AGROTÓXICO PERIGOSO 2,4-D DESTRÓI CULTURA DE VINHEDO NO RIO
GRANDE DO SUL
Como
faço quase todos os domingos pela manhã, ligo a TV e assisto algumas
reportagens exibida pelo programa Globo Rural. Nesse domingo, 08 de novembro, uma
das manchetes exibidas e que me chamou a atenção, dizia: herbicida usado em
lavouras de soja afeta a produção de parreira no RS. O assunto realmente era
para ser acompanhado, especialmente pelo fato de estar no congresso, projeto de
lei que altera dispositivos que flexibiliza o uso de novos agrotóxicos, flexibilizando
o comércio até daqueles que então proibidos pelos órgãos legisladores. Assistindo
a reportagem notei que o problema vem acontecendo na região da campanha gaucha
onde plantações de vinhedos dividem espaços com culturas de soja[1].
A
denúncia dos produtores de uva era contra os contra os agricultores que
utilizam herbicidas nas lavouras, dentre eles o herbicida 2,4-D, cujas partículas
são transportadas pelo vento até os vinhedos. É sabido que a liberação do uso
desse herbicida pela agência reguladora brasileira, todos os usuários deveriam
e devem seguir regras rígidas de manejo. Entretanto, afirma os vinicultores que
o uso incorreto desse produto está atingindo as parreiras, afetando a produção,
a qualidade dos frutos e do vinho.
O
problema não se restringe apenas às uvas, as plantações de oliveiras
(azeitonas) e a mata nativa também estão sendo afetadas pelo produto. De acordo
com laudo apresentado por laboratórios no Rio Grande do Sul, das cinqüenta amostras
analisadas, no resultado obtido em 30 avaliações, 29 apresentavam substâncias
advindas do agrotóxico 2,4-D.
Segundo
relatou um dos produtores entrevistados na reportagem, o mesmo confessou que o
problema já é antigo e que afeta outras regiões do estado, totalizando área de
1500 hectares. Alguns relatos dão conta
de que os vinhedos afetados pelo veneno seus galhos crescem de forma
desordenada, que os frutos embora se desenvolvam, não ocorre maturação.
Os
prejuízos, segundo representantes de cooperativas dos produtores, são enormes. Há
casos de haver redução na produção de uva de um milhão para 450 mil toneladas
por safra. O caso é tão grave que foram protocolados denúncias no Ministério Público
com o objetivo de apurar os fatos e punir os responsáveis pelo crime ambiental.
A
divulgação da reportagem se dá num momento crítico, onde tramita no congresso
projeto de lei com intuído de facilitar ainda mais o uso de agrotóxicos na
agricultura. O próprio presidente da república eleito, indicou para o
ministério da agricultura, uma das principais integrantes do agronegócio
brasileiro, forte defensora da flexibilização das políticas sobre os
agrotóxicos ou Produtos Fitossanitários, como aparecerá nos rótulos das
embalagens. Não é segredo para ninguém que Glifosato round up é considerado o
agrotóxico mais comercializado no mundo, sendo o Brasil o primeiro ou segundo
na lista.
No entanto, no começo do ano a empresa dona da
marca sofreu um forte revés quando a justiça dos Estados Unidos decidiu dar
sentença favorável a um cidadão que responsabilizou a empresa Monsanto como
culpada pelo câncer contraído quando esteve exposto por longo tempo. Quanto ao
agrotóxico 2,4-D, proibido em muitos países como Moçambique, Noruega, Vietnã,
entre outros, devido a comprovação por danos à saúde, no Brasil, o mesmo é
liberado. Parar sua liberação aqui, os órgãos governamentais deveriam exercer
rígido acompanhamento na comercialização e uso nas lavouras. Algo que não vem
ocorrendo. Isso num momento em que as regras sobre os agrotóxicos no Brasil são
consideradas avançadas.
Imaginamos
agora como irá ficar com a nova legislação quando entrar em vigor? Quanto ao
agrotóxico 2,4-D, investigações em laboratórios comprovaram que o princípio
ativo desse veneno provoca alterações hormonais, disfunção da tireoide, do
sistema reprodutivo, etc.[2]
Outro alerta importante. Na guerra do Vietnã, esse veneno foi adicionado a
outros produtos dando origem ao nefasto Agente laranja. O exército Norte Americano,
durante a guerra, usou aviões para pulverizar as florestas daquele país,
levando a morte milhares de pessoas.
Até
hoje, cinqüenta anos depois, a população do Vietnã sofre os efeitos nefastos
desse agrotóxico. Por isso sua proibição nas culturas daquele país. O que mais seria necessário para sensibilizar
as autoridades e os políticos brasileiros para que repensem suas posições
quanto aos agrotóxicos? Até quanto continuaremos consumindo água e alimentos
contaminados. Ainda há tempo de repensar e substituir agrotóxicos por práticas
ecológicas.
Prof. Jairo Cezar
[1] https://g1.globo.com/economia/agronegocios/globo-rural/
[2] https://www.brasildefato.com.br/node/27082/
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