um papel paliativo, tamanho o volume de resíduos trazidos pelo rio.

É importante ressaltar que o lixo, depositado na foz e na orla do município de Araranguá, são apenas fragmentos, se comparado ao enorme volume que é absorvido pelo oceano. Mas, de fato, o que chama a atenção mesmo é o imenso número de embalagens de agrotóxicos que vem se acumulando nas imediações da foz do rio.   Até aí, nada disso é surpresa para ninguém, isso porque a região da bacia hidrográfica do rio Araranguá é uma das maiores produtoras de arroz irrigado do estado, sendo o uso de insumos químicos e agrotóxicos comum entre os agricultores.

Existem legislações em vigor que disciplinam agrotóxicos autorizados pela ANVISA, bem como protocolos que os produtores devem seguir, tanto na aplicação do produto quanto no destino das embalagens vazias, que devem ser recolhidas e entregues nos locais onde foram adquiridas.  Também não é segredo que muitos dos agrotóxicos autorizados no Brasil foram banidos em vários países, a exemplo da União Europeia. Embora tendo o grau de toxicidade elevado, como o 2,4-D, Atrazina, Acefato, entre outros, existem aqueles cujo uso a legislação brasileira desautoriza, por conterem princípios ativos altamente tóxicos.

Um desses agrotóxicos, banidos pela legislação brasileira, Resolução n. 1.975/2019, é o Fentin Tafirel, classificado como classe II, muito perigoso ao meio ambiente. É considerado um poluente marinho severo, que destrói a fauna aquática (peixes e plantas). No ser humano, esse agrotóxico tem potencial carcinogênico, além de afetar o sistema reprodutivo e endócrino. Nos ecossistemas, esse fungicida permanece ativo por muito tempo, não sendo dissolvido com facilidade.   

O que é espantoso é o fato de esse produto, banido pela legislação brasileira, estar sendo utilizado nas culturas da Bacia do Rio Araranguá, cuja aquisição, acredita-se, tenha sido realizada por meio de contrabando. A certeza acerca do uso desse veneno é confirmada a partir da identificação de uma embalagem, misturada com fragmentos de madeira e lixo plástico, na foz do rio Araranguá. Portanto, são toneladas de agrotóxicos aplicados todos os anos na região, possivelmente os que estão banidos pela ANVISA, porém entram no território brasileiro por meio de contrabando.  

Foto - Jairo


Agora, imaginemos o grau de perigo a que estão sujeitas as populações que consomem alimentos e água, possivelmente contaminados por esse e outros agrotóxicos também contrabandeados. Se um frasco de Fentin Tarifel foi identificado na margem do rio Araranguá, é provável que mais frascos desse e de outros aditivos tóxicos tenham se deslocado para o oceano. Até que ponto podemos afirmar que peixes e crustáceos capturados na orla do município de Araranguá não estejam contaminados por agrotóxicos?

Prof. Jairo Cesa

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