sexta-feira, 1 de agosto de 2025

 

A AMERICA LATINA PERMANECE COM SUAS VEIAS ABERTAS AO NEOCOLONIALISMO PREDADOR




Dessa vez decidi começar esse texto apresentando o seguinte pensamento: “Devemos inventar o futuro, não o aceitar. Não temos que nos resignar as fatalidades do destino, porque a história pode nascer de novo a cada dia”. Essa frase foi escrita pelo uruguaio Eduardo Galeano, o escritor da celebre obra as veias abertas da américa latina, que se tornou livro obrigatório aos leitores latino-americanos, para evitar que nossas riquezas, nossa soberania, jamais seja entregue a governos ou nações sanguessugas, que se forjaram às custas do empilhamento e a morte de milhões de pessoas.

A realidade é que a América Latina jamais se libertou desse jugo dominador, primeiro dos colonizadores espanhóis e portugueses, depois dos ingleses, franceses...e, por último, dos Estados Unidos, que vem mantendo suas garras afiadas aqui a partir do começo do século XX. Dezenas de governos que tentaram algum ensaio de autonomia econômica e política se frustraram, sendo destituídos do cargo por meio de golpes violentos, tendo o apoio logístico e militar do grande império do norte.

Voltando a obra de escritor Eduardo Galeando, ele deixa claro que o desenvolvimento das muitas nações europeias foi forjado com a espoliação das colônias, principalmente das possessões espanholas e portuguesas da américa. Ouro, prata, cobre, salitre, café, cana de açúcar, algodão, cacau, entre outras dezenas de produtos não manufaturados, extraídos com força de trabalho escravo e enviados para as metrópoles, deixaram um legado de miséria, de atraso econômico e cultural, no qual perdura até os dias de hoje.

O único exemplo de nação latino-americana que se libertou do mando imperialista norte americano foi Cuba, com a sua revolução em 1958. Entretanto, tal autonomia custou e vem custando muito caro ao povo da ilha caribenha, que desde a sua libertação o país sofre um insano embargo econômico, patrocinado pelos Estados Unidos.  Nas décadas de 1960 e 1970 outros países latino-americanos também ensaiaram suas revoluções libertadoras para pôr fim a subjugação externa, como o Chile, Argentina, Uruguai e o Brasil. Talvez algumas dessas nações não pretendessem de fato seguir o exemplo cubano, de inserção do socialismo, e sim promover reformas de base de caráter popular sem romper com o capitalismo.

O resultado de tais ousadias todos sabemos, golpes políticos sanguinários, como do Chile, que levou ao poder o ditador Augusto Pinochet. A Argentina e o Brasil também tiveram seus governos eleitos democraticamente destituídos do poder por forças militares. Na época, a imprensa e outros segmentos da elite econômica, política e religiosa, atuaram ininterruptamente, construindo narrativas falsas de que esses países estavam articulando a instauração o comunismo, como se o comunismo fosse um monstro demoníaco a ser execrado do imaginário social latino-americano a tudo custo.

Mesmo com a redemocratização dos países do cone sul, a exemplo do Brasil, o fantasma do golpismo sempre rondou os bastidores dessas débeis democracias. Um dos motivos talvez, se deve ao fato de não ter sido os generais golpistas levados aos bancos dos réus e sentenciados, como fizeram os argentinos. O que chama atenção, no caso brasileiro, é que permanecemos até hoje como nação colonial, especializada em exportação de comodities e importação de manufaturados. Vendemos minerais para a China, Estados Unidos, preços módicos, que são transformados em equipamentos bem elaborados, onde compramos com valores agregados, ou seja, bem mais caro.

Até a primeira década do século XXI, os Estados Unidos se mantinham como nação soberana no comércio mundial. A China, no entanto, impulsionada pelo partido comunista, entra no cenário global como nação em condições de competir em igualdade com os Estados Unidos. O resultado disso é o que vemos no momento, uma forte disputa comercial, com as taxações de produtos de ambos os lados.

As tensões comerciais entre as duas potências se tornaram mais evidentes com o segundo mandato de Donald Trump, como presidente dos Estados Unidos. Com a sua promessa de campanha de tornar os Estados Unidos grande novamente, o que ele vem fazendo é taxando produtos importados, não só China, mas de quase todas as nações do globo. Nesse confuso cenário econômico, é obvio que os que serão mais prejudicados serão de fato os países que têm a sua economia baseada na exportação de comodities, a exemplo do Brasil.

Até então, não havia rumores de que o Brasil pudesse sofrer taxações elevadas dos Estados Unidos, isso porque o comercio entre ambos garante superavit a nação do norte em relação ao Brasil. Os últimos acontecimentos, como a reunião dos BRICS no Rio de Janeiro e o episódio envolvendo a possível condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, colocou o governo brasileiro no meio do fogo cruzado das tarifas comerciais.

De repente chega ao Brasil notícias de taxação de 50% de todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos a partir do dia 01 de agosto de 2025. O que foi divulgado é que a decisão do presidente norte americano de taxar os produtos brasileiros teria sido motivado por interferência do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. Há suspeitas de que o deputado tenha intercedido junto ao governo americano, para que a elevação das taxas fosse interpretada como chantagem contra o governo brasileiro, para que fosse favorável a anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro.

 

Sem excluir a possível interferência do interlocutor, o deputado, filho do ex-presidente brasileiro Bolsonaro, no episódio da elevação das taxações de produtos brasileiros, o comportamento demonstrado pelo governo americano ao Estado brasileiro, foi nitidamente entendido como que se aqui fosse uma republiqueta de quinta categoria. O pedido ao governo brasileiro para que interferisse no judiciário, Suprema Corte, retirando do cargo o juiz, Alexandre de Morais, beirou o absurdo dos absurdos, de um estadista que se revela nitidamente um narcisista autoritário.

A postura do presidente brasileiro de resistir às pressões de segmentos vinculados à imprensa entreguista e grupos extremistas pró Bolsonaro, de não se curvar ao império em decadência, foi um sinal positivo de defesa da nossa soberania. Devemos, portanto, ficar atentos ao que virá, mais atento ainda ao processo político em 2026, quando será reeleito o atual presidente ou eleito um novo presidente da república. A atitude de subserviência da extrema direita frente ao império americano, não pode jamais ser aceito pelos que acreditam na nossa soberania.

O congresso nacional, cuja maioria dos parlamentares, comungam com esse ideal entreguista, já estão preparando o terreno para deixar as veias da nossa pátria cada vez mais expostas aos predadores mercados do norte global. A flexibilização do licenciamento ambiental, a aprovação do marco temporal, são estratégias que visam facilitar a espoliação das nossas riquezas, e o imperialismo ianque sabe muito bem disso.

Prof. Jairo Cesa                    

 

https://socializandopedagogias.wordpress.com/wp-content/uploads/2023/08/as-veias-abertas-da-america-latina-eduardo-galeano.pdf

https://www.brasil247.com/blog/aplicacao-da-lei-magnitsky-contra-alexandre-de-moraes-e-uma-agressao-imperialista-a-soberania-brasileira

 

 

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