FRASCO DE AGROTÓXICO - (FANTIN TAFIREL), BANIDO PELA
ANVISA, É IDENTIFICADO NA FOZ DO RIO ARARANGUÁ.
| Foto - Jairo |
As últimas enxurradas ocorridas na
montante (rio acima) da bacia do rio Araranguá trouxeram um cenário que está se
tornando comum na foz da própria bacia: milhares de pés de árvores depositados,
misturados com todo o tipo imaginável de lixo. Embora a administração de
Araranguá (FAMA) faça a campanha do recolhimento anual por meio do projeto
Arco-íris, essa ação voluntária assume um papel paliativo, tamanho o volume de
resíduos trazidos pelo rio.
É importante ressaltar que o lixo,
depositado na foz e na orla do município de Araranguá, são apenas fragmentos,
se comparado ao enorme volume que é absorvido pelo oceano. Mas, de fato, o que
chama a atenção mesmo é o imenso número de embalagens de agrotóxicos que vem se
acumulando nas imediações da foz do rio. Até aí, nada disso é surpresa
para ninguém, isso porque a região da bacia hidrográfica do rio Araranguá é uma
das maiores produtoras de arroz irrigado do estado, sendo o uso de insumos químicos
e agrotóxicos comum entre os agricultores.
Existem legislações em vigor que
disciplinam agrotóxicos autorizados pela ANVISA, bem como protocolos que os
produtores devem seguir, tanto na aplicação do produto quanto no destino das
embalagens vazias, que devem ser recolhidas e entregues nos locais onde foram
adquiridas. Também não é segredo que muitos dos agrotóxicos autorizados
no Brasil foram banidos em vários países, a exemplo da União Europeia. Embora
tendo o grau de toxicidade elevado, como o 2,4-D, Atrazina, Acefato, entre
outros, existem aqueles cujo uso a legislação brasileira desautoriza, por
conterem princípios ativos altamente tóxicos.
Um desses agrotóxicos, banidos pela
legislação brasileira, Resolução n. 1.975/2019, é o Fentin Tafirel,
classificado como classe II, muito perigoso ao meio ambiente. É
considerado um poluente marinho severo, que destrói a fauna aquática (peixes e
plantas). No ser humano, esse agrotóxico tem potencial carcinogênico, além de
afetar o sistema reprodutivo e endócrino. Nos ecossistemas, esse fungicida
permanece ativo por muito tempo, não sendo dissolvido com facilidade.
O que é espantoso é o fato de esse
produto, banido pela legislação brasileira, estar sendo utilizado nas culturas
da Bacia do Rio Araranguá, cuja aquisição, acredita-se, tenha sido realizada
por meio de contrabando. A certeza acerca do uso desse veneno é confirmada a
partir da identificação de uma embalagem, misturada com fragmentos de madeira e
lixo plástico, na foz do rio Araranguá. Portanto, são toneladas de agrotóxicos
aplicados todos os anos na região, possivelmente os que estão banidos pela
ANVISA, porém entram no território brasileiro por meio de contrabando.
| Foto - Jairo |
Agora, imaginemos o grau de perigo a
que estão sujeitas as populações que consomem alimentos e água, possivelmente
contaminados por esse e outros agrotóxicos também contrabandeados. Se um frasco
de Fentin Tarifel foi identificado na margem do rio Araranguá, é provável que
mais frascos desse e de outros aditivos tóxicos tenham se deslocado para o
oceano. Até que ponto podemos afirmar que peixes e crustáceos capturados na
orla do município de Araranguá não estejam contaminados por agrotóxicos?
Prof. Jairo Cesa
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