segunda-feira, 20 de julho de 2026

 

FEIRA DE LIVROS – ESTRATÉGIA RELEVANTE AO ESTÍMULO À LEITURA E AO DESENVOLVIMENTO DAS POTENCIALIDADES INDIVIDUAIS

 

Foto - Jairo

Sempre venho afirmando que a forma mais correta de transformar o Brasil é investimento público massivo em educação, escolas estruturadas, professores habilitados e bem remunerados. Acontece que essa utopia educacional transformadora não se mostra evidente no Brasil, o que existe de fato são ilhas de municípios e escolas com índices de excelência nesse segmento frente a um território gigante que carece de demandas básicas como saneamento básico, moradia, saúde, segurança. Se desejarmos uma transformação no cenário cultural, social e econômico, temos que construir sujeitos críticos e autônomos, e isso se dá por meio da leitura, da escrita.

Infelizmente as novas tecnologias em curso, as redes sociais, por exemplo, estão retirando das pessoas o direito sagrado da leitura, transformando-as em passivos consumidores de imagens, de informações recortadas, descontextualizadas, a serviço de um projeto de poder atravessado por ideias de esvaziamento completo das utopias transformadoras.  Como revolucionar o saber quando se sabe que raros são os municípios que possuem livrarias, bibliotecas públicas, restando somente algumas escolas com bibliotecas precarizadas, obras literárias ultrapassadas, porém, pouco visitadas pelos estudantes.

Se não há livrarias e bibliotecas, ou se caso existam e são pouco visitadas, é preciso, portanto, construir o hábito de as pessoas transitarem por esses espaços. Uma estratégia comprovadamente relevante para o estímulo a leitura são as feiras do livro, das quais integram o rol de atividades culturais executadas por muitos municípios brasileiros durante o ano.  Esse é o momento, onde editoras, livrarias, podem proporcionar ao público visitante oportunidades de acesso a obras literárias de gêneros distintos.  Além do mais, as feiras se revelam como espaço fecundo para reunir escritores locais, onde, além de expor suas obras, promovem rico diálogo entre seus pares e o público visitante.

Foto - Jairo


Foto - Jairo


Foto - Jairo

Foto - Jairo



Esse modelo de feira na qual destaquei acima pude constatar na 19 feira do livro que está ocorrendo no município de Criciúma entre os dias 11 a 25 de julho de 2026. Durante os dois dias que eu e minha companheira lá estivemos expondo nossas obras, constatei que  a respectiva feira extrapola o campo literário, abrangendo outras vertentes culturais locais e regionais, como a música, a dança, o teatro, o folclore etc. Durante o dia, centenas de crianças e adolescentes caminham freneticamente, como pássaros batuíras, pelos corredores da feira, ansiosos para escolher um ou mais livros que lhes agradem.



O que mais chamou a atenção na feira foi o semblante das crianças, exibindo forte entusiasmo quando saiam da livraria com seus livros embaixo do braço. Descobri que todas as escolas do município de Criciúma, as municipais, os estudantes receberam um Voucher no valor de 15 reais, valor que lhes permitiam trocar por livro/as do seu interesse. Também os professores eram agraciados por um voucher de 45 reais. Questionei a organização da feira acerca desse voucher, a partir de que edição da feira passou a ser concedido? A resposta que recebi foi que o voucher é oferecido desde a primeira edição.



Uma iniciativa desta que considero tão relevante merece uma reflexão mais aprofundada, principalmente acerca do seu impacto no desenvolvimento das habilidades intelectuais dos estudantes no decorrer do ensino fundamental, nível esse de responsabilidade dos municípios. Independente do resultado, porém, acredito que seja positivo, essa estratégia de feira, ou mesmo sem voucher, poderia inspirar todos os gestores dos demais municípios da AMREC e AMESC, para que também incluíssem no seu calendário de atividades anuais, e que permanecesse como política de estado.

Prof. Jairo Cesa 

 

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