A
VOZ DE HIND RAJAB, FILME QUE RETRATA O TERROR VIVIDO PELOS PALESTINOS NA FAIXA
DE GAZA
Quem
acompanha os desdobramentos dos conflitos no oriente médio pelas mídias
tradicionais, em especifico o genocídio praticado por Israel em Gaza, nem tem
noção do tamanho da brutalidade que o povo palestino vem sofrendo frente ao sionismo
israelense. Na premiação de o melhor filme estrangeiro pela academia de Hollywood
de 2026, junto com o filme brasileiro, participaram outros quatro, todos
considerados magníficos. O escolhido, porém, foi o Norueguês, Valor Sentimental.
Quem ainda não assistiu, recomendo todos, em particular, o tunisino, A Voz de
Hind Rajab, na qual narra a fala de uma menina, Hind Rajab, única sobrevivente
a um ataque do exército israelense ao automóvel na qual ela estava junto com a
sua família.
O
filme, de curta duração, mostra o cotidiano tenso das equipes de socorristas no
interior de uma sala, recebendo chamadas e coordenando equipes externas para o
salvamento de vítimas de bombardeios. Talvez, para nós, e outros milhões de
cidadãos espalhados pelo mundo, não temos noção do pânico, do horror diário
vivido por milhares, milhões de pessoas na Palestina, no Líbano, no Irã, e em
menor proporção em Israel, com a expectativa de que a qualquer momento um
míssil possa atingir sua residência, as escolas de seus filhos e mutilar a
todos/as.
As
guerras, particularmente as que estão em curso atualmente, como no oriente
médio, tem como protagonistas dois malucos lunáticos. O primeiro, Donald Trump,
do Partido Republicano dos Estados Unidos, acometido por um narcisismo doentio,
acusado de crimes como de pedofilia, que acredita ser “o messias”, a
representação divina de jesus cristo na terra. Ou outro, tão lunático quanto o
primeiro, integra a falange dos sionistas fundamentalistas judeus, que atuam de
modo insano em extirpar todos/as que ocupam as terras, das quais acreditam ter
sido elas pertencidos aos seus antepassados.
Nessa
loucura patológica o que sobra são escombros e mais escombros, corpos
soterrados, mutilados, famílias inteiras destruídas e um cenário de incertezas,
medo, traumas que conduzirão as vidas dos que sobreviverem por décadas. O que
causa mais revolta é saber que outras potências econômicas ocidentais e até
mesmo orientais, vem acompanhando as chacinas diárias nesses territórios, sem
manifestar qualquer repulsa ou pedido de punição contra os dois líderes por infringirem
resoluções internacionais, classificadas como crime de guerra. Vamos imaginar
se os ataques desferidos contra a escola iraniana, por forças israelenses e
norte americanas, fossem em bairro nobre em Nova York e tivesse matado a mesma
quantidade de crianças da escola iraniana. Teria tido a mesma repercussão
discreta como foi com a escola do país persa? Penso que haveria uma comoção sem
precedente nos quatro cantos do planeta.
Qualquer
individuo com o mínimo de capacidade compreensiva, tem clareza que o conflito
no Oriente Médio tem dois atores principais, onde buscam a todo custo impor seus
domínios sobre a região. O que não imaginavam era de o Irã impor tamanha
resistência as investidas bélicas estadunidenses e israelenses, talvez pelo fato
de os dois líderes subestimarem o poderio de respostas do país persa, com mais
de cinco mil anos de história. Embora o Irã e os EUA estejam nesse momento sob um
discreto cessar fogo, o exército israelense permanece bombardeando o sul do
Líbano, bem como a Faixa de Gaza, cujo argumento é neutralizar os “terroristas”
do Hezbollah e do Hamas.
Quando
grupos armados do Hamas romperam o muro que separa Gaza dos territórios palestinos
ocupados, invadindo uma festa, matando dezenas de pessoas e sequestrando outras
tantas, a violenta gerou comoção e revolta aos ocidentais, imputando aos
autores, os “terroristas” do Hamas, todo o ódio e indignação possível. O
assassinato de mais de cem crianças em uma escola iraniana, as outras centenas
mortas no sul do Líbano em um ataque desferido por Israel durante a decretação
do cessar fogo, não teve a mesma comoção, a mesma revolta dos ocidentais contra
os autores, as duas nações “democráticas” e “livres”, EUA e Israel. A cena
final do filme, envolvendo os socorristas encarregados pela salvação da menina,
tenho certeza que fará muita gente refletir que temos que lutar ao máximo para impedir
que pessoas com comportamentos similares a Trump e Netanyahu jamais ocupem a presidência
da república.
Prof.
Jairo Cesa
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