O
ATUAL GOVERNO ESTÁ EMPURRANDO A EDUCAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA PARA O PRECIPÍCIO
De
todos os ministérios do atual governo o da educação revelou nos primeiros cem
dias de mandato que os/as profissionais da educação terão pela frente intermináveis
desafios, dentre tantos, o enfrentamento ferrenho contra as políticas de
desmonte em todos os níveis de abrangência possível da educação pública. Desde
os primeiros dias quando se soube o nome do comandante da pasta do MEC, o indicado
gerou apreensão e convicção de um cenário futuro conturbado e de retrocessos. O
ataque aos professores e a incitação para que boslonaristas vigiassem as salas
de aulas, causou inquietação diante do caráter militarista e reacionário, que
fere normativas constitucionais e preceitos do republicanismo, como direito de
expressão e liberdade individual.
O
que é notório é que as instituições públicas como escolas estão entregues ao
comando de uma casta de desqualificados que tendem a tornar mais dramático o
nível de ensino. Como ministro da educação, um dos atos previstos quando
qualquer um estivesse frente da pasta seria mensurar a dimensão dos problemas e
encaminhar ações articuladas com estados e municípios para solucioná-los.
Tomado por surtos de ódio vingança de alguém se mostrando seguidor da cartilha
disciplinadora, militarista e neofascista do governo, como proposta enviada aos
diretores, determinou que filmassem nas escolas e depois enviassem ao MEC, crianças
cantando o hino nacional brasileiro.
Durante
os cem dias de governo Bolsonaro em nenhum momento foi realçado como será
cumprida as metas que ainda faltam do PNE. Políticas de financiamento e gestão
da educação pública são uma delas. Os prazos estabelecidos no plano expiram em
2014, porém até o momento uma ou duas metas foram concluídas. Esse seria o tema
que o governo deveria abraçar junto com a sociedade e não assuntos banais e
argumentos toscos como amputação de pênis por falta higiene, demonstrando o
nível de imbecilidade que domina o alto escalão desse governo.
Para
desviar o foco dos temas relevantes à melhoria da educação, o governo vem
centrando fogo nos professores, culpando-os pelos pífios níveis de escolaridade
dos estudantes brasileiros. Alega o governo que os professores são
doutrinadores, que em vez de ensinar transformaram escolas em espaços de
doutrinação, esquerdização. Inspirados em regimes totalitários, insistem em
desviar a atenção da população defendendo a proposta de escola sem partido, medida
absurda já execrada do debate e arquivada pela justiça.
Nas
inúmeras intervenções do governo em redes sociais ou em entrevistas, sempre
exprime um sentimento de ódio aos professores das escolas públicas, taxando-os
de doutrinadores, manipuladores do pensamento. Limitar ao máximo o acesso a uma
educação crítica demonstra ser prioridade nos quatro anos que estará à frente
do mandato. Todo o acumulo de capital cultural de vertente progressista obtido
nos anos posteriores ao regime militar, tende a se esvaziar criando um vácuo
abissal de retrocesso que necessitará muitas gerações para restabelecer.
Países
que hoje estão nas primeiras posições no ranque em qualidade educacional investem
parcela significativa do PIB nos salários e qualificação dos professores. Desde
o nível infantil à universidade, o Estado é o gestor do ensino. Além de
fortalecer os laços de socialização interpessoal, o ensino escolar possibilita
a construção do espírito de cidadania, de unidade, de nacionalidade, que são
prerrogativas primordiais do republicanismo. Caminhar na contramão desses
preceitos republicanos é defender a educação domiciliar, individualizada, projeto
burguês oitocentista aprovado no congresso e que garante o ensino domiciliar as
famílias brasileiras.
E
não para por aí. Alguns avanços na educação básica como o método de alfabetização
Paulo freire está seriamente comprometido quando setores ultra-reacionárias
alojados no MEC tentam taxá-lo como persona nom grata da sociedade. Renegar uma
celebridade e um método que livrou países da obscuridade e dominação cultural é
renegar a própria evolução da espécie. Imaginar escolas voltando aplicar o
método “be á ba” de ensino e o uso de livros didáticos com lições de exaltação
a família tradicional, a bandeira nacional, a ordem e progresso, ambos de cunho
alienador, é a certeza da repetição e permanência de regimes e governos
retrógrados como os que prevalecem.
O
ataque a áreas importantes do conhecimento como filosofia e sociologia, com
promessa de suprimi-las das universidades públicas, dá o tom ultraconservador
do atual governo em banir do currículo das escolas tais disciplinas
consideradas importantes para a resistência ao plano de alienação cultural em
curso no Brasil. Essa medida insana resultou na reação imediata de centenas de
instituições e de renomados intelectuais espalhados pelo mundo.
Um
abaixo assinado foi formalizado contendo mais de 1100 assinaturas, cujo teor do
documento condena veemente o modo arbitrário do governo brasileiro de criminar
áreas do conhecimento como sociologia e filosofia. A atitude do presidente, de
acordo com o esboço do documento, não condiz com o que pensam as economias
modernas, que não exigem apenas técnicos especializados, mas sim todo um
conjunto de conhecimento acumulados sem criminalizar uma ou outra área do
saber.
Afirmar
que quem desejar estudar sociologia e filosofia tem que pagar do próprio bolso
é uma aberração, mesmo porque fere princípios constitucionais onde assegura ensino
universal e gratuito à tida a sociedade. Excluir áreas do conhecimento do
currículo, independente se é humanas ou exatas, é passivo de ação judicial para
punir os autores de tamanho absurdo. O que causou mais indignação dos reitores
das universidades públicas e institutos federais foi saber que em 2018 o
ex-presidente Temer havia sancionado a Medida Provisória 95 congelando por 20
anos gastos com educação e saúde.
Há
poucos dias o ministro da educação deu demonstrações óbvias de seu maléfico
plano desestruturaste do ensino público superior. Usando como justificativas os
episódios ditos pelo ministro como “balbúrdias” ocorridas em três universidades
públicas, decidiu unilateralmente punir todas as demais instituições e institutos
federais bloqueando 30% do montante de recursos a qual teriam direitos em lei. Com
o corte ou contingenciamento desses recursos, a tendência é o engessamento do
ensino, pesquisa, podendo até resultar o fechamento das portas das mesmas,
desabafou o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina.
Se
o ex-ministro da educação de Bolsonaro foi exortado do cargo por comportamentos
ridículos que envergonharam brasileiros e estrangeiros, como pedir para que
diretores filmassem estudantes cantando o hino nacional, o atual não ficou muito
atrás em matéria de despreparo e pouco conhecimento da realidade educacional
brasileira. Há poucos dias falando sobre a avaliação do rendimento dos
estudantes e a possibilidade de incluir também o segundo ano no processo
avaliativo, disse, erroneamente, que o custo dessa iniciativa seria muito
baixo, somente quinhentos mil reais. Mais tarde voltou atrás, ratificando a
resposta, porque alguém lhe esclareceu que o custo real é de quinhentos milhões
de reais e não quinhentos mil reais.
A
reduzida capacidade intelectual e técnica demonstrada por integrantes do atual
governo revelam o abismo que tende a se aprofundar a educação se decisões
esdrúxulas como a supressão do ensino da sociologia e filosofia das
universidades públicas. O uso repetido e desconexo de expressões como
ideologização e comunismo pelo governo, vem intoxicando milhões de cérebros desatentos
e desprovidos de um mínimo de embasamento conceitual aceitável desses termos.
Pode até demorar, porém é impossível uma sociedade permanecer passiva por longo
tempo, diante de tantos absurdos, mentiras. Lutar pela escola pública ainda nos
dá esperança de que somente a educação poderá nos livrar de um possível
apocalipse cultural.
Aí
está a resposta das temíveis investidas do governo à educação pública. Controlar
os currículos e os professores das instituições públicas de ensino,
historicamente foram os alvos preferidos dos regimes totalitários. E por que
será? Uma educação que prega valores conservadores burgueses, enaltecendo a
família tradicional, o patriotismo e a religião, são formas dissimuladas para a
reafirmação das elites sobre os demais estratos sociais.
As
atuais investidas do governo contra professores, métodos e teorias de ensino,
estão alcançando dimensões inimagináveis a ponto de a sociedade estar
questionando conceitos elementares como a própria lei da gravidade e a
racionalidade humana. Não demorará muito tempo em que veremos pessoas
orgulhosas queimando pilhas e pilhas de livros em praça públicas, acreditando
que tais atitudes os livrariam de se tornarem anti-sociais e infelizes. Alguém
duvida? No passado muita gente matou e morreu em nome de fé cega e doentia.
Quem
são esses que se dizem guiados por forças divinas a ponto de sentirem no
direito de decidir o que é certo e errado, até mesmo de sentenciarem à fogueira
os “pecadores” que relutarem questionar a existência e verdade de “deus”, pois
ele está acima de tudo e de todos.
Prof.
Jairo Cezar
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