QUAL A RELAÇÃO DO DESCONGELAMENTO
NA ANTÁRTICA COM AS SEVERAS TEMPESTADES E CHUVAS TORRENCIAIS NO SUL DO BRASIL?
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O
programa “Fantástico” da rede Globo exibiu no dia 12 de maio de 2019 reportagem intrigante sobre o clima no
planeta, onde revelou que suas mudanças extremas em todo o globo têm relação
sim com a ação humana. Tal certeza foi possível analisando alterações que estão
ocorrendo nos ecossistemas do continente antártico devido à perda vertiginosa
da cobertura de gelo das calotas. Na antártica foram feitas coletas de
fragmentos de gelo de centenas de metros
de profundidade através de equipamentos especiais. Quanto maior a profundidade
do gelo mais antigo ele é.
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Nos
fragmentos de gelo recolhidos foram identificadas pequenas bolhas de ar da atmosfera
de tempos passados. Quanto mais
profundo, que demonstra ser mais primitiva a atmosfera, mais estável era a
concentração de CO2 nas bolhas de ar. Próxima a superfície, as bolhas de ar
apresentavam uma concentração maior de CO2 que as identificadas nas profundas
camadas. A resposta dessa elevação de gás carbônico nas bolhas de ar se deve ao
aumento da queima de combustíveis fósseis, carvão e petróleo, a partir da
revolução industrial e que continua em ritmo acelerado.
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Sobre
as mudanças climáticas, a ONU apresentou um completo relatório inédito que teve
a participação de 145 especialistas, de 50 países. Os pesquisadores elaboraram
um total de 15 mil estudos que comprovaram que cerca de um milhão de espécies
da fauna e da flora estão na lista de extinção. As savanas da África e a
floresta amazônica ambas já perderam 20% da sua biodiversidade nos últimos cem
anos. Se o continente antártico é o mais
afetado pelos efeitos do aquecimento, seus impactos no clima do planeta já são
percebidos a começar pelo próprio continente gelado, que mostra haver redução
da população de algumas espécies de pingüins.
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Na
península antártica onde está a estação brasileira Antártica, na ilha de São
Jorge, conforme estudos realizados, a cada ano há um recuo de aproximadamente
10 metros de gelo dessa parte da antártica. Em todo o continente cuja área
equivale uma vez em meia o tamanho do território brasileiro o derretimento do
gelo está sendo 6 (seis) vezes mais rápido
que nos últimos quarenta anos. Para provar que a antártica sofre com o
calor, entre 1970 a 1989, o continente perdeu 40 bilhões de toneladas de gelo.
Esse volume, porém, foi muito maior em 2009 quando o calor derreteu 252 bilhões
de toneladas.
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Se
esse ritmo de degelo permanecer, nos próximos 500 anos o nível do mar irá
se elevar a seis metros. Os impactos da
elevação do nível do mar já estão sendo sentidos atualmente no Brasil e outras
partes do planeta, com regiões costeiras e ilhas invadidas pela água do mar.
Além do aumento do volume dos oceanos, os efeitos climáticos extremos como
tempestades, enxurradas e estiagens prolongadas, já são uma constante no
Brasil. No futuro, se não houver uma estagnação do aquecimento do clima, locais
como o elevador Lacerda, na Bahia e a beira mar norte em Florianópolis serão
cobertas pela água do mar.
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O
degelo e as alterações climáticas no continente antártico poderão impactar mais
o sul do Brasil que outras áreas do território brasileiro. O furacão Catarina
em 2004 é um exemplo dos reflexos das mudanças extremas do clima. Na reportagem
um pesquisador revelou que as frentes frias que são mais freqüentes no sul do
Brasil no inverno estão mudando o pondo de formação e deslocamento na antártica.
Até há pouco tempo, as frentes frias se
formavam mais a oeste da antártica. Com o degelo, o processo de formação foi
deslocado mais ao sul, numa região conhecida como mar de Weddell. O ar dessa
região é considerado mais frio, em contato com temperaturas mais aquecidas no
sul, provoca reviravoltas extremas do tempo, com ondas de frio elevadas
chegando a atingir o centro oeste e o norte do país.
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A
violenta tempestade que atingiu Porto Alegre em dezembro de 2016 que derrubou
seis mil árvores e mais 40 milhões de prejuízos, as inundações em abril de 2019
na cidade do Rio de Janeiro e as fortes precipitações nas cidades do litoral
sul de Santa Catarina em 24 de maio de 2019, cujo volume de água chegou próximo
a 300 mm em 24 horas, devem ser vistas com um olhar mais atendo pelas
autoridades e governos que insistem em negar que tudo isso tem relação com as
mudanças do clima global.
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https://www.nsctotal.com.br/noticias/chuva-forte-causa-transtornos-em-cidades-do-sul-de-santa-catarina |
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Em
menor escala que os países industrializados o Brasil tem contribuído com a
derrubada e queimada das florestas na emissão de CO2 a atmosfera. Nas últimas
COP (Conferência das Partes sobre o Clima) o Brasil tem sido decisivo na
articulação e amarração de acordos com os demais países na redução de gases
poluentes responsáveis pelo aquecimento global. O acordo de Paris, de 2015, se
notabilizou como um dos encontros mais importantes e decisivos sobre o clima já
realizado até o momento. Até mesmo os EUA e outras nações que sempre se negaram
aderir aos protocolos, decidiram engajar-se no cumprimento das metas favoráveis
ao clima global.
O
que não estava previsto era a decisão do presidente norte Americano Trump e
romper com o acordo de Paris, decisão que pode colocar por terra tudo o que se
avançou até o momento. O governo de Bolsonaro vem ensaiando querer seguir o
mesmo caminho de Trump. Embora não tenha decidido ainda abandonar o acordo,
todas as medidas que vem tomando sobre o tema meio ambiente mostram-se
contrárias aquelas acordadas nos encontros de cúpulas, muitas das quais com
resultados satisfatórios na melhoria do clima do país e do planeta.
Pela
importância da presença do país nas conferências sobre o clima, em 2018 o
Brasil foi escolhido para sediar a 25 COP. Entretanto, o governo Bolsonaro
decidiu vetar o evento no país, cujas justificativas não foram convincentes. A
desculpa é que o próprio governo reitera criticas ao acordo de Paris e de que membros do
governo refutam ou minimizam as mudanças climáticas. A saída do Brasil para
sediar o evento, abriu portas para outro país, nesse caso o Chile será o país
anfitrião.
Demonstrando
total ceticismo às mudanças climáticas, o atual governo também decidiu não
participar da Semana Climática America Latina e Caribe, nos dias 19 e 23 de
agosto em salvador, BA, evento que serve como preparativo ao encontro do Chile.
E não terminou por aí a guinada anti-ambiental do governo brasileiro. Em 13 de
maio ocorreu em Lima, Peru, conferência regional da ONU sobre mudanças
climáticas. Na lista de países convidados estava o Brasil por possuir vasta
área constituída de floresta tropical.
A
recusa do governo Brasileiro em não participar gerou questionamento do governo
anfitrião e dos demais participantes, como a presidente do Fundo Para o Meio
Ambiente Mundial, Naoko Ishii. Ela e representante desse fundo que distribui um
bilhão de dólares aos países que lidam com problemas ambientais. Naoko se diz
preocupada com a guinada do Brasil desde Janeiro. Disse que se o Bolsonaro
fizer o que diz, é um risco.
É
visível aos olhos de todos que a postura
negligente do atual governos sobre temas
relacionados às mudanças climáticas tende a acelerar ainda mais os problemas
com perdas humanas e prejuízos financeiros milionários. O custo no cumprimento
dos acordos para a redução do aquecimento tende a ser muito menor comparado com
o que já está sendo gasto na reparação dos desastres ambientais.
Prof. Jairo Cezar
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