OS
ARQUÉTIPOS DA VIOLÊNCIA SOCIAL ESTÃO NOS GESTOS E ATITUDES TRANSMITIDOS PELOS SEUS LIDERES
O ato violento ocorrido
em uma escola pública na cidade de Suzano que vitimou 10 jovens não pode ser
entendido como um episódio isolado, desconexo de outros episódios convergentes.
Esse é o terceiro ocorrido no Brasil nos últimos anos, ao contrário dos Estados
Unidos que está se tornando rotina. Interpretar tais ocorridos à luz das várias
ciências como sociologia e a psicologia se torna quase uma necessidade. A pergunta
é o que leva jovens entrarem em escolas e tirarem a vida de outros de um modo
tão macabro como o de Suzano?
Deixa
explícito nas cenas exibidas que o ato cometido havia forte sentimento de ódio
contra aquela escola. Sem entrar em detalhes se os jovens assassinos tinham ou
não histórico bom ou ruim naquela escola, pois lá estudou, o que importa aqui é
entender o que está acontecendo com a educação das crianças no campo doméstico
e escolar. Onde está os nexos causais para tanta violência, tanta brutalidade?
Seria
o ato, reflexo de um campo energético negativo que permeia o inconsciente
coletivo? A família, a frágil estrutura
das escolas, os governos omissões no cumprimento de políticas educacionais como
o PNE, são essas e outras tantas, demonstrações claras que o ambiente escolar
vem se transformando no principal catalisador de uma crise social sem
precedente.
Recorrer
a certas teorias na tentativa de explicações a tais comportamentos insanos é o
que deve acontecer para reverter possível patologia social que insiste em
permanecer. Vasculhar os escritos de
Jung, trazendo à luz do debate os arquétipos simbólicos, tende a ser necessário
para apontar explicações do modo como o inconsciente coletivo se manifesto no
processo de individuação. Em todas as culturas, a atividade lúdica, ou seja, o
brinquedo é um dos instrumentos utilizados para a sua representação do mundo
real, onde contribui para o amadurecimento dos processos neurológicos e
emocionais.
Ultimamente,
esses ritos de passagem do campo lúdico (fantasia) para o real (adulto), está
se tornando traumático com seqüelas neurológicas irreversíveis. As crianças já
na tenra idade se vêem enclausuradas em seus cubículos domésticos, solitárias,
recorrem a suportes artificiais para suportar as frustrações recorrentes. Paulatinamente
vão construindo conceitos de mundo a partir de imagens e sensações captadas
pelos órgãos dos sentidos, a exemplo dos olhos, órgão mais ativado dentre os
demais. Na cultura do consumismo em massa, as crianças e adolescentes desde
cedo são impelidas a idealizarem seus heróis e super-heróis fictícios, muitos
dos quais forjados a partir de personagens aculturados.
Num
mundo tumultuado e desacreditado, cuja violência prevalece com mais veemência em
locais desassistidos pelo Estado, é claro que os heróis personalizados pelos desatentos
jovens são moradores do próprio bairro, do morro, chefes de milícias, bandidos,
traficantes, entre outros. A criança,
nesses espaços fétidos, sua infância é roubada já ao nascer. Em vez de objetos
lúdicos, bolas, carrinhos, bonecas, etc, o contato são com fuzis, revolveres,
drogas, tudo aquilo que mata, que devassa sua psique, sua família, sua educação.
Se o seu mundo é permeado pela violência, por bandidos ostentando aquilo que
não se terá no mundo real, é claro que a tendência desses meninos e meninas é querer
se espelhar nesses arquétipos.
O
futebol é sem dúvida o esporte onde crianças tendem a se espelhar em jogadores
que simbolicamente os vêem como ídolos. No instante que esses ídolos assumem
qualquer postura, positiva ou negativa, as crianças e os jovens tendem a
repeti-los como uma extensão do seu eu simbólico. Na musica, na política, também
é diferente. Um exemplo de irresponsabilidade e que ser um dos motivos de atos
violentos replicados no país inteiro é o arquétipo/gesto criado pelo presidente
da república quando ainda candidato.
O
movimento dos braços e das mãos como se estivem empunhando arma de fogo passou
a ser o gesto repetido principalmente pelas crianças. É possível que tais arquétipos
não tenham qualquer relação com o que ocorreu em Suzano. Entretanto, devemos
prestar atenção, principalmente aqueles que têm suas imagens largamente expostas
ao público, de estar sempre atentos ao que expressam oralmente ou sob a forma
de gestos. Por trás de pequenos e talvez ingênuos gestos, podem estar implícitos
sentimentos de ódio, de rancor, que se transformam em estopins de atos bárbaros
que esfacelam vidas humanas.
Prof. Jairo Cezar
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