Duvido
que entre os milhares de indivíduos que transitam semanalmente pelas principais
ruas do centro de Araranguá, alguns mais atentos já não se sentiram irritados
com tanto lixo espalhados pelas vias públicas. É claro que todos nós produzimos
lixo e o destino são os centros de triagem para reciclagem ou aterros
sanitários, sendo esse último o destino mais comum. O plástico, porém, é hoje
uma das principais pragas do planeta. Sua difusão irracional a partir do início do
século XXI na cadeia produtiva global está se tornando num problema irreparável
para os ecossistemas, especialmente para os oceanos.
Todos
os anos os oceanos recebem o equivalente a 10 milhões de toneladas de
plásticos. Com esse volume a fauna marinha dos oceanos está correndo sérios
riscos de desaparecer. São milhões de aves, tartarugas, e outras dezenas de
espécies marinhas que já estão na lista de espécies em vias de extinção devido
aos plásticos. O Brasil, de longe, não é
exemplo para nenhum outro país em se tratando de políticas de saneamento
básico, em especial no item reciclagem. Atualmente, ocupamos a quarta posição
em produção de lixo plástico. Ficamos atrás dos EUA, China e Índia.
O
nos distingue desses países é o fato de que mesmo produzindo muito lixo, ambos
apresentam políticas de reciclagem, ou seja, do montante produzido, uma grande
parcela é reaproveitada retornado à cadeia produtiva. Dos 11,3 milhões de toneladas de lixo
produzido, o índice de reciclagem é vergonhoso, apenas 1,28%. O que é terrível nesse levantamento são os
números reveladores, 7,7 milhões do lixo recolhido têm os aterros sanitários
como destino, os demais 2,4 milhões, ainda seguem para os aterros comuns, que
qualquer plano de contenção de impactos ambientais.
Isso
significa que ecossistemas inteiros são contaminados, provocando danos
irreparáveis ao solo e águas superficiais e subterrâneas. O lixo plástico também é um indutor de outros
problemas freqüentes em áreas densamente povoadas como São Paulo e Rio de
Janeiro, as inundações. As incidências de inundações têm como um dos vetores a
obstrução das bocas de lobos pelo acúmulo de lixo. Sacolas de lixos, garrafas
pets, canudinhos, e outra infinidade de resíduos plásticos são hoje um problema
mundial que requer ações emergências para evitar um possível colapso.
Não
havendo mobilização, até 2030, cada quilômetro quadrado dos oceanos terá
recebido cerca de 30 mil garrafas plásticas. Esse volume terá impacto direto na
economia do planeta, com prejuízos orçados em 10 bilhões de dólares. Outro agravante se dará na vida de bilhões de
seres humanos com o aumento de doenças provenientes do consumo de alimentos
contaminados, especialmente de espécies marinhas, como mariscos, peixes e
outros tantos crustáceos.
Estudos
realizados em universidades estão detectando o acúmulo de nanoparticulas de
plásticos em crustáceos que resultam em toxinas. Muitos acreditam que são as
florestas as principais responsáveis pela produção de oxigênio no planeta.
Claro que as florestas têm um papel importante, porém, os oceanos contribuem
com 54,7 desse montante. A poluição desenfreada já está comprometendo o seu
ciclo biótico que por fim tornará o ar do planeta cada vez mais irrespirável.
O
problema das inundações também já é uma realidade em cidades médias e pequenas
no Brasil. O município de Araranguá, qualquer chuva um pouco mais Abundante já
traz transtornos nas vias públicas. É sabido que um dos vetores dos alagamentos
é o lixo espalhado nas vias que escorrem para as tubulações pluviais bloqueando
o fluxo da água.
Há
cinco anos o município de Araranguá concluiu seu plano municipal de saneamento
básico e plano de gestão integrada de resíduos sólidos. O plano, elaborado a partir
de legislações federais como as leis 11.445/07 e 12.305/10 estabeleceu um
conjunto de normas que auxiliará os gestores municipais a gerirem suas
políticas de coleta, destinação e tratamento dos resíduos produzidos pela
população.
Desde
a conclusão do plano a única proposta executada foi construção da usina de
tratamento de esgoto, um sistema de custo milionário que ainda hoje, dois anos
depois de sua inauguração, atende menos de 5% de sua capacidade total de
tratamento. Agora quando o assunto é políticas de resíduos sólidos no
município, a situação é bem preocupante. Basta sair nas ruas e conferir com os
próprios olhos.
O
plano nacional de resíduos sólidos aprovado em 2010 tem como diretrizes a não
geração, a redução, a reciclagem e o tratamento de resíduos sólidos. O
documento também determina que os municípios devam discutir maneiras de
gerenciar os resíduos produzidos. No diagnóstico elaborado pela UNESC, o
plástico apareceu como o principal vilão vindo em seguida matéria orgânica e lixo
sanitário.
No
relatório foi constatado que a população não acondicionava corretamente o lixo
produzido, bem como as lixeiras e os locais onde estavam fixadas não atendiam
preceitos legais e ambientais adequados. No plano, o município deveria
determinar um padrão de lixeira que pudesse acondicioná-los evitando que se
espalhasse pelo chão, exalando mau cheiro e a proliferação de insetos e
roedores.
Diz
o documento que o poder público deveria instruir a população sobre como deveria
administrar o seu lixo. A fixação de placas em locais estratégicos informando
as pessoas o dia do recolhimento do lixo também está no plano. Agora quando o
assunto é coleta seletiva de resíduos sólidos, o município de Araranguá está
entre os milhares do Brasil que não realizam.
Sua
implantação poderia resolver muitos problemas ambientais no município, além é
claro de contribuir para a geração de emprego e renda para muitas famílias
envolvidas na triagem e indústria de transformação. É preciso mobilizar a
população, o ministério público, para que ambos pressionem o poder público
municipal no cumprimento das metas do seu plano de saneamento básico.
Prof.
Jairo Cezar
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