A escola que temos e a escola que
queremos
Uma sociedade ética se constrói com
escolas bem estruturas, professores estimulados, valorizados com salários
dignos. Com base em tal afirmação, a
sensação que perpassa o imaginário social, quando o olhar se desloca para a
realidade brasileira é de que se vive numa
terra sem esperança, cujas instituições públicas dentre elas a escola, que
deveria assumir a tarefa de transformar esse cenário, instigando a imaginação dos jovens à lutar, se fecha diante dos problemas. As instituições
escolares se constituem atualmente em
verdadeiras fortalezas, protegidas por muros altos, grades e um sistema de
monitoramento que controla paço a paço a vida dos estudante no seu interior.
O que é espantoso frente a essa
realidade preocupante é que a própria escola tem parcela de responsabilidade
pelo crescimento da marginalidade, pois adolescentes que entram ou entraram no
mundo do crime, que consomem algum tipo de entorpecente, em algum momento de
suas vidas passaram pela escola pública, porém, muitos abandonaram ou foram
expulsos por não vislumbrarem
perspectivas objetivas de melhoria de condições de vida.
O que é intrigante nisso tudo, é que a
escola pública, que deveria se constituir como espaço apropriado para promover
a crítica às estruturas de poder e de exploração, fortalece ainda mais esse
modelo, com a reprodução de práticas de exclusão, com a adoção de currículos pré-estabelecidos,
sem consistência e totalmente distanciados da realidade de cada região, município e bairro, que além
de desconsiderar as diversidades culturais locais, em nada reflete aos desejos e aspirações dos estudante e da própria
comunidade.
Afinal o que é mesmo escola pública e
qual o seu verdadeiro papel diante de uma sociedade tão desigual e injusta como
a brasileira? Desde a sua origem essa instituição, concebida pelo Estado Republicano
burguês, tinha como objetivo recolher das ruas crianças e adolescentes reuni-los
em local apropriado visando “educá-las”, incutindo conceitos e valores capazes
de construir uma moral social de submissão e de obediência às regras burguesas.
Portanto, desde a sua origem o Estado assumiu
para si a responsabilidade de montar cuidadosamente um currículo que norteasse
todo processo educativo, a começar pela construção dos espaços escolares,
obedecendo uma arquitetura que possibilitasse a vigilância permanente, vindo
após os conteúdos e os processos de avaliação, que priorizaria aspectos
quantitativos em detrimento do qualitativo, ou seja, a capacidade de interpretar criticamente a
realidade em que vive.
É com base nesses parâmetros que o
sistema educacional brasileiro foi cuidadosamente estruturado, e que vem
contribuindo para a “formação” de um exército de cidadãos (ãs) acríticos (as) e
apolíticos (as), que vendem seu trabalho em troca de salários vergonhosos,
dentre as inúmeras categorias conhecidas estão os (as) próprios professores
(as), sujeitos que dentro dessa conjuntura são essenciais na dinamização da
complexa correia produtiva capitalista.
Vive-se numa sociedade pautada pela
lógica dos resultados imediatos, embora os salários não acompanhem o mesmo
patamar. No campo da educação esse processo não é diferente, no entanto, como
definir critérios e parâmetros de conhecimentos necessários para uma sociedade
e de que forma tal saber contribuirá para a superação da condição de alienação
e exploração dessa mesma sociedade.
Nesse contexto, o próprio Estado Federativo
Brasileiro estabeleceu parâmetros de
conhecimentos ditos necessários, que serão cobrados sob a forma de avaliação
tanto individual, institucional e nacional. Esse mecanismo avaliativo fere os
princípios da autonomia institucional, ou seja, a LDB 9394/96 (Lei e Diretrizes
e Base) sancionada em 1997 determinou que as unidades de ensino, por meio dos
seus Projetos Políticos Pedagógicos, construirão seus próprios currículos
obedecendo as peculiaridades do grupo social na qual a escola está inserida.
A aplicabilidade dos PPPs resultaria na
ruptura progressiva e definitiva do modelo de escola tradicional, trilhando
caminhos para a construção de uma nova hegemonia social, pautada nos princípios
da solidariedade, respeito as diferenças e justiça social. Porém, o primeiro
passo será conscientizar os profissionais da educação e a própria sociedade que
é possível construir uma escola e uma sociedade melhor. O segundo passo é promover
alianças possíveis (sindicatos, associações de moradores, oscips, etc) para
discutir o modelo de sujeito real e o ideal pretendido, ou seja, uma utopia
possível. Firmando essa aliança, dentro
do seu campo de ação, instituição de ensino e demais organizações firmarão
acordos mútuos, comprometendo-se com que foi estabelecido.
Uma nova sociedade jamais pode ser
pensada desconsiderando as conquistas obtidas pela antiga. Uma ruptura social
não ocorrerá de forma abrupta, do dia para noite. Ela se dará de forma lenta,
porém, contínua, comparada a uma guerra de trincheira, cuja conquista do
território, deve ser preservada, servindo de base para as próximas ações. Esse padrão pode ser também adotado no campo
educacional. Afinal que modelo de sociedade é este em que a escola está pautada?
Como está constituída a estrutura produtiva, familiar, sindical, religiosa,
política, etc, dessa mesma sociedade? Como se poderia imaginar outra sociedade
a partir dessa? Exercitar a imaginação contribuirá para estimular desejos e
sentimentos que estão adormecidos, acreditar que somos responsáveis pela forma
como a sociedade está estruturada e que para transformá-la, torná-la mais
solidária e justa, dependerá da nossa postura enquanto sujeito político.
Não há como promover as transformações e
preservar as conquistas obtidas dessa
mesma revolução se o processo não estiver intrinsecamente associado a uma
revolução cultural, cuja escola deve ser um dos estágios. A reestruturação
curricular da escola deve acompanhar essa revolução a partir da realização de
um diagnóstico prévio, trazendo a tona
um juízo real sobre a realidade (prática social), à luz da utopia
desejada e fortemente ancorada na teoria, caminho para pensar a transformação e
o novo modelo de sociedade desejada.
Quando se pensa num projeto educacional
revolucionário, o aspecto político deve ser bem referendado, pois é através
dele que se pode responder a uma ou mais necessidades da sociedade, como também
propor objetivos que expressa um comportamento, uma orientação a ser
seguida. Tendo claro o marco
doutrinário a ser seguido (linha
teórica), a etapa do planejamento torna-se agora importante, pois deve estar
acompanhado pela lista de necessidades, o diagnóstico, a proposta
sócio-política desejada, a visão de homem que deve fundamentar nossas opções e
o modelo ideal de sociedade que deve ser buscado.
Em relação ao diagnóstico institucional,
o mesmo não deve ser confundido como relatório descritivo da realidade da
comunidade e da própria escola. Deve ser interpretado como um juízo sobre a
realidade (sobre a prática). Esse é um processo complexo que envolve todos os
profissionais cuja tarefa é dissertar as ações desenvolvidas durante o período
e se as mesmas seguiram fielmente o planejamento proposto. Todo planejamento deve partir de um marco situacional que são os aspectos da
situação global (socioeconômico, político cultural, educacional...), associado
ao Marco Doutrinal, que é o modelo de sociedade desejada (capitalismo,
socialismo, comunismo...)e tempo por fim o Marco Operativo que é a proposta de
utopia que se projeta para o futuro.
Saindo do campo mais geral de
planejamento participativo, cabe agora discorrer acerca das etapas do
planejamento participativo que ser desenvolvido em sala de aula. Todo
planejamento deve estar costurado com o marco operativo, uma espécie de farol
que guiará a prática, baseada numa proposta que deve ser fundamentada por uma
teoria, que resultará nos resultados que desejamos alcançar.
Como primeiro momento, o planejamento
participativo em sala de aula continuará momentaneamente sendo mantido sob a
forma de disciplinas ou áreas de estudos devendo estar explícito na sua
construção os marcos situacional, doutrinal e operacional. Que ações
(objetivos) e atitudes (estratégias) cada disciplina adotará para obter os
resultados desejados conforme o Planejamento Participativo construído pela
unidade escolar. (TEXTO NÃO CONCLUÍDO)
Prof. Jairo Cezar
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