DIA
MUNDIAL DA ÁGUA: RECURSO FINITO CADA VEZ MAIS ESCASSO NO PLANETA
Para
uma população hoje estimada em 8 bilhões no planeta, ter mais da metade sem
acesso a saneamento básico é de certo modo uma tragédia planetária. Quando se
chega a tal conclusão de tragédia é pelo fato de os resíduos não tratados terem
como destino os aquíferos, rios, oceanos e demais mananciais de abastecimento
público. O dia 22 de março se constitui como momento importante para que pessoas
e autoridades no mundo inteiro reflitam sobro o modo como estão agindo no uso
da água, recurso cada vez mais escasso. De acordo com levantamento feito por
entidades especializadas, hoje no planeta cerca de dois bilhões de pessoas não
tem acesso regular a água potável.
A
água que deveria ser um recurso para a manutenção da vida no planeta vem se
transformando dia após dia num dos principais vetores à proliferação de doenças
epidêmicas como a dengue e outras tantas derivadas do mosquito transmissor. Não
há dúvida que esse problema já generalizado no Brasil inteiro, tem como um dos
fatores causadores a precariedade do saneamento básico. Se olharmos os países
com melhor padrão de IDH em comparação ao Brasil, os principais rios que cortam
suas capitais ou principais cidades são considerados cartões postais.
Quem
visita Paris, Viena, Veneza, entre outros, no roteiro de viagens está o tour
pelos rios que cortam essas cidades. No Brasil, transitar pelas marginas dos
rios ou lagos que atravessam cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, etc, é
momento de constrangimento e mal estar, tamanho o mau cheiro. Em vez de espaços
de lazer e criação de pescados para população, esses mananciais se transformam
em receptáculos de toneladas de esgotos e lixo, despejados diariamente. Atualmente,
mais de cinqüenta e cinco por cento do esgoto produzido no Brasil não são
tratados.
Para
um país que concentra parcela significativa de toda a água doce do planeta, o
não tratamento do esgoto é um fator preocupante. São pouquíssimos os rios brasileiros
que apresentam níveis satisfatórios de qualidade para o consumo humano. Além do
esgoto, outros poluentes como resíduos de mineração e agrotóxicos estão matando
os rios e intoxicando toda a biótica e o ser humano. Muitas doenças
degenerativas como Parkinson, mal de alzheimer e diferentes tipos de cânceres tem
a água consumida pela população como vetores contaminantes.
O
sul de Santa Catarina concentra os rios mais poluídos do estado. Por ser a
região uma das maiores produtoras de arroz irrigado, o uso de agrotóxicos no seu
cultivo vem contaminando os recursos hídricos. São inúmeras as aplicações de
pesticidas, fungicidas e herbicidas durante todo o ciclo produtivo contaminando
por sua vez todo o ecossistema. Levantamento realizado por um grupo de
investigados do ministério da saúde constatou a presença de substâncias químicas
na água consumida pela população de várias cidades do estado.
A
campeã em toxinas foi Rio do Sul, com sete tipos diferentes de pesticidas. Não ficaram
de fora do levantamento nem mesmo cidades do extremo sul do estado como
Balneário Gaivota, onde foi identificada a presença de no mínimo um tipo pesticida
na água. É claro que outros municípios que congregam a bacia hidrográfica do
rio Araranguá e do Mampituba também devem ter problemas semelhantes na água que
a população consome.
É
possível que esse problema de contaminação não se restringe somente ao
Balneário Gaivota. Se levarmos em conta o baixo percentual de tratamento de
esgoto realizado nessas duas bacias do extremo sul, é de se cogitar que
milhares de pessoas na região estão ingerindo há muito tempo, água contaminada
com ferro, alumínio, manganês, mercúrio, enxofre, nitratos, e outros tantos
pesticidas de efeito cumulativo no organismo.[1]
Prof.
Jairo Cezar
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