quarta-feira, 15 de abril de 2026

 

A VOZ DE HIND RAJAB, FILME QUE RETRATA O TERROR VIVIDO PELOS PALESTINOS NA FAIXA DE GAZA

https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/indicado-ao-oscar-a-voz-de-hind-rajab-transforma-tragedia-palestina-em-urgencia-cinematografica/?srsltid=AfmBOorosfFddHvreenuPQZU7Ns5udhbd9Q9ypHQ21qqDlO4GtXmt3rS


Quem acompanha os desdobramentos dos conflitos no oriente médio pelas mídias tradicionais, em especifico o genocídio praticado por Israel em Gaza, nem tem noção do tamanho da brutalidade que o povo palestino vem sofrendo frente ao sionismo israelense. Na premiação de o melhor filme estrangeiro pela academia de Hollywood de 2026, junto com o filme brasileiro, participaram outros quatro, todos considerados magníficos. O escolhido, porém, foi o Norueguês, Valor Sentimental. Quem ainda não assistiu, recomendo todos, em particular, o tunisino, A Voz de Hind Rajab, na qual narra a fala de uma menina, Hind Rajab, única sobrevivente a um ataque do exército israelense ao automóvel na qual ela estava junto com a sua família.

O filme, de curta duração, mostra o cotidiano tenso das equipes de socorristas no interior de uma sala, recebendo chamadas e coordenando equipes externas para o salvamento de vítimas de bombardeios. Talvez, para nós, e outros milhões de cidadãos espalhados pelo mundo, não temos noção do pânico, do horror diário vivido por milhares, milhões de pessoas na Palestina, no Líbano, no Irã, e em menor proporção em Israel, com a expectativa de que a qualquer momento um míssil possa atingir sua residência, as escolas de seus filhos e mutilar a todos/as.

As guerras, particularmente as que estão em curso atualmente, como no oriente médio, tem como protagonistas dois malucos lunáticos. O primeiro, Donald Trump, do Partido Republicano dos Estados Unidos, acometido por um narcisismo doentio, acusado de crimes como de pedofilia, que acredita ser “o messias”, a representação divina de jesus cristo na terra. Ou outro, tão lunático quanto o primeiro, integra a falange dos sionistas fundamentalistas judeus, que atuam de modo insano em extirpar todos/as que ocupam as terras, das quais acreditam ter sido elas pertencidos aos seus antepassados.

Nessa loucura patológica o que sobra são escombros e mais escombros, corpos soterrados, mutilados, famílias inteiras destruídas e um cenário de incertezas, medo, traumas que conduzirão as vidas dos que sobreviverem por décadas. O que causa mais revolta é saber que outras potências econômicas ocidentais e até mesmo orientais, vem acompanhando as chacinas diárias nesses territórios, sem manifestar qualquer repulsa ou pedido de punição contra os dois líderes por infringirem resoluções internacionais, classificadas como crime de guerra. Vamos imaginar se os ataques desferidos contra a escola iraniana, por forças israelenses e norte americanas, fossem em bairro nobre em Nova York e tivesse matado a mesma quantidade de crianças da escola iraniana. Teria tido a mesma repercussão discreta como foi com a escola do país persa? Penso que haveria uma comoção sem precedente nos quatro cantos do planeta.

Qualquer individuo com o mínimo de capacidade compreensiva, tem clareza que o conflito no Oriente Médio tem dois atores principais, onde buscam a todo custo impor seus domínios sobre a região. O que não imaginavam era de o Irã impor tamanha resistência as investidas bélicas estadunidenses e israelenses, talvez pelo fato de os dois líderes subestimarem o poderio de respostas do país persa, com mais de cinco mil anos de história. Embora o Irã e os EUA estejam nesse momento sob um discreto cessar fogo, o exército israelense permanece bombardeando o sul do Líbano, bem como a Faixa de Gaza, cujo argumento é neutralizar os “terroristas” do Hezbollah e do Hamas.

Quando grupos armados do Hamas romperam o muro que separa Gaza dos territórios palestinos ocupados, invadindo uma festa, matando dezenas de pessoas e sequestrando outras tantas, a violenta gerou comoção e revolta aos ocidentais, imputando aos autores, os “terroristas” do Hamas, todo o ódio e indignação possível. O assassinato de mais de cem crianças em uma escola iraniana, as outras centenas mortas no sul do Líbano em um ataque desferido por Israel durante a decretação do cessar fogo, não teve a mesma comoção, a mesma revolta dos ocidentais contra os autores, as duas nações “democráticas” e “livres”, EUA e Israel.   A cena final do filme, envolvendo os socorristas encarregados pela salvação da menina, tenho certeza que fará muita gente refletir que temos que lutar ao máximo para impedir que pessoas com comportamentos similares a Trump e Netanyahu jamais ocupem a presidência da república.

Prof. Jairo Cesa

 

     

 

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