MINISTRO DA EDUCAÇÃO SEGUE FIEL A
CARTILHA DE DESMONTE DA EDUCAÇÃO PÚBLICA DO GOVERNO BOSLSONARO
Uma
das primeiras medidas de Ricardo Vélaz Rodrigues no ministério da educação de
Bolsonaro já demonstrou seu descompromisso e descaso com demandas emergentes no campo infraestrutura afetando mais de 90% das
escolas públicas espalhadas pelo Brasil. Um governo que se mostra mais
preocupado com temas patrióticos de cunho ideológico conservador, como hastear bandeira
e cantar o hino nacional nas escolas, contradiz com o seu discurso de campanha
de querer revolucionar a educação.
É
possível que até mesmo fiéis escudeiros de Bolsonaro devam ter se embasbacado
quando souberam que o ministro da educação havia encaminhado recomendação às
escolas públicas para que estudantes ficassem enfileirados e cantassem o hino
nacional. No documento o ministro solicitava filmagens das crianças e o seu
envio ao MEC, bem como a leitura de uma mensagem contendo, no final, o lema da
campanha de Bolsonaro.
De
imediato a notícia viralisou nas redes sociais, se transformando em piada e
motivo da exibição de milhares MEMES. A justiça imediatamente interviu arguindo
inconstitucionalidade, pois o ato infringia dispositivos da estatuto da criança
e do adolescente e da própria constituição federal. Dias depois do ato hilário
do ministro, ele encaminhou comunicado retirando o absurdo pedido. A alegação
do ministério da retirada foi por ter havido problemas no recebimento dos
vídeos, sobrecarregando os sistemas.
A
verdade do cancelamento do documento foi sim a avalanche de vídeos enviados de
escolas caindo aos pedaços que constrangeu o próprio ministro e o MEC. Atos
constrangedoras como esses poderiam ter sido evitados, com governos mais
inteligentes e ministros conhecedores da realidade da educação brasileira. Nem
um nem outro, e o resultado é esse, exposição ao ridículo e a indignação de
brasileiros, principalmente de eleitores apaixonados que já demonstram
desiludidos, percebendo a besteira que fizeram o elegendo.
Há
quantos anos vem sendo denunciados as mazelas que envolvem o ensino público de
sul ao norte, cujos resultados são percebidos nas avaliações o IDEB e PISA?
Governos passados acreditavam que com reformas pedagógicas seriam suficientes
para conter os baixos índices avaliativos. Todos os países que alcançaram
níveis de excelência no ensino investiram parcelas expressivas do PIB em educação,
começando com estruturação dos espaços físicos e valorização do profissionais.
O
atual governo usou as redes sociais afirmando que o Brasil investiu muito em
educação nos últimos anos. Disse que é inadmissível tanto recurso
disponibilizado com tão baixo retorno. Defendeu que fosse feito uma CPI na
educação envolvendo vários seguimentos como o MEC e MPF e MPE para detectar
onde estão os motivos do péssimo desempenho dos estudantes. Ousou em afirmar
que o motivo do disparate no rendimento pedagógico é culpa dos profissionais da
educação que sonegam conteúdos essenciais, adotando posturas de cunho ideológico
no exercício da docência. Afirmou que a CPI é para “impedir o avanço da fábrica
de militantes políticos para formarmos cidadãos”.
Chega
doer a alma de quem vive as dificuldades do dia a dia de uma escola pública e
ter de ouvir tamanha besteira, logo de quem deveria estar construindo canais
amistosos de debates com educadores e gestores de todas escolas brasileiras. A
própria rede globo, em um dos seus principais telejornais diários, apresentou
reportagem mostrando a terrível saga de milhares de estudantes de escolas do
Mato Grosso que estão estudando dentro de contêineres adaptados como sala de
aulas. O agravante disso é que as chamadas “escolas de latas,” “improvisadas”,
já estão se popularizando no país inteiro.
Sem
o mínimo de infraestrutura, crianças são forçadas a passarem quatro ou mais
horas do dia nesses cubículos. Se o atual presidente estivesse realmente
preocupado com a educação pública, no lugar de solicitar o envio vídeos de
crianças cantando o hino nacional e declamando o slogan “brasil acima de todos e deus acima de tudo”, encaminhassem
diagnósticos das estruturas das escolas, poderia atacar de imediato o real
motivo do fraco rendimento dos estudantes brasileiros.
Porém,
jamais o fará, pois comprometerá a reputação de gestores públicos estaduais e
municipais que o apoiaram, cujas escolas públicas onde gerenciam estão aos
frangalhos. O governo bem sabe que se “bilhões” de reais do orçamento federal
foram disponibilizados para educação pública, o fato é que no longo caminho até
a escola parte desses recursos se perderam pelos ralos da corrupção e desvios
de finalidades. Todos nos unamos contra governos que insistem em querem
destruir a educação pública.
Prof.
Jairo Cezar
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