sexta-feira, 10 de abril de 2026

 

O AMEAÇADO CICLO DAS AVES MIGRATÓRIAS NA COSTA OCEÂNICA DE ARARANGUÁ

 

Foto - Jairo

Duas vezes por ano, no outono e na primavera, a costa oceânica de Araranguá recebe centenas de pequenos pássaros que fazem o longo e obrigatório percurso entre o sul da Argentina à região nordeste e norte do Brasil. Há relatos que esses pássaros viajam até a costa mexicana e norte americana.  As aves que me refiro são as batuíras, que impressionam pela rapidez no solo procurando o alimento necessário para concluir a longa jornada de sobrevivência da espécie.  

https://www.wikiaves.com.br/wiki/batuira-de-bando


É importante saber que nossa costa oceânica não é passagem obrigatória somente dessa aves, também temos a visita anual das Baleias Francas, e em menor proporção, de lobos-marinhos, pinguins, entre outros/as. Os pinguins, por exemplo, dependendo do ano e das correntes marítimas vindas da Antártida, geralmente chegam já sem vida nas nossas praias, acometidos por desnutrição e doenças.

Por ser a costa atlântica do Brasil e em especial a sul catarinense, habitat e rota obrigatória de aves e mamíferos marinhos, a existência de legislações com vistas a regulação de ocupações habitacionais e do trânsito de veículos na faixa costeira, se fez e faz necessária para assegurar que esses espetáculos da natureza continuem sendo desfrutados pelas futuras gerações. A faixa costeira do extremo sul catarinense, pelas suas características geomorfológicas, extensa faixa de praia com o mínimo de obstáculo, consiste em ambiente imprescindível às aves migratórias.

É nesse intervalo territorial um tanto longo que permite as batuíras acumular energia suficiente para alçar voos até encontrarem outros locais que ofereçam alimentos em quantidade e de boa qualidade. A atuação de órgãos ambientais como o MPF, impondo aos municípios costeiros que  estabeleçam regras de controle do trânsito de veículos na orla e demais ecossistemas costeiros, que garante que  aves como as batuíras se alimentem sem serem molestadas.  

A criação de Áreas de Preservação Ambiental - APA, como a da Baleia Franca, abrangendo uma extensa área territorial entre a costa sul de Florianópolis ao Balneário Rincão, são importantes recursos que garantem a sobrevivência dessa espécie de mamífero. Se observarmos os laudos semanais do  Instituto do Meio Ambiente, IMA,  da balneabilidade das praias catarinenses, a região que compreende a APA da baleia franca é a que apresenta menores índices de praias impróprias para o banho. Claro que existem  exceções, um dos exemplos é o município de Balneário Rincão, que tiveram quase todos os pontos diagnosticados com a presença de substâncias contaminantes na água. São municípios que necessitam receber maior atenção das autoridades, por ser também parada obrigatórias de aves migratórias. 

https://conapabaleiafranca.wordpress.com/sobre/


A contaminação das praias por clorofórmios fecais é ainda o grande gargalo enfrentado pelas espécies migratórias, bem como de toda a complexa biótica marinha. O que minimiza os impactos ao ciclo natural das batuíras é saber que sua passagem pela costa catarinense ocorre entre o final do mês de março e começo de abril, já fora da temporada de verão, cuja água e a área das praias estão menos contaminadas.

Creditar ao esgoto como principal vilão da contaminação de nossas praias é querer omitir outros vetores poluentes, tão graves e até mesmo mais impactantes. Rios que desaguam na faixa costeira do sul do Estado catarinense, o Araranguá, o Urussanga e o Tubarão,  todos despejam toneladas de resíduos sólidos no oceano atlântico todos os dias. O caso do rio Araranguá é bem representativo, que integra uma bacia de tamanho médio, com 21 municípios, é uma das que mais despeja agrotóxicos, resíduos de carvão mineral, esgoto doméstico, industrial e outros tantos tipos de partículas poluentes no oceano atlântico.

Foto - Jairo


Uma pequena precipitação pluviométrica na montante da bacia já é suficiente para acumular lixo na foz e em toda a orla do município de Araranguá. Já repeti em outros textos publicados, que esse passivo ambiental não deve ser creditado exclusivamente ao município de Araranguá. Todos os municípios que integram a bacia deveriam contribuir para mitigar os impactos ambientais, por meio de programas ambientais em seus territórios, ou por políticas conjuntas chanceladas pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do rio Araranguá.  Fora isso, não resolve o município de Araranguá, todos os anos querer insistir no projeto arco ires, de recolher lixo nas imediações da foz da respectiva bacia. É o mesmo que enxugar gelo, de continuar mitigando um problema que não terá fim se não for atacado na sua raiz.

Prof. Jairo Cesa

    

             

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