terça-feira, 15 de setembro de 2026

 

A "INTERVENÇÃO DIVINA NO STF", O GOLPE DA TOGA

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A poucos dias do primeiro turno do pleito eleitoral que deverá, a priori, levar para o segundo turno os candidatos Lula, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, o STF protagonizou um episódio inédito na história da República, interpretado como um golpe da alta corte. O caso se deu com a decisão do ministro, “terrivelmente evangélico”, André Mendonça, que tomou a decisão pelo afastamento preventivo do diretor geral da PF, cuja alegação foi ter produzido relatórios sigilosos, da atuação do magistrado e a do advogado-geral da União (AGU). O episódio que levou a dispensa do chefe da PF, que foi reintegrado ao cargo mais tarde, se caracterizou como um golpe, porque tal atitude deve partir de decisão da plenária do judiciário e não ato individualizado de um juiz.

De certo modo, a postura do ministro em criar o emblemático fato, que também envolveu o seu colega de toga, Alexandre de Moraes, tem a finalidade clara de produzir clima de confusão social e revolta a poucos dias da eleição. É preciso deixar bem claro que esse ministro foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que além de jurista é pastor evangélico. É nítido que, tomada a decisão que tomou o ministro Mendonça, o ato insólito reverberaria positivamente junto a militância e aos milhares de evangélicos que denotam apoio ao candidato da extrema direita.

É claro que ninguém impede que integrantes de órgão de tamanha relevância como o STF pratique uma religião, até mesmo ocupando o cargo de pastor ou quem sabe outra função litúrgica, porém, isso jamais deveria se mesclar com decisões tomadas frente ao cargo de ministro da Alta Corte. Uma sociedade como a brasileira, onde a religião perpassa os limites da própria constituição, que define a laicidade como regra pátria, ter um ministro terrivelmente evangélico, que nos cultos que ministra, admite ser o Messias, o enviado de Deus, é, sim, uma estratégia de induzir a população evangélica a votar no candidato da extrema direita.

Atitude como essa de um ministro, de se classificar como um escolhido dos céus, foi explorado no passado pelo ex-candidato e depois presidente, Jair Bolsonaro, que sempre usava como slogan de campanha a expressão:  “Brasil acima de tudo, deus acima de todos”. Não há dúvida que há um projeto “evangelistão” sendo incubado, basta prestar atenção na quantidade de igrejas neopentecostais instaladas nas cidades brasileiras. É assustador o número de fiéis que essas igrejas conseguem atrair durante os seus cultos, grande maioria impregnando aos seus fiéis, valores morais conservadores, fundamentados no slogan fascista, Deus, Pátria e Família.    

O que é verdadeiro no caso do STF, é que o circo está montado, com objetivo explícito de distrair a população. Fazer acreditar que o órgão está contaminado, que todos/as estão envolvidos/as, que é preciso suprimir o órgão, prender, impeachment, ou até mesmo uma intervenção golpista, a exemplo de 08 de janeiro de 2023. E isso jamais podermos admitir, não queremos retroceder décadas na nossa história, porque eleger Flavio Bolsonaro, é perder direitos sociais e humanos, é voltar a censura, a fome, a violência, o negacionismo, as fobias de gênero, o empobrecimento. Acredite, será o retorno da barbárie.

Fatos recentes e muitos que estão em evidência, mostram que o “ovo” do fascismo está prestes a descascar, isso se não enfrentarmos o monstro fascista, com todo o afinco no pleito do dia 04 de outubro. O 07 de setembro comemorado em Içara/SC, quando grupos de pessoas ligadas a uma igreja evangélica, desfilaram, transportando faixas com mensagens de cunho moralista, como, por exemplo, “casamento é monogâmico e Heterossexual”, infringe princípios constitucionais de liberdade de gênero. Outro caso que merece atenção redobrada foi a agressão contra a candidata a suplente de senadora, pelo PT, por parte da polícia militar do estado em Jaraguá do Sul/SC. Tanto o insólito ato do desfile no dia 07/09, quanto a agressão recebida pela candidata a suplente de senado, em Jaraguá do Sul, ambos refletem o comportamento da sociedade brasileira, forjada pela barbárie de um patriarcalismo escravista ainda latente no imaginário coletivo.  

Se a credibilidade da população brasileira em relação a política já era pífia, agora com esses escândalos envolvendo integrantes da Alta Corte, o cenário ficou pior ainda. Quem ganha com isso são os políticos oportunistas, ditos “não tradicionais”, que apostam as fichas na aquisição desses votos e na vitória. É sabido que a extrema direita também aposta as fichas na eleição do máximo possível de congressistas, dos quais proporcionarão a uma revisão ou construção de uma nova constitucional, com a supressão de direitos aos trabalhadores.

O momento que seria para debater demandas importantes para a sociedade, como saúde, segurança, educação, meio ambiente, os/as candidatos/as e a própria sociedade, estão envoltos ao que está orbitando no STF, atolado por denúncias de corrupção e desvio de conduta de alguns dos seus membros. Enquanto a população concentra o foco das atenções sobre o supremo tribunal federal, que se transformou num ringue político, a crise ambiental deixa de ser discutida, bem como a educação. É tão sério esse desinteresse em discutir temas tão relevantes, como educação pública, que pouca gente sabe que permaneceremos nas últimas posições no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA).

Dos 91 países avaliados e que integram a OCDA, o Brasil ficou na 67ª posição geral. Porém, os resultados foram mais decepcionantes em matemática, alcançando a 71ª posição. Já em literatura, obteve a 52ª posição; e ciências, a 67ª, atrás de países como o Uruguai, Chile, México, Costa Rica, Peru, Colômbia. Esses números explicam por que elegemos candidatos que, na câmara, na assembleia e no congresso, procuram esfolar os trabalhadores.  Portanto, temos que ter lucidez, mesmo aqueles que não gostam do candidato Lula, devem ter clareza que o que está em jogo é a civilização, e que votar na extrema direita é optar pela barbárie.   

Prof. Jairo Cesa                             

 

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