MORRO
DOS CONVENTOS - UM OASIS GEOECOLÓGICO QUE IMPRESSIONA PELA SUA BELEZA E
POTENCIALIDADE TURÍSTICA
![]() |
Foto - Jairo |
A
comunidade do Morro dos Conventos pode ter certeza, será conhecida por milhares
de cidadãos/as brasileiros/as a partir do dia 8 de novembro de 2018, quando da
realização de encontro com integrantes da Fundação SOS MATA ATLÂNTICA; SECRETARIA DE TURISMO DE ARARANGUÁ; FAMA; RAPSOL;
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO; AMOCO; PLANT FOR THE PLANET; UFSC;
ADR/ARARANGUÁ; CRM-SC; GEOAMBIENTAL, ETC. A vinda a Araranguá se deve ao
projeto Unidades de Conservação da Costa
de Araranguá – difundindo a Natureza local com o roteiro geoecológico, como uma
das demandas do Projeto Orla.
O
projeto acima citado foi selecionado entre tantos encaminhados à SOS MATA
ATLÂNTICA, que poderia se constituir mais um acontecimento trivial para a
fundação, sem muita repercussão, porém, não foi o que aconteceu. A equipe
julgadora o projeto coordenado pela Prof. Dr. Samanta Cristiano, como o mais
relevante na categoria indicada. E não ficou somente na seleção por si só. A
temática sugerida mobilizou a fundação para que conferissem em loco o que de
relevante, exclusivo, havia naquele minúsculo ponto no mapa da costa sul catarinense.
![]() |
Foto - Jairo |
A
proposta contemplada teve e tem por objetivo sensibilizar a sociedade sul
catarinense das potencialidades ambientais, turísticas da faixa costeira de Araranguá,
bem como dar visibilidade e conhecimento sobre os complexos e frágeis ambientes
onde se está inserida. A região em foco foi transformada, por decreto, em 2016,
em três unidades de conservação municipal: MONA – Monumento Natural – Unidade
de Conservação Morro dos Conventos; APA (Área de Proteção Ambiental) e RESEX
(Reserva Extrativista – Comunidade de Ilhas e Morro Agudo).
Sendo
assim, a primeira versão do projeto que resultou nos painéis informativos e
educativos da costa de Araranguá, será revitalizado, ajustado seguindo as prerrogativas
legais das unidades de conservação. Essa revitalização, ampliação e demais
atividades complementares, têm o apoio da SOS MATA ATLÂNTICA com recursos
provenientes da REPSOL social.
![]() |
Foto - Jairo |
O
primeiro contado da fundação com membros do projeto ocorreu em agosto de 2018,
quando Diego Agawa Martinez, biólogo da SOS Mata Atlântica e analista de áreas
protegidas, esteve no Morro dos Conventos, que acompanhado por integrantes do Comitê
Gestor do Projeto Orla, inspecionaram os painéis e algumas trilhas que compõem
o roteiro. A visita do membro da fundação ao balneário lhe impressionou de tal
forma que resultou num texto – Um
Tesouro Protegido no Sul do Brasil, publicado na página eletrônica da
fundação em 14 de agosto de 2018.[1]
A
região de Morro dos Conventos, Morro Agudo, Ilhas e Barra Velha, que para
muitos cidadãos e políticos locais se resumem em fragmentos territórios dispensáveis,
aguçaram a curiosidade de outros integrantes da fundação SOS Mata Atlântica, a
coordenadora de responsabilidade social da Repsol Sinopec, bem como da grande
imprensa nacional. Isso mesmo, grande imprensa. Depois da publicação o texto de
Diego Agawa, na Página oficial da fundação SOS Mata Atlântica e de grande
repercussão nacional, no dia 08 de novembro de 2018, um novo encontro se
sucedeu no Morro dos Conventos, dessa vez com um público ampliado.
![]() |
Foto - Jairo |
Estavam
presentes no salão de festas da Igreja São Judas Tadeu do Bairro, além das
entidades acima mencionadas, o fotografo da fundação SOS; profissionais das ARTV
e duas jornalistas, uma do Jornal O Globo, do Rio de Janeiro, e a outra do
Estadão, São Paulo. Quando se soube que haveria tal evento no Morro dos Conventos,
numa quinta feira à tarde, para tratar de demandas vinculadas ao meio ambiente,
turismo, a expectativa era que estivessem no local três ou quatro pessoas, como
é de praxe quando se trata dessas temáticas.
Entretanto
o numero ficou acima da expectativa, porém, muitos dos quais, de fora, curiosos
em saber o que de tão espetacular o balneário tem que movimentou entidades como
a SOS Mata Atlântica e a imprensa. Quando conversei com as duas jornalistas,
questionei-as se o fato de ambas estarem no evento teria sido mera casualidade ou
foi ato premeditado, com fim exclusivo jornalístico? Responderam que foram
convidadas pela fundação, onde dispensaram outras matérias em tela para
conhecer o que de tão espetacular havia aqui.
Como
integrante de uma organização ambiental que desde a sua fundação os membros vêm
enfrentando pressões do seguimento imobiliário e o poder público, ouvir aquela
resposta das jornalistas ressoou como um conforto, um prêmio, uma retribuição
por anos, décadas de engajamento e luta pela preservação deste que é, conforme
classificou a pesquisadora Dr. Samanta: “um
Oasis na extensa dimensão da costa sul de Santa Catarina”.
Há
tempo tem se ouvido que a faixa costeira de Araranguá é uma jóia rara, um diamante
bruto não lapidado, que bem trabalhado pode elevar o município e região do
extremo sul do estado à condição de principal rota turística do sul do estado.
O fato é que integrantes de ONGs, OSCIPs, associações de moradores, fundações
ambientais, imprensa, pesquisadores, ministério público, universidades,
imprensa, etc, todos, indistintamente, corroboram com essa afirmação, menos o
poder público e políticos locais.[2]
![]() |
Foto - Jairo |
Um
encontro da magnitude e importância que foi o dia 8 de novembro no Morro dos
Conventos, outros municípios com menor potencial ambiental e turístico, comparado
a Araranguá, teria preparado uma apoteose para recepcionar pessoas e entidades
tão ilustres, que fazem a diferença no país e no planeta. Para um município da
envergadura de Araranguá, tais preparativos são quase utopias, pois o que
prevalece ainda são os interesses individuais e o jeito tosco de fazer política.
Para muitos, endinheirados, o Morro dos Conventos é de certo modo o “El dourado verde” do setor imobiliário
e empreiteiras, que deve ser explorado a todo custo, mesmo que para isso tenham
que suprimir parágrafos, incisos de legislações, decretos.
![]() |
Foto - Jairo |
Antes
de abrir espaço para as discussões e os questionamentos, os promotores do
projeto Unidades de Conservação Costa de
Araranguá com objetivo de difundir a natureza local por meio do Roteiro
Geoecológico, fizeram uma breve explanação destacando aspectos pertinentes
e críticos da região abrangida pelo projeto. Informaram os apresentadores
Samanta e Pedro, que a proposta é sensibilizar a população acerca das unidades
de conservação, bem como revitalizar os painéis informativos dos roteiros
geoecológicos fixados em cinco pontos estratégicos do faixa costeira de
Araranguá.[3]
![]() |
Foto - Jairo |
Para que o conhecimento sobre as unidades de
conservação se estendesse a um público expressivo, foram elencadas atividades
como palestras, oficinas, etc, em escolas, associações de moradores,
universidade e instituto federal de ensino. Uma das ações mais importantes
previstas para o começo de 2019 será uma oficina educativa sobre unidades de
conservação a ser oferecida aos professores das redes de ensino do município. Esclareceu que nas palestras proferidas estão
sendo distribuídos questionários aos presentes para avaliar a compreensão
acerca de aspectos concernentes às áreas amparadas pelas unidades de
conservação.
Nas
intervenções e questionamentos, as jornalistas do o globo, Ana Lúcia Azevedo, e do estadão, Geovana Girardi, estavam
ansiosas para entender por que a escolha do tema do projeto foi relacionada à
geologia, já que geralmente muitos programas se busca dar mais ênfase aos
aspectos bióticos, ecológicos, ambientais. Respondeu a palestrante que há um projeto
maior em tramitação na região intitulado Caminho
dos Canyos Sul, que o Morro dos Conventos estava incorporado na proposta
principal, quando foi lançado, devido à relevância geológica do local, datada
de mais de 150 milhões de anos.
![]() |
Foto - Jairo |
De
acordo com estudos feitos, o Morro dos Conventos é um remanescente da serra
geral, constituído, entre outros componentes geológicos, do afloramento RIO do
RASTO. Quando se fala do afloramento Rio do Rasto, são informações
fundamentadas em escassas bibliografias existentes. Poucas pesquisas sobre o
geossítio Morro dos Conventos abrem precedentes para virtuais equívocos tanto para
a compreensão fidedigna dos tipos de afloramentos, como nas datações dos mesmos.
Não há dúvida, o Monumento Natural Morro dos Conventos, deverá se constituir,
junto com a arqueologia, ecologia, geoclimatologia, em extraordinários campos
de pesquisa, dando mais cientificidade e proteção ao singular “Oasis da costa sul catarinense”.
![]() |
Foto - Jairo |
O
Geossítio Morro dos Conventos é considerado singular pelo fato de estar próximo
ao oceano atlântico e por apresentar rica e frágil diversidade ecológica. Outro
aspecto preponderante dessa singularidade é a preservação dos ecossistemas,
incluindo a água do oceano que torna a orla do município uma das mais apreciadas
na alta temporada. A escolha se dá pelo fato das análises laboratoriais sobre balneabilidade,
jamais tornara imprópria para o banho, exceto numa única análise feita há
alguns anos que detectou presença de poluentes. Depois disso todas as análises deram
resultados negativos à presença de coliformes fecais. Esse é um fator atenuante que pode agregar e
estimular o fluxo de turista para a região.
![]() |
Foto - Jairo |
Foram
destacados também os sítios arqueológicos como futuro e importante atrativo
agregador do roteiro geoecológico Morro dos Conventos, como potencialidade
cultural, científica e turística. Não está ainda incorporado ao roteiro por
estarem ainda desprotegidos. A divulgação dos sítios presume-se que poderá
atrair curiosos mal intencionados para o local, estando sujeitos a atos de vandalismo.
Sobre as unidades de conservação, é consenso que somente os decretos não são suficientes
para a garantia da sua efetividade, é necessário dar visibilidade, demarcando a
área de abrangência, onde inicia e onde termina. Nos painéis educativos pode-se acrescentar mapas
indicativos dos limites do território protegido. Esse procedimento ajuda
regular interesse e impacto à biodiversidade.
![]() |
Foto -- Jairo |
Outro
exemplo concreto de benefícios que terão a unidades de conservação, a exemplo do
MONA ou APA, no Morro dos Conventos, são os licenciamentos ou embargos
impetrados aos proprietários de terrenos nas áreas protegidas. Parcela dos
recursos oriundos dos licenciamentos ou multas poderá compor um fundo destinado
aos gestores das unidades. Também devem
ser mencionadas as tais contrapartidas legais às unidades de conservação. Tais instrumentos
compensatórios devem ser articulados entre as comunidades dentro das unidades e
os demais agentes poluidores, que de alguma forma contribuem com ativos e
passivos ambientais. Mineradoras de
carvão, rizicultura, agroindústria, são exemplos de seguimentos que teriam que
compensar as UCS - RESEX (Reserva Extrativista) de Morro Agudo e Ilhas.
![]() |
Foto - Jairo |
Findada
a apresentação do projeto, das discussões e dos encaminhamentos, o grupo,
distribuído em vários veículos, foi conhecer os atuais painéis do roteiro
geoecológico, que estão distribuídos em seis pontos estratégicos, sendo que o
painel referência está postado na entrada do Morro dos Conventos, anexo ao
Posto de Combustível Morro dos Conventos. Alguns dos equipamentos visitados
estavam danificados, necessitando de reparos urgentes. Foi discutida a
aquisição de equipamento mais resistente, bem como ajustes nos leyauts e
escritas para torná-los mais atrativos.
![]() |
Foto - Jairo |
Na
realidade, o tour aos painéis serviu de modelo demonstrativo de como deve ser
realizado quando indivíduos ou grupos de pessoas quiserem adquirir tais
serviços no município. Não há dúvida que e efetivação das unidades de
conservação, somada aos painéis geoecológicos informativos reformulados, tudo
isso dinamizará o turismo sustentável na região, trazendo ganhos econômicos e
culturais à região.
![]() |
Foto - Jairo |
O
segundo dia do grupo no balneário foi para conhecer e fazer as trilhas, que
também é uma atividade piloto, pois requer uma melhor adequação com intuito de
minimizar ao máximo os impactos aos ecossistemas. A ARTV, que esteve presente no
dia anterior, no salão de festas da igreja, no dia seguinte também se fez
presente, registrando os deslocamentos do grupo pelas trilhas e colhendo
algumas opiniões sobre o que sentiam estar naquele local tão mágico. O integrante
da fundação SOS MATA ATLÂNTICA, assim definiu o lugar: “lugar único no território brasileiro”.
![]() |
Foto - Jairo |
Já a coordenadora de
responsabilidade social da Repsol Sinopec, Beatriz Jacomini, empresa que
financia o projeto, deu o seguinte testemunho: “lugar bem diferente, reúne diferentes espécies e tipos de vegetação e
clima que nunca tinha visto antes – lugar bem particular, com apelo turístico
muito interessante. Merece ser explorado com responsabilidade”.
Prof.
Jairo Cezar
[1] https://www.sosma.org.br/blog/um-tesouro-protegido-sul-brasil/
[2] https://www.facebook.com/artv.canal05/videos/326288281288450/
Nenhum comentário:
Postar um comentário