A AMERICA LATINA
PERMANECE COM SUAS VEIAS ABERTAS AO NEOCOLONIALISMO PREDADOR
Dessa vez decidi começar esse texto
apresentando o seguinte pensamento: “Devemos inventar o futuro, não o aceitar.
Não temos que nos resignar as fatalidades do destino, porque a história pode
nascer de novo a cada dia”. Essa frase foi escrita pelo uruguaio Eduardo
Galeano, o escritor da celebre obra as veias abertas da américa latina, que se
tornou livro obrigatório aos leitores latino-americanos, para evitar que nossas
riquezas, nossa soberania, jamais seja entregue a governos ou nações
sanguessugas, que se forjaram às custas do empilhamento e a morte de milhões de
pessoas.
A realidade é que a América Latina
jamais se libertou desse jugo dominador, primeiro dos colonizadores espanhóis e
portugueses, depois dos ingleses, franceses...e, por último, dos Estados
Unidos, que vem mantendo suas garras afiadas aqui a partir do começo do século
XX. Dezenas de governos que tentaram algum ensaio de autonomia econômica e
política se frustraram, sendo destituídos do cargo por meio de golpes violentos,
tendo o apoio logístico e militar do grande império do norte.
Voltando a obra de escritor Eduardo
Galeando, ele deixa claro que o desenvolvimento das muitas nações europeias foi
forjado com a espoliação das colônias, principalmente das possessões espanholas
e portuguesas da américa. Ouro, prata, cobre, salitre, café, cana de açúcar,
algodão, cacau, entre outras dezenas de produtos não manufaturados, extraídos
com força de trabalho escravo e enviados para as metrópoles, deixaram um legado
de miséria, de atraso econômico e cultural, no qual perdura até os dias de
hoje.
O único exemplo de nação
latino-americana que se libertou do mando imperialista norte americano foi
Cuba, com a sua revolução em 1958. Entretanto, tal autonomia custou e vem
custando muito caro ao povo da ilha caribenha, que desde a sua libertação o
país sofre um insano embargo econômico, patrocinado pelos Estados Unidos. Nas décadas de 1960 e 1970 outros países latino-americanos
também ensaiaram suas revoluções libertadoras para pôr fim a subjugação externa,
como o Chile, Argentina, Uruguai e o Brasil. Talvez algumas dessas nações não
pretendessem de fato seguir o exemplo cubano, de inserção do socialismo, e sim
promover reformas de base de caráter popular sem romper com o capitalismo.
O resultado de tais ousadias todos
sabemos, golpes políticos sanguinários, como do Chile, que levou ao poder o
ditador Augusto Pinochet. A Argentina e o Brasil também tiveram seus governos
eleitos democraticamente destituídos do poder por forças militares. Na época, a
imprensa e outros segmentos da elite econômica, política e religiosa, atuaram
ininterruptamente, construindo narrativas falsas de que esses países estavam articulando
a instauração o comunismo, como se o comunismo fosse um monstro demoníaco a ser
execrado do imaginário social latino-americano a tudo custo.
Mesmo com a redemocratização dos
países do cone sul, a exemplo do Brasil, o fantasma do golpismo sempre rondou
os bastidores dessas débeis democracias. Um dos motivos talvez, se deve ao fato
de não ter sido os generais golpistas levados aos bancos dos réus e
sentenciados, como fizeram os argentinos. O que chama atenção, no caso brasileiro,
é que permanecemos até hoje como nação colonial, especializada em exportação de
comodities e importação de manufaturados. Vendemos minerais para a China,
Estados Unidos, preços módicos, que são transformados em equipamentos bem
elaborados, onde compramos com valores agregados, ou seja, bem mais caro.
Até a primeira década do século XXI,
os Estados Unidos se mantinham como nação soberana no comércio mundial. A
China, no entanto, impulsionada pelo partido comunista, entra no cenário global
como nação em condições de competir em igualdade com os Estados Unidos. O
resultado disso é o que vemos no momento, uma forte disputa comercial, com as
taxações de produtos de ambos os lados.
As tensões comerciais entre as duas
potências se tornaram mais evidentes com o segundo mandato de Donald Trump,
como presidente dos Estados Unidos. Com a sua promessa de campanha de tornar os
Estados Unidos grande novamente, o que ele vem fazendo é taxando produtos
importados, não só China, mas de quase todas as nações do globo. Nesse confuso
cenário econômico, é obvio que os que serão mais prejudicados serão de fato os
países que têm a sua economia baseada na exportação de comodities, a exemplo do
Brasil.
Até então, não havia rumores de que o
Brasil pudesse sofrer taxações elevadas dos Estados Unidos, isso porque o
comercio entre ambos garante superavit a nação do norte em relação ao Brasil.
Os últimos acontecimentos, como a reunião dos BRICS no Rio de Janeiro e o episódio
envolvendo a possível condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, colocou o
governo brasileiro no meio do fogo cruzado das tarifas comerciais.
De repente chega ao Brasil notícias
de taxação de 50% de todos os produtos brasileiros exportados para os Estados
Unidos a partir do dia 01 de agosto de 2025. O que foi divulgado é que a
decisão do presidente norte americano de taxar os produtos brasileiros teria
sido motivado por interferência do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente
brasileiro, Jair Bolsonaro. Há suspeitas de que o deputado tenha intercedido
junto ao governo americano, para que a elevação das taxas fosse interpretada como
chantagem contra o governo brasileiro, para que fosse favorável a anistia aos
envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro.
Sem excluir a possível interferência
do interlocutor, o deputado, filho do ex-presidente brasileiro Bolsonaro, no
episódio da elevação das taxações de produtos brasileiros, o comportamento
demonstrado pelo governo americano ao Estado brasileiro, foi nitidamente entendido
como que se aqui fosse uma republiqueta de quinta categoria. O pedido ao
governo brasileiro para que interferisse no judiciário, Suprema Corte, retirando
do cargo o juiz, Alexandre de Morais, beirou o absurdo dos absurdos, de um
estadista que se revela nitidamente um narcisista autoritário.
A postura do presidente brasileiro de
resistir às pressões de segmentos vinculados à imprensa entreguista e grupos
extremistas pró Bolsonaro, de não se curvar ao império em decadência, foi um
sinal positivo de defesa da nossa soberania. Devemos, portanto, ficar atentos
ao que virá, mais atento ainda ao processo político em 2026, quando será reeleito
o atual presidente ou eleito um novo presidente da república. A atitude de
subserviência da extrema direita frente ao império americano, não pode jamais
ser aceito pelos que acreditam na nossa soberania.
O congresso nacional, cuja maioria
dos parlamentares, comungam com esse ideal entreguista, já estão preparando o
terreno para deixar as veias da nossa pátria cada vez mais expostas aos
predadores mercados do norte global. A flexibilização do licenciamento
ambiental, a aprovação do marco temporal, são estratégias que visam facilitar a
espoliação das nossas riquezas, e o imperialismo ianque sabe muito bem disso.
Prof. Jairo Cesa
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