FRAUDES NO PROGRAMA “UNIVERSIDADE
GRATUÍTA” EM SANTA CATARINA
Penso que jamais sairá da memória os
que estiveram na ALESC no dia 01 de dezembro de 2021, a acompanharam as
investidas dos/as deputados/as inserindo no texto do projeto de reforma
previdenciária do estado, o desconto de 14% dos/as milhares de servidores/as
que haviam contribuído para a previdência durante o seu tempo de trabalho. Na
época, o governador era Carlos Moisés, também suspeito de estar envolvido no
esquema da compra dos 200 respiradores, porém foi absolvido por falta de
provas.
O fato é que embora todos os 200
equipamentos tenham sido pagos antecipadamente com recursos públicos, somente
50 foram entregues ao Estado. As sete pessoas denunciadas de envolvimento no
esquema, foram absolvidas, porém, até hoje respondem por outros crimes, como de
estelionato e lavagem de dinheiro. Na época, parlamentares haviam protocolado
pedido de impeachment ao governador, mas foi absolvido em sessão na ALESC. Com o
término do mandato de Carlos Moises, novas eleições ocorreram, tendo a cadeira
do executivo ocupada pelo ex-deputado federal do PL, Jorginho Mello, que venceu
a eleição no segundo turno enfrentado o petista Décio Lima.
Quando Jorginho assume o governo uma
de suas primeiras medidas foi executar promessas de campanha, sendo uma delas, a
criação do programa universidade gratuita, sistema onde o Estado transferiria
recursos públicos para as instituições particulares, que posteriormente seriam
oferecidas as pessoas de baixa renda em forma de bolsas. A proposta rendeu críticas
de muitos segmentos, principalmente do Sindicato do Trabalhadores em Educação
de Santa Catarina -SINTE, que se opunha à proposta, porque a função
constitucional do Estado é investir naquilo que é de sua atribuição, saúde,
segurança, saneamento e, principalmente, educação pública básica e superior,
nesse caso a UDESC.
É claro que na época havia uma forte
pressão das instituições universitárias vinculadas a ACAFE como de mais de uma
dezena de particulares, todas requerendo maior fatia de recursos do Estado. A Associação
Catarinense de Fundações Educacionais – ACAFE, era presidida pela, na época, reitora
da UNESC e que atualmente é secretaria estadual da educação. Naquele momento a participação
da reitora da UNESC e presidente da ACAFE foi decisiva no sucesso da proposta,
vindo a ser mais tarde, cabo eleitoral na campanha vitoriosa do atual
governador. Mesmo com toda a pressão contrária à proposta
de universidades particulares bancadas por dinheiro público, em 2023 a proposta
foi aprovada na ALESC por unanimidade.
Como era de se imaginar, diante de
tantas irregularidades já ocorridas no estado envolvendo destinação de recursos
públicos, como o caso dos 200 respiradores, dois anos após a execução do
programa universidade gratuita, veio a bomba, investigações confirmaram que
vinte mil pessoas que receberam bolsas haviam sido denunciadas por práticas de fraudes
ao programa. Há casos considerados estarrecedores, por exemplo, de 1200 milionários
contemplados, de existir 19 famílias com renda igual ou superior a 200 milhões
de reais. Essas 19 famílias, somando-se todos os bens delas, a renda ultrapassa
os 7 bilhões de reais.
Afinal como aconteceram tais fraudes?
Há indícios de que pessoas dentro das instituições superiores estariam fazendo vistas
grossas para a aprovação dos candidatos fora dos critérios estabelecidos pelos
editais do programa, que é ser de baixa renda. E agora, como fica essas
instituições incluídas nas listas de fraudes, e os contemplados que fraudaram, perderão
as bolsas e sofrerão sansões judiciais?
É injusto um estado que ainda possui mais
de 30 escolas sem água potável e outras centenas em condições estruturais
deploráveis, ter um governo que em vez de presar o que é público, passa
beneficiar milionários com os impostos dos trabalhadores. Esse dinheiro também,
quase dois bilhões previstos para o programa, vem dos 14% sequestrados dos/as servidores/as
aposentados/as com a reforma previdenciária em 2021.
Prof. Jairo
Cesa
Nenhum comentário:
Postar um comentário