DIA MUNDIAL DA ÁGUA TEM DE SER TODOS OS DIAS
Já
é habitual o dia 22 de março quase todas as mídias brasileiras se aproveitarem
do momento para dedicar atenção especial ao tema água e os problemas envolvendo
esse recurso finito. O que se ouve ou lê nas páginas desses veículos noticiosos
são reportagens geralmente repetitivas ou cópias dos anos anteriores, com
denúncias sobre o aumento da degradação dos mananciais hídricos; das dificuldades
dos governos e comitês de bacias em concretizar seus planos de gestão de
recursos hídricos, etc, etc. Tornou-se também hábito, jornais trazerem cadernos
especiais sobre a água, reportando situações calamitosas de mananciais ou um
conjunto de bacias hidrográficas afetadas por diversos agentes poluidores.
Se
crianças, por ventura, forem questionadas sobre a situação da água no planeta
ou no seu bairro, rapidamente responderá que o cenário é bastante crítico. Dirá
também que é preciso preservar, se consciência de que, por ser um recurso
finito, vai faltar muito antes do que se imagina. Nos últimos tempos quais são as noticias que
mais ocuparam o tempo nos teles jornais diários, além, é claro, da violência? Aqui
estão alguns exemplos: estiagem; racionamento de água; volume morto nas
hidrelétricas; desmatamento irregular; esgoto contaminando mananciais; rompimento
de barragens contendo produtos tóxicos; etc, etc. Não é mesmo? Portanto, são
todos problemas previsíveis e que estão se repetindo a todo instante. Afinal
todos esses problemas citados têm alguma relação antrópica, ou seja, influência
humana?
Não
bastam apenas atos isolados de sensibilização sobre preservação da água,
reunindo professores, estudantes, autoridades municipais, entre outros. Isso já
virou quase um condicionamento, ato instintivo, tanto na semana do meio
ambiente, dia da árvore, dia da água e outras datas significativas. Por que se
faz necessária a critica? Durante os demais dias do ano, tem-se a sensação de
que tudo que foi discutido ou desenvolvido nessas datas especiais não alterou
em nada as atitudes depredatórias no ambiente escolar e fora dele. São
necessários anos para construir hábitos de comportamento saudáveis. A escola
tem um papel importante e desafiador, porém, essa tarefa deve ser compartilhada
com toda a sociedade.
A
razão pela qual os problemas ambientais relacionados aos recursos hídricos estarem
se avolumando a cada ano, tais patologias estão associadas ao modelo
mercantilista que esse produto assumiu e vem assumindo ultimamente. Pelo ponto
de vista de algumas culturas como as indígenas, a água é concebida como um
elemento sagrado, cuja proteção garante a harmonização com as forças da
natureza. Para as demais culturas secularizadas, a água nada mais é que um
produto disponível no mercado, na relação oferta e procura. Aqui pode estar a
resposta que explica por que 4,1% (12 rios) possuem qualidade boa, entre os 230
diagnosticados nos 17 estados que integram a mata atlântica. São 222 rios, ou seja, 75,5%, com qualidade
regular, e 60 rios, (20%), cuja água não apresenta qualidade insuficiente todo
tipo de uso, sendo rios considerados quase que mortos. O rio Araranguá ou a bacia do Rio Araranguá
pode estar inserido nesse patamar dos 20%.
Diante
desse quadro quase catastrófico relativo aos recursos hídricos, a região que
congrega as bacias do rio Araranguá, Urussanga e Mampituba/lado catarinense,
vem se empenhando para reverter às demandas ambientais que tornam o extremo sul
de santa Catarina uma das mais críticas do Estado. Além dos resíduos oriundos
do carvão mineral, todo o complexo hídrico da região, superficial e
subterrâneo, sofre outros efeitos contaminantes provenientes do esgotamento
sanitário, extração de seixos, desmatamento e o uso abusivo de agrotóxico. A
agricultura/rizicultura, também, vem se revelando como um dos pivôs de freqüentes
conflitos pela disputa dá água com outros seguimentos da economia regional.
Do
volume total dos 54% da água utilizada na agricultura em todo o estado, na
região do extremo sul de Santa Catarina o índice destinado à atividade agrícola
ultrapassa os 41%. Se não houver o equilíbrio da demanda de água na região do
extremo sul, bem como o cumprimento de todos os dispositivos descritos no plano
de gestão de recursos hídricos do Comitê da Bacia do Araranguá, é quase certo
que num futuro bem próximo os integrantes do comitê, terão que se dedicar quase
que exclusivamente em apaziguar conflitos envolvendo disputas por esse recurso.
As
expectativas relacionadas à água para a região não são nada otimistas para os
próximos anos, estando o líquido, a cada dia, se tornando mais limitado e com
pouca qualidade para o consumo. Estão sendo cada vez mais freqüentes os ciclos de
estiagens prolongadas com efeitos negativos nas recargas dos aqüíferos que
alimentam o complexo hídrico da região. O descuido com os mananciais de
abastecimento público, bem como dos reservatórios superficiais de água doce,
como as lagoas da Serra, Caverá e Sombrio, que continuam sendo antropizadas,
poderá levar Araranguá e os municípios que integram todo esse complexo hídrico
a seguirem o mesmo caminho de cidades como São Paulo e outras do restante do
Brasil que estão sob os efeitos de uma política de racionamento de água.
Prof.
Jairo Cezar
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