FEIRA
DE LIVROS – ESTRATÉGIA RELEVANTE AO ESTÍMULO À LEITURA E AO DESENVOLVIMENTO DAS
POTENCIALIDADES INDIVIDUAIS
| Foto - Jairo |
Sempre
venho afirmando que a forma mais correta de transformar o Brasil é investimento
público massivo em educação, escolas estruturadas, professores habilitados e bem
remunerados. Acontece que essa utopia educacional transformadora não se mostra
evidente no Brasil, o que existe de fato são ilhas de municípios e escolas com
índices de excelência nesse segmento frente a um território gigante que carece
de demandas básicas como saneamento básico, moradia, saúde, segurança. Se desejarmos
uma transformação no cenário cultural, social e econômico, temos que construir
sujeitos críticos e autônomos, e isso se dá por meio da leitura, da escrita.
Infelizmente
as novas tecnologias em curso, as redes sociais, por exemplo, estão retirando
das pessoas o direito sagrado da leitura, transformando-as em passivos
consumidores de imagens, de informações recortadas, descontextualizadas, a
serviço de um projeto de poder atravessado por ideias de esvaziamento completo
das utopias transformadoras. Como
revolucionar o saber quando se sabe que raros são os municípios que possuem
livrarias, bibliotecas públicas, restando somente algumas escolas com
bibliotecas precarizadas, obras literárias ultrapassadas, porém, pouco
visitadas pelos estudantes.
Se
não há livrarias e bibliotecas, ou se caso existam e são pouco visitadas, é
preciso, portanto, construir o hábito de as pessoas transitarem por esses
espaços. Uma estratégia comprovadamente relevante para o estímulo a leitura são
as feiras do livro, das quais integram o rol de atividades culturais executadas
por muitos municípios brasileiros durante o ano. Esse é o momento, onde editoras, livrarias,
podem proporcionar ao público visitante oportunidades de acesso a obras
literárias de gêneros distintos. Além do
mais, as feiras se revelam como espaço fecundo para reunir escritores locais,
onde, além de expor suas obras, promovem rico diálogo entre seus pares e o
público visitante.
| Foto - Jairo |
| Foto - Jairo |
Esse
modelo de feira na qual destaquei acima pude constatar na 19 feira do livro que
está ocorrendo no município de Criciúma entre os dias 11 a 25 de julho de 2026.
Durante os dois dias que eu e minha companheira lá estivemos expondo nossas
obras, constatei que a respectiva feira
extrapola o campo literário, abrangendo outras vertentes culturais locais e
regionais, como a música, a dança, o teatro, o folclore etc. Durante o dia,
centenas de crianças e adolescentes caminham freneticamente, como pássaros batuíras,
pelos corredores da feira, ansiosos para escolher um ou mais livros que lhes
agradem.
O
que mais chamou a atenção na feira foi o semblante das crianças, exibindo forte
entusiasmo quando saiam da livraria com seus livros embaixo do braço. Descobri
que todas as escolas do município de Criciúma, as municipais, os estudantes
receberam um Voucher no valor de 15 reais, valor que lhes permitiam trocar por
livro/as do seu interesse. Também os professores eram agraciados por um voucher
de 45 reais. Questionei a organização da feira acerca desse voucher, a partir
de que edição da feira passou a ser concedido? A resposta que recebi foi que o
voucher é oferecido desde a primeira edição.
Uma
iniciativa desta que considero tão relevante merece uma reflexão mais
aprofundada, principalmente acerca do seu impacto no desenvolvimento das
habilidades intelectuais dos estudantes no decorrer do ensino fundamental,
nível esse de responsabilidade dos municípios. Independente do resultado,
porém, acredito que seja positivo, essa estratégia de feira, ou mesmo sem
voucher, poderia inspirar todos os gestores dos demais municípios da AMREC e
AMESC, para que também incluíssem no seu calendário de atividades anuais, e que
permanecesse como política de estado.
Prof.
Jairo Cesa
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