quinta-feira, 13 de outubro de 2022

 

FRAGMENTOS DA COMPLEXIDADE POLÍTICA QUE PERMEIAM ALGUNS PAÍSES DA AMÉRICA LATINA

Penso ser oportuno fazer algumas considerações relativas às afirmações errôneas, maldosas, ditas por pessoas sobre sistemas de governos socialistas e comunistas. É corriqueiro ouvir de pessoas que se dizem apoiadores de Bolsonaro, quando afrontadas, responderem agressivamente: vá para a Venezuela, vá para Cuba!!! São indivíduos que pouco ou nada conhecem a fundo a realidade política e econômica desses e outros países, mesmo sendo capitalistas. Suas informações são fundamentadas em opiniões de grupos de redes sociais ou em leituras fragmentadas de sites sem qualquer credibilidade científica. O mais grave de tudo, aí sim demonstrando profunda limitação cognitiva, é de insistir taxar qualquer indivíduo que pensa que questiona o atual governo, de defender o comunismo.

Comunista na sua concepção filosófica se define aquele indivíduo ou grupo social cujas relações de convívio, de produção são compartilhadas entre os seus integrantes. No entanto, comunismo é um estágio de evolução extremamente complexo que somente foram atingidos por alguns grupos sociais bem específicos, como certas comunidades indígenas na América Latina. A Revolução Russa em 1917, primeiro país a experimentar o socialismo idealizado por Karl Marx e outros teóricos, no seu curso, vários equívocos foram cometidos pelos seus líderes resultando na sua derrocada em 1989, com a derrubada do muro de Berlim, principal fronteira entre o mundo soviético/socialista e o ocidente/capitalista.

China, Cuba, Vietnã, são países que embora se caracterizem como socialistas, tem parte da sua economia gestada por empresas do segmento privado, principalmente de altas tecnologias como o Vietnã e China. Cuba, por exemplo, mais de trinta por cento do PIB é oriundo do setor privado, na sua maioria empresas ligadas ao setor de turismo. A China é outro exemplo de nação, onde embora o Estado tenha o controle de parcela de suas empresas estratégicas, a economia é significativamente dominada por fluxos de capitais globalizados. Atualmente, são chineses e norte americanos que dominam o tabuleiro geoeconômico mundial, sendo o Brasil como parceiro econômico importante exportador de commodities a essas potências.

Já a Venezuela, país da América do Sul, jamais foi e é uma nação socialista ou comunista, como muitos insistem em afirmar que é.  Como todas as sociedades latino americanas, a Venezuela sofreu o mesmo processo de espoliação colonial a partir do século XV. A Venezuela tem no petróleo a sua principal base de sustentação econômica, grau de importância tão expressivo que lhe garantiu inclusão no seleto grupo da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). As crises cíclicas do capitalismo que assolam o planeta, seus efeitos são mais relevantes naqueles países cujas economias são menos diversificadas e dependentes da exportação de commodities, a exemplo da Venezuela, que depende da exportação de petróleo.

Vamos tentar aqui procurar quebrar os espectros dos termos bizarros expressados por bolsonaristas ultraconservadores/neoliberais, que demonstram sentir saudades da ditadura de 1964, usando expressões agressivas do tipo, vá morar na Venezuela, vá morar em Cuba, para aqueles que não comungam com suas concepções. Como já expressei em um parágrafo acima, Venezuela jamais foi e é uma nação comunista, e Cuba, que é socialista e não comunista, já possui mais de 20% da população do país empregada na iniciativa privada, somando mais de 30% do Píb para o país.

Afinal como está estruturado o mapa político ideológico da América latina, sabendo que somente um país, Cuba, se caracteriza como socialista, porém com uma pequena abertura para o capitalismo. Vamos entender, portanto, como cada nação ou grupo de nações da América Latina e Caribe se enquadram segundo as tendências políticas ideológicas fundamentadas no sistema de produção capitalista. Podemos começar falando sobre aqueles que se enquadram como integrantes da DIREITA CONSERVADORA. Temos exemplos do Paraguai, de Mario Abdo Benitez, atual presidente, e da Colômbia, quando governada por Ivan Duque. Ambos os líderes adotaram ou adotam posições contrárias a legalização do aborto, ao casamento do mesmo gênero, entre outras pautas conservadoras de cunho neoliberal.

O segundo grupo são aqueles classificados de DIREITA FLEXÍVEL. Temos exemplos do Chile, quando governado por Sebastião Pinheira e da Argentina, por Mauricio Macri. Embora Macri tenha realizado algumas privatizações como energias e centrais térmicas, ambas revogadas pelo sucessor Alberto Fernandes, o estadista argentino foi o primeiro a defender a legalização do aborto em seu país, posição semelhante do seu colega chileno, Pinheira. O chileno, no final do mandato, já propunha a aprovação de leis que garantisse o casamento entre os mesmos gêneros. No final de quatro anos de governo Macri, a Argentina havia contraído uma divida pública de mais de 200 bilhões de dólares.

O terceiro grupo de países são aqueles que defendem pautas ultraconservadoras, nacionalistas, anticosmopolitas, militaristas e fundamentalistas. Nesse caso, temos como exemplo o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, considerado um DIREITISTA EXTREMISTA. Suas ideias e conceitos se aproximam de ex-presidentes golpistas como Alfredo Stroessner, do Paraguai e Augusto Pinochet, do Chile. Ambos protagonizaram golpes políticos, cujas ditaduras resultaram em centenas de milhares de mortos e desaparecidos.  

Tivemos e temos na América Latina nações e governos cujos mandatos seguiram e seguem diretrizes políticas com pautas mais progressistas no campo social e econômico. Esses grupos são identificados de esquerdas dentro do capitalismo.  Deixar claro aqui que por serem considerados esquerdistas não significa que defendam rupturas econômicas estruturais, nada disso, defendem políticos de melhor distribuição de renda e relativo controle de empresas estratégicas pelo Estado. Observando os mandatos desses países, todos, sem exceção, mantiveram algum grau de alinhamento com o sistema financeiro internacional, porém, mais focados em investimentos em programas sociais como educação, saúde, segurança, meio ambientes, etc.

Estiveram e estão nesse grupo de ESQUERDAS PROGRESSISTAS os ex-governos Tabaré Marques e José Mujica, ambos do Uruguai, e o atual presidente do Chile, Gabriel Borges. São governos que defenderam explicitamente pautas ditas progressistas como a legalização do aborto, da maconha, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Existem também governos dentro da esquerda latino-americana que se definem conservadores, contrários as políticas de legalização do aborto, casamento homo afetivo, etc. Entretanto, no campo social e econômico concordam que o Estado se mantenha forte e atuante na concessão e preservação de políticas que proporcionem o bem estar social. Pedro Castilho, do Peru, é um exemplo de estadista mais alinhado a esse viés social conservador, comparado a outros líderes também de esquerda, porém, mais progressistas no campo social.

Por últimos, talvez muitos queiram até discordar desse rótulo ideológico de esquerda extremista concedido a dois estadistas, um dá América do Sul, Nicolau Maduro, da Venezuela, e o segundo, da América Central, Daniel Ortega, da Nicarágua. As mídias corporativas e grupos à direita da América latina e de outros continentes definem esses dos mandatários como ditadores, por apregoarem o terror em seus países. Embora sendo governos esquerdistas, muitos alegando até esquerdistas reacionários, em nenhum momento proferiram algum discurso defendendo a estatização de toda a estrutura produtiva dos seus países.  

O caso da Venezuela é emblemático, pois o governo vem sofrendo sérias sansões econômicas, que deixaram o país desabastecido, principalmente com medicamentos para o enfrentamento da COVID 19. As mídias e o próprio governo brasileiro  se aproveitaram do momento critico vivido pela Venezuela para taxar o governo maduro de ditador, de culpado pelo quadro social e econômico caótico.    

Fato curioso é quando os mesmos que incitam aos que se opõem ao governo Bolsonaro a saírem do país e viverem na Venezuela, por serem socialista/comunista, esses mesmos que criticam têm Portugal como um dos destinos preferidos. Atualmente o país europeu é o segundo destino de brasileiros. O que muitos desses não sabem ou fingem não saberem é que Portugal é governado por um presidente socialista, isso mesmo, socialista, como outros países europeus. Portanto, por que não fazem a mesma crítica, chacota com aqueles que viajam para Portugal, na sua grande maioria para trabalhar?

Outra contradição desses que vêem no atual presidente a possibilidade de instalação de uma ditadura no Brasil e que tornará a economia mais liberal. Não sabem e deveriam estudar mais que durante o regime militar o Brasil se fechou para o mundo, quase nada era importado, em vez de privatização, foi o período de maior estatização da história recente do Brasil, mais de 300 empresas importantes passam para o regime público. Se imaginavam que estatização, passar para as mãos do Estado, é coisa de regime socialista/comunista, qual a explicação que se poderia dar aos governos militares?  

A Argentina, durante a ditadura, manteve forte comércio bilateral com a União Soviética, que era socialista!! Então, como explicar a postura dos generais argentinos, que se reafirmavam anticomunistas? Como irão reagir muitos dos adeptos ao governo ultradireitista de bolsonaro, que acreditam que somente com uma ditadura é possível solucionar os problemas econômicos e sociais, entregando tudo para a iniciativa privada. Quando souberem desses fatos envolvendo os governos militares com estatizações em massa e fechamentos brutais da economia terão surtos psicóticos.

Prof. Jairo Cesa 

https://www.brasildefato.com.br/2019/02/04/10-mentiras-sobre-a-venezuela-que-de-tanto-repetirem-se-tornaram-base-para-opiniao

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62598789

domingo, 9 de outubro de 2022

 

CURSO DE AGROECOLOGIA COM O DR. SEBASTIÃO PINHEIRO EM DOM PEDRO DE ALCÂNTARA/RS: COMPREENDER A DINÂMICA DOS SOLOS  PARA ASSEGURAR A SOBREVIVÊNCIA DO PLANETA



Durante os dias 25, 26, 27 e 28 de setembro de 2022 aconteceu no Centro Ecológico em Dom Pedro de Alcântara, RS, curso de Agroecologia com o renomado professor Dr. Sebastião Pinheiro. Há mais de quarenta anos o professor atua junto às comunidades camponesas na América latina em ações que visam empoderá-las de técnicas simples e de baixo custo para compreender a dinâmica da biótica do solo. Durante séculos as populações campesinas e de agricultores dominavam técnicas de manejo equilibrado do solo e de sementes, sem se subjugarem à escravidão do mercado.

Nas décadas de 1960 em diante, o avanço da Revolução Verde impôs aos quatro cantos do planeta, modelo de agricultura que transformou o agricultor/camponês em escravo das corporações que paulatinamente dominaram o bilionário mercado de sementes, insumos e agrotóxicos. A agroecologia, no entanto, nas últimas décadas do século XXI vem se contrapondo a ação perversa do agronegócio, que esteriliza solos, impacta rios, florestas e toda a biótica.

O empoderamento de técnicas de confecção da CROMATOGRAFIA DE PFEOFFER; DA PRODUÇÃO DE FARINHA DE ROCHA; ADUBAÇÃO VERDE; PALETIZAÇÃO DE SEMENTES; MICROORGANISMOS CAMPONESES; BIOFERTILIZANTES; ÁGUA DE VIDRO; MICORRIZAS; CALDAS MINERAIS, entre outras soluções, são poderosas ferramentas conhecidas há séculos, milênios, por certas culturas, que asseguram absoluta independência do agricultor no manejo do solo, colheita e comércio do que é produzido.  O fato é que são irrisórios os agricultores que conhecem e aplicam essas técnicas alternativas de cultivo, pois diariamente são enfeitiçados por publicidades que os seduz à praticidade no campo, a promessa de grande de grande produção e riqueza comprando os pacotes oferecidos pelo mercado.  

O que acontece de fato é a perda quase completa do agricultor da sua identidade de sujeito histórico, conhecedor das etapas do processo produtivo.  A não compreensão do conjunto sistêmico produtivo o transforma em uma espécie de marionete social, guiada por mãos poderosas, insensíveis e sem o mínimo de identidade coletiva. Quando se imagina que as forças dominantes do agronegócio se colocam como irreversíveis, que a agroecologia teria apenas espaço limitado nesse planeta afetado por mudanças climáticas extremas e letais aparece do professor Sebastião como uma ave fênix ressurgido das cinzas.

Plantar esperança é sem dúvida uma das suas principais propostas. Reconstruir paradigmas quase esquecidos de coletividade permeia toda a sua dinâmica educativa. Para o professor, nada resolve apresentar modelos prontos de técnicas de cultivo às culturas distintas, pois cada qual tem suas particularidades, diferenciações. O melhor meio para absorver práticas é ensinar conceitos e não fórmulas matemáticas prontas.

É comum antes do plantio de certas culturas o produtor rural avaliar a qualidade do solo, o ph, potencial nutricional e demais componentes obrigatórios ao bom desenvolvimento da planta. Essa tarefa geralmente é incumbida ao agrônomo, técnico agrícola, que colhe amostras do solo, leva até o laboratório para analise por meio de combinações químicas. Análises de tipo têm certo custo, podendo ser bem mais oneroso quando se deseja obter mais informações. Pequenos agricultores jamais foram oportunizados a essas técnicas, custo elevado tende a ser o fator impeditivo.

Era inimaginável que algo aparentemente tão complexo e reservado somente a profissionais altamente qualificados pudesse ser construído com custo quase zero. Isso mesmo, custo quase zero. Foi isso o que aconteceu no primeiro dia do curso com o professor Sebastião Pinheiro. Ele ensinou aos presentes a CROMATOGRAFIA, técnica de separação de partículas de terra para identificar ou não presença de vida e tipos de minerais no solo. O que impressionou foi o fato de a mesma poder ser realizada coletivamente, ou seja, em casa dos próprios camponeses, transformadas em laboratórios. Água destilada ou água de “deus”, soda caustica e nitrato de prata são os ingredientes necessários para a realização dos experimentos. Em cinco ou seis dias os resultados estarão prontos. Entretanto, a compreensão de como está o solo será interpretativa, pois cada tom de cor apresentada no cromo tem se significado.  

Uma diversidade de cores, do branco, preto e vários tons de cinza vão se destacando no papel. Cada cor representa um tipo diferente de mineral, elementos vivos e nocivos presentes no solo. O branco, por exemplo, que poderá se destacar no centro do papel revelará que o solo tem presença significativa ou discreta de vida microbiana. Se estendendo para as extremidades do círculo pode-se verificar a presença ou não de minerais e outros elementos químicos importantes para o desenvolvimento da planta, como potássio, fosfato, entre outros. Com base nas observações cromatográficas será possível fazer o manejo correto do solo, para torná-lo o mais produtivo possível.

A regulação da CADEIA BIÓTICA do solo é o que será realizado no momento que o agricultor concluir o processo de análise cromatográfica. Restabelecer a vida no solo, a diversidade microbiana, exigirá a aplicação de pó de rocha, folhas secas, matéria verde, esterco, etc. o processo regulatório é tão importante e necessário porque ajudará na regulação do clima global. Países como o Japão, após um rigoroso inverno, o solo é recuperado como a aplicação de TORTA DE BOCASHI, um adubo fermentado. Em climas tropicais ou subtropicais o bocashi pode ser preparado com extraordinário êxito. É comum na agroecologia, quando se constata a baixa incidência de vida no solo, recolher na floresta os MICRÓBIOS ESSENCIAIS utilizando arroz cozido ou abóbora. Esses micróbios, principalmente os que apresentam tons mais claros podem ser inseridos em compostagens e outros compostos, tornando-os mais ricos em termos nutricionais.   

Em uma agricultura moderna, o mercado estabelece modelos a serem seguidos por todos os agricultores independente do local, clima, relevo, etc. As sementes, os insumos, os agrotóxicos, etc, apresentam as mesmas moléculas aplicadas em qualquer parte do mundo. Bem diferente de um sistema agroecológico, onde em um mesmo bioma ou fração territorial, o solo, aspectos climáticos, geomorfológicos se mostram diferentes da do vizinho ao lado. Portanto, são particularidades que devem ser consideradas antes do cultivo.

Um dos graves equívocos cometidos pelo ser humano foi ter passado longo período discutindo transgênicos, tempo esse aproveitado para estudar ambientes, mudanças na propriedade, o ângulo da incidência maior ou menor de solo, alterações na quantidade e na qualidade do produto colhido, etc. Claro que diante de um sistema produtivo baseado rentabilidade a qualquer custo, os transgênicos foram bem vindos.  

Por ser a região do norte do rio Grande do Sul um dos pólos produtivos de banana do muito do que se aprendeu no curso com o professor Sebastião teve a fruta como principal objeto de investigação. O tema ÁGUA DE VIDRO, intensamente debatido e aprendido a sua formulação química, tem a sua aplicabilidade às culturas da banana, maça, pitaya, entre outras tantas. A fruta banana geralmente é cultivada em regiões com boa incidência de chuva. Esse fator contribui para que o tronco da fruta produza doses elevadas de potássio. A aplicação de água de vidro ajuda no fortalecimento das folhas, impedindo a perda desse importante elemento.

Água de vidro é um preparado antigo, surgido no oriente, século XI. Ingredientes necessários são QUATRO PARTES DE CINZA DE FOGÃO, UMA PARTE DE CAL E CINCO PARTES DE ÁGUA QUENTE. Em dez minutos a solução estará pronta. O silício é absorvido e rapidamente engrossa o caule. Ele é um estimulador de proteção metabólica as plantas, fortalecendo, tornando-as resistentes as pseudo pragas, às geadas, às estiagens.

Recomenda-se sua aplicação durante as manhãs ou à tardinha. Deve-se repetir a aplicação a cada dez dias. Jamais aplicar em dias ensolarados, pois a cal pode danificar as folhas e reação a luz solar. É recomendado não guardar em garrafas pets. Portanto, repetindo, a cinza deve ser misturada com cal e misturada a seco. Depois, colocar água quente e mexer até dissolver completamente. Concluída essa etapa, dependendo o montante desejado, inserir 91 partes de água fria, coar com um pano e está pronto para aplicação. Para cada vinte litros de água adicionar 250 ml do produto.

Outro produto importante para o desenvolvimento de raízes das plantas da bananeira, em especial, é o ACIDO FÚLVICO, elaborado a partir da adição de TERRA TURFA, CINZA, PITADINHA DE SODA, MAIS ACIDO MURIÁTICO OU ACIDO CLORÍDRICO. Feita a poção, é recomendado 2,5 ml de acido fulvico em água de vidro e pulverizar as folhas das plantas. Esse produto ativa o sistema secundário das plantas.

Durante a fala o professor destacou as cinco espécies de seres vivos no planeta classificadas de agricultoras. O primeiro deles é o CUPIM. Como funciona o processo agrícola do cupim? O inseto rói madeiras e defeca um pó. No pó é impregnada uma enzima que faz gerar um fungo ou cogumelo, alimento do cupim. O segundo ser vivo agricultor é a FORMIGA SAÚVA. O interessante é que o inseto é considerado excelente indicador de problemas no campo que o agricultor deve prestar a atenção. Geralmente a formiga ataca plantas que apresentam deficiências, doenças, para cortar as folhas. Por que plantas doentes são as preferidas dessas formigas? A resposta é simples. Quanto mais frágeis forem as plantas, mais acelerado será o processo de fermentação ou formação de fungo para se alimentar. Por que prestar atenção no comportamento desse inseto? A resposta são 90 milhões de anos de existência do inseto.

O ataque de plantas por formigas cortadeiras frequentemente é combatido por inseticidas. Na agroecologia esse recurso é completamente impraticável. Uma das alternativas recomendadas é a aplicação de um fungo obtido da laranja em início de decomposição. Quando a laranja é envolvida por um mofo, ou fungo, recomenda-se lavá-la em um balde de água. Os esporos são despejados nos buracos dos formigueiros onde faz desaparecê-las. Os esporos fazem germinar o fungo no interior do formigueiro, atuando como um antagonista, opositor ao fungo das folhas que alimentam as formigas. É importante acrescentar que são medidas paliativas o uso desses recursos até o momento que for restabelecido a vida desse solo. Ao melhorar a vitalidade do solo, que pode levar seis ou sete anos, as formigas se retiram naturalmente. Muitos devem ter observado que é muito difícil ver formigas cortadeiras em hortas quando o solo está bem alimentado.   

O terceiro agricultor são as ABELHAS, que a 60 milhões de anos retiram o pólem, néctar das flores e as transformam em mel. A abelha possui enzimas das quais impedem a fermentação do néctar durante o vôo até a colméia. No entanto, o inseto regurgita o néctar na colmeia, liberando enzimas que se transformam em mel.  O quarto na sequência é UM RATO, que só existe no Quênia. O roedor vive no solo e se reproduz rapidamente. Esse mamífero é semelhante às abelhas, ou seja, sociedade matriarcal cujas fezes da rainha são transformadas em fungo, cujas quais alimentam as operárias. E presença de enorme quantidade de hormônio nas fezes contribui para que as operárias se tornem estéreis, inférteis, porém, não impedem de desenvolverem elevado senso maternal. São, por fim, as abelhas operárias que criam os filhos da rainha.

O Japão vem investindo muito nos estudos desse rato/roedor/mamífero, isso se deva ao fato de ter sido descoberto que o mamífero não desenvolve células cancerígenas. Os japoneses acreditam que é possível detectar nesse roedor fatores biológicos que impedem a formação de tumores. A proposta, portanto, dos cientistas japoneses é produzir substâncias das células desse mamífero capaz de prevenir ou até mesmo curar cânceres em humanos. Para fechar a lista de espécies agricultoras, o último da lista é o ser HUMANO.

Diferente das demais espécies de agricultores, a atividade agrícola pelos humanos teve início há cerca de dez mil anos. No entanto apenas agora, pouco mais de 20 a trinta anos, a indústria aceita que se faça micróbio para nutrir o solo. As crises estão se tornando tão ameaçadoras que os sistemas industriais vêm concluindo que é necessário salvar os solos para que o ser humano não desapareça em decorrência das mudanças climáticas. Não há mais dúvida que é o modelo agrícola moderno ou agronegócio um dos grandes responsáveis pelo agravamento do clima global.

Imprescindível em um sistema agroecológico que o agricultor/a compreenda a dinâmica do seu espaço produtivo, se apoderando de técnicas milenares e as utilizando conforme as peculiaridades do seu solo. O mercado durante décadas impôs regras homogêneas determinando o que deve e como deve o agricultor manejar o seu solo. Esse é modelo produtivo imposto por regimes ditatoriais, no qual tirou todo o saber pensar e saber fazer do camponês. A individualização também foi outra estratégia bem sucedida pela ditadura para impedir trocas de saberes e organizações coletivas. A agroecologia diferente da agricultura moderna se sustenta no fortalecimento dos processos organizacionais de troca de experiências e no agir coletivo.

Conforme relatou o professor Sebastião, mais de 90% das doenças que ocorrem na agricultura se originam no momento da semeadura. No instante que a semente começa a germinar, fungos e demais elementos patogênicos as contaminam. Recomenda-se a peletização das mesmas, ou seja, cobri-las com pó de rocha basáltica e cola. O PÓ DE ROCHA POSSUI ELEMENTOS QUÍMICOS QUE REAGEM CRIANDO CAMPOS ELETROMAGNÉTICOS QUE MATAM OS FUNGOS PRESENTE NA SEMENTE. A presença do fungo torna-se perceptível na floração, a exemplo da Antracnose. Pode-se também acrescentar na peletização PÓ DE CARVÃO VEGETAL E UM FUNGO BENÉFICO PARA TORNÁ-LA MAIS RESISTENTE.

 A técnica da coleta de MICRORRISAS também foi destaque no curso com o professor Sebastião. Algumas plantas a exemplo do picão preto pode ser arrancado com uma pá, cobrir as raízes com pano e deixá-lo secando, na sobra, por um tempo. Depois de seco, adicioná-lo em um recipiente com água, cujos nutrientes, bacilos saudáveis, devem ser lançados ao solo para aumentar a fertilidade.  Os fungos existentes nas micorrisas são divididos em endomicorrizas e ectomicorrizas.

O primeiro, endomicorrizas, é encontrado em 80% das plantas, são cerca de 300 espécies ao todo. São fungos que realizam a transferência de nitrogênio orgânico e fósforo para o vegetal. Ajudam também a aumentar a absorção de alguns microelementos, como zinco, manganês e cobre, além, é claro, da água. Esses fungos também ajudam a fortalecer as plantas contra fitopatogenos e nematódeos. Em troca as plantas fornecem o carbono fixado, na forma de açucares e vitaminas essenciais. O segundo, o ectomicorrizas, coloniza a parte externa da planta, envolvendo-as.

A produção de biofertilizantes se caracteriza como excelente e prático recurso alternativo a disposição do agricultor. O seu inventor foi um agricultor gaucho conhecido pelo nome de DELVINO MAGRO. A fórmula foi batizada de SUPERMAGRO e se espalhou por toda a América Latina e outros países. O uso desse produto permite a recuperação do solo e reduz drasticamente a dependência dos agricultores aos produtos sintetizados. São inúmeras as receitas de supermagro, no entanto, o camponês pode usar os ingredientes que estão mais a disposição que outros. Recomenda-se depositar em um tonel grande, 20 kg de esterco de vaca fresco; 2 litros de soro; 1 ½ kg farinha de rocha ou 1 ½ kg cinza, pode acrescentar ambos, metade de cada; 100g de levadura/fermento; 1kg de melado e 80% de água.

O primeiro passo é colocar o esterco no tonel e 50% de água; dissolver o melado em um balde, acrescentando o fermento. Depois de dissolvido, colocar no tonel e mexer novamente com um bastão. Acrescente também o soro/leite e novamente mexer. Agora é a vez dos minerais, podendo ser 500g de fosfito; 500g, cinza e 500g de farinha de rocha. Feita a mistura, colocar no tonel, acrescentando mais água, até rente a tampa.

Concluído todas as etapas, agora é fazer um furo na tampa e inserir uma mangueira cuja ponta ficará dentro de uma garrafa pet com água limpa. O gás metano será liberado pela fermentação. Trinta dias mais ou menos o fertilizante supermagro estará pronto. Recomenda-se fazer alguns testes em plantas para definir a dosagem ideal na aplicação das demais plantas.  Se desejar tornar o supermagro mais complexo, pode-se acrescentar depois de três dias, 2kg de sulfato de zinco; seis dias, 600g de sulfato ferroso; nove dias, 2kg de sulfato de magnésio; doze dias, 600g de sulfato de manganês; quinze dias, 500g de sulfato de cobre, e dezoito dias,  2kg de cloreto de cálcio. Depois de adicionar todos os elementos, aí sim, contar trinta dias e estará pronto para a aplicação.

Quando um solo apresenta alguma deficiência é preciso prestar atenção em alguns bio indicadores, ou seja, mecanismos altamente eficientes para verificar possíveis anomalias no solo, água, etc. Atualmente um dos maiores problemas enfrentados pela humanidade é a contaminação da água por agrotóxicos. Muitas vezes a única maneira para conferir a presença de contaminantes são análises laboratoriais. É possível a aplicação de uma técnica bem simples para saber. Depositar sementes de camomila em um pequeno recipiente com água. Depois de três ou quatro dias as sementes começam a germinar. Se a água estiver contaminada, a plantinha irá morrer após germinar, portanto essa água deverá ser evitada para o consumo.

Um dos produtos naturais de uso agrícola mais utilizado no planeta é sem dúvida biofertilizantes, que é resultado da fermentação uma ou várias substâncias. O professor relatou a história de um biofertilizante conhecido no planeta, cujo nome é supermagro. Esse nome se deve ao seu criador, um técnico agrícola do Rio grande do Sul, produtor de maçã que desenvolveu a fórmula “mágica” para produzir a fruta sem a aplicação de produtos químicos. É importante aqui destacar que o fertilizante supermagro sua fórmula pode ser ajustada de acordo com a cultura a ser aplicada, a região e o clima. Em regiões de clima tropical, de temperaturas elevadas, o tempo de fermentação desse biofertilizante pode varia de 15 a 20 dias. Já em regiões com temperaturas mais amenas como a região sul do Brasil, o processo de fermentação pode levar até 120 dias.

O professor ensinou uma fórmula para a produção de biofertilizante que dificilmente será esquecido. A fórmula é quase uma brincadeira, que é assim expressada: 144 – 44 – 4-4-, ou seja, 144 litros de água, 44 kg de esterco, 4 kg de pó de rocha e 4 litros de melado ou garapa. Deixar fermentar por 30, 60 ou 90 dias.  Quanto à matéria orgânica, cada um utiliza aquela que tem disponível, conforme a região e o clima. No Rio Grande do Sul, existem nada mais nada menos que 276 tipos diferentes de biofertilizantes. A grande quantidade se deve ao fato de evitar qualquer risco de alguma empresa vir a patentear o produto.

A química sem dúvida foi a área do conhecimento que transformou a Alemanha em uma das grandes potências econômicas. A participação de um cientista chamado Alexandre Humboldt fez grande diferença. No final do século XIX, Humboldt viajou para o México e transformou a casca da planta salix ou salgueiro, que combate a febre, no medicamento aspirina. Para dinamizar a venda desse produto, como fazem todas as corporações, criou meios para menosprezar práticas caseiras ou populares de chás, como o que era realizado com casca de salix. Outra curiosidade dita pelo professor é que a Alemanha compra quase todos os caroços de manga colhida no mundo inteiro. Os caroços são moídos e transformados em creme, da marca "nivea", para retardar o envelhecimento.

O resultado da ocupação das terras periféricas do planeta pelas metrópoles européias foi de apoderar-se das riquezas naturais, como o pau brasil, seringueira, cacau, café, entre outras centenas de espécies. A intenção foi transformar mecanicamente esses produtos e agregar valor infinitamente superior ao da matéria prima. Aqui explica o fato desses países periféricos, Brasil em especial, onde a educação e a ciência são tratadas com tanto desprezo. Se a Alemanha, Inglaterra, Itália, Bélgica, Suíça, Japão, etc, se destacam mundialmente na economia, na tecnologia, não há dúvida que o motivo foi investimento milionário no sistema educativo.

O café sombreado, gasta menos energia, portanto, mais saudável ele fica. Quando o café passou a ser cultivado no vale do Paraíba, final do século XIX, todo o esterco das fazendas de gado, burros, das fazendas do entorno dos cafezais passou a ser aplicado nos cafezais. Na década de 1940, já preparando a revolução verde, o esterco passou a ser substituído por tortas de algodão, tortas de mamona e de amendoim. Na Amazônia, o japonês ainda faz adubação verde para centenas de hectares de culturas. Em 1964, regime militar, os americanos impuseram novo modelo de cultivo agrícola a partir de compostos químicos. Afirmavam equivocadamente que a matéria orgânica deveria ser enterrada a 30 ou 40 cm de profundidade. Contrapondo ao modelo agrícola americano, os japoneses faziam adubação verde para adquirir autonomia e independência. No Brasil, com a revolução verde, as cooperativas se transformaram em entrepostos comerciais da Monsanto.

A aplicação de ÁCIDO FÚLVICO nas plantas para estimular o enraizamento se constitui em uma poderosa substância de baixo custo financeiro e muito eficiente. Para a preparação do fertilizante do solo um dos principais ingredientes é terra turfa ou substrato. Tendo a terra turfa, cabe agora adicionar uma colher de sopa de soda caustica em dois litros de água, mexer, adicionar o substrato. Pronto essa etapa, agora é coar em um pano e acrescentar acido muriático. Novamente coar, pois o líquido ficará amarelado. Está pronto o acido fulvico. Para aplicação em plantas, pulverização, é recomendado 25 ml do ácido em 20 litros de água.   

A produção da famosa TORTA DE BOCASHI tende a ser um dos nutrientes mais relevantes da agroecologia. O carvão vegetal, por sua vez, é um dos seus principais componentes, entre outros tantos que compõem o composto. Não é necessário comprar o carvão, o agricultor pode produzir na sua chácara, sítio sem custo algum. A vantagem é que se pode utilizar restos de madeiras do bioma local, que contém propriedades químicas/físicas/biológicas não identificadas em madeiras de outros biomas.

Para fazer a Torta de Bocashi, o primeiro passo é despejar pó de rocha no chão, recomendação em um local coberto para evitar chuva. O pó de rocha não possui vida e absorve a umidade do solo. Após despejado o pó de rocha, adicionar terra de barranco/terra preta, esterco seco de boi, outra camada de casca de arroz, esterco de cabra, farelo de arroz, cana moída, casca da mandioca, casca de banana, folha da bananeira – como um reator. Balde com água, esterco de galinha, carvão moído, palha verde, melado. O processo é muito parecido com uma torta, toda feita em camadas. É importante aqui picar todos os ingredientes com uma pá, misturando-os. Três dias depois se deve mexer o composto devido ao calor produzido no seu interior.

Prestar atenção nas sementes que serão lançadas no solo é algo imprescindível na agroecologia. Uma das práticas comuns para proteger a sementes a ação de patógenos é a sua peletização, ou seja, uma espécie de invólucro protetivo. A recomendação é usar cola e pó de rocha. Mais de 80% das doenças que afetam as plantações tem a sua origem no processo de semeadura. O pó de rocha cria um campo eletromagnético que impede o ataque de fungos no instante que a semente germina.

Muitos já devem ter ouvido falar da técnica de captura de fungos na mata ou MICRORGANISMOS EFICIENTES. Esse é um processo muito antigo, porém, no Brasil raríssima são as pessoas que conhecem. Fungos são microorganismos responsáveis pela decomposição de elementos vivos, no caso das florestas são folhas, troncos, etc. No entanto, os fungos podem ser capturados usando arroz cozido, que o serial mais comum. O que deve ser observado aqui é o cozimento de arroz livre de contaminantes como agrotóxicos.

O arroz, não muito cozido, pode ser acomodado num recipiente e coberto por um pano/tela e levado no interior da mata. Recomenda-se também por a caixa em contato com o solo para facilitar a entrada dos fungos. Feito isso a caixa será coberta com folha e outros elementos ali existentes. O objetivo é criar na caixa um ambiente mais próximo possível da floresta. Dez a quinze dias depois estará pronto. Fungos pretos presentes no arroz devem ser descartados novamente na floresta, ficando apenas com os fungos coloridos.

Depois dessa primeira etapa, recomenda-se adicionar três litros de melado ou garapa dentro de um balde com água limpa. Misturar e acrescentar os pedaços de arroz com os fungos. Coar tudo e por em uma bombona, vedá-la e por uma mangueira para que o gás presente no seu interior possa sair. Para verificar se a fermentação está ocorrendo, por um recipiente com água, cuja ponta da mangueira ficará no seu interior.  Nas duas primeiras semanas possivelmente não sairá bolha pelo fato do processo de fermentação estar no início. O produto pode ser armazenado por um ano.

Para a aplicação é recomendado cinco litros do concentrado misturado com um litro de melaço de cana para ativar os fungos. Primeiro por o melado na recipiente com água e depois os cinco litros de fungo. Três ou quatro horas depois já está pronto para aplicar em um hectare de terra. Para cada 100 litros de água inserir 3 litros do concentrado e mais 400g de melaço em pó ou ½ litro de melaço líquido.

Há, sim, certeza absoluta que a agroecologia é a única garantia que temos de permanecermos nesse planeta por mais tempo. Isso se deve a recuperação de toda uma simbiose perdida ao longo dos séculos e agravada nas últimas décadas pela acelerada revolução agrícola.  Acredito que o referido texto possa existir uma enormidade de equívocos que deverão ser revisados. Fora isso, espero que sirvam de subsídios aqueles que desconhecem muitas das técnicas de práticas agroecológicas relatadas.

O fato motivador desse relatório, sem dúvida alguma foi ter conhecido o grande mestre Sebastião Pinheiro. Além do mestre Sebastião, reitero toda a minha gratidão àqueles/as que por quase cinco dias junto comigo participaram do espetacular curso de agroecologia com o mestre em Dom Pedro de Alcântara.  Creio que tanto para mim quanto para muitos/as dos/as que lá estiveram, os conhecimentos e experiências repassados por Tião foi o energético que nos faltava para seguir em frente com nossas vidas acreditando que ainda há esperança de um planeta onde todos os seres possam viver em equilíbrio.

Prof. Jairo Cesa  

https://www.youtube.com/watch?v=pH8GUBg_gQE


https://www.youtube.com/watch?v=_rRW2ub5hY0

  https://www.youtube.com/watch?v=K0UmAMWX9c4

https://biome4all.com.br/fungos-que-beneficiam-as-raizes-das-plantas/?gclid=CjwKCAjwv4SaBhBPEiwA9YzZvPWz8iNAb1IJr9vIsoHmYkBUhd6dozThjFMYh9Lelh5v2R45AUqGBhoCbGsQAvD_BwE

https://www.youtube.com/watch?v=A0korY6X-jE

https://www.youtube.com/watch?v=_JO-wbabCCY

https://www.youtube.com/watch?v=nmdH1OtFnrI

https://www.youtube.com/watch?v=O-_vcg9LaNY

https://www.youtube.com/watch?v=MuodpZOyW4c

https://www.youtube.com/watch?v=gezWGtwCdrI

https://www.youtube.com/watch?v=Hm7q4nfJByE

https://www.youtube.com/watch?v=PhrcZFG1Vvg

https://www.youtube.com/watch?v=TkCOo0YmSxc

https://www.youtube.com/watch?v=c7QOjXVAKHk

https://www.youtube.com/watch?v=j0OIp4iix6o

https://www.youtube.com/watch?v=MWLfJ8aiDa0

https://www.youtube.com/watch?v=T6zL4gtEvxo importante

 

 

   

sábado, 8 de outubro de 2022

 

MAGISTÉRIO PÚBLICO CATARINENSE: HISTÓRIA DE LUTAS E RESISTÊNCIAS PELA PROFISSIONALIZAÇÃO DOCENTE.

Para compreender a atual realidade da educação pública catarinense, seus mandos e desmandos, se faz necessário retornar as primeiras décadas do século XIX, quando foram lançadas as primeiras normatizações visando regularizar a instrução pública catarinense, em especial a carreira do magistério.  Foi, portanto, nesse cenário que apareceu a figura do (a) professor (a), que comparada as demais profissões da época, “bacharel”, médico, etc, não se atribuía ao mesmo nenhuma expectativa de sucesso; a sociedade e a classe política o  encaravam com desprezo, desdém, isso poderia ser confirmado através do número ínfimo de professores(as) habilitados que exerciam a função, pois a maioria dos “educares” era composto por cidadãos (ãs) leigos(as) e religiosos(as).

 Por outro lado, paradoxalmente, os poderes públicos constituídos, tanto do império quanto das províncias, admitiam que, para o desenvolvimento sócio econômico do Estado, a resposta estaria assegurada com investimentos em educação.  Para chegar a este patamar de progresso, caberia ao governo imperial destinar expressiva parcela dos recursos à melhoria da instrução elementar, atendendo particularmente as províncias com maiores dificuldades financeiras, a exemplo da província de Santa Catarina.

O regime imperial admitindo ter dificuldades em atender as reivindicações provindas das  diversas províncias brasileiras, como forma de reduzir o fardo no qual estava submetido, instituiu o Ato Adicional de 1834, que dentre as inúmeras atribuições, concedia às províncias autonomia para regular a instrução pública elementar e secundária.  Esse dispositivo adotado ao ensino da época no qual denominamos de descentralização educacional pode ser comparado as políticas dos atuais governos estaduais que vem promovendo um profundo desmonte das estruturas educacionais através da municipalização do ensino, dando-lhes autonomia política e financeira para gerir o ensino fundamental, como forma de reduzir o ônus financeiro estadual.

Na primeira metade do século XIX, com o crescimento demográfico da província catarinense, houve  certa pressão social para que o governo provincial regulamentasse a estrutura educacional pública, com a criação de normas que estimulassem o ingresso de cidadãos ou cidadãs à carreira do magistério. Nesse período, desconhecia-se legislação específica que assegurasse algum direito aos mesmos. Sendo assim, em 1836, a província aprovou a primeira resolução, priorizando a carreira funcional docente do ensino primário.

Mesmo com tais regulações, as condições funcionais das escolas e os salários recebidos pelos professores (as) permaneciam irrelevantes. Nos primeiros concursos de acesso ao magistério, cuja escolha ocorria nas dependências da Câmara Municipal da capital com a presença do presidente da mesma e de um ou mais vereadores, poucas foram as vagas preenchidas. Nesse sentido, como medidas paliativas, para ocupar as vagas não preenchidas, o presidente da Câmara contratava professores interinos ou Acts (Admitidos em Caráter Temporários) como conhecemos hoje. Porém, na época, o/a candidato à vaga não era obrigatório comprovar formação, apenas deveria demonstrar habilidades nas primeiras letras e números.

Como vem ocorrendo atualmente com os Acts, na época, o número de professores/as interinos/as era superior aos concursados/as. Como não apresentavam estabilidades funcionais, os não concursados eram submetidos a toda forma de pressão ou perseguição política, que já ocorria na própria sala do presidente da Câmara, na Capital.  A fragilidade funcional do/a professor (a) era tamanha que, mesmo o concursado ou o contratado interinamente, tinha o seu contrato interrompido a qualquer momento, dependendo das circunstâncias ou do seu comportamento no decorrer da suas funções.

Com referência aos documentos pesquisados, tanto em Santa Catarina como nas demais províncias, o magistério público, no seu início, era composto na sua maioria por pessoas do sexo masculino. Em decorrência dos péssimos salários recebidos que os impossibilitavam de sustentar suas famílias, o magistério deixou de ser função eminentemente masculina, transformando-se em oportunidades ocupacionais para o sexo feminino. Por ser a mulher a genitora e educadora dos (as) filhos (as), ou seja, algo interpretado como “vocacional”, seu ingresso ao magistério gerou otimismo por parte do Estado, pelo fato de ser  transferida à ela a incumbência de formar as almas dos (as) novos (as) cidadãos (ãs), cuja inspiração partiria de uma moral cristã.  

Para que esse sistema pudesse ser reproduzido, o Estado construiu fortes aparelhos de controle social, representados, principalmente pelos três poderes, o legislativo, o executivo e o judiciário. Sendo o magistério uma instituição pública, historicamente percebemos que o mesmo sempre esteve à mercê não do Estado, como instituição representativa da sociedade, mas dos partidos ou grupos políticos que compõem este poder. Portanto, a escola que deveria a priori se caracterizar como pública (povo) se transformou em uma estrutura de  grupos políticos hegemônicos, detentores do por.  

Durante décadas os/as trabalhadores/as da educação, mesmo tendo havido conquistas irrisórias como a efetivação de concursos de ingresso, a lisura dos mesmos sempre foi motivo de questionamento. Em relação as escolas e a infraestrutura pedagógica, a precariedade era visível. Não  haviam escolas suficientes para atender a demanda estudantil, como medida paliativa o próprio Estado/governo autorizava os/as professores/as contratados/as a alugarem as suas próprias residências para que fossem transformadas em salas de aulas. No final século XIX, mais precisamente por volta de 1880, os (as) professores (as) tinham garantia da sua inamovibilidade, isto é, poderiam permanecer no local de trabalho durante o período que lhes convier.

 É claro que, para a remoção ou permanência para outro local de trabalho, o apadrinhamento político era o que determinava. A efetivação do/a professor (a) não era sinônimo de estabilidade ao cargo. Essa condição, também caracterizada de vitalicidade, somente era concedida aqueles (as) que estivessem exercendo o magistério há seis anos, sendo necessário, para sua confirmação definitiva, o parecer das “autoridades competentes”.

Outro direito não assegurado aos (as) trabalhadores (as) da educação era o de aposentadoria ou jubilação.  Somente teria o benefício, o membro do magistério que estivesse  há 25 (vinte cinco) anos em exercício e 60 (sessenta) anos de idade. Porém, não poderia o (a) mesmo (a) ter sofrido advertência por escrito, bem como, de provar através de junta médica, ser portador (a) de moléstia crônica ou incurável. Fatos como esse nos leva a admitir que o (a) professor (a) pouco ou quase nada  se distinguia do (a) escravo (a) cativo (a), submetido (a) as ordens de seu proprietário. Sendo assim,  era o (a) professor (a),  cativo (a) do estado, que o explorava incondicionalmente.

Essa condição de servidão instrucional, não teve mudanças significativas com a Proclamação da República. Embora fosse institucionalizada novas leis garantindo certos benefícios, as condições de trabalho e as remunerações  percebidas demonstravam que os discursos apresentados pelos governos em defesa da educação, não tinham qualquer  ressonância com a realidade.

Com a República, os novos administradores públicos proferem discursos priorizando a educação, como foi demonstrado pelo do governador Manoel Joaquim Machado, que promulgou a primeira lei republicana, em 1892, prevendo a organização do ensino público catarinense. No seu discurso dizia: É por isso que penso ser dever d’ aquelles que governam, subordinando todos os princípios a esse tão alto assumpto, ter como seu principal programma a instrucção da mocidade, que, no dizer de um profundo pensador, é o orgulho e a riqueza de um paiz”. 

Sobre remunerações, em 1894, o governo lançou legislação estabelecendo as políticas de remuneração dos (as) professores (as) do ensino elementar. O que chama atenção nessa normatização foi em relação as gratificações concedidas aos (as) mesmos (as), sob a forma de “mérito” ou meritocracia, como conhecemos hoje. Para ter direito a esse prêmio, o (a) professor (a) deveria estar em exercício há 15 anos, ser submetido a uma prova de qualificação, demonstrar assiduidade, moralidade e aproveitamento dos/as alunos/as, comprovados por documentos perante ao governador. O prêmio auferido seria de 480 réis, anualmente, ao ordenado. Se tomarmos como exemplo o(a) professor (a) provisório ou act, que lecionava nas freguesias,  como e fosse em Araranguá, cuja remuneração total chegava a 600.000 ( seiscentos mil réis), a gratificação recebida era insignificante. Mesmo porque, o custo de vida na época era extremamente alto. Para exemplificar, o valor da lata de óleo de soja era de 2.500 réis.

Mas, em se tratando de mudanças substancias no sistema educacional catarinense, em 1910, podemos admitir que foi  ano em que o ensino catarinense adquiriu uma conotação  pública, onde foram definidos os níveis e as modalidade de ensino. O Estado passava atuar não somente na instrução elementar como também no ensino secundário. Portanto, a lei 846 de 1910, autorizava o Estado a edificação e a  coordenação das escolas ambulantes, isoladas, os grupos escolares e escolas normais.

Com a implantação das Escola Normais, muitas das quais anexadas aos Grupos Escolares, os/as interessados/as a ingressarem à carreira do magistério, não necessitavam mais se deslocarem à capital do estado para estudarem. No entanto, em Araranguá, o curso de magistério somente foi oficialmente implantado em 1956, nas dependências do Colégio Madre Regina, fundado pelas irmãs da Congregação de Santa Catarina.

Embora se considerasse a lei n. 846/10 como marco para educação pública catarinense no começo da República, as condições salariais, profissionais e pedagógicas não teve avanços significativos. O que se viu no período foi o total desleixo para com as escolas situadas fora das cidades, ou seja, as escolas rurais. Expressiva parcela do orçamento público catarinense era direcionada à construção dos grupos escolares, verdadeiros templos do desperdício do dinheiro público. Poucas foram as cidades catarinenses privilegiadas por tais edificações.

Para o imaginário social da época, especialmente para aqueles que detinham o poder político, a suntuosidade dos grupos escolares, denotaria progresso, modernidade, aqueles que os vissem. Além do mais  a certeza que Santa Catarina havia se enquadrado no viés cultural evolutivo, uma pré-condição do preceito republicano. No entanto, essas construções serviam de fachada para encobrir a real face da instrução catarinense, tomada pela  escassez de escolas. As existentes, no entanto, apresentam quadro infraestrutural desolador, com professores despreparados, mal pagos, escassez de material didático e a politicagem correndo solta. 

O maior "desejo de consumo"  do/a professor/a na época pesquisada era lecionar em um grupo escolar. Pois além de status,  garantia também ao membro do magistério remuneração melhor que de escolas isoladas. No grupo escolar, o salário pago era de 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil réis), enquanto que nas escolas isoladas, a remuneração chagava a 1.080.000 (um milhão e oitenta mil réis), um diferença que ultrapassava os 50%.

Dispositivo incluído na legislação de 1910 determinou que fosse criado o cargo de Inspetor Escolar. A remuneração a esse profissional já mostrava o tamanho da importância esse órgão à condução da instrução pública catarinense.   Além das diárias, o inspetor tinha uma remuneração de 3.000.000 (três milhões de réis/mês). O inspetor escolar foi uma espécie de “olhos e ouvidos do governador”, cabendo a ele inspecionar a atuação dos/as professores/as e a aplicação de sanções aos que descumprissem as regulamentações.

 

O que se percebeu quanto ao posto de inspetor escolar foi que sua criação se deu como estratégia de repelir qualquer forma de resistência aos insurgentes no interior das escolas. Sendo a grande maioria dos/as professores/as não concursados, ou seja, apenas contratados/as temporariamente, sua permanência ao cargo estaria condicionada ao regimento da escola permanentemente conferido pelos inspetores. Qualquer falta sem justificativa ou atitude que demonstrasse riscos aos “bons costumes”, seria o/a professor/a submetido/a a um ato inquisitório, podendo resultar na exoneração dos/as mesmos/as.

O cargo de Inspetor Escolar, portanto, pode ser comparado hoje ao cargo de Gerente Regional de Educação, exercido por um cidadão (ã) que tenha comprovadamente prestado excelentes serviços ao partido político que dá sustentação ao governo. Sua função é fazer cumprir as normatizações advindas do poder central. Para assegurar que as deliberações encaminhadas sejam cumpridas, o governo, tem sob sua   égide as unidades escolares por meio de gestores ou diretores escolares.

Na realidade, o que se vê, quando da indicação desse indivíduo, não é levado em consideração critérios como capacidade de gestão e competência. O mais absurdo nisso é que todas as escolas públicas estaduais  são “loteadas” entre vereadores ou  diretórios partidários que garantem sustentação política ao governador. São eles, quem  definirão quem e qual a escola o diretor irá assumir. Muitas vezes o critério de escolha está na quantidade de votos que o candidato ao cargo conseguiu obter para o partido vencedor das eleições.

 Chegando ao final do século XX, o magistério continuava mergulhado nos mesmos dilemas de mais de cem anos atrás, quando da institucionalização do magistério. Escolas depredadas, desvios de recursos para a educação, salários aviltantes, influência partidária ou apadrinhamentos políticos nos processos de gestão das escolas, são os episódios mais comuns. Por outro lado, como  fator positivo, os/as trabalhadores/as da educação, adquiriram maior consciência da situação de sujeito explorado, que fez desencadear o desejo de organização de classe. Foi a partir do início da década de 1980, que foi criado o SINTE (Sindicato dos Trabalhadores em Educação), transformando-se  posteriormente  um dos principais movimentos de luta e resistência da categoria, vindo a proporcionar nos anos vindouros em conquistas de direitos, além de caráter mais profissional ao magistério.

Admite-se que, após quase 200 anos, quando da institucionalização do magistério catarinense, a atividade docência vem assumindo uma conotação mais profissional, reconhecida e respeitada pela sociedade, menos, é claro, pelo Estado, que reluta tratar os/as profissionais da educação com desdém, sujeitos cativos, subalternos. É necessário romper esse atraso secular que perpetua sobre as instituições públicas do Estado, dentre elas a educação. Um Estado que para manter  sua hegemonia política, insiste em se “apropriar” do sistema educacional, utilizando-o como plataforma  para perpetuar-se no poder.

Argumentos adotados pelos governos tanto no século XIX como durante a República, justificando a educação como redentora do atraso social, não merece ser considerado. Paradoxalmente, o sistema econômico em vigor, ou seja, o modelo econômico capitalista, sua existência depende da perpetuação das desigualdades sociais. Nesse sentido, todos os governos que representam regimes políticos que se alimenta das  desigualdades sociais, tenderão sempre construir regras de conduta semelhantes às escolas do passado, limitando ao máximo a autonomia dos que lá atuam. 

Durante os períodos em que o magistério paralisou suas atividades em defesa de direitos conquistados, couberam aos governos como estratégia, desviar o foco da luta da categoria, tentando desse modo, enfraquecê-los ou fazê-los com que concentrassem suas energias em pautas ou reivindicações de direitos já consolidadas em outros momentos. Esse é o caso, por exemplo, de um direito conquistado há aproximadamente 30 anos, quando mediante uma paralisação que ultrapassou os 60 dias, obtiveram um dos direitos mais almejados, o plano de carreira, que asseguraria entre outras, a gratificação por regência de classe.

Acreditando, quem sabe, na “ingenuidade” ou desatenção dos educadores, o governo, como num passe de mágica, reduz os valores das gratificações, utilizando-se mais tarde como moeda de troca nas negociações. O piso que era o tema central do movimento se transformou em tema secundário. A expressiva parcela dos trabalhadores, percebendo-se do golpe montado pela equipe governamental, disseram não à manobra, decidindo a manutenção da paralisação.

Mesmo não obtendo o que queríamos como a implantação integral do piso e um plano de carreira justo, o importante é mostrar para o governo e para a própria sociedade que os trabalhadores em educação jamais serão ludibriados por promessas falsas. A consolidação da profissão docente somente será garantida por meio  de posições como que foram tomadas na assembléia da categoria em 06 de julho de 2011.  Não são os governos que determinam quando temos que iniciar ou finalizar um movimento grevista. São os próprios (as) trabalhadores (as) que decidem, pois sindicato não é a direção nem o comando de uma entidade, sindicato são todos trabalhadores integrados a um único propósito, a conquista e defesa dos direitos da classe.

Não podemos permitir que uma entidade como a do sindicato dos trabalhadores da educação seja utilizado por oportunistas que a utilizam para benefício próprio ou de grupos atrelados a certos partidos políticos. A construção de um sindicato verdadeiramente representativo não está na desfiliação ou crítica vazia, como muitos defendem. Atitudes como essa em nada contribuirá para a politização da categoria. O que temos que fazer é fortalecer a entidade, concentrar esforços na formação política de todos os trabalhadores sindicalizados ou não, e, erradicar os parasitas “educadores” que, durante décadas, se alojaram no interior da entidade, muito dos quais jamais retornaram às salas de aula.  

É imprescindível reconstruir a unidade da categoria, mas para isso é preciso repensar que tipo de sindicato é este que nos representa. Afinal, sobre a atual coordenação, quem realmente está representando. Não são os trabalhadores como estamos constatando. É visível a manipulação dos trabalhadores por parte do comando. Nega-se ou distorce informações importantes destinadas à base. Procura-se de todas as formas, muitas vezes de forma sutil, lançar opiniões tendenciosas objetivando fazer com que os trabalhadores tomem posições de acordo com que o grupo defende.

O sentimento que perpassa entre todos/as é  que temos dois inimigos à enfrentar: o governo, com suas políticas de “desprofissionalização” do magistério, e da própria executiva do Sinte estadual, que vem demonstrando extrema fragilidade na condução de uma entidade construída com muita luta e respeitada por toda a sociedade catarinense. A greve do magistério não é apenas por cumprimento de lei, ela é, além de disso, um momento oportuno para que os/as trabalhadores/as parem e reflitam acerca da sua condição de ser, seu papel junto a sociedade, sua condição de trabalhador explorado, de mão de obra barata para o mercado. 

Nosso papel em sala, o que falamos, o que ensinamos, nossas atitudes, entre outros, são determinantes na construção de um novo olhar do planeta no qual habitamos. Acredito que a partir de agora as aulas dos/as professores/as que estiveram na greve não serão mais as mesmas, se sentirão mais livres para pensar e escolher o que transmitir ao seu aluno, deixarão de ser repressores e farão de tudo para que todos ao seu redor busquem a liberdade.   

 Prof. Jairo Cezar