A
DESTRUIÇÃO DAS INSTITUIÇÕES REPUBLICANAS SE AGRAVA NO GOVERNO BOLSONARO
O
pouco do que ainda resta de direitos dos trabalhadores brasileiros foram
solapados na última semana com a votação do texto base da reforma da
previdência. Desde o início da sua tramitação, as justificativas apresentadas
pela mídia entreguista e seus asseclas neoliberais era de que seria necessária
para reativar a economia em crise. No entanto esse discurso nada convincente se
repetiu outras tantas vezes nos últimos quatro a cinco anos, sempre insistindo o
mesmo bordão, “recuperar a confiança do Brasil”.
O
impeachment de Dilma em 2016; o teto de gastos públicos de 2016; a reforma trabalhista
de Temer de 2017, e as eleições, também em 2018, são alguns exemplos de
justificativas mal intencionadas coordenadas pelos representantes das poderosas
elites locais e internacionais. O sucesso de cada uma dessas empreitadas não
seria possível sem o apoio condicional das poderosas agências noticiosas
nacionais que habilmente conseguem manipular milhões de brasileiros submetidos
a graus de miserabilidade econômica e cultural assustados.
Concluída
a reforma da previdência, é claro que não haverá efeitos concretos relativos à melhoria
das condições de vida da população, pois se realmente fossa essa a intenção, a
partir do golpe de 2016 e a lei do teto de gastos públicos de 2017, o Brasil já
estaria em uma condição econômica melhor que a atual. Todos devem lembrar-se da
propaganda em defesa da reforma trabalhista de Temer, argumentando que o
desemprego aviltante no memento da tramitação do projeto se devia as benesses que
a legislação trabalhista concedia aos trabalhadores. Tudo mentira.
Dois
anos depois de sua promulgação o índice de desemprego saltou de nove, dez
milhões para quase vinte milhões de desocupadas e outras quarenta ou cinquenta
milhões que vivem na informalidade. Nos últimos
dias da tramitação da reforma da previdência era possível ouvir de apoiadores
do governo federal e do próprio congresso opiniões admitindo que a reforma
somente ela não era suficiente para reverter à crise. Outros ajustes fiscais teriam
que ser aplicados, mais uma vez o alvo seria a classe dos trabalhadores
assalariados.
Não
é segredo para os mais sóbrios que nenhuma dessas reformas executadas e outras
pretendidas não se traduziriam em benefícios aos trabalhadores, pois essa não é
a pretensão do capital. O capital, porém, sobrevive das desigualdades e
contradições produzidas na relação capital e trabalho. Nas últimas eleições os
discursos mais comuns ouvidos dos representantes do capital era a necessidade
urgente de renovação política, isso se daria elegendo congressistas desprendidos
dos vícios tradicionais do toma lá da cá, que denigre a imagem da política brasileira.
Não é mesmo?
Para
assegurar a vitória do governo na aprovação do texto base da reforma entrou em
ação a tradicional prática viciada do toma lá da cá. Foram quase três bilhões
de reais liberados pelo governo em emendas parlamentares, valores que garantiram
379 votos de parlamentares ao projeto. Foram 131 votos contrários ao texto. O
que é irônico nisso é quase cem por cento dos congressistas que votaram a favor
da reforma foram eleitos com os votos daqueles que serão os mais prejudicados,
ou seja, os pobres desassistidos. O argumento do governo de que a não aprovação
da reforma quebraria o Brasil é uma mentira deslavada.
O
fato é que se a previdência é deficitária se deve aos bilhões de reais que a instituição
não está recebendo de empresas, pessoas físicas e grandes corporações, que
somada a outros bilhões em sonegação e isenções fiscais gerou o rombo
assustador. As estratégias bem sucedidas da direita e extrema direita
brasileira estão dando certo com o desmonte das instituições republicanas ainda
não consolidadas.
Para
um país como o Brasil onde cerca de dez famílias concentram metade de toda a
riqueza, as eleições de governos ultra liberal como de Bolsonaro e o
enfraquecimento das instituições republicanas se caracterizam como um
retrocesso histórico, um retorno aos duros anos do século XIX. Nas sociedades
onde as instituições ou os poderes são bem sedimentados há um nítido respeito
aos fundamentos republicanos mesmo em períodos cíclicos de instabilidade
social.
Os
princípios do republicanismo são respeitados principalmente pelas classes mais
abastadas. É obvio que nesses países há um elevado grau de confiança depositado
às instituições. Os poderes constituídos, legislativo, executivo e judiciário,
raramente ultrapassam as fronteiras de atuação conforme estabelecido na constituição.
No caso brasileiro, o republicanismo instituído a mais de cem anos está em vias
de ser solapado definitivamente pela fragilidade dos preceitos éticos e morais
de seus representantes.
O
que dizer de um presidente que vai a um encontro de evangélicos e se manifesta
favorável a indicação de um ministro terrivelmente evangélico para o Supremo
Tribunal Federal? Esse discurso inconsequente já é uma prova cabal do golpe que
está sendo desferido a republica, que por sua natureza tenderia a ser laica. Qual
a tendência de governos com esse perfil para o futuro do Brasil. Muitos
críticos e pesquisadores afirmam que estamos trilhando o caminho de um regime
totalitário.
A
maneira como se sucedeu a eleição de Bolsonaro e a grande presença de militares
no seu governo chama atenção e põe uma interrogação nos sistema republicano. A
aproximação com camadas ultraconservadoras como grupos religiosos neopetenconstais,
o fortalecimento de milícias, a exaltação da virilidade, da força, da violência,
é compreendido como pré-requisito ao surgimento de um pré fascismo como foi na Europa
do começo do século XX, que conseguiu convergir para seu entorno parte
expressiva da massa popular.
Prof.
Jairo Cezar
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