GOVERNO
FEDERAL EM TRÊS MESES BATEU RECORDE EM NÚMERO DE AGROTÓXICOS LIBERADOS
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https://www.greenpeace.org/brasil/blog/tres-meses-de-veneno/ |
Nas
duas últimas semanas o programa dominical globo rural dedicou amplo espaço em
seu horário para tratar sobre os agrotóxicos, os seus impactos aos ecossistemas
e experiências inovadoras de agricultores que adotaram técnicas de redução do
uso sem comprometer a produção de grãos. Um aspecto relevante mostrado na
reportagem foi o alerta à obrigatoriedade do uso de equipamentos para a
aplicação de agrotóxicos como roupas especiais, máscaras, luvas, etc, evitando o
contato com partículas de pesticidas que são responsáveis por inúmeras doenças
degenerativas, entre outras. É claro que em nenhum momento todos envolvidos na
reportagem fizeram qualquer menção a erradicação desses químicos na
agricultura, muito menos apresentar experiências inovadoras de culturas agroecológicas
que vem produzindo com êxito grande volume de grãos a partir de técnicas
sustentáveis.
A
escolha da reportagem talvez tenha sido pelo fato do perigo que está exposto a população
brasileira ingerindo água e alimentos com a presença cada vez maior de inúmeros
agrotóxicos muitos dos quais já banidos em decorrência de sua elevada
periculosidade. Um detalhe importante da reportagem é que desde a queda da ex-
presidente Dilma Rousseff, no Brasil as agencias reguladoras vem flexibilizando
regras sobre novas substâncias de pesticidas, fungicidas e herbicidas
permitidas ao uso agrícola.
Não há dúvida que as mudanças de governos, primeiro
Temer e depois Bolsonaro ativaram de forma desordenada toda uma cadeia
produtiva pautada no agronegócio. O enfraquecimento das bases políticas da
agroecologia e da agricultura familiar no congresso nacional ampliou ainda mais
o poder de influência da bancada ruralista, agora chancelado pelo seu fiel
escudeiro, Jair Bolsonaro.
A
profunda desarticulação de setores importantes ligados a pesquisa científica
até mesmo o questionamento sobre os efeitos nefastos de aditivos químicos em
organismos vivos, ambos foram alvos dos governos de plantão em benefício do
agronegócio e das gigantes do veneno. Entre 2005 a 2015 o número de aditivos
químicos autorizados à agricultura foram relativamente pequenos comparados aos
últimos três anos.
Em 2015, as agências reguladoras no Brasil
autorizaram 139 novos pesticidas para o uso agrícola. Sabemos que esse volume
de veneno permitido está muito acima do que gostaríamos que fosse, ou seja,
zero autorização. O que se viu depois do impeachment foi uma escalada
assustadora de novos rótulos autorizados chegando a quase três centenas em
2016. As negociatas no congresso para livrar o presidente Temer de uma possível
cassação elevou ainda mais o sinal de alerta no campo e dos alimentos com mais
405 rótulos autorizados em 2017 e 450 em 2018.
Com
a posse de Bolsonaro e a indicação de uma representante do agronegócio para
gerenciar a pasta do ministério da agricultura e de um condenado por crime de
responsabilidade, no ministério do meio ambiente, somente nos três primeiros
meses de governo foram liberados 121 produtos ou marcas de agrotóxicos. É um
número assustador. Nenhum outro governo anterior ao atual conseguiu a proeza de
liberar em três meses tantos agrotóxicos de elevada periculosidade. O mais grave disso é que alguns aditivos
listados estão banidos em muitas partes do mundo devido ao seu elevado risco
ambiental. Dos 2.184 aditivos consolidados, ou seja, liberados para serem
utilizados na agricultura, 715 são considerados extremamente tóxicos e outros
309 altamente tóxicos.
Todo
o desmonte das legislações teve como alvo predileto os órgãos fiscalizadores
como IBAMA, ANVISA, EMBRAPA, MINISTÉRIO DA AGRICULTURA e MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE
que adotaram um alinhamento ideológico estratégico com o agronegócio. O crescimento
vertiginoso de doenças epidêmicas, degenerativas e neurológicas, que incham os
ambulatórios e hospitais públicos do país está relacionado direto e
indiretamente aos agrotóxicos. Isso é tão verdade que o Programa de Analise de
Resíduos Tóxicos de alimentos, das 12.051 amostras de 25 alimentos vegetais examinados
constatou que 58% do total possuíam presença de agrotóxicos.
Dos
aditivos químicos detectados nos alimentos, 16,6% não são autorizados para o
uso agrícola, ou seja, jamais deveria ter sido aplicado em qualquer tipo
espécie vegetal. No Brasil as agências fiscalizadoras admitem a presença de
agrotóxico na água em níveis toleráveis. Comparando as análises químicas realizadas
na água no Brasil com a Europa, o resultado que se chegou é assustador. Aqui os níveis de impurezas detectados são cinco
mil vezes maiores que na comunidade européia. Do total
de agrotóxico hoje liberado para o uso agrícola no Brasil, 30% não são
autorizados na comunidade européia. A tragédia dos agrotóxicos no Brasil não
para por ai.
Em
2018 foi aprovado na CCJ da Câmara Federal PL 6.299/02 visando flexibilizar
ainda mais as legislações sobre os agrotóxicos. Na hipótese de aprovação da PL
no congresso, que não será muito difícil, a população brasileira estará diante
de uma difícil encruzilhada, que poderá colapsar ainda mais os sistemas de
saúde pública. Serão milhares de novos casos de intoxicação por agrotóxicos que
serão diagnosticados, além de novos casos de doenças letais decorrentes do
contato e consumo de alimentos e água contendo novas toxinas provenientes de
organoflorados altamente e extremamente tóxicos.
Prof.
Jairo Cezar
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