terça-feira, 28 de julho de 2026

 

A GEOGRAFIA SERVE PARA FAZER A GUERRA E DOMINAR TERRITÓRIOS

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Quando eu estava na universidade, nas minhas aulas de geografia, tive a satisfação de ter contato com a magnífica obra do geógrafo marroquino Yves Lacoste, falecido no último mês de junho aos 97 anos de idade. A obra de Lacoste, cujo título era A Geografia, Isso Serve, em Primeiro Lugar, Para Fazer a Guerra, mudou completamente o entendimento dessa ciência, até então ainda compreendida como área do conhecimento dedicada quase que exclusivamente para a descrição estática do espaço geográfico.

Por muito tempo, Lacoste ficou um tanto esquecido nos debates pedagógicos da geografia, talvez sua inserção se desse nos restritos espaços academias, nos seminários e congressos de geografia e demais áreas afins. A geografia, ensinada nas escolas durante as décadas de 1970 e 1980, lembro que o êxito dos estudantes era poder transcrever mapas nas suas diferentes categorias fidedignamente aos originais. Refletir criticamente as relações envolvendo o relevo, a hidrografia, as florestas, o clima, os recursos minerais, entre outros, com as diversidades humanas, a geografia ainda trilhava um caminho pedregoso para se firmar como ciência que pudesse ser respeitada.

O isolamento das ciências era outro aspecto vivenciado nos currículos das escolas, distribuídos de modo compartimentados, desconexos com as demais áreas e a própria realidade dos ambientes sociais onde os conteúdos eram aplicados. Agora, imagine o professor de geografia ensinando os fundamentos de cartografia, divisão territorial, população, aspectos econômicos, recursos minerais, sem qualquer interação com o seu colega de história, cuja incumbência é trazer à luz os impasses, as contradições políticas, culturais e as disputas geopolíticas regionais e globais.

São as recentes redefinições do mapeamento geopolítico global que a obra de Lacoste, escrita na década de 1970, é recuperada pelos estudiosos da geografia, tornando-se ferramenta teórica necessária para entender como se dá a dinâmica dos espaços geográficos e sua mediação com os sujeitos ali constituídos e de outros territórios. O caso do conflito envolvendo Ucrânia e Rússia, ultrapassa as fronteiras dos dois territórios, tem o envolvimento direto e indireto da OTAN e de potências imperialistas interessadas na derrota de um ou de outro para ter o controle e a influência política e econômica sobre a região.

O uso de armas inteligentes como misseis teleguiados sua fabricação se tornou possível com a extração e beneficiamento de minerais raros e muito conhecimento. A existência desses recursos raros, associados a outros também importantes, geralmente estão disponíveis em territórios com baixos níveis de desenvolvimento, estando os seus governos assediados a potencias globais. A américa latina é um bom exemplo para entender como a geografia influenciou toda a sua dinâmica territorial, isso desde a ocupação espanhola/portuguesa, aos nossos dias.

A própria estruturação dos governos locais, alguns mais outros menos democráticos, ainda estão condicionados aquilo que podem oferecer ao império. Produção de commodities: petróleo, minérios, produtos agropecuário, até mesmo água, madeira e outras infinidades de recursos, sempre estiveram no radar das superpotências, porém, para manter o controle sobre as riquezas é preciso mantê-los subjugados, manipulando pleitos eleitorais, com a eleição de governos vassalos.

O que acontece atualmente no Oriente Médio, as guerras genocidas praticas por Israel contra o povo palestino, sua necropolítica de decidir quem deve permanecer sobre os territórios ocupados são fundamentadas em discursos equivocados sobre etnicidade. Usar como justificativa injustificável para a expansão das fronteiras do território judeu os critérios étnicos, que resulta no extermínio deliberado palestinos, é compromisso da geografia/história, de trazer tais demandas para o âmbito escolar, e entender, que tais políticas de limpeza étnica fazem parte de um projeto supremacista/fascista, global, alinhado ao neoliberalismo.

Prof. Jairo Cesa

      

                                                   

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